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Fanfic: O homem chamado Jack | Tema: suspense


Capítulo: Capitulo unico

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Era uma noite escura de setembro, mas o homem chamado Jack se destacava por ser ainda mais escuro e sombrio que a própria noite. Ele era um pedaço de escuridão vagando pela terra, um sujeito de estatura mediana, pele branca, um pouco acima da casa dos trinta anos. Seus cabelos negros desciam um pouco desajeitados até os ombros e ele possuía um bigode. O homem chamado Jack vestia-se todo de preto, botas, luvas e um longo sobretudo de couro que o protegia do frio noturno.


Era uma noite comum, como muitas outras, na cidade de Londres, mas a manhã seguinte não seria nada comum, não quando descobrissem os rastros que o homem chamado Jack deixara após realizar seu trabalho. Ele era um homem reservado, extremamente competente e engajado em seu trabalho. De fato seu nome não era Jack, mas, quando entrava em serviço, quando agia profissionalmente, ele se tornava Jack.


Calmamente ele andava pelas ruas de Londres, uma fina neblina pairava no ar, dando um clima quase sobrenatural ao ambiente. O homem chamado Jack foi até o final da rua e parou na grande mansão que ali se encontrava. Era uma bela casa de dois andares com arquitetura da era vitoriana. A casa estava protegida por um enorme portão de ferro que dava acesso ao jardim e, se alguém transpusesse o portão, ainda teria que lidar com os dois seguranças que se postavam como estatuas de pedra em frente a porta da casa. Os homens vestiam ternos pretos e pareciam duas gárgulas de pedra com seus olhares sério e ameaçadores.


Felizmente, ou infelizmente dependendo do ponto de vista, nem o portão nem os seguranças representavam o menor obstáculo ao homem chamado Jack. Este possuía um dom muito peculiar e raro, dom este que se encaixava como uma luva para o seu trabalho. O que acontecia é que o homem chamado Jack poderia se passar desapercebido pelos olhos de qualquer um, um ser totalmente esquecível, isso é claro, acontecia apenas se ele assim o desejasse.


Não é que ele fosse invisível, longe disso, mas as pessoas o viam apenas como se fizesse parte da paisagem, como uma arvore ou um poste. Não viam um homem, não viam uma ameaça, mas ele era um homem e era uma ameaça. Aqueles que o viram em serviço podiam afirmar isso, ou o fariam se estivessem vivas. Mas ele não era uma ameaça a todos a sua volta, apenas a alguns sujeitos em particular. E, Mr. Greham, dono daquela mansão, era um desses sujeitos em particular.


O homem chamado Jack escalou o portão de ferro com calma, sem pressa. Sons eram produzidos por esse ato, mas as pessoas não realmente os ouviam, ou melhor, os ouviam, mas sem escutar realmente. Isto também fazia parte do dom do homem chamado Jack. Após escalar o portão o homem chamado Jack se aproximou dos seguranças, um estava a esquerda e outro a direita. O homem chamado Jack retirou do bolso interno de seu sobretudo um punhal afiado de cabo preto e deslizou a lâmina pelo pescoço do segurança da direita, tão sutil e silencioso como um beijo de despedida. O homem soltou um gemido baixo, arquejou, e então caiu no chão agonizando em seus últimos momentos.


O segurança da esquerda ficou levemente confuso, como se sentindo que algo de diferente havia acontecido, mas antes que pudesse tomar qualquer ação um punhal perfurou seu coração e então a lâmina foi girada. Assim, com rapidez e eficiência, os dois homens estavam mortos.


Meticulosamente o homem chamado Jack retirou um lenço branco de seu sobretudo e limpou a lâmina da arma com extremo esmero, em seguida guardou a ambos, a lâmina e o punhal. Logo após isso ele digitou na trava eletrônica da porta uma senha e a mesma se abriu. O homem chamado Jack entrou na casa e observou a mobília cara da sala de estar, com seu tapete de pele de tigre, seus quadros exuberantes e seus jarros antigos. Aquela visão ofendeu e irritou o homem chamado Jack, pois, se Mr. Greham tinha tanto dinheiro para gastar em peças de decoração poderia facilmente ter pago o que lhe era devido.


Mas o assassino controlou sua irritação e decepção com seu cliente e subiu as escadas lentamente. Não foi difícil encontrar o quarto de Mr. Greham, era a segunda porta a direita, logo ao lado do quadro dos anjos alçando voou sobre uma Londres chuvosa (ao qual ele observou com admiração respeitosa elogiando mentalmente o talento do artista). O homem chamado Jack abriu a porta adentrando no quarto, mas Mr. Greham não estava ali. Por um segundo o homem chamado Jack se perguntou se havia falhado, cometido algum erro. A ideia o irritou profundamente, não gostava de cometer erros, eram um sinal de amadorismo e falta de competência.


Felizmente após uma rápida olhada no local percebeu que não havia cometido erro algum. Mr. Greham estava na varanda, bebendo algo enquanto observava o céu noturno. O homem chamado Jack se aproximou e entrou na varanda ficando a apenas dois metros de Mr. Greham.


Apesar da proximidade Mr. Greham não demonstrava o menor sinal de ter percebido a presença do invasor. O homem chamado Jack poderia tê-lo matado ali mesmo, rápida e discretamente, como fizera com os seguranças na entrada da mansão. Mas que sentido haveria nisso?


Sutilmente o homem chamado Jack desativou o seu dom, era como se despisse uma roupa. Gradativamente sua presença começava a ser notada, gradativamente ele se destacava no ambiente. Mr. Greham virou o rosto sentindo que estava sendo observado e, quando viu o homem chama do Jack, assustou-se e ficou pálido como a lua que pairava no céu. O copo caiu da mão de Mr. Greham e seu conteúdo se espalhou no chão juntamente com dezenas de fragmentos de vidro.


