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Fanfic: Lembranças de Outono | Tema: Romance


Capítulo: Folha 11 - Alexis: Decisão

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“Lex...? Lexi!!”, ouviu chamá-lo com um tom manhoso e sereno como ele bem gostava que ela fazia ao pé do ouvido enquanto sentia a ponta de seus dedos arranhando de leve seu peito.


De sua parte, gostava de fingir que estava adormecido embora fracasse por conta do sorriso que se deixava desenhar em seu rosto.


Sentia o peso dela sobre a cama, depois sobre ele buscando acordá-lo meio a um riso sufocado. Sim, ela sabia que já havia despertado e adorava aquele joguinho.


Por fim, após inúmeras tentativas e denotar alguma frustração, o silêncio seguida de um arrepio.


As mãos dela, que até alguns instantes espalmavam em seu peito, desceram pelos flancos, encontravam-se abaixo do ventre, envolvendo o corpo adormecido com algum carinho. Tocava-o cuidadosamente, percebendo-o despertar aos poucos. Ela também abafava um riso travesso, deixando a ponta da língua deslizar da base ao topo suavemente.


Alexis adorava aquilo e deixou um suspiro de êxtase escapar pelos lábios, enquanto se deixava levar. Sempre lhe causava arrepios, fazendo-o encolher os ombros, resistindo. Não eram toques de carícias e ou com pretensões lascivas, mas quase sempre acabavam por seduzi-lo pela maneira que ela o fazia.


"Lex!", murmurava, e era isso que ele gostava, pois ele terminava por tomá-la em seus braços e a puxava para junto dele para tomar aquela sua boca cheio de desejo. Ele a envolvia em seus braços, envolvendo-a, puxando aqueles seus cabelos longos e... “Claros?!”


Foi então que Alexis despertou de súbito, ofegante. Levou algum tempo para se orientar de onde estava e o que tinha acontecido. Tudo pareceu tão real que terminou por levar a mão ao rosto, desolado e confuso. Somente quando a luz do quarto foi acesa que alguém muito preocupado buscava acalmá-lo.


— Alexis, sou eu... Gwenn! — dizia ela ao lado da cama acendendo a luminária e percebendo o quanto ele transpirava. — Não queria assustá-lo. Eu vim chamá-lo para comer alguma coisa quando percebi o quão agitado estava na cama...


“Agitado...?”, ele pensou e temeu do resultado daquele sonho, dobrando as pernas enquanto se colocava sentado na cama ao sentir certa ‘umidade’, não apenas quando passou a mão nos cabelos.


— Você... — o advogado tentava dizer com a voz rouca ainda por conta do sonho, o que o fez olhar para seu colo coberto pelo lençol que, com a penumbra do quarto, ajudava cobrir bem o resultado de sua ‘agitação’. — ... aqui? Pensei que estaria... — e pigarreou. — Que... Que horas são?


— N... Não... Eu consegui trocar de turno... — respondeu a loira que se mostrava momentaneamente perdida. — Horas? Ah... — e buscou o relógio junto a sua cabeceira que, meio sua agitação, quase o derrubou. — São quase meio-dia... de sábado. — respondeu enquanto se voltava para ele, sentando-se na beira da cama enquanto o via com a mão na cabeça. — Tem certeza que está bem?


— Tudo bem. — respondeu ele já melhor recuperado, mais preocupado em manter as pernas dobradas de modo a manter o lençol alto o bastante para encobrir aquilo. — Quando foi que você...


— Ontem. Eu tenho a chave, lembra-se? — a hostess falou e franziu o cenho estranhando aquilo. — Soube que chegaria, então... — deu de ombros, prendendo a mecha do cabelo atrás da orelha. — Bom, eu vou pedir algo pra você comer e... — e já se levantava.


