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Fanfic: Quando a Noite Cai(adaptada) | Tema: Vondy


Capítulo: Capítulo 5 (PARTE 2)

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— Q-qualquer coisa serve — gaguejei, balançando a cabeça para afastar aquelas imagens da mente. Quase deu certo. Quase!


Por sorte, o garçom apareceu e eu tive uma desculpa para olhar para o cardápio, embora estivesse tão abalada que não conseguia ler uma única palavra. Por isso, quando meu acompanhante sugeriu alguns pratos, concordei de pronto. Lorc... hã... o rapaz pediu os petiscos da mesma maneira com que havia falado com a médica: com resolução. Tão logo voltamos a ficar sozinhos, ele levantou sua caneca de chope. Eu fiz o mesmo.


— Por dias menos turbulentos — proferiu.


— É o que eu peço toda manhã antes de sair da cama — respondi, num muxoxo.


Mesmo tendo falado baixinho, ele me ouviu. E vincou o cenho, depois de experimentar um gole.


— Por quê? — Colocou a caneca sobre o tampo. — Costuma ser atropelada com frequência?


— Atropelada, empurrada, amassada, molhada — gemi. — Não necessariamente nessa ordem.


— É mesmo? — Ele tentou engolir o riso, mas foi incapaz. Tentou disfarçar com uma tossidela.


Dei de ombros.


— Já estou meio acostumada. Mas hoje, com certeza, eu extrapolei todos os limites da turbulência.


Mais um desastre para minha lista, e dessa vez eu nem tinha conseguido o emprego. Para não mencionar o cara diante de mim, que agora ria abertamente, se parecendo muito com Lorcan.


Mas seu humor mudou enquanto o riso morria, e ele estava muito sério ao dizer:


— Eu também fico contente que essa merda de dia esteja acabando.


Um tanto surpresa com a resposta, beberiquei meu chope, brincando com a fina camada de gelo que recobria o vidro enquanto analisava aquele cara mais uma vez. Não. Dessa vez eu não estava tentando encontrar semelhanças com Lorcan. Só prestando atenção nele. E pela primeira vez notei quão bem o paletó lhe caía nos ombros, observei o maxilar barbeado à perfeição, o relógio caro no pulso. O cabelo tinha um bom corte, mais curto que o de Lorcan (ok, não deu para resistir), mas os fios ainda eram longos, as ondas suaves cobrindo as orelhas e se enroscando na gola da camisa. Esse homem era o epítome da sofisticação.


Devo ter encarado um pouco demais, pois ele inclinou a cabeça para o lado.


— O que foi? — perguntou, intrigado. — Por que está me olhando desse jeito?


— Ah... — Mirei minha caneca, as bochechas muito quentes de novo. Mais um pouco e eu poderia entrar para o Guinness Book com um novo recorde: a garota que corou mais vezes em uma única noite. — Eu só pensei que homens como você não tivessem dias ruins. Ouvi sua cadeira estalar conforme ele se remexia.


— O que quer dizer com “homens como eu”?


— Humm... ocupados. — De faz de conta...


Ok, pare com isso. Você já entendeu que ele existe e que não é o seu amante imaginário. Supere isso!


Ele deixou escapar uma risada. Um som um tanto melancólico, que fez meu coração apertar.


Tive que olhar para ele.


— Ah, é? Então vou te contar como foi o meu dia. — Ele se virou levemente, apoiando o braço no encosto da cadeira. — Eu precisei sair correndo do escritório e ir até o hospital porque um dos funcionários brigou com a mulher e resolveu enlouquecer em pleno expediente. Disparou com a pistola de grampos nos colegas e acertou dois deles. Graças a Deus não foi nada grave. Depois eu tive que falar com a polícia... — Fez uma pausa, os olhos se fixando nas manchas de sangue seco em minha camisa.


Esfregando a testa, ele se aprumou, cuspindo alguma coisa naquela língua estrangeira que, eu não tinha dúvida, era um palavrão.


— Me desculpe, Dulce. Acabei ficando preocupado com a sua cabeça e esqueci de perguntar se você queria fazer um boletim de ocorrência. — Uma sombra eclipsou seu semblante. Ele estava mortificado. — Eu posso te levar pra delegacia agora mesmo.


Pensar em entrar em uma delegacia, depois de um dia como aquele, me fez estremecer.


— Obrigada, mas não. Prefiro ficar aqui com o chope. — Sobretudo porque o cara tinha começado a falar de si mesmo sem que eu tivesse que ameaçá-lo com a muleta.


— Tem certeza? — Ele me encarou, muito sério. — Ainda está em tempo.


