Fanfic: Felicidade Clandestina | Tema: Sonho e ficção
FELICIDADE CLANDESTINA
Eu tinha aquela colega que ninguém queria ter. Chata, magrela, tamanho girafa, branquela, rosto sardento, cabelo duro, pezão, adorava chamar a atenção. No entanto possuía algo diferente, que era meu sonho e de qualquer outra menina amante da leitura. Era filha do dono da melhor livraria de Recife, ela nem se importava, enquanto eu morria de inveja, sonhando em poder degustar aqueles livros. As vezes esperava a oportunidade de ganha um deles de presente, mesmo que fosse o mais fino e baratinho. Sempre amarga e cruel, ela mandava apenas um cartão com frases chulas, isto é, quando mandava.
Malévola, como era apelidada secretamente pelos colegas lá do fundo, se tornava cada dia mais amarga, certamente não se conformava, pois a maioria de nós tinha aquele corpão, sempre bem arrumadas e rodeadas de muitos amigos. Ela sabia que eu tinha o sonho de poder ler o melhor livro de Monteiro Lobato – As Reinações de Narizinho. De repente, quando olhei, ela vinha em minha direção, aproximou se e disse: tenho o livro que você quer ler! Quer emprestado?
Eu imediatamente respondi: sim, claro.
Levarei o em sua casa, hoje a tarde.
Sai da escola saltitante, embaraçando em minhas próprias pernas, que estavam tremulas de felicidade, era minha chance de ler a tão sonhada historia. Corri pra casa, nem consegui almoçar direito, contando os minutos caminhava de um lado para o outro, a tarde foi passando lentamente. Caiu a noite e ela não apareceu. No dia seguinte disse que se esquecera. Ofereci-me para ir busca-lo em sua casa. Ela concordou. Chegando lá, no portão mesmo me disse que sua irmã havia emprestado o livro para outra colega.
Foi ai que o drama começou, me dei conta de que ela havia encontrado a oportunidade de se vingar. No dia seguinte a fala se repetiu e assim seguiu por vários dias. Nada dela se render, seu veneno só aumentava.
Um dia, na volta de uma dessas visitas sempre de mãos vazias, a irmã me atalha no meio do caminho e pergunta: Por que sempre vai à minha casa falar com minha irmã Bel e nunca entra? Vocês não parecem ser grandes amigas, pouco se falam. Respirei fundo, me perguntando falo ou não falo? Depois de um tempo em silêncio contei a ela todo o drama. E ela me disse: Vou dar um jeito nisso. Sorri, me despedi e fui saindo, pensando , será esta minha chance?
Laura foi correndo para casa e contou a sua mãe tudo o que estava acontecendo. Mãe a Bel está tirando a felicidade da garota. Seu pai escutou toda a conversa, ficou sem fala, perplexo com o comportamento da filha. Depois de alguns instantes, entrou na sala e disse: vou resolver esta situação!
Segunda feira, fui pra escola, já me preparando para enfrentar mais uma semana de torturas, com uma promessa que não se cumpria. Na hora de ir embora, olhando para a rua avistei um homem elegante e sorridente vindo em minha direção, perguntou: você é a colega de minha filha Bel? Respondi: sim, sou eu, com os olhos curiosos pelo embrulho que se encontrava em sua mão. Ele estendeu e disse: toma, é seu. Pra mim? Sim, sei que gota muito de ler. Recebi sorridente, agradeci. Percebi que ela observava de longe.
Fui correndo para casa imaginando, o que teria por trás daquele embrulho? Quando abri, a emoção falou mais alto, abracei-o e imediatamente comecei a ler as primeiras paginas, não queria mais perder um minuto daquela felicidade, uma “felicidade clandestina”, que estava vivendo, não mais como se estivesse lendo o livro dos meus sonhos, mas como uma mulher que encontra o grande amor de sua vida e se entrega em seus braços.
Autor(a): ana_paula_nascimento_souza
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