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Fanfic: The Mythology- Portiñon- Adaptada | Tema: Dulce María, Anahí Portilla, Portiñon, Mitologia Grega


Capítulo: Quando o inimigo chega a sua porta

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Pov Anahí



Demoraram dias para que algo realmente acontecesse. Não que eu estivesse reclamando daquele tempo tranquilo... Mas tranquilidade demais chegava a assustar! Nosso cotidiano sempre mudava constantemente, a falta de que algo acontecesse era tão
estranho que às vezes eu me pegava desejando estar em uma briga só para ter o que fazer.



Era um dia especialmente muito frio. A sensação térmica estava abaixo de zero e muitos locais foram fechados por conta do acumulo de neve nas ruas. Estava perigoso andar pela cidade com aquele inverno rigoroso. Estávamos na casa de Dulce, lugar que mais frequentava do que a minha própria casa. Maite e Blanca preparavam o almoço já que a filha de Hermes não conseguia ficar parada vendo o noticiário.



Bem, em meu estado normal eu também ficaria agoniada por estar parada vendo algo idiota como o jornal local. Porém eu estava simplesmente deitada no colo de Dulce, recebendo carinhos e dengos que me deixavam relaxada demais para poder ter uma crise de hiperatividade.



-Veja, está nevando até nos países quentes – Dulce chamou a atenção para a televisão.



Foquei meus olhos no repórter encapuzado. Sim, estava nevando em locais em que a probabilidade disto acontecer eram mínimas. Obviamente que tudo o que estava acontecendo com o sequestro de Perséfone e a chegada do inverno não atingiria apenas os Estados Unidos, mas sim o mundo inteiro. Até mesmo as cidades que estavam acostumadas com os invernos difíceis estavam registrando as piores temperaturas em décadas.



-Logo tudo voltará ao normal – falei tentando ser o mais positiva possível.



-Fico me perguntando por que está demorando tanto – Dulce suspirou e começou a escovar meu cabelo com os dedos distraidamente – Espero que eles estejam bem.



-Ariana sabe se virar – admiti fazendo careta e depois rindo – Ela é mais macho do que o Ucker, então vai protegê-lo também.



Dulce riu de minha colocação e apertou meu nariz, fazendo-me franzir arrancando um sorriso bobo dela. Mas bastou um olhar e um leve beicinho que Dulce entendeu o que eu queria. A latina inclinou o corpo até deixar os lábios próximos dos meus e assim que aquela boca esteve ao meu alcance, capturei o lábio inferior dela o sugando de maneira demorada. Foi o primeiro ato que anunciou um daqueles beijos lentos e longos, em que nossas bocas e línguas se exploravam como se fosse a primeira vez.



-Anahí, será que poderia manter a boca longe da minha filha por dez minutos?! – escutei a voz de Blanca vindo por trás.



Afastei nossas bocas assim que escutei a minha sogra falando em um tom bravo. Meu rosto corou prontamente enquanto erguia o meu corpo, deparando-me com a senhora
humana com as mãos na cintura e um sorriso divertido nos lábios. Tinha se tornado um passatempo de Blanca nos provocar, o pior é que ela sempre saia vitoriosa em todas as vezes!



-Será que ela me ameaça com o rolo de massa se eu responder que é difícil não te beijar a cada minuto? – murmurei para que só a Dulce escutasse.



-Certas coisas eu acho que minha mãe não precisa saber, Nah! – ela riu e levantou do sofá – Almoço está pronto mãe?



-Claro que está – Maite apareceu por trás de Blanca – E está maravilhoso, porque fui eu quem ajudei!



O almoço estava realmente bom, apesar de que nunca iria admitir isso para Maite.



Pelo contrário, apenas a perturbei dizendo que ela já poderia casar com o Alfonso já que já sabia cozinhar. Tudo seguia como estava sendo nos últimos dias. Normal. Tranquilo. Frio.



Então a companhia tocou.



-Eu atendo! – Maite saltou prontamente.



Rapidamente a garota maior estava abrindo a porta e deixando que duas garotas entrassem em casa. Camila e Lauren apareceram na sala de jantar e eu já esperava para ser chamada para sair, já que sempre que elas apareciam eram para nos tirar de casa. Porém dessa vez era diferente, ambas estavam um pouco sérias demais, quebrando todo aquele recém cotidiano de que estava tudo normal.