— NÃO! — exclamou ele, assustando-a, seguidamente se desculpando ao se dar conta do que fez. — Não agora. Eu... — respirou fundo e juntou as mãos como se fizesse uma prece enquanto tinha a atenção dela sobre ele. — Gwenn, façamos assim. — Apenas me dê alguns minutos para acordar, colocar a minha cabeça em ordem... — e olhou para o quarto, seguindo até a porta que dava ao lavabo. — ... e um banho para me despertar e então penso nisso, está bem? — suspirou. — Só o que peço.


Um breve instante de silêncio se fez, mas ela assentiu, ainda que não estivesse tão convencida de que ele estava tão bem quanto dizia.


— Tudo bem... Eu vou esperar na sala. — disse ela estranhando aquilo e seguindo para a porta, deixando-o ainda sentado na cama, vendo-o com o corpo curvado para frente, os braços apoiados na perna ainda dobrada. — Apenas não pense em voltar a dormir sem antes comer alguma coisa. — e desenhou um sorriso, vendo-o corresponder enquanto afirmava que “Não, não voltarei a dormir”.


Quando Gwenn fechou a porta para melhor conceder a privacidade solicitada por Alexis pensava sobre o quanto ele ainda estaria chateado ou mesmo irritado com ela como pareceu no dia anterior. “E por que não estaria após o que aconteceu?”, relembrou o episódio ocorrido no último fim de semana.


Uma tórrida noite que fechou com uma discussão matinal e ânimo exaltado de sua parte.


Apenas dois dias depois de sua frustração e com ânimo mais calmo pôde refletir, de fato, sobre o que aconteceu e amargou sua falta com o advogado. Havia ficado tão injuriada com um telefonema findar os planos que tinham feito ao longo de toda semana que não se permitiu compreender o que estava acontecendo.


Tinha que admitir o quanto havia sido intolerante ao ponto de nem mesmo ouvi-lo — “Ao menos saber qual seria a desculpa da vez”, ela pensou. Por outro lado, sentia um grande vazio e culpa pelo tratamento dado.


Com sua influência conseguiu uma mudança de turno no Cruzeiro que tinha sido escalada. Não suportaria seguir viagem e passar um mês remoendo aquela discussão. Por outro lado, amargaria um longo mês, sem absolutamente nada para fazer e sem algum dinheiro extra para aqueles dias, se não fosse bem sucedida na reconciliação.


Ligou para seu escritório e teve conhecimento de sua chegada em Nova Iorque e quando estaria de volta a Sunport.


Chegou ao apartamento ainda vazio, deixando seus pertences no quarto e sentou-se na cama e recordando as inúmeras discussões que acabavam em sexo. “Quem sabe não seja assim novamente?”, pensava a hostess, deitando-se na cama, lembrando dos inúmeros joguinhos e fantasias que aconteceram ali, e aquilo a excitava, sobretudo olhando para uma gaveta onde guardavam alguns brinquedos.


Em meio às lembranças e ensaios de como aconteceria aquela conversa, estava quase adormecendo quando ouviu movimentos da sala, despertando ao ouvir a voz do advogado que a reanimou.


No entanto, parou na porta com a mão pronta para abri-la quando ouviu, também, a voz de Milo. Ele era o último quem queria que soubesse que ela estava ali. Tinha certeza que Alexis havia conversado com o amigo que nunca escondeu sua antipatia por ela e temia o quanto ele poderia ter influenciado negativamente sobre a relação dos dois. Voltou a sentar-se na beira da cama apenas esperando que não acompanhasse o anfitrião até o quarto, e suas preces foram ouvidas.


Ao entrar no quarto, Alexis a encontrou sentada na cama. A expressão dele era incógnita, mas Gwenn percebia surpresa em seu olhar.


— Não esperava encontrá-la aqui. — disse ele quebrando aquele mórbido silêncio, empurrando o carrinho com a mala para um canto do quarto. — Não depois do que aconteceu.


— Eu também não. — confessou a loira seguida de um suspiro. — Na verdade nem sabia se gostaria de me ver depois do que fiz... — e riu nervosa, levando a ponta dos dedos diante dos lábios. — E agora que está aqui, não sei o que e como exatamente dizer agora mesmo ficar ensaiando o que queria falar...


