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Fanfic: Quando a Noite Cai(adaptada) | Tema: Vondy


Capítulo: Capítulo 5 (PARTE 3)

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Eu o espiei por entre as pestanas. Ele não parecia furioso. Por que não estava gritando comigo? Por que não exigia que eu pagasse pelos danos? Por que parecia... estar se divertindo?


— Eu posso falar com o seu chefe e explicar que foi um acidente — ofereci.


— Meu chefe? — Levou a caneca à boca e sorveu um grande gole.


A espuma branca e cremosa grudou em seu lábio inferior. Ele o limpou com a língua. E realmente não deveria fazer aquilo. Alguém podia se sentir tentada e se voluntariar para correr a língua bem devagar por aquele lábio rosado e largo...


— Dulce?


Pisquei, mirando seus olhos escuros. Certo. Estávamos falando sobre... o que mesmo?


Ah, sim!


— A secretária disse que o chefe ia arrancar a cabeça dela. Eu não queria causar problemas para ninguém. Desculpa. É que, se você procurar no dicionário, vai descobrir que ao lado da palavra “desastre” está o meu nome.


Ele lutou para se manter sério, mas acabou sorrindo daquele jeito que fazia a covinha se acentuar no queixo bem desenhado. Como era possível que ele e Lorcan fossem tão parecidos? Não, a questão não er essa. Como era possível que eu tivesse sonhado com aquele cara e fantasiado toda aquela coisa medieval? E por quê?


Eu tinha certeza de que nunca o vira antes — eu não teria esquecido —, então como pude plagiar um ser humano... ou seja lá o nome que se dê ao que eu havia feito?


Reprimi um gemido. Eu tinha tantas perguntas, e ninguém a quem fazê-las. Era muito frustrante. Eu não podia simplesmente indagar: “Ei, você sabe dizer por que sonho com você faz cinco anos?” Tudo o que eu podia fazer era manter a conversa e torcer para que em algum momento um fato qualquer surgisse.


Ansiosa, puxei o cabelo para o lado e comecei a trançá-lo. O gesto atraiu a atenção dele. Seu olhar acompanhou os movimentos dos meus dedos, parecendo um tanto... hã... fascinado?


— Espero que o seu emprego não esteja em risco — murmurei, um tanto mexida.


Isso trouxe seu olhar de volta ao meu rosto.


— Não. Está tudo bem. — Ele me observou por um longo tempo, até eu sentir a pele esquentar outra vez. Não era qualquer olhar, mas aquele que devassa a alma, que não é capaz de fugir nem de esconder nada, pois a intensidade destrói todas as barreiras.


Não tenho certeza do que ele viu ali — eu não estava mesmo nos meus melhores dias —, mas o que quer que tenha encontrado o fez subitamente se interessar pela caneca.


— E você, quer um? — ofereceu.


— Não. Acho que já bebi demais.


Ele ergueu os olhos para mim. Não consegui compreender a emoção que faiscava em seu semblante. Havia diversão, mas também algo mais. Quase... ansiedade.


— Eu não me referia ao chope — explicou em voz baixa. — Perguntei se você quer um emprego.


Tudo o que eu fiz foi piscar por alguns segundos.


— O-o quê? — balbuciei.


— Eu gostei de você. Acho que podemos nos entender.


E eu que achava que as surpresas daquele dia tinham acabado. Será que ele não tinha ouvido toda a história? De como em menos de um minuto eu coloquei todo o escritório debaixo d’água?


Não sabia que o sr. Tablet, a eficiência encarnada, tomara a frente, todo prestativo? Talvez a pessoa que ligara para ele contando o ocorrido tivesse suavizado um pouco as coisas.


Ou então o que ele me oferecia era outra coisa, pensei de repente. Repassei mentalmente sua última sentença. Então minhas bochechas se incendiaram, mas dessa vez não era o constrangimento que fazia meu sangue ferver, não.


— Escuta aqui! — Apoiei uma das mãos na mesa e me inclinei para mais perto, fuzilando-o.


— Eu jamais me sujeitaria a ser sua prostituta. Nem de ninguém! Eu posso estar desesperada, mas não a esse ponto!


Ele não pareceu nem um pouco abalado e cruzou os braços, baixando as sobrancelhas.


— Não me lembro de ter dito que queria fazer sexo com você, Dulce.


Bufei, transtornada.


— Você acabou de dizer que gostou de mim e que a gente poderia se entender...


— No escritório — atalhou, impaciente. — Nós podemos nos entender profissionalmente. Eu não preciso pagar pra ter sexo.


Abri a boca, mas tudo o que consegui proferir foi uma porção de engasgos enquanto minha cara ficava tão quente que temi que a pele pudesse se desprender dos músculos.


É claro que ele não precisava pagar para ter sexo. Não com aquele rosto, aquele corpo e aquela maldita covinha no queixo. E certamente ele não queria fazer sexo com a garota que arruinara seu escritório. E isso era bom, porque eu também não queria nada com ele. Eu amava Lorcan. O fato de ele se parecer com Lorcan não queria dizer que eu transferiria para um os sentimentos que tinha pelo outro. De maneira alguma.


Eu estava totalmente segura disso.


— Mas eu preciso de uma boa assistente. — Sua voz estava mais calma e era toda negócios agora. — Você fala inglês?


— Hã... sim... — respondi, meio atordoada. Mamãe sempre insistira que eu fizesse o curso.


Estava no último ano quando papai se fora e tive que abandonar as aulas. Mas até que me virava bem.


— Ótimo! Caso você aceite, vai ter folga nos fins de semana, a menos que surja alguma coisa importante. O salário pode ser discutido. Eu vou precisar que você me acompanhe a reuniões, viagens, cuide da minha agenda e de toda a parte desagradável.