-Olá dona Blan – Lauren cumprimentou com um sorriso doce – Como está o livro?



-Muito bem, mas temo não conseguir terminar no tempo estimado que a editora quer – Blan reclamou e começou a retirar a mesa – Fiquem a vontade meninas!



Blanca nos deu a privacidade que almejávamos ao ficar arrumando a casa. Seguimos para a sala, mas apenas eu e Dulce sentamos no sofá.



-Recebi uma mensagem de íris do Acampamento Meio-Sangue – Camila foi direta ao ponto – Parece que as conexões estão extremamente difíceis.



Sim, eu sabia. Tinha tentado conectar com Mari e tudo o que eu consegui foram cinco minutos com minha meia-irmã humana. Depois disso a imagem tremeu e desapareceu, sendo impossível reconectar.



-Alguma novidade? – Maite perguntou sentando no braço do sofá ao lado de Dulce.



-Ariana e Christopher chegaram lá, com o tal do cavalo – Lauren contou – Quíron está tentando conectar todos os envolvidos para nos reunirmos lá e tomar o próximo passo.



-Então acho que vamos partir – levantei escondendo a animação que estava sentindo.



Mal terminei de pronunciar e Blanca apareceu preocupada e já chorosa. Como uma verdadeira mãe, ela passou mil e uma recomendações não só para Dulce, mas para mim e Maite também. Camila e Laur pareciam se divertir com as três semideusas concordando com tudo o que uma humana dizia, apenas por ter medo do que aconteceria se fosse feito o contrário.



Quase uma hora depois eu estava saindo com Maite e Camren, iriamos para casa ajeitar as coisas para que pudéssemos partir para o Acampamento. Maite comentava a
ideia de roubar um carro novo, já que o seu Audi não era apropriado para andar na neve, seria muito fácil derrapar com ele. Estávamos na varanda, alcançando a rua. Dulce e Blanca paradas a porta, Lauren e Mila caminhando mais a frente já tendo atravessado a cerca que delimitava o território da casa.



Começou com um leve tremor. Eu senti minhas pernas vibrarem levemente e franzi o cenho estranhando a sensação. Porém Dulce tinha uma cara assustada, como se estivesse gritando com sua expressão que algo estava muito errado. Qualquer tipo de
conversa se encerrou quando o segundo tremor veio, forte e mais nítido.



Tudo sempre acontecia rápido demais. Quando nos dávamos conta, a merda já tinha acontecido. Por que dessa vez seria diferente? Por que o destino iria nos dar uma vantagem uma vez na vida? Na terceira vez que o chão tremeu foi um verdadeiro terremoto. Tudo começou a tremer tão forte que as casas se sacudiam, janelas eram quebradas e gritos dos moradores preenchiam o ar. Os carros ligavam os alarmes e se deslocavam no chão
enquanto aquele forte terremoto apenas parecia piorar. Um poste no início da rua caiu sobre uma picape e eu sentia que iria perder o equilíbrio a qualquer momento. O desastre
pareceu levar uma vida, quando na verdade não teria passado mais do que três minutos. Os tremores foram sessados repentinamente, assim como tinham começado.



-Que merda é essa?! – Maite quase gritou.



Como que para responder a sua pergunta, o chão começou a rachar. Dulce ficou pálida e correu para fora da varanda gritando um cuidado. Mas já era tarde demais. O chão se abriu, literalmente rachou profundamente, criando uma fenda enquanto parecia se afastar. O terremoto voltou ainda mais bruto, fazendo com que as pessoas saíssem de casa com medo de que o teto desabasse sobre as cabeças. A fenda que se afastava
lentamente, de repente se abriu de uma vez só. Um carro muito próximo começou a escorregar por conta do declive que a fenda criava. Mas ele estava se aproximando em nossa direção! Eu tentei correr, mas acabei
perdendo o equilíbrio quando o chão começou a se quebrar debaixo de meus pés. Maite que se jogou em minha direção, me puxando para longe do perigo. Porém isso não foi o
mesmo para Lauren e Camila.



O carro veio antes que elas conseguissem se mexer, já que o chão tremia e passava a cair em direção a fenda. Eu gritei quando o carro estava próximo delas, meus olhos travados nas minhas duas amigas. Foi por isso que eu vi tudo praticamente de camarote. Camila empurrou Lauren com o que parecia ser toda a sua força, fazendo com que a filha de Afrodite praticamente voasse para longe.



