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Fanfic: Beautiful Obsession [ Vondy ] Finalizada | Tema: DyC


Capítulo: Um

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           Pov Dulce


 


 


Já faziam duas semanas que eu chegava na escola e avistava um garoto encostado em seu carro na frente da entrada. Ele me fitava até o sinal tocar e eu entrar naquele prédio.


Algumas vezes, pelo vidro de uma das salas, podia vê-lo entrando no carro uns 10 minutos depois de eu entrar na escola e indo embora em uma velocidade que, com certeza, era considerada inadequada.


Ele não parecia ser muito mais velho do que eu. Deveria ser mais ou menos uma cabeça mais alto, tinha os cabelos castanhos escuros e, mesmo de muito longe, podia notar seus olhos cor de avelã que pareciam brilhar mais do que qualquer outro à luz do sol.


Parecia ser rico também. Uma pessoa que sempre foi pobre como eu, pode notar esse tipo de coisa de longe. No entanto, fugindo de qualquer dúvida, o carro que ele tinha me fazia comprovar a teoria de que ele era rico. E não era pouco. Um Lamborghini Gallardo branco impecável. Sem contar as roupas que usava, que provavelmente eram de marcas caras.


Eu tinha um certo receio, mas se ele queria me sequestrar, já teria feito isso, não é mesmo? Não tenho amigos, se me levassem, ninguém sentiria falta alguma. Sou praticamente invisível.


Não sou a melhor da turma nas notas e nem a pior, isso faria com que nem os professores notassem minha falta, e pra completar tudo, não tenho família e com certeza a dona do orfanato se sentiria grata sem uma a mais pra alimentar. Quase não tinha comida para todos e muitas vezes eu não comia para deixar para os menores. As coordenadoras do orfanato me batiam por isso, mas não podia deixar os pequenos passarem fome. Cada vez que elas descobriam, os murros ficavam mais fortes e a surra demorava mais pra acabar e, quando elas estavam de mau humor, vinham com uma espécie de chicote. Meu corpo era inteiro marcado, chorava noites inteiras com as pequenas crianças do meu lado, tentando secar minhas lágrimas de alguma forma. Não adiantava. 


Eu era a mais velha do orfanato, então tomava surra por todos e, além do mal tratamento, as velhas coordenadoras não gostavam muito de limpar e sobrava pra mim fazer isso, depois dos estudos, que era a única coisa que elas me permitiam fazer. 


Sim, eu poderia fugir qualquer dia. Não ir para o velho orfanato depois de um dia de aula e sair pela cidade à procura de algum emprego e abrigo, mas eu não conseguia. O orfanato possuía crianças desde bebês até os 12 anos. Eu não podia ir embora e simplesmente largá-las lá. Era desumano, sem contar que já tinham se tornado minha família. Minha única família.


Fui deixada na porta do orfanato Hellmate quando tinha 4 anos. Não me lembro muito bem como aconteceu, apenas que meus pais me colocaram na frente da porta e me mandaram tocar a campainha quando eles tivessem longe o bastante. Obediente, fiquei ali e quando eles se esconderam atrás de algumas árvores, um tanto longe da enorme construção, toquei a campainha. Em minha cabeça de criança, aquilo tudo fazia parte de uma brincadeira onde eles viriam me buscar depois, mas não foi assim. Era noite e uma chuva fina caía do céu, com a lua cheia. Uma mulher de cabelos ruivos enrolados e hobby rosa atendeu a porta e olhou para baixo, parando seu olhar em mim.


- Olá mocinha, em que posso ajudar? - ela perguntou


Neguei com a cabeça, sem saber a resposta e virei o rosto, esperando que meus pais aparecessem. Ainda lembro de ver, ao longe, duas pessoas correndo. Hoje sei que eram eles. 


A mulher olhou para os lados, procurando meus responsáveis e não achando os mesmos, me trouxe para dentro do orfanato.


O lugar era grande e as paredes com cores vivas. Haviam várias luzes e um pouco a frente da porta onde tinha entrado, uma enorme escada, onde algumas crianças me olhavam, curiosas.


- Qual o seu nome, querida? - a mulher perguntou


- Dulce. - respondi, tímida


- Bom, Dulce, meu nome é Maryse, mas pode me chamar de Tia Mary, ok? - eu assenti - Está com fome?


Assenti novamente, afobada. Me lembro de não comer a dias quando aquilo aconteceu. Maryse me levou para a cozinha e me deu leite quente e um delicioso bolo de chocolate. Em seguida, me levou para o andar de cima e me deu um banho. Enrolada na toalha, ela me levou até um quarto com várias camas. Me sentou na única da fileira que não estava desarrumada e sorriu para mim


- Jenette, pegue uma camisola para ela no armário de novos, por favor. - Maryse pediu para uma garotinha loira que me observava com o dedo indicador na boca


A garotinha se apressou e nos trouxe uma camisola rosa, que Maryse colocou em mim.