— Sim, tenho certeza. O carro não encostou em mim. Acabei caindo com o susto. Acho que eu torci o pé quando me desequilibrei na calçada. E mesmo assim você me levou até a clínica, onde me reviraram do avesso. Não tenho nada a dizer pra polícia. Quero ficar aqui e ouvir como termina o seu dia de merda.


Ele hesitou, e, por sua expressão contrariada, pensei que iria se levantar da cadeira e me arrastar para a delegacia mais próxima. Mas então seus ombros relaxaram, aquela sombra no rosto se dissipando aos poucos.


— Muito bem — concordou, girando a caneca sobre o descanso de copo sem se dar conta do que fazia. — Onde eu parei?


— Você teve que falar com a polícia depois que saiu do hospital... — ajudei.


— Ah, certo. — Assentiu uma vez. — Depois de prestar esclarecimentos, participei de sete reuniões em sete lugares diferentes da cidade, com esse trânsito dos infernos. E duas delas terminaram com ameaças de morte. — Ele enrugou a testa. — Espero que tenham sido só expressões acaloradas...


Acabei rindo. Isso pareceu incentivá-lo, pois ele dobrou os braços sobre o tampo de madeira, a caneca entre as mãos, e se inclinou de leve para mim. Seu perfume me chegou ao nariz, me entorpecendo muito mais depressa que o chope.


— Então eu estava voltando para a empresa — prosseguiu —, te atropelei e, enquanto esperava que você fosse atendida, recebi um telefonema histérico do escritório avisando que houve um incidente e que uma parte dos projetos em que eu andei trabalhando neste último mês foi arruinada. Além de um belo prejuízo... — Ele tomou alguns goles da bebida. — Agora é a sua vez. O que aconteceu no seu dia de merda? Além de ser atropelada, claro.


— Acho que nada tão ruim quanto o seu. — Pelo menos eu não tive prejuízo. Apenas causei um. — Só o de sempre.


— O de sempre...? — Arqueou uma das grossas sobrancelhas.


— Saí de casa atrasada para uma entrevista de emprego. Cheguei lá e descobri que todos os outros candidatos eram mais qualificados que eu. Mas o cretino responsável pela entrevista nunca aparecia e eu acabei, sem querer, causando um alagamento no escritório. Aí eu saí de lá e quase fui atropelada — enfatizei.


Inclinando-se ainda mais em minha direção, suas pálpebras se apertaram quase que imperceptivelmente.


— Por acaso você se candidatou à vaga de assistente pessoal na Brígida Construtora?


Eu o encarei, perplexa.


— É! Como você sabe?


Ele começou a rir. Uma risada gostosa, que aqueceu meu peito e fez seus ombros chacoalharem.


— Qual é a graça? — eu quis saber.


— Não sei se a gente pode dizer que é engraçado. Acho que é mais uma... hã... coincidência singular. — Sacudiu a cabeça, os fios dançando de leve. Como tudo o que eu fiz foi ficar olhando sem entender nada, ele explicou: — Eu sou o cretino responsável pela entrevista.


Espalmei as mãos no tampo de madeira lisa, lívida.


— Você tá brincando comigo?


— Não estou, não. — Recostando-se no espaldar, com a diversão ainda espiralando em seu olhar, ele me estudou demoradamente. — Então você é a maluca responsável pelo rompimento do encanamento de água, que enfureceu a Guilhermina, destruiu o computador e os meus projetos.


É como dizia vovó Filomena. Não existe nada tão ruim que não possa piorar.


— Ah... — Meu rosto esquentou tanto que cheguei a cogitar pegar a caneca e pressioná-la em minhas bochechas para aliviar a quentura. Não tive coragem de olhar para ele. — Eu... eu sinto muito pelos seus papéis e... o encanamento e... o computador... e por ter irritado a secretária. Foi sem querer, eu juro. Eu posso pagar pelo prejuízo. — Eu não precisava de tantos órgãos, certo?


Podia muito bem vender alguns. Quer dizer, eu precisava mesmo de dois rins?


— Está tudo bem. — Sua voz era gentil. — Aquilo é uma construtora. Mão de obra é o que não falta.


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Autor(a): leticialsvondy

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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 3



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  • Nat Postado em 18/02/2019 - 17:36:36

    Ai! Meu Deus! Tô tão empolgada! Se o Christopher não tem nem trinta anos e foi casado há mais de dez anos será que ele nunca morreu e a Dulce versão medieval sim e aí ele está todo esse tempo vagando solitário até encontrar Ela!?*0*(tô muito chocada com minha teoria)! Tem como vc fazer maratona!? Posta Mais! CONTINNNUUUAAA!!!*-*

  • Nat Postado em 18/02/2019 - 14:34:13

    Ah! Guria! CONTINNNUUUAAA!!! Tô amando!*-*

  • biavondy15 Postado em 11/02/2019 - 00:27:41

    Posta maaaaaaaais, estou amandooo



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