— Gwenn, não quero soar grosseiro, mas não me encontro em condição de discutir qualquer coisa agora. Quem sabe amanhã, quando estiver mais descansado? — propôs ele num tom calmo e buscando ser sutil nas palavras.


— Cla... Claro. — disse ela automaticamente e um tanto surpresa pelo seu tom calmo. — Eu... Eu Entendo... — ela disse, baixando a cabeça e se levantando da cama. — Desculpa, eu... não queria... parecer inconveniente. — e tomava a bolsa que deixara sobre uma poltrona ao entrar no quarto. — Sinto muito.


— Gwenn, espere. — Alexis a segurou pelo braço antes que deixasse o quarto, virando-se para ela. — Fico feliz que esteja aqui e queira conversar sobre isso, mas... — e tocou em seu rosto com as costas da mão. — ... amanhã.  É só o que peço.


Gwenn não sabia o quanto era ansiosa até aquele momento. Ou acaso seria uma ocasião extraordinária para que ficasse assim?


Até aquele instante não lembrava de ficar preocupada com uma conversa envolvendo parceiros, julgando desinteressante, simplesmente deixando cair no esquecimento. “Por que estou agindo assim? Aliás, por que voltei aqui?”, ela se perguntava ao longo daquela noite que a impediu de dormir.


Assistiu-o jantar, mantendo apenas conversa trivial, estudando suas reações. Seu olhar, seus movimentos, o tom de sua voz grave. Era notável que o advogado pouco atentava-se ao que era dito tamanho seu esgotamento, porém via algum charme naquilo. E ainda que ele a tivesse convencido a passar aquela noite ali com aquele estranhamento, Alexis desmaiou na cama tão logo se deitou.


Ela, pelo contrário, não conseguiu adormecer pensativa sobre a conversa. “Bom, ele me convidou a ficar, dormir com ele. Caso contrário...”, pensava ela vendo-o completamente apagado. “Ou ele está cansado demais para qualquer coisa. Ora! Por que diabos estou tão preocupada com isso?”, ela pensou e se irritou por aquilo, fazendo-a levantar da cama e voltar para sala, onde adormeceria em meio aos ensaios da conversa que teriam e questionamentos da razão daquela desculpa.


“Não existe ensaio para um vacilo como esse Gwenn...”, pensava a hostess mordiscando a ponta da unha. Não mais estava pensando em uma desculpa, mas rm como contornar aquela situação.


.


.


.


Quando a água levemente fria tocou seu corpo, Alexis sentiu-se mais desperto, e o ajudou a acalmar os pensamentos que o perturbavam. Aquele sonho que lhe parecia tão real ainda o assombrava.


Por alguns minutos após o despertar, sentiu como se um perfume floral suave o tivesse impregnado, tão quanto o sabor dos lábios carnudos como se ainda estivesse em sua boca. Lábios aqueles que ela sempre mordiscava quando pensava em alguma travessura, que podia terminar ou não na cama.


No entanto, o banho não parecia estar ajudando a esfriar sua mente que continuava a fervilhar de lembranças, o que resultou no pequeno acidente em seu pijama que, por muito pouco, não se estendeu para o lençol até onde viu. Sentia-se levemente frustrado pela conclusão daquele ato onírico.


“Como você pode mexer com a minha cabeça mesmo após tanto tempo...?”, o advogado pensou, socando de leve a parede do banheiro e deixando a água esfriar os ânimos, ainda quentes. Aquela não era a primeira nem a última vez que era capaz de sentir seu corpo comprimido contra o seu, seus suspiros e gemidos em seu ouvido enquanto a tomava para si, acompanhando seu ritmo a ponto dele mesmo sufocar-se e despertar molhado na cama tamanha excitação.


Enquanto aliviava toda aquela tensão sobre o chuveiro, sufocou o gemido tal como tantas vezes fazia enquanto tomava sua boca meio ao ato, buscando aqueles olhos únicos e belos, seu grande encantamento que escondia por trás daqueles óculos de armação fina. Quando ela arqueava o corpo, era como uma corrente elétrica tomando os dois, fazendo-o derramar todo o prazer daquele ato, deixando-os tão ofegante como ele estava naquele momento.