Segundos depois o carro atingia o seu corpo delicado e moreno, a jogando junto com a carcaça metálica dentro da rachadura. O meu grito em nada se comparou com o de Lauren. Camila a tinha salvado assim que a empurrou, mas isso lhe tinha custado absolutamente tudo. Camila havia caído naquela abertura. Se ela não tivesse morrido por conta da altura seja ela qual for, teria morrido
atingida pelo carro. Camila de Lauren estava morta. Minha gentil e meiga amiga... Morta.



Eu estava completamente em choque, mal senti quando Maite me soltou para dessa vez correr em direção a Lauren para impedir que ela se jogasse na fenda, gritando pelo nome da amada.



Levantei assim que percebi que estava caída, talvez eu pudesse voar lá pra dentro, talvez ainda houvesse uma chance! Estava disposta a arriscar tudo por apenas uma oportunidade e já estava prestes a me jogar naquela maldita abertura quando um ar
gelado estourou por ela.



O chão tornou a tremer, mas porque uma enorme mão azulada saiu da fenda e pousou sobre o chão, quase me acertando com o seu enorme polegar. Alguma coisa enorme estava saindo daquela abertura, me obrigando a afastar apenas por puro instinto!
Mais um tremor e o ar se tornou ainda mais gelado enquanto a criatura se erguia bem a nossa frente.



Naquele momento eu não sabia o que era aquilo. Era enorme como um gigante, de pele azulada e tão dura que eu poderia jurar que ele era feito de gelo. Deveria ter quase dez metros de altura ou mais. Assim que ele esteve totalmente do lado de fora, a criatura
de gelo olhou ao redor e escutou gritos desesperados vindo do outro lado da rua. Ele virou e lá estava nossos vizinhos da frente, um casal com duas crianças e um cachorro que latia
alucinadamente. O monstro abriu uma rachadura no rosto, o que deveria ser sua boca, e assoprou. Um sopro gélido que fez a família tentar correr, mas segundos depois eles estavam congelados no lugar. Eram estátuas vivas de gelo!



-Que porra é essa?! – eu exclamava mais para mim mesma.



A criatura virou em minha direção. A sua face era como uma verdadeira pedra. Os olhos pareciam duas rachaduras que brilhavam em um azul mágico. Estiquei minhas mãos em direção a ele e não hesitei em lançar uma carga poderosa de eletricidade. Mas tudo o que eu consegui foi fazer com que ele recusasse dois passos! O monstro esticou a mão e ela se tornou uma verdadeira rochosa congelada em um formato pontiagudo. Ele girou o
braço em direção a duas casas, Dulce gritou puxando a mãe para longe ou seriam atingidas!



-Ei coisa feia! – Maite chamava a atenção dele, estava longe tentando ganhar tempo.



O gigante de gelo pareceu escutá-la. Ele esticou a outra mão e de seus dedos foram lançados dardos de gelo. Mas Maite era extremamente hábil, desviando deles com uma facilidade que só pertencia aos filhos de Hermes.



-Anahí! – Lauren se aproximou de mim, seus olhos estavam tão furiosos que eu senti um arrepio em meio a toda aquela confusão – Você vai pegar as meninas e levar para longe daqui! Eu vou cuidar do monstro.



-Não! – exclamei prontamente, pegando finalmente o meu isqueiro para transformar em uma espada – Não sabemos nem que porra é aquela, Lauren!



-Não importa – ela cuspiu fervorosa – Eu vou conseguir tempo para vocês.



-Você pode morrer! – gritei com ela.



-Isso já não importa mais – os olhos verdes dela se encheram de água, mas nenhuma lágrima desceu – Não agora!É uma escolha minha Anahí, você precisa continuar, está me ouvindo?Pegue a Dulce, Maite e Blanca.



-Não, você não vai se sacrificar! Isso não vai acontecer de novo!



As lembranças da despedida de Chris voltaram com tudo em minha mente. Era exatamente isso o que Lauren estava fazendo, se despedindo para então se sacrificar.



-Eu não vou me sacrificar – Lauren disse carregada de ódio – Vou vingar Camila, vou acabar com esse monstro. É um direito meu, é a única razão que me mantem de pé e você não vai se intrometer nisso. Ela era a minha vida Anahí! Agora faz a merda do que eu
estou mandando!



