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Fanfic: Beautiful Obsession [ Vondy ] Finalizada | Tema: DyC


Capítulo: Quatro

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                  Pov Dulce


 


 


Christopher me guiou até a sala de jantar ao lado da sala de estar. Ele puxou a cadeira para que eu sentasse e se dirigiu ao outro lado da mesa retangular de uma madeira escura, sempre a passos calmos e elegantes. Os pratos já estavam sobre a mesa grande e de madeira escura. Tudo era elegante e caro, eu tinha medo que não soubesse como mexer e acabasse quebrando alguma coisa. Apesar disso, não era o medo que deixava minha respiração irregular, e sim o olhar predador de Christopher sob mim.


Não deixei de reparar a roupa que ele usava. Um maravilhoso terno de um azul marinho quase preto. As mangas paravam no cotovelo, deixando a mostra seus dois antebraços repletos de tatuagens. Um dos braços possuía um relógio dourado que parecia ser muito pesado, provavelmente feito realmente de ouro, com alguns diamantes encrustados, o outro braço não possuía nada, mas sua mão sim. Mais precisamente em seu dedo anelar, encontrava-se um anel prata com uma pedra média encrustada no meio de cor preta, embora não fosse um preto normal. Parecia oscilar em diversas cores quando se prestava atenção, mas no segundo seguinte era preto novamente. Balancei a cabeça e parei de prestar atenção em seu anel misterioso. Não olhei para Christopher, por algum motivo, eu não conseguia.


Eu estava faminta, mas naquele momento eu perdi a fome que já estava acumulada a quase uma semana inteira, simplesmente por ter que sentar à mesma mesa que ele. Não o conhecia nem a uma hora, mas isso não fez com que o sentimento de repulsa não crescesse em meu coração. Quem ele achava que era, afinal?


Christopher colocou um líquido roxo que exalava um cheiro delicioso de uva em minha taça, logo após na dele e depois se sentou. "Vinho da melhor qualidade." pensei instantaneamente.


- Duvido que não esteja com fome Dulce. - ele disse calmamente, já comendo a alguns minutos e notando que eu não havia tocado na comida ainda - Está a muito tempo sem comer.


- Como sabe? - eu sabia exatamente como ele sabia que eu não comia faz tempo.


Tudo indicava que ele conhecia cada passo meu durante essas duas últimas semanas e não seria muito difícil ele deduzir que havia sido da mesma forma quase a minha vida inteira, mas mesmo assim perguntei, fazendo a melhor cara de confusa que pude, esperando uma desculpa qualquer para desmascará-lo. Talvez assim ele percebesse que eu não era aquela menina inocente e que não sabia nada da vida que ele devia achar que eu era.


- Porque eu venho te observando à tempos. - sorriu, quase lendo a minha mente. Eu achei que não admitiria, mas fez isso com naturalidade. Seu sorriso parecia caçoar da minha cara - Acompanhei cada passo seu Dulce, não há nada que eu não saiba sobre você. - ele limpou a boca com um guardanapo. Em nenhum momento me olhou. - Aquela espelunca não te oferecia comida e, quando oferecia, eram migalhas. Sei que está com fome, agora coma.


- O que mais sabe sobre mim? - meu tom era sério e desafiador, mas não impediu Christopher de soltar uma risada como que debochando disso, pela segunda vez naquela mesa.


- Sinceramente, isso não te interessa, garota.


- Não me interessa? - foi a minha vez de rir - É de mim que estamos falando! É óbvio que me interessa! - gritei, já perdendo o controle.


Christopher lançou um olhar reprovador à mim. Minhas pernas tremeram e eu não consegui deixar  em minha face a expressão desafiadora, como estava antes. Provavelmente tinha adquirido uma coloração avermelhada e envergonhada, com medo. Eu sabia exatamente o que tinha feito de errado, e não me atrevi a falar nada. Nem um pedido de desculpas conseguia ser pronunciado. Ele levantou os olhos para mim. Permaneceu sério ao ver minha expressão nervosa. Por um segundo, achei que seus olhos tinham oscilado em dourado velho e o dourado castanho habitual, mas foi tão rápido que deduzi ser minha imaginação.


- Odeio gritos. - ele disse simplesmente - Espero que não aconteça novamente.