Deixou que a água lavasse seu corpo, limpando os últimos vestígios daquele sonho tão prazeroso quanto frustrante e melancólico. Ao menos havia se acalmado o suficiente para abandonar o box. Parou diante da pia, olhando-se no espelho grande, e levou a mão direita ao rosto. Com isso percebeu o brilho do anel em seu dedo e ficou a observá-lo por alguns instantes.


Fez menção de tirá-lo, mas desistiu, fechando o punho e suspirando pesadamente. O que deveria fazer? De alguma forma, reconhecia que Milo e Andrew estavam certos. Aquilo era passado e não tinha qualquer chance de voltar a acontecer. Ainda assim, não queria... Sentia-se amarrado a ela, mesmo depois de tanto tempo.


“E agora? O que eu faço?”, se perguntou desnorteado, quando ouviu uma movimentação discreta na sala, lembrando-o que não estava sozinho no apartamento. Não demorou muito e Gwenn o chamou no quarto com telefone em mãos.


— Era o Milo. — respondeu ela com certa indiferença. — Ele também ligou ontem à noite e deixou recado dizendo para ligar tão logo acordasse. Pareceu preocupado com você.


— Tudo bem. — disse o advogado deixando o lavabo e acabando de enxugar os cabelos. — Façamos assim... Ligue para a portaria avisando que vou sair e liberarem o portão enquanto ligo pra ele.


— Não acho que esteja em plena condição de dirigir, Alex... — dizia a loira quando o viu pegar as chaves do carro na escrivaninha que tinha no quarto e entregá-las em suas mãos, deixando-a surpresa.


— Você dirige. — interrompeu ele, retornando a ligação e ouvindo o amigo atender. — Oi, Milo, desculpe não atender ontem, porque desmaiei... — disse, seguindo até o closet. — Sim, dormi o bastante e agora vou sair para comer algo fora... Não, não se preocupe... — e olhou na direção de Gwenn ainda no quarto. — Já me sinto mais descansado e sem tanto o lag da viagem... Tudo bem, ligo mais tarde se possível.


— Não quero ser chata, mas... — ela umedeceu os lábios. — E aquela nossa conversa?


— Nós a teremos. — Alexis não negou, enquanto escolhia uma muda de roupa e a deixava sobre a cama. — Eu quero conversar tanto quanto você, acredite. — e parou para fitá-la, notando-a um pouco tensa, e sorriu com gentileza. — Mas antes preciso realmente espairecer e não farei isso com estômago vazio. O que posso adiantar, se é que isso a tranquiliza, é que gostei de encontrá-la aqui.


Aquelas palavras fizeram a hostess relaxar, embora ainda estivesse preocupada. Gostava de Alexis e de como ele a tratava, do que fazia sentir, e não estava muito à vontade com a possibilidade de perdê-lo por causa de uma situação tão estúpida quanto a que ela se enfiou.


— Fico feliz que por isso... eu acho. — a loira tentou brincar, porém seu sorriso não foi tão tranquilo quanto o dele. — Ah... E onde vamos...?


— Ao D’arezzo. — respondeu ele simplesmente. — Não era onde havíamos combinado de almoçarmos anteriormente?


 


E tal como havia dito, Alexis entregou as chaves para Gwenn assumir a direção de seu Mitsubishi Eclipse e partiram em direção ao Píer.


Embora fosse uma tarde de sábado, o píer não estava tão cheio como frequentemente era na alta estação do verão. Isso porque muitas pessoas optaram por caminhada ou passeios de carruagem ou bicicletas para uma volta pelo bairro com seus incríveis parques arborizados ou mesmo seguindo para o parque de diversões mais adiante.


