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Fanfic: Coração Envenenado | Tema: Livro


Capítulo: Capítulo 05

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O novo café na rua principal fora decorado com cores napolitanas: baunilha, chocolate e morango.


Havia fotos gigantes de grãos de café nas paredes e pessoas bonitas com dentes perfeitos rindo juntas sobre as poltronas de couro, segurando xícaras de tamanho fora do comum. Nat, Hannah e eu decidíramos conhecer o lugar antes de irmos para a faculdade participar da primeira exposição de alunos do ano. Eu estava nervosa com relação ao meu trabalho, mas a ansiedade me impedia de focar no verdadeiro motivo da minha inquietação.


Hannah tomou um gole da vitamina de banana e franziu a testa de preocupação.


— Somos as três mosqueteiras, lembram? Uma por todas e todas por uma. O que está aborrecendo você, Katy?


Nat, com ar culpado, mandava ver em uma fatia de bolo de cenoura e perguntou de boca cheia.


— É o Merlin?


— Não, está tudo ótimo com ele.


— Sua mãe?


— Também não — respondi, derrubando o pimenteiro e fazendo desenhos com a pimenta na mesa.


— Você andou quieta a semana inteira — Hannah insistiu.


Olhei para uma e depois para a outra. Elas tinham razão; eu precisava tirar aquele peso de mim.


— Olha, sei que isso vai parecer bobagem, mas é... a garota que vimos na feira de artesanato.


— Ah... a sua perseguidora. — Nat deu uma piscadela.


— A questão é... acho que ela falou uma coisa, algo em que não consigo parar de pensar.


Dois pares de olhos se fixaram em mim, carregados de expectativa, mas minha boca secou e senti um frio no estômago. Voltei a soprar o meu café.


— Não é nada importante...


— Você vai falar mesmo assim — pressionou Nat, fazendo uma careta idiota que me obrigou a sorrir.


Examinei as formas hexagonais do chão, tentando evitar o olhar das duas. Mordi o lábio, ajustei a posição da cadeira e dei um longo suspiro.


— Ela disse “Eu sou o pior pesadelo da sua vida”, assim, desse jeito.


Eu me contorci um pouco. Era horrível ter que me justificar daquela maneira.


— E ainda me chamou de Katy; perguntei como sabia meu nome, então ela disse que sabia muita coisa sobre mim e depois falou...


— Sou o pior pesadelo da sua vida — interrompeu Nat. — Tem certeza absoluta de que foi isso o que ela disse?


Achei que estava imaginando coisas — respondi, na defensiva —, mas agora não tenho tanta certeza. Os lábios dela se abriram, mas ela não parecia estar falando nada...


— Ela não falou nada? — repetiu Hannah.


Meus punhos se cerraram embaixo da mesa e tentei manter a voz controlada.


— Não estou segura disso... é tudo muito confuso.


Houve outro silêncio desconfortável, e quase me arrependi de ter confiado isso a elas.


— Por que não nos contou nada na hora? — perguntou Nat.


— Não parecia real — resmunguei.


O tom de Hannah era constrangido:


— Mas foi você quem correu atrás dela naquele dia. Ela não veio atrás de você.


— Ela queria que eu fizesse isso — respondi, percebendo o quanto aquilo soava bizarro. Nem eu mesma conseguia entender. — Digo... fui atrás porque ela deixara o pingente na minha casa.


Nat tomou um gole da bebida e lambeu os lábios.


— Isso não é algo que uma pessoa em sã consciência diria — comentou com um jeito maroto. —


Ela parecia normal, em sã consciência?


— Perfeitamente normal — rosnei, minha dúvida anterior retornando com uma forte onda de constrangimento. — E você tem razão, claro. Minha cabeça estava uma confusão naquele dia... é bem provável que eu estivesse um tanto... nervosa.


Nat bocejou.


— De qualquer maneira, é bobagem ficar chateada com isso. Digo, quanto estrago uma garota sozinha pode causar?


Não respondi e fiquei olhando para o chão. Uma moeda novinha de um centavo brilhou para mim, e me lembrei do versinho: “Ao ver um centavo, pegue logo, para ter sorte o dia todo.” Mas estava muito acanhada para apalpar o chão e pegá-la.


— Esta é a melhor época das nossas vidas — lembrou-me Hannah. — Nada deveria ser levado tão a sério.


Eu consegui abrir um sorriso sem graça.


— Ok. Vou tentar me acalmar. Tem razão. Quanto estrago uma garota sozinha seria capaz de causar?


Terminamos nossas bebidas e saímos do café, as três se esforçando para caber embaixo de um único guarda-chuva. A chuva não costumava me incomodar, mas Hannah estava com medo de que pudesse ficar com os cabelos arrepiados e se espremeu ainda mais debaixo da sombrinha, me empurrando para fora do meio-fio. O céu escureceu e ouvimos uma trovoada ao longe, então apertamos o passo.


— Ela aparece nos meus sonhos também — anunciei com ar distraído, como se nunca tivéssemos mudado de assunto.


Hannah deu um gritinho ao pisar numa poça.


— Esqueça qualquer coisa que tenha a ver com... essa fulana... a garota sinistra com olhos de gato. Provavelmente ela já deixou você de lado e decidiu perseguir alguma celebridade.