Lauren se afastou indo em direção ao monstro que ainda continuava lançando coisas em Maite. As casas atrás dela já estavam totalmente destruídas naquela altura. Eu senti quando o ar começou a mudar, as correntes se aproximando de Lauren e a envolvendo. O cheiro de rosas ficou extremamente forte, superando a qualquer fragrância que tivesse no local.



-Anahí! – Dulce segurou meu braço – Eu tenho de proteger minha mãe!



Olhei para o lado e me deparei com a humana ainda em estado de choque. Dulce parecia desesperada, seus olhos alarmados e a respiração agitada. Apertei minha espada, meu sangue correndo para que eu fosse batalhar, minha razão me alertando que Lauren
iria nos dar a única chance de sobrevivência. Mas minha emoção confundia a tudo. Já estava para avançar ignorando os chamados de Dulce quando finalmente notei que ao
redor da filha de Afrodite, pétalas de rosa começavam a surgir.



Eram várias delas, das mais diversas cores. Elas se materializavam e se
multiplicavam. O ar que a rodeava começou a circular ainda mais, até fazer as pétalas seguirem as correntes, formando um verdadeiro furacão de pétalas de rosas. Maite desviou de um novo golpe e correu em direção ao gigante, passando por debaixo das
pernas dele rolando e se pondo de pé rapidamente, passando por Lauren assustada com o que a filha de Afrodite estava fazendo.



-Anahí! – Maite exclamou quando se aproximou – O que está acontecendo?O que vamos fazer?



-Temos de ir – falei em um fio de voz – Lauren quer lutar contra o monstro, vai nos dar tempo.



-Mas ele é foda demais! Ela vai---



-Ela quer assim! – vociferei sentindo meu coração explodir.



Lauren nunca esteve tão poderosa. Eu podia sentir toda a sua aura de poder vindo esmagadora. Em verdade, era como se todo o amor dela por Camila estivesse presente ali, dando-lhe forças. Como sabia disso? Porque eu poderia sentir o que a filha de Afrodite
também podia, assim como qualquer outro ali presente. Fazia parte de sua magia, talvez?



Mas isso não importa. Quando o furacão passou por um poste, as pétalas mostraram sua verdadeira força. Elas destroçaram o poste, cortando em pedacinhos. Eram pétalas afiadas e mortais, sendo guiadas por uma filha do amor que tinha o coração quebrado e iria se vingar.



Tive de engolir todas as minhas emoções, tive de controlar minhas pernas que tremiam. Tive de ignorar todos os meus pensamentos. Era assim que se sobrevivia, impondo as necessidades primárias acima de qualquer coisa. Eu precisava colocar as meninas e Blanca em segurança. E era isso o que iria fazer. Empurrei Dulce em direção a Blanca, fazendo as duas se chocarem.



-Vamos! – rosnei friamente – Maite vá à frente! Precisamos sair daqui.



-Anahí a Laur---



-AGORA MAITE! – gritei furiosa com minha amiga.



Maite engoliu em seco e começou a correr. Dulce segurou em sua mãe e a forçou a andar e seguir o ritmo. Olhei para trás a tempo de ver o furacão envolvendo o gigante de gelo. Ele começou a se debater e a quebrar tudo o que via pela frente, sendo então
conduzido pelas correntes e pelas pétalas em direção à rachadura no chão. Grandes e pequenos pedaços eram arrancados dele, fazendo parecer que acontecia uma chuva de granizo localizada em um único ponto.



Lauren tinha um brilho de guerreira ao seu redor, seu cabelo preto esvoaçava para todos os lados. Comecei a quebrar naquele momento, quando percebi que aquela seria a última
imagem que veria de minha amiga.
Virei o corpo, começando a seguir as outras duas semideusas, saltando o poste caído na rua. Então, antes de virar a esquina eu cometi o erro de encarar a rua. O gigante tropeçou para dentro da fenda, o chão onde Lauren estava quebrou e também afundou
em direção a abertura. A filha de Afrodite não gritou, não chamou por ajuda. Apenas caiu dentro daquele precipício subterrâneo indo de encontro a Camila sem nem ao menos hesitar.