Seguiram para o centro gastronômico localizado mais próximo da marina, reunindo diferentes restaurantes — italiano, grego, mexicano e um internacional. Diferentes dos comércios gastronômicos do píer, estes exigiam agendamento prévio, o que preocupou Gwenn uma vez que a reserva havia sido marcada uma semana antes. Alexis, no entanto, apenas disse que não havia com que se preocupar.


Tão logo ficaram diante do maître, Gwenn suspirou ao ouvi-lo dizer que não havia mais vagas naquela primeira hora. O advogado apenas citou seu nome — Van Every, Alexis — levando o homem consultar o computador, desculpando-se por ‘aquele transtorno’ e pedindo que o acompanhasse.


Conseguiram uma mesa no segundo piso, área VIP do restaurante com vista para o píer e seu parque de diversões e a baía bem mais ao fundo, com coqueiros próximo à janela panorâmica.


— Qual foi a mágica que usou? — indagou a loira surpresa.


— O dono daqui é meu cliente. — respondeu ele com um sorriso de canto. — Então sempre há mesa na área VIP sem necessidade de agendar, senão em ocasiões muito especiais.


Ela apenas abriu a boca em surpresa intencionando dizer algo, mas deixou de lado quando alguém de meia idade se aproximou.


Era um homem atarracado e de rosto redondo e um tanto bonachão. Era calvo, com algum pouco de cabelo já grisalho na lateral e cheios — o que ele, aliás, sempre reclamava em parecer um palhaço, provocando uma mania de sempre ficar alisando aquela parte com suas mãos pequenas e roliças quando não estava ajeitando os óculos de armação preta.


— Alexis, figlio mio! — chamou o homem, fazendo o advogado se levantar novamente. — Ah, não! Fique sentado e assim não precisarei ficar levantando a cabeça. Esquecemos a etiqueta aqui. — e se voltou para a mulher. Come è bella! Quem é a jovem que o acompanha?


— Gwenn Taylor. — apresentou Alexis, com o baixinho pedindo que ela não se levantasse. — Gwenn, esse é Gaetano D’arezzo, responsável por trazer a melhor comida italiana para Sunport.


— Ah, não exagere... — respondeu o baixinho orgulhoso e fingindo modéstia. — Coincidentemente preparei seu prato favorito: Fettuccine, este com salmão teriaki com uma massa exclusiva que é segredo de família. — orgulhou-se, levando a mão ao peito. — Reservo o vinho branco exclusivo da Casa D’arezzo, seco ou suave, o que a jovem preferir como oferta da casa.


— D’arezzo assumindo a cozinha...? — brincou o advogado, colocando o guardanapo no colo.


— A cozinha é meu santuário. Terei o prazer de preparar um prato especial a esta bella! — e tomou a mão de Gwenn para um beijo.


— Obrigada! — sorriu a loira meio àquela bajulação.  — Alexis sempre fala muito daqui.


— Ah, esse ragazzo... — riu ele. — Sendo assim, recomendo bruschetta como aperitivo. — sugeriu o proprietário e os dois assentiram. — Pedirei que tragam alguns exclusivos da casa.


O velho italiano sinalizou para o garçom que apenas aguardava a chamada e anotando os pedidos consentidos pelo casal, deixando somente uma jarra com água mineral.


Conversaram mais algumas trivialidades, o italiano finalmente avisava que os deixaria, retornando com a especialidade da casa, a qual fazia ele mesmo questão de entregar o prato. Antes, entretanto, prestou as devidas condolências ao advogado pela ‘perda recente’, deixando Gwenn intrigada por aquilo.  A feição do advogado ganhou um semblante sério que o fez respirar fundo por aquilo, criando uma expressão interrogativa de sua companheira.


— Ex-esposa de meu irmão. Depois conversamos sobre isso. — ele explicou rapidamente.


“Irmão?”, Gwenn pensou, sendo pega de surpresa por aquilo, demorando a assimilar aquela informação e levando-a a pensar alto.


— Nem sabia que você tinha um irmão. — ela comentou, tentando disfarçar. — Aliás, percebo que sei muito pouco de você.


