Fanfics Brasil - Rebeca Bellevie Rebeca Bellevie

Fanfic: Rebeca Bellevie | Tema: Bruxaria, Esoterismo


Capítulo: Rebeca Bellevie

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Rebeca Bellevie


            Mais um verão ia-se embora, Rebeca mal podia esperar para voltar a sua casa e desfrutar de alguma paz, não que o verão tivesse sido ruim, não mesmo, mas passar quase três meses em uma fazenda junto de sua família era demais para a cabeça de Rebeca. Bem, pelo menos tinha a vovó – pensou ela consigo mesma. Alice, a vó de Rebeca, já estava muito velha e frágil, no entanto sempre emitindo uma aura de luz incrivelmente bondosa e sua presença confortava quem quer que fosse. Para ela estar com Alice era a melhor parte dos verões, desde pequenina, pois a avó lhe mostrava sempre suas “simpatias” para curar o pessoal do vilarejo do qual a fazenda fazia fronteira, contava-lhe histórias e estórias sobre mil e um casos infortunosos que aconteceram ou quase, e que pela força do pensamento e da natureza foram resolvidos, todavia estava com a idade avançada e Rebeca estava aterrorizada com a ideia de que logo talvez Alice viesse a faltar.


            A viagem de volta para a casa na cidade estava sendo solitária, mesmo com o rádio ligado, o que geralmente distraía imensamente a garota, hoje não fazia grande diferença, seu pensamento estava em seu aniversário que se aproximava, faria 28 anos e, no entanto, sentia-se incompleta, sentia que mesmo tendo tido boa educação, formação e um emprego decente ainda havia uma lacuna em si como um ser, pelo menos estava ela mesma a guiar o carro, assim poderia acelerar caso “desse na telha” e de fato o fez algumas vezes que percebeu ser possível, era o final de uma tarde de quinta-feira, a luz do crepúsculo avermelhava-se e indicava que o calor logo cessaria e a jovem queria chegar em casa antes do anoitecer.


            Pensava também que na próxima segunda-feira já deveria voltar ao trabalho. Rebeca era professora de artes plásticas de uma escola na cidade, gostava do trabalho apesar de não tanto do salário, nem começaram as aulas e já estava a pensar no que poderia dar para seus alunos na semana seguinte.


            Chegou por fim em casa, abriu a porta, sentiu o cheiro de erva-cidreira do ambientalizador que comprara logo antes de ir para a fazenda, pegou as cartas e as pôs na mesa de centro, viu também suas plantas que estavam vivas e bem, graças a engenhoca que havia visto num vídeo no YouTube para manter as plantas irrigadas por um período de ausência do dono, testou e realmente resultou. Metade das plantas eram ervas e temperos que sua avó lhe dera mudas sempre que ia à fazenda, jardinagem a acalmava a alma e dava-lhe quietude na mente, além de um sentimento de orgulho quando ela as via crescendo saudáveis e bonitas.


            Estava exausta, tirou as roupas de qualquer forma e as arremessou no cesto de roupa, acertou todas e falou “cesta” parvamente, entrou no banheiro branco de azulejos azulados e ligou o chuveiro, era a gás então demorava um pouco a esquentar, no aguardo olhou-se no espelho e pensativa analisou seu reflexo: era uma mulher tão bela, tão cheia de vida e tinha um semblante de ternura, no entanto faltava-lhe uma aura, um brilho nos olhos, o que poderia ser? Sinceramente não sabia e preferiu deixar isso de lado e entrar no banho, a água estava bem quente, como ela gostava, mesmo no verão, ao ensaboas seu corpo sentiu-o todo delicadamente, demorando-se, depois deixou que a ducha a molhasse diretamente o rosto e dele escorresse ao corpo todo, sentiu o fluxo da água por cada um dos seus membros, mexeu os dedos das mãos e percebeu a sensação do escorrer em cada um deles, lavou e hidratou os cabelos com receitas caseira, as quais há anos mostraram-se super eficientes, sempre era elogiada pelos lindos e macios cabelos louros.


            Secou-se e vestiu-se, logo então foi a cozinha e preparou para si um chá de alecrim e Artemísia, que além de cheiroso sempre a deixava bem tranquila e relaxada, e era o que queria para essa noite. Sentou-se na cama alta, puxou as cobertas finas até o colo e bebericou o chá até por fim entornar a caneca, soltou-a no criado mudo, deitou-se de lado e instantaneamente adormeceu.


            Repentinamente encontrou-se num labirinto de sebes altas, na entrada do labirinto tinha uma placa “O que lhe falta”, pensou consigo que era demasiado estranho o cenário, no entanto queria muito saber o que era que tanto lhe faltava, que lhe causava angústia pela ausência. Adentrou então de cabeça alta e juízo decidido, procuraria com afinco a saída e assim descobriria o que ela traria para si, na primeira bifurcação escolheu o caminho da direita, e no caminho foi vendo várias das ervas que ganhara de sua avó, presas nas paredes vivas. Andou, andou e andou mais um pouco, não se sentindo perdida, porém, sabia onde deveria ir, percebeu então noutro caminho as pedras que conhecia tão bem, os cristais e quartzos, seguiu por ali mais um tempo então, mais adiante sentiu o cheiro de defumação e incensos vindos de uma entradinha entre as sebes e por ali se meteu. Acima de si apenas via-se a lua cheia, muito próxima e muito clara, voltou entretanto a atenção à frente, sabia que não devia de estar longe da saída, ouviu uma canção conhecida cantada por Alice por trás de uma parece, dando a volta então viu que era mesmo sua avó que estava cantarolando a música, a senhora olhou-a e segurou seu rosto com as mãos envelhecidas, deu lhe um beijo na testa e disse-lhe olhando-a nos olhos “Venha querida, eu te mostrarei a verdade, eu assim como você sentia esse vazio e eu assim como você também recebi o chamado do labirinto da lua, venha até mim e o que te falta será revelado, venha minha querida”.


            Rebeca acordou espantada, mas também decidida, pegou sua mochila favorita Kipling com macaquinhos pendurados e a encheu com algumas mudas de roupa limpa, objetos de higiene e de cuidado pessoal, tirou tudo que precisava da mala que acabara de trazer da fazenda e jogou tudo no carro, vestiu-se e viu no relógio que horas eram, estava quase a amanhecer, respirou fundo e escreveu um e-mail ao trabalho avisando que não poderia lecionar este semestre, que precisava tratar de si, estava pronta para sair de casa, no entanto ao fechar a porta veio-lhe a intuição de que deveria levar as suas plantas, até porque não poderia arrumá-las para mais uma temporada fora. Ajeitou o melhor que pôde todas dentro do carro e rumou veloz para a casa da avó, a rodovia por sorte estava vazia, o tempo limpo e todas as condições favoreciam seu trajeto.


Chegou lá então ao amanhecer, eram quase as 7 da manhã quando bateu a aldrava e esperou ansiosa batucando com os dedos nas coxas até que Alice abriu a porta sorrindo e antes que a senhora falasse bom dia Rebeca já disparava “Estou aqui vovó, pedi licença no trabalho e estou pronta para saber o que me falta” a avó apenas sorriu e disse-lhe “Eu sei meu bem, minha linda menina, tardou tanto a receber o chamado, mas a vovó esteve sempre a sua espera, entre, vamos tomar um chá” e ambas entraram na casa que agora já estava sem a família toda, apenas lá estavam Rebeca e a avó.



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Autor(a): laurobitteh

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