Enterrei tudo dentro de mim quando escutei o grito de Maite. Ela já estava dentro de um carro qualquer com ele ligado. Corri em sua direção e entrei no veículo, mal notando o caos que estava nas ruas. Pessoas gritando e correndo, carros desrespeitando as regras. Maite acelerou e começou a se mover no meio daquela confusão.
Mas nada notei, pois tudo o que eu tinha bloqueado começava a vim. Estava paralisada enquanto sentia aquela dor invadir todo o meu corpo e ser. Meu coração batia forte, mesmo que a sensação que eu tinha era a de que ele estava dilacerado.



-A Lauren... – escutei a voz de Dulce entrecortada.



-Caiu no buraco – falei distante, automaticamente – Levou o gigante de gelo consigo.



-Nós deveríamos ter lutado! – Maite gritou e parecia chorar.



-Não iriamos conseguir – continuei daquela forma mecânica, encarando as minhas mãos – Meu raios não faziam efeito nenhum. Ele era feito de gelo. Lauren não conseguiria se não fosse capaz de conduzi-lo até a fenda. As pétalas cortantes também foram cruciais, pareciam fazer algum efeito.



-MERDA ANAHÍ, ERA A LAUREN! – Maite esbravejou.



Minhas mãos se fecharam em punho tão forte que minhas unhas machucaram a minha palma. Mas nenhuma dor era sentida, não uma física. Encarei a Maite que tremia
no banco enquanto tentava nos manter vivas enquanto dirigia sem um destino em mente.



-Ela me pediu para fazer aquilo! – gritei de volta rompendo com o controle que tinha – Não tinha como impedi-la, ela iria fazer de qualquer jeito, porque a Camila também caiu lá!



Ninguém conseguiu contestar aquilo. Todas tínhamos sentido o poder esmagador que Lauren tinha alcançado em nome do amor que sentia por Camila. Dulce soluçava
sobre o peito da mãe. Eu não poderia quebrar agora, não enquanto ainda não estivermos em segurança. Não poderia relaxar, pois caso o fizesse, alguém mais poderia morrer e isso eu não iria mais aguentar ou aceitar!



(...)



Maite estacionou em frente a uma casa simples em um bairro comum de Nova York. Mal saímos do carro e a porta se abriu, revelando um Poncho preocupado. A filha de Hermes nem ao menos trancou o carro ou fechou a porta, apenas correu para os braços fortes do filho da guerra e se jogou nele. Maite chorou fortemente enquanto Poncho a levava para
dentro e nos chamava para o acompanhar.



Blanca entrou ainda agarrada a Dulce e eu hesitei na porta. Eu não queria entrar, eu não queria ter de me explicar. Eu queria apenas explodir, gritar com o mundo, chorar como todos estavam fazendo. Então apenas sentei ali no chão, virando as costas para o
lar dos garotos e me perdendo completamente.



Lauren e Camila tinham planos. Deuses, de todos nós, elas já tinham planejado todo um futuro juntas. Minha respiração acelerou quando meu peito começou a arder e o ar pareceu
começar a me engasgar. Eu estava sufocando com a dor que estava sentindo. Eu nunca mais a veria novamente. Eu nunca mais teria a Lauren ou veria a doce Camila mais uma vez.



Senti braços me envolvendo por trás. O perfume de Dulce a denunciava
completamente, mas eu mal a sentia de verdade. Minha mente se perdia em lembranças dolorosas, meu corpo parecia anestesiado, sem sentir realmente nada. Eu estava quebrando completamente enquanto Dulce tentava me segurar. Sufoquei ainda mais.



Levantei bruscamente, eu precisava de espaço. Eu precisava surtar. Ou a
machucaria como tinha feito quando tentou me segurar para que não fosse atrás de Chris. A fitei em um pedido mudo de desculpas antes de
impulsionar em um voo desgovernado para o alto. Eu apenas voei para cima, cada vez mais alto, cada vez mais longe de tudo o que acontecia. Voei até a pressão começar a fazer efeito e sentir a dor do ar rarefeito.



Estava tão alto que eu poderia ver toda a cidade de Nova York e as vizinhas.
Então eu gritei. Gritei várias vezes. Explodi em raios quase gerando uma verdadeira tempestade. Eu me senti vulnerável, incapaz, frágil. Eu fui fraca, tão fraca que não tinha conseguido estar ao lado de minha amiga e ter garantido que ela iria ficar bem. Eu tinha perdido mais alguém de minha família.