— Acho que nunca tivemos uma abertura de fato um com outro, Gwenn. — comentou Alexis servindo-se de água. — Eu mesmo sei muito pouco sobre a Gwenn Taylor em si. O que sei da Gwenn Taylor, ex-nadadora olímpica que abandonou a carreira e de pequenas coisas que surgem por acaso.


— Ainda assim sabe mais de mim do que eu de você. — disse ela ainda o fitando, mantendo um ar de estranheza. — Não lembro de ouvi-lo falar uma única vez de ter um irmão ou fazer qualquer menção dele ‘por acaso’.


— Isso é algo que podemos começar a resolver desde agora, não acha? — disse o advogado arqueando o semblante.


A conversa que se seguiu ao longo do almoço partiu mais para o pessoal, com ambos se surpreendendo um com outro com detalhes antes jamais conversados.


Gwenn até tinha conhecimento de alguns pormenores como a tatuagem que Alexis tinha no braço direito em homenagem ao pai que não era apenas um aficionado por futebol como ela pensava, mas um técnico que inspirou o advogado a quase se tornar um profissional não fosse um acidente durante um campeonato, obrigando-o a deixar os campos.


Gwenn também se permitiu abrir com Alexis. Embora tivesse sido uma atleta campeã pan-olímpica e com inúmeras medalhas de campeonatos, desistiu alegando pressão e a alta competitividade que a fez se ‘aposentar’ em seus 22 anos.


Atuou como modelo publicitária para companhias marítimas e indústrias esportivas, além de ser capa de inúmeras revistas que a manteve nos holofotes nos anos seguintes, o que foi muito oportuno. Afinal, foi por conta de convites em Cruzeiros, sendo a anfitriã dos eventos, que a levou a conhecer, estudar e atuar como hostess.


Três anos após deixar as piscinas olímpicas, mantinha seu nome como referência na área, com palestras e lançamento de livro que serviu de cartilha para novos profissionais. Até mesmo criou sua própria equipe de viagem com logo de uma ‘sereia’, tal como era chamada nos tempos de nadadora.


Não é preciso dizer que a presença de Gwenn Taylor como a Hostess de um Cruzeiro tornou-se um dos pacotes mais procurados e prestigiados. Para tanto ela foi a escolhida para ser a anfitriã do Cruzeiro financiado pela empresa jurídica onde Alexis atuava, como parte de um ‘presente de gratificação’ aos funcionários mais renomados — e do qual o advogado e Milo haviam se destacado naquele ano — levando-a a se aproximar dele.


Dos encontros casuais em Nova Iorque a encontros frequentes em Sunport onde Gwenn precisou se estabelecer para gerenciar as equipes da agência. Sem necessariamente um compromisso, mantinham-se livres até então, permitindo que cada um buscasse por relacionamentos fora, sobretudo em viagens que, no caso de Gwenn, poderia estender-se para mais de um mês. Ainda assim tinham uma relação com idas e vindas meio a divergências como do último fim de semana.


Contudo, diferente das inúmeras outras vezes, a ex-nadadora sentia-se realmente incomodada, ansiosa para resolver aquele assunto, principalmente por notar um comportamento peculiar vindo do advogado que estava muito além de cansaço. Ele tinha um semblante ambíguo do qual ela não sabia dizer no que exatamente ele estava pensando.


Após o almoço optaram por um passeio pelo píer, visitando algumas barracas e caminhar pelo parque de diversões como mera distração antes de voltarem para o apartamento. No entanto, o advogado a convidou a acompanhá-lo verdadeiramente ao píer, longe de toda a agitação e onde apenas algumas poucas pessoas transitavam assistindo a agitação do mar e de alguns poucos que se aventuravam em suas águas.


— Sabe o que dizem sobre o outono? — questionou Alexis repentinamente voltando-se para ela, despertando-a de seu devaneio. — Algumas pessoas falam de perda, de abrir mão de algo mesmo que aquilo nos pareça importante no momento, tal como as folhas de uma árvore que a deixam... desgastada. — explica ele mantendo um tom calmo na voz. — E começo ver sentido nisso.


