Fanfics Brasil - Fuga O Mundo de Dunas

Fanfic: O Mundo de Dunas | Tema: Futuro apocalíptico, guerra, aventura


Capítulo: Fuga



Ao atravessar o cume da serra que contornava o vale, ainda escutando os tiros e explosões desferidas, Nilo olhou para baixo novamente. Era possível ver, pela luz dos caminhões que as tropas inimigas já haviam irrompido o acampamento. Os flashes dos tiros apareciam em todas as direções. As tropas da Companhia do Atlântico estavam em um número muito maior.


“Não olha isso… vamos embora” ele ouviu as palavras de Volga e se virou incrédulo, a brutalidade havia deixado a sua mente revoltada.


“Embora pra onde? Nós vamos sair para o deserto…” disse apontando para as dunas “nós deixamos eles morrerem sozinhos para morrer aqui?” ele olhava para a Tenente com muita raiva, ela se virou, seu rosto demonstrava cansaço e tristeza.


“Nós precisamos sobreviver no deserto por algumas horas...” ela falou com uma pausa “e invadir a Fazenda das Dunas”.


Nilo não entendeu as últimas palavras.


“Invadir?” eles tinham acabado de sair da Fazenda, não era possível que tivessem que invadir se eram bem vindos.


“As tropas vão chegar até lá primeiro… eles vão controlar a Fazenda antes que nós consigamos chegar lá, nós vamos invadir.” Volga manteve o olhar firme, a revolta de Nilo fazia com que ele encarasse a tenente com muita firmeza.


“Isso não faz sentido…” Nilo começou a achar que ela estava tentando o manipular “você disse que iríamos salvar meus irmãos… mas agora somos desertores do nosso exército, quando eu chegar lá meus irmãos já vão ter sido pegos… ou não…” Nilo percebeu uma coisa que o aliviou “provavelmente eles vão manter a fazenda funcionando com quem estiver lá” mas a raiva aflorava mais uma vez “nós só vamos piorar tudo para eles lá...”


“Nilo, eu preciso que você fique calmo para eu explicar tudo…” Volga tentava manter um tom calmo “nós precisamos ir andando de uma vez. Quando o sol nascer, já precisamos estar bem longe daqui…” Nilo assentiu com a cabeça, não tinha outra opção, mas por dentro se sentia enganado e com raiva. Eles foram andando, com Volga guiando, Nilo não sabia que direção estavam tomando, mas resolveu confiar que realmente se dirigiam para a Fazenda.


“Recru…” Volga parou de falar mas continuou em seguida “Nilo, agora você não é mais um recruta, como você mesmo disse” ela o olhou nos olhos, sorrindo “nós somos desertores.” Antes que ela pudesse continuar, Nilo interferiu:


“Por que, Tenente? Por que você fugiu e me trouxe?” Volga suspirou antes de voltar a falar.


“Nilo, não sou mais tenente, apenas Volga agora…” seu olhar era triste “eu desconfio que o capitão deixou o acampamento ser descoberto” Nilo não entendeu “ele tinha uma pedra que precisava ser transportada, eu não sei o que tem dentro, nem de onde ela veio. Ele disse que as tropas da Liga não poderiam pegar essa pedra…” o jovem sentiu que seria uma ousadia, mas resolveu perguntar:


“E ela está com você agora?” Volga se virou para ele mais uma vez.


“Sim”.


“Você roubou?”


“Eu prefiro pensar que não roubei, eu salvei” ouvindo isso, o rosto de Nilo revelava a sua incredulidade, por isso Volga completou “não precisa acreditar cem por cento, só um voto de confiança por enquanto.”


“Certo… continua explicando” para Nilo esse era um questionamento justo, então Volga recomeçou a falar.


“Quando eu percebi que o Capitão tinha entregado o acampamento, eu roubei a pedra que estava com ele. Ela é um pouco maior que uma maçã e é bem pesada, ele não conseguia esconder na roupa. A pedra estava em um fardo falso de suprimentos, eu mesma vi ele pegando esse fardo e guardando um embrulho nele. Isso foi durante um encontro, há duas semanas, em um dos laboratórios da antiga capital, antes da invasão acontecer. Mas nãos sei se foi lá que ele pegou o embrulho, só que o dia coincide” Volga deu uma pausa “quando eu roubei, não sei se o capitão viu, mas quando eu saí da barraca você estava muito perto, podia ter escutado algo da nossa conversa, sobre a pedra. Pelo valor que o Capitão disse que ela tinha, ela não poderia ter sido pega…”


Nilo estava ouvindo a história mas não conseguiu se conter mais:


“Você quer que eu acredite nisso tudo, você me trouxe aqui por que eu escutei algo sobre uma pedra misteriosa? E por que? Nós vamos fazer o que com ela, enterrar aqui? Na Fazenda? E o que tem uma pedra, por que ela teria algum valor?” ele respirou fundo enquanto Volga voltava a falar.


