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Fanfic: O Jogo Da Mentira- Trendy/Vondy | Tema: Dulce, gemeas


Capítulo: Isso Mesmo, Culpem a Filha Temporária

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Dulce pegou o telefone das mãos de Travis e começou o vídeo mais uma vez, olhando fixamente para a imagem. Quando a pessoa estendeu a mão e começou a asfixiar a menina com os olhos vendados, Dulce sentiu o medo correr através de seu estômago. Quando a mão anônima tirou a venda dos olhos, um rosto idêntico ao de Dulce apareceu na tela. Dulce tinha os mesmos espessos e ondulados cabelos ruivos como a menina do filme. O mesmo queixo redondo. Os mesmos lábios rosados que quando era criança usavam para provocar Dulce dizendo que eles estavam inchados como se tivesse tido uma reação alérgica. Ela estremeceu.


Eu assisti ao vídeo novamente bastante horrorizada. O medalhão brilhando na luz causou um minúsculo fragmento na superfície de sua memória: lembrei-me de levantar a tampa da minha caixa de bebê, puxando para fora o medalhão de baixo de uma meio-mastigada girafa dentuça, um cobertor rendado e um par de sapatinhos de tricô e colocá-lo ao redor de meu pescoço. O vídeo em si não trouxe nada de volta. Eu não sabia se tinha acontecido no meu quintal... ou à três estados de distância. Eu gostaria de poder bater na minha cara minha memória pós-morte.   


Mas o vídeo tinha que ser como eu morri, né? Especialmente a partir desse flashback rápido que eu tive quando eu tinha despertado no banheiro de Dulce: o rosto perto do meu, meu coração batendo com força, meu assassino em pé acima de mim. Mas eu não tinha ideia de como essa coisa de morte funcionava: eu apareci no mundo de Dulce no momento depois de eu ter tomado meu último suspiro, ou foi dias─meses─mais tarde? E como o vídeo foi postado online? Minha família tinha visto? Meus amigos? Isto foi uma espécie de distorcido pedido de resgate?


Dulce finalmente olhou para cima da tela. “Onde você encontrou isso?” Ela perguntou a Travis.


“Acho que alguém não sabia que era uma estrela da internet, hein?” Travis pegou o telefone das mãos dela.


Clarice passou os dedos pelo cabelo. Ela ficava olhando da tela do vídeo para o rosto de Dulce. “É isso que você faz para se divertir?” Perguntou a Dulce em uma voz rouca.


“Ela provavelmente faz isso para ficar chapada.” Travis passeava ao redor do pátio como um leão rondando. “Eu conhecia algumas garotas do último ano que eram obcecadas com isso. Uma delas quase morreu.”


Clarice bateu a mão sobre sua boca. “O que há de errado com você?”


Os olhos de Dulce correram de Travis para Clarice. “Espere, não. Esta não sou eu. A garota neste vídeo é outra pessoa.”


Travis revirou os olhos. “Alguém que se parece exatamente com você?” Ele brincou. “Deixe-me adivinhar. Uma irmã há muito tempo perdida? Uma gêmea do mal?”


Houve um baixo estrondo de um trovão à distância. A brisa cheirava como pavimento molhado, um sinal revelador de que uma tempestade se aproximava. A ideia se acendeu na mente de Dulce como fogos de artifício no dia 4 de Julho. Era possível. Ela perguntou uma vez a Assistência Social se Alma tinha tido outras crianças que ela abandonou ao longo do caminho, mas eles disseram que não sabiam.


Um pensamento queimava em minha mente, também: eu era adotada. Assim, eu me lembrei. Era do conhecimento comum na minha família, meus pais nunca tentaram esconder. Eles me disseram que minha adoção tinha sido uma decisão de última hora e eles nunca conheceram minha mãe biológica. Poderia ser possível? Isso explicava porque eu estava literalmente presa a essa garota que parecia comigo, seguindo-a ao redor dela como se nossas almas tivessem sido amarradas juntas.


Clarice bateu suas unhas compridas na mesa. “Eu não tolero mentir ou roubar nessa casa, Dulce.”


Dulce sentiu como se tivesse acabado de ser chutada no estômago. “Essa não sou eu no vídeo,” ela protestou. “E eu não roubei você. Eu juro.”


Dulce pegou sua bolsa de lona em cima da mesa do pátio. Tudo o que ela tinha que fazer era chamar Eddie, o gerente do cassino. Ele tinha que atestar para ela as horas de hoje. Mas Travis pegou sua bolsa primeiro, derrubando todo o seu conteúdo no pavimento. “Oops!” Ele gritou alegremente.


Dulce assistiu, impotente, sua cópia esfarrapada do livro The Sun Also Rises pousar em um formigueiro empoeirado. Um bilhete amassado de um cupom tudo-o-que-você-possa-comer no Buffet de churrasco no MGM Grand foi pego pela brisa e se desviou para os halteres de Travis. Seu BlackBerry e um tubo de brilho labial ChapStick de sabor cereja deslizaram até parar ao lado de uma tartaruga de terracota. Por último, mas não menos importante, havia um maço de aparência suspeita de notas unidas com um elástico grosso roxo. O maço chicoteou para o pátio, saltou uma vez e caiu na frente dos saltos espessos de Clarice. 


Dulce estava muito atordoada para falar. Clarice pegou o dinheiro e lambeu seu dedo indicador para contá-lo. “Duzentos,” disse ela quando tinha acabado. Ela ergueu uma de vinte rabiscada com azul no canto superior esquerdo. Mesmo na claridade, Dulce podia ver um grande enrolado B, presumivelmente de Bruce Willis. “O que você fez com os outros cinquenta?”