Não sei quanto tempo fiquei ali, mesmo quando meu corpo deu indícios de que estava ficando fraco, permaneci até meu limite. Surtando completamente até ter algum tipo
de coerência atravessando o meu consciente. Retornei até a casa de Poncho e Troy, batendo na porta sem ligar para a minha aparência destroçada.



Quem atendeu foi Blanca. Ela parecia mais controlada apesar de ter os olhos inchados. Afinal de contas, foi Lauren e Mila quem a protegeu quando estávamos fora. A mulher mais velha soltou um longo suspiro e me puxou para um abraço protetor.



-Você não tem culpa, Anahí – ela murmurou enquanto me acalentava – Você respeitou o desejo dela e o amor que ela sentia.



-Eu devia ter feito mais – disse toda chorosa, mas me negando a chorar mais uma vez – Eu poderia ter feito mais.



-E você fez – Blan se afastou para me encarar – Enquanto todas estávamos em choque, você reagiu e nos guiou. Se não fosse por você estaríamos estacadas pelo medo e mortas também.



Estremeci por completo e já ia recuar quando escutei passos rápidos. Saindo de uma porta estava Dulce, ofegando pela corrida que fez. Seu cabelo estava levemente molhado e a blusa enorme que usava de um time qualquer denunciava que tinha tomado banho e
usava uma roupa dos garotos. Seus olhos castanhos fixaram em mim e ela deu dois passos rápidos em minha direção, parecendo ansiar ficar perto, mas estacou quando meus olhos encontraram os delas.



Dulce hesitou em se aproximar e eu senti uma culpa ainda maior, sabendo que a tinha afastado para viver a minha própria dor. Ela também deveria estar sofrendo e supostamente eu deveria dar o suporte que minha namorada precisava. Eu era uma
verdadeira merda nesses momentos, mas ao menos aquilo eu poderia fazer melhor. Soltei um suspiro e me aproximei dela até poder envolver o corpo moreno com meus braços.



Enterrei meu rosto em seu pescoço, estremecendo forte quando ela devolveu o abraço também me segurando com força contra si.



-Eu sei que você precisava de espaço – Dulce falou contra meu ouvido, a voz
denunciava que estava chorando de novo – Mas p-por favor Narrí, não d-demore tanto a voltar, e-eu fico com medo de algo acontecer a você. S-se... se algo acontecer e eu não estiver perto eu---



-Shhh – murmurei erguendo meu rosto, colando minha testa a dela – Desculpe Candy. Estou aqui, estou inteira na medida do possível. Desculpe!



Ela chorou e dessa vez eu dei o colo que ela precisava. Enquanto estava ali, a acalentando da melhor forma que podia, finalmente entendia o que Lauren tinha feito. Se fosse Dulce eu teria feito o mesmo. Não haveria sentido, não existiria um depois. E eu
explodiria o mundo para que o culpado que tirou a minha razão de mim pagasse por isso.



Só o pensamento de que poderia ter sido Dulce ali me fez abraça-la até que ela gemesse baixinho em dor, pois estava começando a esmaga-la.
Horas depois o silêncio reinava na sala simples. Poncho ainda tinha Maite em seus braços, sentados no sofá de duas pessoas. Troy encontrava-se no chão, assim como eu e Dulce. Blanca estava sentada na única poltrona do lugar. Era o momento de decidir o que fazer, mas a morte de nossas duas amigas parecia ter tomado qualquer capacidade de argumentar sobre as coisas.



-Ainda precisamos ir ao Acampamento – Dulce foi a primeira se pronunciar.



Soltei um longo suspiro. A situação não havia mudado. Perséfone continuava presa, Despina ficava ainda mais forte. A minha intensão de derrota-la, entretanto, crescia cada
vez mais. Respirei fundo para poder tomar as rédeas da situação.



-Blanca precisa de um lugar seguro – disse sem vacilar, meu olhar ficando sério e frio enquanto assumia uma nova postura – Não poderá ficar sozinha, Sra. Saviñon.



-Albert não me negaria uma hospedagem temporária – Blanca ponderou – Apesar de que ele fará perguntas pelas quais eu não saberia responder.