— E onde quer chegar com isso, Alexis? — questionou Gwenn sentindo o coração palpitar forte em seu peito, algo que não tinha sentido tão intenso até então. — Olha... — e baixou a cabeça, umedecendo os lábios e contendo a ansiedade que já estava para explodir. — Eu imagino que esteja chateado comigo por conta do que houve...


— Sim, eu fiquei chateado porque não me deixou explicar o que estava acontecendo... — interrompeu ele e se voltando pra a mulher. — ... e não era bem isso que esperava após a noite que passamos juntos.


— E reconheço que agi como uma garotinha mimada e egoísta. — admitiu a loira com pesar na voz. — Sei que nada justifica minha atitude, mas fiquei tão frustrada...


— Eu sei. — afirmou ele mantendo o mesmo tom de voz. — Eu pensei muito nisso ao longo dessa semana, principalmente após conversar com meu irmão. Sabia que não nos falávamos há seis anos? Sabe o que foi reencontrar com ele, após seis anos sem trocarmos uma única palavra? Ele me ajudou a refletir e repensar em algumas coisas.


— Isso tem alguma relação do que o italiano lhe disse mais cedo? — indagou a loira vendo-o assentir. — Você falou sobre a ex-esposa do seu irmão.


— O nome dela era Lydia, ela estava doente há muito tempo. — dizia Alexis com um tom levemente triste. — Eu nunca pude visitá-la quando voltou para sua família, na Grécia. Themis, a irmã dela, foi quem me ligou na semana passada com a notícia. Eu queria curtir aquele fim de semana contigo, Gwenn, mas não podia faltar uma última despedida à Lydia. Eu não teria outra oportunidade...  — e pausou por alguns instantes buscando pelos olhos dela. — ... diferente de você.


Aquelas palavras foram como um soco no estômago, fazendo Gwenn estremecer por alguns instantes. Se antes se sentia mal por sua cena desnecessária, agora sentia-se uma pessoa extremamente mesquinha, para não dizer estúpida.


— Lembra que há pouco disse que começo a ver sentido sobre outono e suas perdas? — indagou o advogado buscando sua atenção, percebendo seu olhar triste e certa vergonha. — Não que quisesse que fosse assim, mas a morte de Lydia me reaproximou do meu irmão e ele me disse algo que tem me ajudado a refletir muito, sobretudo de abrir mão de determinadas coisas para que me permita renovar. Nas palavras dele, deixar o passado no passado.


— Eu não estou entendendo onde quer chegar com isso. — dizia a hostess confusa com aquele jogo de palavras, fitando-o.


Naquele momento, Alexis a puxou sutilmente pela cintura e recostando-a na grade do píer enquanto ficava de frente para ela, buscando seus olhos.


— Eu voltei decidido a recomeçar alguns passos da minha vida, Gwenn. Estou inclinado a esquecer, relevar o que aconteceu antes da viagem. — dizia ele num tom mais decidido. — Quero recomeçar.


— Recomeçar...? — estranhou ela, sorrindo, mas ainda confusa com tudo aquilo. — Fala de nós dois... Você e eu...


— Sim... Nós dois. Um relacionamento mais firme, sério... — ele pontuava, mas em seguida deu de ombros. — Sei lá! Ver como tudo desenrola. Acha que pode tentar isso?


A ex-nadadora ficou a olhá-lo incisivamente naqueles olhos verdes. Não parecia ser um jogo ou lábia de advogado. Ele realmente parecia sincero.


— Um novo começo. — disse ela.


— Um recomeço! — repetiu ele.


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Autor(a): katrinnae Aesgarius

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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 2



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  • luisarroni Postado em 11/07/2018 - 23:36:44

    Escrita muito boa. Continue postando!

  • katrinnae Aesgarius Postado em 10/07/2018 - 23:10:20

    Após um erro de capítulos, foi preciso reupar 5 capítulos simultâneos.



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