- De agora em diante, essa camisola é sua, entendeu? Todos os dias de manhã você deve dobrá-la e colocar em cima da cama. - orientou e eu assenti


Daquele dia em diante, eu comecei a morar ali. Nos momentos em que não tinha nada para fazer, ficava na janela do quarto, esperando que meus pais viessem me buscar. Chorei várias noites por eles nunca chegarem, tive pesadelos com horríveis com eles e em tudo Maryse me acalmava e lia uma história para me reconfortar. Conforme os anos foram passando, abandonei esse hábito. Eles não viriam e eu sabia. Os pesadelos se foram e eu me acostumei com a ideia de que tinha sido rejeitada, afinal.


Jenette se tornou minha melhor amiga por, aproximadamente 5 anos. Ela tinha a minha idade e foi adotada por um casal estéril quando tinha 9. Chorei três dias depois que ela se foi. Era ruim ver vários dos meus amigos indo embora, sendo adotados por vários tipos de casais e eu sendo a única que não. 


Quando eu tinha 13 anos, Maryse adoeceu. Eu apenas fiquei sabendo o que ela tinha dois anos depois de sua morte, porque em uma aula de ciências sobre doenças, liguei os sintomas estudados aos que ela apresentava e concluí que era algum tipo de câncer. Ela não tinha dinheiro para o tratamento, e morreu lentamente. Ficava deitada o dia inteiro na cama e eu levava para ela todas as refeições. Um dia de manhã, quando levei seu café da manhã, ela não abriu mais os olhos.


A polícia foi até o local e ficamos cerca de uma semana sobre a supervisão de uma atendente do conselho tutelar. Localizaram as irmãs de Maryse e elas tomaram conta do orfanato. Desde então, minha vida se tornou o pior inferno que pode imaginar.


Observei o garoto na entrada mais uma vez e ouvi o sinal bater. Entrei na escola e sentei numa cadeira das janelas, como sempre, e procurei por ele no lado de fora. Como previsto, ele ficou alguns minutos ali, entrando em seu Lamborghini em seguida e saindo rapidamente, fazendo o motor do seu carro roncar.


 


\\ 


 


Outro dia se passou, eram 15h e eu estava andando até o orfanato Hellsmate, como sempre fazia. Chegando lá, reparei que o clima não estava dos melhores. A sra. Rose, uma das coordenadoras e irmã de Maryse estava gritando com as crianças mais uma vez. 


- Ah, chegou a nossa favorita! - ela gritou pra mim - Mais uma imprestável. 


- B-boa tarde, sra. Rose. - murmurei de cabeça baixa 


- Boa? Nem tanto, Dulcinha, nem tanto. - olhei para as crianças. Algumas mais novas choravam. - Acredito que não esteja com vontade de apanhar hoje, ou será que está? - ela mostrou o chicote em sua mão 


Balancei a cabeça negativamente. 


- Como eu pensei. - ela riu - Hoje temos uma tarefa diferente pra você. 


Permaneci calada, esperando que ela continuasse. A outra coordenadora sorria, trazendo uma enxada completamente enferrujada e caindo aos pedaços nas mãos, que estavam protegidas com luvas.


- Vai capinar o jardim. - ela jogou a enxada que quase pegou em meu pé - Não comerá e nem entrará nesse orfanato até ele estar totalmente capinado. Vá! - ela estalou o chicote em minha panturrilha. Segurei o choro e mordi o lábio, evitando um grito - E tente ser rápida, não estou de bom humor! 


Peguei a enxada sem nenhuma proteção, saí de cabeça baixa e fui para fora do orfanato. O grande portão se fechou atrás de mim e eu fui para a parte de trás da construção.


Hellsmate não parecia mais o lugar em que eu havia parado quando criança. Naquela época, me lembro de haver casas vizinhas e até um parquinho no terreno da frente, onde Maryse nos levava todos os dias, exceto quando chovia. A cidade havia crescido para o lado oposto onde estava o orfanato e as pessoas acabaram se mudando para lá. O velho Hellsmate foi esquecido por tudo e todos e isso era notável. As casas ao redor haviam sido demolidas e o orfanato era a única construção na rua, como se fosse aquele aluno que todos excluem na sala de aula por algum motivo ridículo.


As cores pareciam ter ido junto com Maryse, quando ela morreu. A tinta desbotara e na única reforma que o orfanato teve desde que as irmãs de Mary assumiram o local, as cores escolhidas foram preto, branco, cinza e um azul escuro sem nenhum brilho. Tivemos muitas dívidas, pois as novas coordenadoras não sabiam como cuidar das despesas, então elas venderam nossas camas, os brinquedos, os livros e a maioria dos armários, deixando-nos a dormir no chão frio do pátio principal e sem nenhum tipo de diversão ou entretenimento. Ainda por conta das dívidas, a comida foi reduzindo até que não houvesse o suficiente para todos nós, ainda mais por elas comerem o pouco que chega até a despensa e por isso, as crianças são todas magras e fracas. 