-Albert – lembrei-me do nosso querido ex-diretor do nosso ex-colégio – Melhor do que ficar só. Não sei se será seguro partir agora, mas quanto mais rápidos chegarmos lá, melhor será. Talvez seja melhor votarmos sobre isso.



-Acho que devemos ir – Troy se manifestou – Se ainda houver monstros para aparecer, ficarmos parados será perigoso.



-Concordo com ele – Poncho falou – Mas não agora, vocês precisam descansar um pouco e a sra. Saviñon deve ser entregue ao cara que vocês falaram.



-Vocês dois a levam, Maite e Candy descansam. Eu fico de vigia – decidi
rapidamente.



-Anahí você também precisa descansar – Maite contestou.



-Precisamos de um pouco de segurança. Também não conseguiria descansar – disse determinada.



-Eu posso ficar com você Narrí e---



-Não Dulce, você vai descansar com a Maite. Eu vou ficar bem.



Claro que eu não ficaria bem. Eu sabia e ela também. Mas Dulce apenas soltou um suspiro e levantou de meu lado. Troy as levou até um quarto e Poncho foi pegar as chaves do carro deles. Minutos mais tardes os dois estavam saindo com uma mãe assustada e preocupada, que levou quase cinco minutos abraçando Dulce. Fiquei só por longos minutos, controlando a minha mente, focando meus sentimentos em um objetivo para que não surtasse, para que não fosse levada pelas emoções que fervilhavam dentro de mim.



Primeiro o Christian. Agora Camila e Lauren. Todos morreram bem a minha frente e isso apenas crescia a minha sensação de incapacidade. Mas naquele momento eu fazia uma
promessa a mim mesma de que quando encontrasse aquela filha da puta ela iria pagar por tudo o que estava causando. Não importaria se ela era a merda de uma deusa, eu iria vingar meus amigos...



Não, eu iria vingar a minha família!



Notas Finais


 


A morte de Camren não foi nada planejada, apenas surgiu e quando vi já tinha feito. Outras ainda virão, infelizmente. Isso é uma fic de ação em que o perigo está em todos os lados =/


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Autor(a): AnBeah_Portinon

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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 152



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  • Jubs Postado em 16/02/2019 - 23:41:54

    AEEEEEEEEEEEE CARALHO MEU CHRIS VOLTOU PORRAAAAAAAA AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÁAAAAAAAAAAA tomara que isso acabe logo quero a Anahí boba de volta

  • DreamPortinon Postado em 16/02/2019 - 13:08:34

    OOOOOOOOOOOOOOO MEEEEUUUUU DEUUUUUUUS ELE TA VIVO, GENTE MEU CORAÇÃO QUASE PAROU AQUI, EU CHOREI HORRES AQUI SANTO DEUS DO CÉU AMEEEEEEEEI MUITOOOOO <3

  • Jubs Postado em 16/02/2019 - 00:43:15

    AAAAAAAAAAAAAAAAAA CONTINUAAAA

    • AnBeah_Portinon Postado em 16/02/2019 - 12:54:05

      Continuei floorr

  • Jubs Postado em 16/02/2019 - 00:42:34

    CHRIS PFVRRRRRRR PLMDDS

    • AnBeah_Portinon Postado em 16/02/2019 - 12:54:28

      Acertooouuuuuu kkk, espero que esteja gostando amore

  • Jubs Postado em 16/02/2019 - 00:42:16

    AMano quem voltou?????

  • Jubs Postado em 14/02/2019 - 00:47:13

    Continua pfvrrr

    • AnBeah_Portinon Postado em 14/02/2019 - 18:49:34

      Continuei flor

  • Jubs Postado em 12/02/2019 - 20:33:25

    MDS quero logo a batalha hahahahaha

    • AnBeah_Portinon Postado em 14/02/2019 - 18:50:18

      Um pouquinho de luta nesse capítulo KKK espero que esteja gostando amore

  • Jubs Postado em 12/02/2019 - 20:33:06

    Continuaaaaaa

  • Jubs Postado em 12/02/2019 - 20:17:16

    Espero que a Anahí vingue muito bem vingado por elas e pelo Chris!

  • Jubs Postado em 12/02/2019 - 20:16:39

    MANO EU NAO ACREDITOOOOOO CAMREN NAAAAAO

    • AnBeah_Portinon Postado em 14/02/2019 - 18:49:20

      Também estou muito triste, estou de luto ainda



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