Meus olhos abaixaram. Se antes eu não conseguia olhá-lo nos olhos pelo simples tom marcante dos seus, agora era pior ainda. Eu odiava me sentir assim, como se tivesse que fazer o que ele mandava, como se sentisse medo dele, como se pertencesse à ele e devesse-lhe respeito, mas era impossível não ter essa sensação de impotência diante de Justin. Ele sabia exatamente como deixar uma pessoa acanhada, com medo dele, mesmo que sorrindo. Seus sorrisos eram completamente sarcásticos, mostrando que quem estava no comando de tudo ali, era ele. E somente ele.


- Simplesmente coma. - ele concluiu, alguns minutos depois


- Desculpe, não tenho fome. - virei o rosto


- Acabei de dizer que sei que está com fome, só...


- Não, obrigada. - o interrompi, passando os olhos por ele e focando em outro lugar rapidamente


- Muito bem, se não quer comer, não coma. - ele levou o garfo à boca, dando de ombros - Não sou eu quem vai morrer de fome, de qualquer forma.


Não consegui conter um riso. Christopher era bipolar ou o que? Primeiro, me tira daquela vida ridícula, me dá um quarto gigante, mais roupas do que eu poderia vestir numa vida inteira, um closet maravilhosamente enorme, tudo feito para mim e sob medidas e agora diz que não se importa se eu morresse de fome? Isso é... sério?


- Porque a risada? - ele perguntou, em tom severo


- Nada demais. Apenas acho engraçado sua bipolaridade.


- Minha o que? - ele finalmente, olhou para mim, embora seus olhos não demonstrassem nenhum tipo de sentimento em especial. Oscilaram mais uma vez. Aquilo era real ou eu estava ficando louca de vez? Abaixou o olhar em seguida, prestando atenção na comida novamente e levando mais uma garfada calma até a boca perfeitamente desenhada


- Você me deu tudo aquilo, presentes que eu nunca poderia ganhar muito menos comprar, - pausei por um instante, esperando que ele me olhasse nos olhos. Ele não o fez e eu continuei. - E agora diz que não se importa se eu morresse de fome. Se não se importa, porque não me deixou onde me encontrou? Sabia que eu não queria vir, mas me trouxe mesmo assim, contra a minha vontade e sem a minha aprovação.


- Está desmerecendo tudo o que eu te dei? É assim que me agradece? 


- Não, senhor. - sorri, ironizando o senhor - Agradeço pelo que me deu. Só não entendo o porquê.


- Porque eu quis. - ele deixou o garfo, que tilintou no prato de vidro - Isso não basta?


- Não. - falei simplesmente. 


Ele se levantou, virando-se de costas para a mesa, as mãos ao alcance da face. Eu achei que ele iria para a sala e me deixaria ali, plantada, sem nem sequer sua aprovação para ir ao meu quarto e não vê-lo mais, pelo menos pelo resto da noite, mas ele não fez isso. Se virou novamente vindo em minha direção. Seus passos eram firmes, porém lentos, eu me perguntava como conseguia ser silencioso até quando andava completamente irritado, diferentemente do meu coração que batia acelerado e descompassado ao vê-lo se aproximando.


- Levante-se. - era um pedido, mas eu entendi como se estivesse mandando. Obedeci, embora minhas pernas ainda tremessem. Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas antes que dissesse, saí correndo dali em direção ao meu quarto. Christopher me seguiu agarrando meu braço grosseiramente antes que eu pudesse subir o resto das escadas. Ele me puxou, fazendo-me praticamente cair em seus braços. Pude sentir o doce hálito de Christopher na região do meu nariz, mas o empurrei. Suas mãos ainda seguravam meu pulso apertando-o muito, fazendo os hematomas que eu já tinha ali aumentarem a dor da intensidade que ele apertava. - Olha aqui garota, você é minha propriedade agora, quer queira ou não. Não é escolha sua.


- Porque me trouxe aqui? - finalmente perguntei, sentindo as lágrimas inundarem meus olhos. Segurei-as, não poderia chorar na sua frente. Ele não me respondeu, mas também não me soltou. Por um momento me deixei afundar em seus olhos, que pareciam eletrizados de raiva e algum sentimento mais que eu não sabia decifrar. Eu podia ver nuances vermelhos dançando no caramelo dourado, vários tons avermelhados oscilando no castanho claro intacto. - Seus... olhos.