— Que eu acompanhe você? — perguntei, confusa. — Você?


— Eu não mencionei que sou o dono da Brígida? — Inclinou a cabeça para o lado.


— Não, não mencionou. — Mas é claro. Quem mais?


No entanto, eu tinha algo ainda mais inesperado a ponderar do que estar cara a cara com o dono do escritório que eu detonara algumas horas antes.


— E por que você faria isso? — eu quis saber, ressabiada. — Por que daria um emprego pra garota que destruiu metade do seu escritório? E com uma perna machucada — lembrei, batendo a bota imobilizadora no encosto da cadeira.


— Porque eu detesto essas entrevistas. — Ele se retraiu, parecendo exausto. — Preciso de alguém que seja inteligente, que tenha horário flexível, que me ajude a colocar minha vida em ordem. Quanto ao seu pé, ele é um dos motivos pelos quais eu decidi te fazer essa proposta. Eu sou o responsável por ele. Não iria me perdoar se, além de te machucar, te deixasse em uma situação financeira difícil.


Ele não teria me surpreendido mais nem se dissesse que era da equipe dos Vingadores, da Marvel.


— Eu não gosto que brinquem comigo dessa forma — falei, meio insegura. Ele não parecia estar brincando.


Curvando-se para a frente, apoiou os antebraços na mesa. Seus ombros se distenderam, e foi um custo tirar os olhos deles e concentrar minha atenção no que ele estava dizendo.


— Se aceitar o emprego, você vai descobrir que eu não brinco. Nunca. — Ele me lançou um olhar penetrante. — Você não faz o tipo dos que eu normalmente contrato, mas isso é um ponto positivo. Eu estou cheio do padrão robô. E o Lorenzo, que anda me ajudando enquanto eu não encontro um novo assistente, me traz mais dor de cabeça que alívio. — Ele relaxou um pouco e me deu um sorriso curto. — Você vai compreender melhor assim que o conhecer.


Aquilo não podia estar acontecendo. Aquele tipo de coisa — ter sorte — nunca acontecia comigo. Ok, talvez “sorte” fosse uma palavra forte demais, já que a proposta partia de um homem que era a cara de outro, um homem que me perturbava em diversos sentidos. Mas mesmo assim. Se eu conseguisse o emprego... e me mantivesse nele, é claro, mas isso era outra história... se eu conseguisse o trabalho, então eu teria a grana da hipoteca e nós não seriamos despejadas!


— É... é sério? — questionei, apenas para ter certeza de que meus ouvidos estavam funcionando direito. — Você vai me contratar mesmo depois de eu ter destruído o seu escritório? A propósito, você devia chamar um técnico. O ar-condicionado está estalando bastante.


Desconfio que o barulho seja a razão do mau humor da sua secretária.


Ele riu alto, sacudindo a cabeça.


— Infelizmente não é, Dulce. Mas é disso que estou falando. Eu quero alguém que perceba as pequenas coisas sem que eu tenha que apontar. O Lorenzo vai passar as instruções pra você. Ah, até que enfim! Estou morto de fome — exclamou assim que o garçom apareceu e começou a colocar o nosso pedido na mesa.


Meu Deus. Ele estava mesmo falando sério! Eu tinha mesmo conseguido um emprego? Ia trabalhar na Brígida Construtora como assistente do... do...


— Peraí — falei, logo que voltamos a ficar sozinhos.


Ele esticava o braço para pegar um bolinho de carne, mas se deteve, me fitando com expectativa. Seu cabelo castanho-claro tremulou sob a luz fraca, e naquele instante, ao me olhar com as sobrancelhas franzidas, os lábios só um pouquinho de nada apartados, ele se pareceu mais do que nunca com o meu cara imaginário.


— Sim, Dulce? — inquiriu, curioso, quando não respondi.


— Eu não posso trabalhar pra você se ainda nem sei o seu nome. — Não diga Lorcan. Prove que isso tudo é real. Não diga Lorcan Uckermann!


— É verdade. Me perdoe. Normalmente eu não sou assim tão avoado. — Ele levou a mão ao peito, sobre o coração, e se curvou de leve em uma mesura galante, mantendo os olhos nos meus.


— Christopher Uckermann, a seu serviço, senhorita.


— Christopher — murmurei, para que meu cérebro entendesse de uma vez por todas que aquele homem não era Lorcan, apesar de ter o mesmo rosto, o mesmo corpo, a mesma voz.


E o mesmo sobrenome! Mas, àquela altura, que diferença faria uma coincidência bizarra a mais ou a menos?


— Temos um acordo? — Christopher prendeu meu olhar ao seu, enigmático, aguardando a resposta.


Inspirei fundo. Que Deus me ajudasse.


— É. Temos um acordo


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Autor(a): leticialsvondy

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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 3



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  • Nat Postado em 18/02/2019 - 17:36:36

    Ai! Meu Deus! Tô tão empolgada! Se o Christopher não tem nem trinta anos e foi casado há mais de dez anos será que ele nunca morreu e a Dulce versão medieval sim e aí ele está todo esse tempo vagando solitário até encontrar Ela!?*0*(tô muito chocada com minha teoria)! Tem como vc fazer maratona!? Posta Mais! CONTINNNUUUAAA!!!*-*

  • Nat Postado em 18/02/2019 - 14:34:13

    Ah! Guria! CONTINNNUUUAAA!!! Tô amando!*-*

  • biavondy15 Postado em 11/02/2019 - 00:27:41

    Posta maaaaaaaais, estou amandooo



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