Eu estava pronta para responder quando a chuva aumentou. Em poucos segundos, estava ricochetando na calçada, derramando torrencialmente nas calhas e canaletas. Começamos a correr e chegamos à faculdade sem fôlego, sacudindo as gotas de nossas roupas e cabelos.


— Obrigada por me acompanharem — falei. — Não queria ficar sozinha.


A maioria dos alunos havia trazido seus pais, que ficavam parados ao lado dos trabalhos dos filhos sorrindo de orgulho. Senti uma pontada de remorso ao lembrar de minha mãe, mas Nat e Hannah estavam lá para me apoiar. A exposição tinha como objetivo aumentar a visibilidade do departamento de arte e design, e o jornal local fora convidado a cobrir o evento. Nem Nat nem Hannah tinham propensão criativa e achavam o máximo as minhas criações, como se fossem a coisa mais maravilhosa do mundo. As duas chegaram mais perto do estande e ficaram maravilhadas com meus bordados e apliques, além do pedaço de tecido em que eu fiz a estampa à mão usando o desenho de uma folha. Podia enxergar Merlin mais alto do que todo mundo no salão e esperei a melhor oportunidade de ir até lá falar com ele. Senti mais uma vez uma ponta de orgulho ao lembrar como ele, de certo modo, agora pertencia a mim.


Então, uma sucessão de acontecimentos parece ter se dado em câmera lenta. A mãe de Merlin entrou, passando pelas portas de vidro; tinha o braço sobre os ombros de uma garota, como num gesto de proteção. A garota estava de costas para mim, mas pude ver a expressão admirada no rosto de Merlin, e meu estômago se contorceu de ciúmes. Tive vontade de caminhar até lá toda confiante e separar o grupo, mas algo me impediu e fiquei parada no lugar observando a garota. Tinha cabelos lisos, quase no mesmo tom de vermelho que os meus, e estava usando um casaco de veludo amassado parecido com o meu, uma peça totalmente original que eu mesma havia confeccionado. O modelo era quase idêntico, até no detalhe das bordas costuradas à mão. Não percebi que alguém estava falando comigo até a pessoa mover a mão para cima e para baixo diante dos meus olhos.


— Desculpe, eu estava a quilômetros de distância.


— Você está sempre em outro planeta quando vê Merlin — brincou Nat.


Tentei agir normalmente.


— Não é verdade. Nenhum namorado vai estragar nossa amizade... Certo?


— Você recebeu vários elogios legais — assegurou-me Hannah. — Uma senhora disse que não via um bordado tão bem-feito desde que era menina.


— Jura? Imagino que seja um elogio, ainda mais se ela estiver perto dos 100 anos.


— As mocinhas sabiam como dar ponto naqueles tempos — debochou Nat. — E tocar piano, caminhar equilibrando livros em cima da cabeça e farfalhar as anáguas...


A garota definitivamente estava flertando agora. Entrando de sola, passando a mão nos cabelos brilhosos. Droga. Eu acabara de declarar para Nat e Hannah que elas eram mais importantes do que qualquer homem, mas Merlin praticamente estava sendo devorado vivo. Eu precisava tomar alguma atitude.


— Acho melhor dar uma passada lá e dar um oi para o Merlin. Obrigada por me darem todo esse apoio moral.


Hannah virou os olhos.


— Isso quer dizer que você está nos dispensando?


— Claro que não. É só que prometi...


Nat deu um apertão afetuoso no meu braço.


— Jamais seríamos obstáculo para o verdadeiro amor... Vá falar com ele.


Elas me empurraram na direção de Merlin, e rezei baixinho para que ele não me humilhasse.


Ainda estávamos naquele estágio desajeitado, no qual nenhum dos dois sabe muito bem como o outro vai reagir. Minhas preces foram atendidas. Ele me viu antes que eu chegasse lá e até abriu os braços para me receber. Fui envolta por um abraço sufocante, que deixava tudo muito claro — ali era o meu lugar, Merlin era o meu namorado. Ele passou a mão no meu rosto e me beijou na frente de todo mundo. Cheguei a ficar na ponta dos pés e cochichei algo no ouvido dele, o que era bem patético, mas não pude evitar. Não havia necessidade nenhuma de me virar e olhar a cara da menina, podia sentir o olhar dela queimando minha alma e acho até que senti uma pontada de dor nas minhas costas.


Decidi me manter de costas para ela numa atitude esnobe, enquanto agarrava a mão de Merlin e lhe lançava um olhar furtivo que dizia: “Vamos para algum lugar onde possamos ficar a sós.” Ele captou a mensagem e se desculpou com o grupo. Já estávamos na porta quando Merlin deu um tapa na própria testa, como quem acaba de se lembrar de algo, e deu meia-volta no piso macio.


— Katy, fui tão grosseiro, me esqueci de apresentar você. Katy, esta é Genevieve Paradis, a nova pupila da minha mãe. Ela começa a faculdade na semana que vem.


O sangue me subiu à cabeça e senti como se um trem tivesse passado zunindo pelo prédio. A garota dos olhos verdes. A voz dela ecoou por todo o hall, retumbou na arcada do teto e perfurou meu coração.


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Autor(a): Fer Linhares

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