- Jack... – disse Mr. Greham com assombro, como se tivesse visto um fantasma – por favor, podemos remediar isso. Eu lhe pago o que estou devendo – sua voz era de medo e suplica e uma gota de suor começava a descer de sua testa – não, pago o dobro, o triplo... apenas...


- Mr. Greham – disse o homem chamado Jack interrompendo seu companheiro – não se trata apenas de dinheiro, mas sim da confiança entre dois cavalheiros que firmam um acordo – sua voz era educada e calma – creio, Mr. Greham, que os termos tenham ficado bem claros quando conversamos por telefone. Você me dava o nome de quem queria que fosse eliminado, me pagava metade do valor antecipado, eu executava o serviço e, então, recebia o resto do dinheiro. Não é um acordo muito complexo não concorda comigo? Pode imaginar o qual irritado e decepcionado fiquei quando descobri que você não depositou o restante do dinheiro Mr. Greham?


Mr. Greham tremia da cabeça aos pés. Era um homem de pouco mais de quarenta anos, alto, magro, e possuidor de uma presença que assustava a muitos. Sua presença, porem, não assustava ao homem chamado Jack, muito pelo contrário, era o próprio Mr. Greham quem estava assustado.


- Se acalme senhor Jack - Mr. Grehauem sorria tentando ser pacificador – eu tive uns problemas e não pude pagar-lhe – ele sorriu mais uma vez, o nervosismo era quase imperceptível em sua voz, quase – como você disse, somos dois cavalheiros, podemos resolver isso sem violência certo?


O homem chamado Jack balançou a cabeça em uma negativa. A cada momento se decepcionava mais com seu cliente. Irritava-lhe o fato de Mr. Greham tentar manipula-lo julgando-o ser tão ingênuo. Essa era uma grande falta de respeito.


- Ora Mr. Greham, se comporte com decência ao menos agora – disse o homem chamado Jack com reprovação – primeiramente a violência já foi cometida quando matei seus homens na entrada. Em segundo lugar acha que irei mesmo acreditar que não pode me pagar? Se vendesse um de seus quadros teria o dinheiro necessário. Além do mais tenho certeza que você possui a quantia necessária para me pagar em alguma de suas contas na Suíça, mas – ele balançou a cabeça em uma negativa outra vez – porque estamos aqui a falar disso? O que está feito está feito. O senhor me enganou Mr. Greham. Não me pagou, e, ainda por cima, enviou aqueles homens para me matar o que, como você deve já ter percebido, se mostrou um grande erro além de, isso não é menos importante, uma grande falta de respeito com a minha pessoa.


- Não sei do que está falando Jack. Homens? - Mr. Greham recuou dois passos até ficar entre a grade da varanda e seu companheiro. Ele pularia dali se isso o matasse, preferia a morte por queda do que pelas mãos de Jack. Mas ele sabia que uma queda daquela altura não iria mata-lo, infelizmente.


O homem chamado Jack cansou-se daquilo. Retirou seu punhal de um bolso interno de seu sobretudo. A lamina da arma brilhou ao luar e Mr. Greham viu a morte refletida naquela lamina.


- Espere! – agora o desespero e o medo eram inconfundíveis no rosto de Mr. Greham – por favor! Eu admito! Eu tinha o dinheiro para lhe pagar e fui eu a enviar aqueles homens para mata-lo! Por favor não me mate eu dou o que você quiser!


- Não se trata de dinheiro Mr. Greham – o homem chamado Jack se aproximava a passos lentos de seu companheiro – sou um homem responsável com meu trabalho, o levo muito a sério – o punhal brilhava com o brilho da morte em sua mão direita – espero que entenda que estou fazendo isso não por raiva, embora eu esteja mesmo irritado e decepcionado com o senhor. Não, não é por raiva... – ele dizia isso mais para si mesmo do que para Mr. Greham – eu tenho regras sabe? Princípios que me orgulho em cumprir. O senhor, Mr. Greham, feriu minha dignidade ao tentar em enganar e isso não se paga com dinheiro.


E após dizer essas palavras o homem chamado Jack perfurou Mr. Greham com seu punhal. A lamina cortou a garganta de Mr. Greham e o sangue jorrou, vermelho e fluido. O homem caiu no chão agonizando, os braços levantados como se rogando por uma ajuda que nunca viria, talvez, o homem chamado Jack pensou, ele rogasse pelos anjos daquele quadro que vira minutos atrás.


O homem chamado Jack ficou ali parado, observando o homem caído no chão até que a vida lhe abandonasse totalmente o corpo. Não durou mais do que um minuto, mas, para o homem chamado Jack, foi um tempo maravilhoso, era como a assistir a uma opera, uma obra de arte de extrema beleza. Assim era a morte aos olhos desse homem.


Mr. Greham deu um ultimo suspiro e então morreu. O homem chamado Jack terminou o que tinha de fazer ali e, calmamente, saiu pela noite escura de Londres, seguindo pela rua deserta. A nevoa noturna o envolvia como um abraço materno e, enquanto caminhava solitário, o homem chamado Jack assobiava uma canção infantil. O som preenchia a noite dando um tom mais alegre aquela noite escura e sem vida.


E assim o homem chamado Jack se foi sumindo totalmente de vista, se perdendo na escuridão da noite. Mas mesmo depois de não puder ser mais visto ainda era possível ouvir o som de seus assobios, uma melodia que lembrava uma cantiga de criança. Era uma musica alegre com gosto de infância e, quem a ouvia, jamais imaginaria que pudesse ser cantada por alguém capaz de cometer um assassinato tão bela e inocente ela aquela canção.


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Autor(a): utsugi

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