Fanfic: FELICIDADE CLANDESTINA | Tema: Menina mesquinha, aproveitadora
FELICIDADE CLANDESTINA
Ela era magra, alta, rosto lindo e cabelos excessivamente lisos e loiros. Tinha pouco busto, enquanto nós tínhamos muito. Mesmo sendo linda não se juntava com outras meninas, se achava superior às demais, seu pai era dono de livraria, muito sinpático.Ela pouco aproveitava para ler os livros da livraria, não gostava de ler, já nós não víamos a hora de chegar o aniversário para convidá-la, ansiosos para ganhar um livro que seu pai sempre nos dava, ele sim tinha bom coração.
Além de muito bonita era mesquinha e brava, fazia todos ¨palhaços¨ dela, e se não fizesse o que ela queria, ficava enfurecida. Era de família rica, pode-se dizer, nós muito pobres, frequentávamos a mesma escola, ela sempre de sapatos novos, não repetia nenhum durante a semana, já eu, sempre com o mesmo tênis, que ganhe da minha avó, era preto e rosa, adorava usa-lo, mas também não tinha outro, me obrigava a gostar do que tinha.
Nunca vou esquecer, um dia ela foi para a escola com uma sapatilha dourada, tão linda, que todos os colegas ficaram admirados com tanta beleza, foi então que falei para ela ¨meu sonho era ter uma sapatilha igual¨ ela até me ouviu, mas torceu o nariz, então ela me disse ¨se você fizer todas as tarefas de casa para mim, lhe dou a sapatilha¨, e eu aceitei é claro, era o que mais queria.
Lá ia eu todas as tardes para a casa dela, estudávamos de manhã, fazer as tarefas de casa, passaram-se muitos dias e ela só inventando desculpas, eu sempre feliz, porque achara que no dia seguinte ela daria , ia para casa um pouco triste, mas com esperança que no dia seguinte ganharia, assim foram algumas semanas me enrolando, até que um dia sua mãe achou estranho todos os dias a mesma menina indo visitar a filha, começou a perceber então que não era a letra da sua filha nas tarefas de casa.
Em uma tarde chuvosa, ao chegar na casa dela , eu toda molhada, com meu único tênis encharcado de água e barro, veio ao meu encontro a mãe da menina, com a sapatilha em mãos e uma muda de roupa, fiquei assustada, não sabia o que ela ia fazer, foi então que assustei-me ainda mais, as roupas e a sapatilha que eu tanto sonhara eram para mim, a mãe muito querida ao contrario da filha, disse-me ¨pode ficar com esta roupa e esta sapatilha, minha filha não a usa a alguns meses, porque não gostou¨.
Eu, quase em pulos de felicidade, me assustei quando vi a menina vindo ao nosso encontro, pensei ¨deve estar muito brava pelo que sua mãe fez¨, quando ela chegou perto de mim, me estremeci, ela mesmo perto de sua mãe não me tratou nada bem e foi pedindo o que eu estava fazendo com suas coisas em mãos, ela nem se quer viu que eu estava toda molhada de chuva. Eu não respondi nada, a mãe dela que respondeu ¨ é muito feio se aproveitar de pessoas de bom coração, faz dias que estava percebendo o que você estava fazendo com essa garota, hoje chegou o dia dela ganhar a sapatilha que você prometera a ela, de hoje em diante você irá mudar esse teu jeito de ser e irá pedir desculpas agora para ela¨.
Foi o que ela fez, me pediu desculpas, mas eu via nos olhos dela que estava muita brava, eu como não precisei fazer a tarefa de casa dela, fui para casa abraçando a sapatilha, cheguei em casa, colocava-a e tirava-a do pé, pois era tanta felicidade que tinha até medo de estraga-la, me senti a menina mais feliz do mundo, com aquela sapatilha dourada, o que não era mais um sonho e sim uma realidade.
Parecia uma felicidade que sempre ia ser clandestina para mim, parece que eu pressentia. Às vezes sentava na cadeira de balanço com a sapatilha dourada em meus pés, e sonhava com o que meus colegas diriam para mim.
Autor(a): leila_battistella_cecchin
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