“Calma com as perguntas. Nós vamos levar a pedra para a Capital do Prata, que ainda não foi tomada… lá vamos pegar um barco e fugir do continente...” Volga parou de falar quando o outro começou a rir.


“Como fugir do continente? Você bebeu?” Nesse ponto, Nilo já duvidava de cada palavra de Volga.


“A pedra tem algo dentro, na Fazenda vou tentar checar o que é pelo laboratório. Depois nós vamos pegar provisões e eu, você e seus irmãos e vamos fugir pelo deserto até o sul, para a Capital do Prata”.


Quando Volga terminou de falar, Nilo parou de andar e respondeu.


“Nem meus irmãos, nem eu vamos atravessar o deserto” Nilo estava indignado “é morte na certa, não tem água nem alimento, de que nós vamos viver viajando tanto tempo?”


“Os tribais vivem lá, claro que tem água e comida…”


“Eles são todos bárbaros, nessas tribos das dunas, vivendo como animais, eles roubam as fazendas. Só deixam o deserto mais perigoso do que já é...” Nilo deu uma pausa, Volga parecia ofendida e se virou.


“É.. eu conheço o deserto... e as tribos, não é fácil sobreviver lá, mas também não é impossível, se você for comigo, nós vamos conseguir” Volga deu uma pausa “e quanto aos seus irmãos, quando você conhecer o regime que a Liga impõe as fazendas, vai preferir ver os dois atravessando o deserto também”. Nilo não duvidou inteiramente da história, mas também não acreditava. Como não tinha outra opção:


“Eu vou com você... pelo menos até a Fazenda”. E foram andando sem dar muitas palavras.


O sol nasceu.


-


Quando chegou o horário do almoço, Azul veio descendo as escadas para o pátio da Escola de Ofício. Branco já estava esperando para almoçarem juntos sentado em um banco em um canto do pátio, virado para a parede. O gêmeo parecia ter dado as costas para a multidão, ou para alguem nela. Na parede que ele encarava haviam alguns murais, eram mosaicos gigantes, muito coloridos, representando o mundo antigamente. Neles se via a natureza verde e exuberante, emoldurada por cursos d’água e plantas que Branco nunca havia visto. Havia também feras enormes, representadas dentro das matas, e muitos frutos e flores nas árvores.


Azul chegou e se sentou também, abrindo sua mochila para pegar o estojo com o almoço.


“Você acha que as coisas realmente eram assim?” disse Branco, apontando para os muráis


“Os resíduos orgânicos escavados do deserto mostram que sim…, também tem as imagens, vídeos e documentos, que conseguiram recuperar da humanidade que veio antes da Guerra do Apocalipse” Azul riu baixo e apontou para a escola no entorno “Tudo isso devemos à tecnologia escavada nos sítios arqueológicos deles” e continuou se virando para o irmão “só agora, que recuperamos bastante informação, estamos conseguindo desenvolver coisas novas, mas com muito poucos recursos” Azul olhou sério para o mural enquanto falava “o problema é se alguem descobrir como eles destruíram tudo...” mas parou vendo que Branco tinha perdido o interesse.


“Como está seu almoço?” Branco recomeçou o assunto.


“Bom, seco como sempre…” Azul estava comendo os biscoitos agora. Gostava da geléia de goiaba entre eles, mas ainda assim pensou que teria sido melhor ter trago um pouco de água para ajudar a descer.


“Eu não consigo parar de pensar no Nilo, o que deve estar acontecendo no primeiro dia dele no exército?” Branco olhava em direção à sua fruta, mas seu olhar estava perdido, como se visse o irmão mais velho através dela.


“Tomara que não esteja na guerra…” Azul falou preocupado.


“Vamos ir ouvir o rádio na sala dos guardas de noite? Eles nunca nos vêem atrás da porta.” Branco falou com um sorriso nos lábios. Azul não gostava de fazer isso mas balançou a cabeça concordando e começou a mastigar um biscoito. Enquanto estava engolindo, ouviu a sirene tocar por quatro vezes. O susto o fez sufocar e tossir.


“Azul! Azul, cospe…” Branco deu uns tapas nas costas do irmão “melhorou?” Azul acenou que sim com a cabeça, enquanto se levantava.


“Esse sinal é o de invasão Branco...” Azul sentia o corpo mole “a estrada é muito longa… mas eles devem ter cruzado com o batalhão do Nilo” e olhou para o irmão “mas se passaram por eles… e se quem chegou foi o exército da Liga… o que aconteceu com o Nilo?”



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Autor(a): drumal

Esta é a unica Fanfic escrita por este autor(a).

Prévia do próximo capítulo

Branco e Azul começaram a correr. Havia um treinamento para esse tipo de situação. Os estudantes deveriam retornar aos dormitórios o mais rápido possível. A multidão de alunos na hora do almoço causou um gargalo nos portões da Escola de Ofício, seria difícil passar por alí. Os dois resolveram ...


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