Uns carrilhões de vento do vizinho tilintaram à distância. O interior de Dulce congelou. “E-Eu não tenho ideia de como isso foi parar na minha bolsa.”


Atrás dela, Travis riu. “Pega.” Ele se apoiou casualmente contra a parede de estuque, logo à esquerda do grande redondo termômetro. Ele cruzou os braços sobre o peito e seu lábio superior estava enrolado em um sorriso de escárnio.


O cabelo na parte de trás do pescoço de Dulce levantou-se. De repente, ela entendeu o que estava acontecendo. Seus lábios começaram a se contorcer, como sempre acontecia quando ela estava prestes a perder o controle. “Você fez isso!” Ela apontou o dedo para Travis. “Você armou pra mim!”


Travis sorriu. Algo dentro de Dulce se soltou. Ao diabo com manter a paz. Ao diabo com o que seja que a família que a acolhe queira que ela seja. 


Ela atirou-se nele, agarrando Travis pelo pescoço carnudo. 


“Dulce!” Clarice gritou, puxando-a para longe de seu filho. Dulce cambaleou para trás, colidindo contra uma das cadeiras do pátio. Clarice girou em torno de Dulce para que elas ficassem frente-a-frente. “O que deu em você?”   


Dulce não respondeu. Ela olhou furiosa para Travis novamente. Ele tinha se agachado contra a parede, com os braços na frente dele protetoramente, mas havia um brilho emocionado nos olhos.


Clarice se afastou de Dulce, afundou na cadeira e esfregou os olhos. O rímel borrou nas pontas de seus dedos. “Isso não está funcionando,” disse ela suavemente depois de um momento. Ela levantou a cabeça e olhou sombriamente para Dulce. “Eu pensei que você fosse uma menina doce e gentil que não causaria nenhum problema, Dulce, mas isto é demais para nós.”


“Eu não fiz nada,” Dulce sussurrou. “Eu juro.”


Clarice puxou uma lixa de unha e começou a serrar nervosamente em seu dedo mindinho. “Você pode ficar até seu aniversário, mas depois disso você está por conta própria.”


Dulce piscou. “Você está me chutando para fora?”


Clarice parou de polir-se. Seu rosto suavizou. “Sinto muito,” disse ela suavemente. “Mas esta é a melhor escolha para todos nós.”


Dulce se virou e olhou fixamente para a parede feia de bloco na parte de trás da propriedade. “Eu gostaria que as coisas fossem diferentes.” Clarice puxou a porta abrindo-a e caminhou de volta para a casa. Assim que ela estava fora de vista, Travis desgrudou-se da parede e endireitou-se à sua altura máxima. 


Ele passeou casualmente em torno de Dulce, pegou o pequeno rolo que ainda estava sobre a cadeira, soprou os pedaços de grama seca que estavam presas na ponta e deixou-o cair no bolso da calça enorme. “Você tem sorte de ela não ter dado queixa,” disse ele com uma voz pegajosa.


Dulce não disse nada enquanto ele fanfarronava de volta para a casa. Ela queria saltar e arrancar seus olhos fora, mas suas pernas pareciam como se tivessem sido presas por argila pesada e molhada. Seus olhos embaçaram de lágrimas. Isso de novo. Cada vez que uma família a acolhia, Dulce se dizia que tinha que seguir em frente, ela sempre pensava em voltar no momento frio e solitário que ela se deu conta de que Alma a havia deixado para sempre. Dulce tinha ficado uma semana na casa de Sasha Morgan, enquanto a polícia tentava localizar sua mãe. Ela colocou uma cara brava, jogando Candy Land, observando Dora a exploradora, e fazendo caça ao tesouro para Sasha como os que Alma tinha planejado para ela. Mas todas as noites no brilho do abajur da Cinderela de Sasha, Dulce se esforçou para ler as partes de Harry Potter que ela pudesse entender, o que não foram muitas. Ela mal havia conseguido dominar ‘O gato no chapéu’. Ela precisava de sua mãe para ler as palavras grandes. Ela precisava de sua mãe para fazer as vozes. Mesmo agora, ainda machucava.


O pátio ficou em silêncio. O vento soprava as aranhas penduradas e as palmeiras do lado. Dulce olhou fixamente para a escultura de terracota de uma mulher bem torneada que Travis e seus amigos gostavam de brincar de ‘fazer sexo’. Então era isto. Não ia ficar mais aqui até o final do ensino médio. Nem ia mais solicitar o programa de fotojornalismo na USC... nem mesmo na faculdade comunitária. Ela não tinha para onde ir. Ninguém a quem recorrer. A menos que...


De repente, a imagem do vídeo flutuou em sua mente mais uma vez. Uma irmã há muito tempo perdida. Seu coração acelerou. Ela tinha que encontrá-la.


Se eu pudesse dizer a ela que era tarde demais.


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Autor(a): Dulce Coleções

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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 4



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  • ana Postado em 12/08/2018 - 10:48:31

    Menina do Céu, continua

    • Dulce Coleções Postado em 13/08/2018 - 01:14:29

      Continuando linda *-*

  • ana Postado em 27/07/2018 - 11:12:57

    Aaaaaaaah, posta maaaaaais

    • Dulce Coleções Postado em 29/07/2018 - 12:50:38

      Postando*-*


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