Senti ele me afrouxando suas mãos em meu pulso. Sem qualquer resposta para minha pergunta, ele me soltou completamente e se virou de costas para mim.


- O que v... 


- Suba. - ele disse, me interrompendo. Sua voz era uma súplica e uma ordem ao mesmo tempo. Meus olhos ardiam, minha garganta doía. Eu não ia e não queria teimar com ele agora. Me virei, e subi correndo as escadas enquanto as lagrimas já voltavam para meus olhos.


Abri a porta bruscamente e a fechei em seguida, passando a chave nela.


 Eu queria quebrar aquele quarto todo, descontar toda a minha raiva. Não me parecia que ele sofreria para pagar tudo, mas eu ainda tinha vontade de fazer isso. Conseguiria deixá-lo com raiva, pelo menos.


Não fiz isso. Controlei a raiva o máximo que pude e chorei até me acalmar um pouco.


Não precisava de mais tempo com Christopher para concluir que o odiava mais que tudo no mundo. Que tipo de ser era aquele? Quando Anahí me falou sobre ele eu imaginei uma pessoa bem humorada, amorosa e sorridente. Christopher era exatamente tudo o que eu não havia pensado. Seu sarcasmo me irritava, suas risadinhas fora de hora, a pose de dono do mundo, o egocentrismo, tudo... Provavelmente estava esperando que eu o agradecesse de joelhos por tudo que tinha me dado, e por mais que tenham sido as coisas mais perfeitas que eu poderia receber, não me ajoelharia à sua frente. Nem por todos os presentes e dinheiro do mundo. Ele era desprezível e nada poderia mudar minha opinião.


Não era um simples "dia ruim" dele, se notava de longe que ele era assim e não teria, de forma alguma, nunca em minha vida, um jeito de eu odiá-lo menos. Gostar dele estava completamente fora de cogitação.


Eu só queria ir embora dali, queria ver minhas crianças de novo, ler para elas a noite, reconfortá-las dizendo que no fim de tudo aquilo, de todo aquele pesadelo que elas viviam todos os dias, tudo, ou pelo menos alguma coisa, daria certo, e a ideia de que elas pensassem que eu as tinha abandonado já assombrava todo o meu interior. Nem todo dinheiro do mundo me faria querer abandoná-las e Christopher simplesmente me tirou delas, sem um pingo de consideração sobre o que elas pensariam ou como eu me sentiria em largá-las naquele lugar tão horroroso. 


O vestido já começava a incomodar. Eu o sentia quase queimando a minha pele. Tirei-o imediatamente, jogando-o do outro lado da cama. Entrei embaixo das cobertas e me perdi nas lágrimas grossas derramadas. Nem lembrei de tirar a maquiagem, dormi daquele mesmo jeito. O rosto provavelmente completamente borrado, mas não mais que o meu coração.





 


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Autor(a): Lene Jauregui

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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 49



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  • ana_vondy03 Postado em 17/04/2020 - 16:11:33

    Naaaao, estou triste que acabou! Mas me diz, vem história nova por aí?? Adorei poder acompanhar essa!!

    • Lene Jauregui Postado em 17/04/2020 - 22:25:54

      Vem sim amoré, logo logo estou de volta. Um beijo

  • biavondy15 Postado em 16/04/2020 - 20:58:36

    Essa fanfic é maravilhosa, estou simplesmente apaixonadaaa

  • ttm Postado em 16/04/2020 - 20:48:42

    continua amore

  • biavondy15 Postado em 16/04/2020 - 14:54:56

    Posta mais hoje, eu vou enlouqueceeeeeeeeeeer To amando!!!!!!!!!!!

  • ttm Postado em 16/04/2020 - 12:25:45

    continuaaaa

  • lariiidevonne Postado em 16/04/2020 - 12:07:30

    Mais, mais, mais e maaaaaaais! Posta mais PF haha :)

  • dada Postado em 16/04/2020 - 11:55:39

    Cont..

  • ana_vondy03 Postado em 15/04/2020 - 18:34:44

    Aaa continuaaa amoreee S2

  • lariiidevonne Postado em 15/04/2020 - 16:08:52

    Continua por favor :)

  • ttm Postado em 15/04/2020 - 13:45:28

    continua



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