Você pode achar que elas deveriam ser presas pela polícia da cidade junto com o Conselho Tutelar, e realmente deveriam, mas entendam que quando eu digo que "esqueceram da parte onde o orfanato estava" eu quero dizer que esqueceram mesmo. Alguns achavam que o tal bairro sequer existia, outros diziam que era uma parte onde eram feitos testes científicos. Eu não me atrevia a contar a nenhum à verdade. Talvez fosse melhor que não soubessem, de qualquer forma.


O jardim que a sra. Rose se referia não era nem de longe um jardim. Era um lote maior do que onde o grande e despedaçado orfanato estava construído. Dois capineiros não fariam aquele trabalho em um dia só. 


Meu corpo já era dolorido normalmente, por conta das surras que eu levava todos os dias, depois daquilo estaria parcialmente morta, mas decidi começar logo, antes que sra. Rose ou uma de suas irmãs coordenadoras viessem me bater por não ter começado ainda. 


Peguei a enxada desajeitadamente. Ela era muito pesada e eu tentava inutilmente colocar a mão num lugar menos enferrujado. Se eu pegasse alguma doença, não teria tratamento algum e morreria largada, como aconteceu com Maryse. Minha perna ainda doía, e um vergão tinha se formado, vermelho e com alguns pontos já roxos nas extremidades. Passei a mão levemente e ele ardeu um pouco mais com toque.


Deixei como estava e comecei a tentar capinar aquele lote. 


 


// 


 


Eram quase 21h e eu não havia capinado nem metade do gigante terreno. Agradeci a Deus por nenhuma das coordenadoras terem vindo até agora ver como estava o trabalho. Provavelmente a essa hora já teriam ido dormir em suas camas confortáveis, enquanto o resto das crianças dormiam no chão sujo do pátio principal. 


Lágrimas desciam inutilmente pelo meu rosto, e por incrível que pareça, não era pela dor insuportável que eu sentia em meu corpo, nem pelos pequenos cortes que eu havia feito em minha mão sem querer com a enxada, que eu não sabia manusear. Chorava pelas crianças, pela situação em que elas se encontravam. Chorava pelo futuro delas, que provavelmente não existiria e, se existisse, seria repleto de traumas e lembranças completamente horrorosas. 


Perdida em meus pensamentos, eu não percebi barulho algum de carro. Só notei um ali quando olhei em direção à rua e o farol do mesmo me cegou. Estava escuro e eu não podia ver qual carro era. O motorista o parou, fazendo os faróis ficarem na minha direção, de forma que eu tive que colocar o braço a frente dos olhos para que não me cegassem. Ouvi a porta batendo e uma sombra vindo em minha direção. Se não tivesse sido tudo tão rápido e confuso, eu correria o máximo que pudesse, por mais que soubesse que não ia adiantar muita coisa. 


- Entra no carro. - uma voz rouca pronunciou. O dono dela estava parado na minha frente, mas eu não podia ver seu rosto. Ele estava de costas para a luz, fazendo uma sombra em sua face. 


- O que? Claro que não! - retruquei 


- Eu não estou pedindo. 


- Você não manda em mim, eu nem sei quem você é! 


Por um momento eu achei que ele tinha se convencido, mas no instante seguinte o estranho tinha me pego no colo à força. Eu gritava inutilmente. Quem me ouviria? Era tudo deserto ali. 


- Me solta, me solta! - eu me esperneava, mas era em vão 


Ele me soltou, faltando apenas alguns passos para chegar ao carro. Mais uma vez, achei que ele havia desistido. Eu tentei correr, mas não consegui. Ele me impediu com apenas um braço. 


- Eu não queria ter que fazer isso.


- O qu... - antes que eu terminasse a frase ele pegou um pano branco em seu bolso, forçando-o contra a região do meu nariz. Em poucos segundos, tudo ficou escuro.


 


 


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Autor(a): Lene Jauregui

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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 49



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  • ana_vondy03 Postado em 17/04/2020 - 16:11:33

    Naaaao, estou triste que acabou! Mas me diz, vem história nova por aí?? Adorei poder acompanhar essa!!

    • Lene Jauregui Postado em 17/04/2020 - 22:25:54

      Vem sim amoré, logo logo estou de volta. Um beijo

  • biavondy15 Postado em 16/04/2020 - 20:58:36

    Essa fanfic é maravilhosa, estou simplesmente apaixonadaaa

  • ttm Postado em 16/04/2020 - 20:48:42

    continua amore

  • biavondy15 Postado em 16/04/2020 - 14:54:56

    Posta mais hoje, eu vou enlouqueceeeeeeeeeeer To amando!!!!!!!!!!!

  • ttm Postado em 16/04/2020 - 12:25:45

    continuaaaa

  • lariiidevonne Postado em 16/04/2020 - 12:07:30

    Mais, mais, mais e maaaaaaais! Posta mais PF haha :)

  • dada Postado em 16/04/2020 - 11:55:39

    Cont..

  • ana_vondy03 Postado em 15/04/2020 - 18:34:44

    Aaa continuaaa amoreee S2

  • lariiidevonne Postado em 15/04/2020 - 16:08:52

    Continua por favor :)

  • ttm Postado em 15/04/2020 - 13:45:28

    continua



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