Fanfic: Eu, Ela & Todos os Chichês do Mundo | Tema: the 100, Clexa, Humor, Romance, GirlsLove, Yuri, Shoujo-ai, Clarke Griffin, Lexa
Momento constrangedor, há dez anos...
“Então…você gosta de garotas? De beijar garotas?”
Clarke bateu a testa na superfície da mesa de jantar. Mogno. ‘Droga.’ Péssima ideia. Mogno é duro. Muito duro.
“Mãe...por favor?” A garota reclamou com um muxoxo, passando a mão na testa, inspecionando o catombo recém adquirido.
“Hey Filhote, eu e sua mãe só queremos ter certeza que estamos realmente entendendo o que você está querendo nos dizer, Okay?”
“Oh querida, seu pai tem razão. Nós só queremos saber se é exatamente isso que você está tentando nos dizer.”
Okay, Clarke pensou. Talvez ‘sair do closet’ assim do nada, durante o jantar, não tenha sido uma boa ideia.
Ainda mais hoje...
“Senhor e Senhora Griffin, eu sei que pode parecer algo terrível, mas isso não significa que Clarke vai raspar a cabeça, ou começar a usar camisas de flanela... mais do que ela já usa...Bem, isso não vem ao caso.”
...quando sua melhor amiga resolveu ficar para jantar, porque ela é uma absoluta folgada e não consegue resistir ao bolo de carne que sua mãe prepara.
“Raven!” E mais uma vez sua testa colidiu com a superfície de magno. Sério? O que raios estava acontecendo com seu pescoço? Era tão difícil assim sustentar o peso da sua cabeça? “Por favor? Não tente ajudar, Okay?”
“Gezz Princesa, só estou tentando amenizar os danos...”
Ela ergueu a cabeça de uma vez, provavelmente exibindo outro catombo, ainda em tempo de testemunhar sua amiga revirando os olhos.
“Não me chame de Princesa!”
“Garotas!” Seu pai interrompeu.
As duas garotas se calaram, desviando a atenção para os dois adultos à mesa. Clarke viu sua mãe suspirar.
“Clarke. Nem eu ou seu pai achamos que ter uma filha lésbica é um problema.”
“Isso mesmo, Filhote!” Seu pai concordou com um sorriso.
“Na verdade, estamos orgulhosos por você demonstrar que confia em nós o suficiente para finalmente ser sincera a respeito de sua sexualidade.”
“Nós entendemos a grandiosidade do passo que você deu hoje, e de como isso deve ter sido difícil e nós vamos apoiar você no que for preciso!”
“Mas é lógico que daqui em diante algumas regras precisam ser estabelecidas...”
“Principalmente quando sua namorada passa metade da semana enfurnada com você em seu quarto.”
“Isso mesmo, Clarke, de agora em diante, a porta deve ficar aberta...”
Até então, as duas garotas estavam pasmas com a calma do casal. Tudo bem que Clarke não esperava ser expulsa de casa, ou queimada viva em uma fogueira no quintal, mas isso não quer dizer que ela houvesse previsto algo assim.
Mas... só um momento? Namorada? Raven estava de olhos arregalados.
“O quê?” Clarke se ouviu berrar.
Raven se curvou de uma vez sobre a mesa, gargalhando tanto que lágrimas escorriam por seu rosto.
“Namorada? Hey, princesa, seus pais estão achando que você tem esse moral todo!”
Clarke respirou fundo.
“Raven não é minha namorada.”
“Oh. Então... esse não é o objetivo disso tudo? Digo, apresentar Raven como sua namorada?”
“OH MEU DEUS, MÃE!”
Momento constrangedor acontecendo exatamente há longos dez minutos...
“O que sua mãe quer dizer é que...” Seu pai tentou argumentar mais uma vez ao telefone, somente para ser interrompido – novamente – por sua mãe.
“... Eu só não consigo entender, Clarke! Você é uma jovem bonita, inteligente, de boa família, é impossível que em todos esses anos você não tenha encontrado ninguém! ”
“Mamãe...eu já disse um milhão de vezes. Eu. Não. Estou. Namorando.”
“Clarke Elizabeth Griffin, não minta para sua mãe! Eu sei muito bem que você tem saído com uma garota chamada Nylah Smith!”
“É, Filhote...isso é verdade.”
Clarke engasgou com a própria saliva.
“Oh, meu Deus! Eu vou matar a Raven!”
“Na verdade, Filhote... sua mãe viu uma marcação no seu facebook...”
“Jake!!!”
“MÃE!”
“Tudo bem, Clarke, só me responda porque você tem tanta vergonha de nós? Por que certamente esse deve ser o problema! Nós nunca conhecemos nenhuma das suas namoradas, e quando sabemos que você esteve envolvida com alguém normalmente o relacionamento já terminou há décadas! Será que é pedir demais por um simples jantar? É errado querer conhecer e estabelecer laços com alguém que pode vir a se tornar a outra mãe dos meus netos?”
Wow. É sério? Sua mãe estava soluçando? Clarke respirou fundo.
“Mãe...mamãe...tudo bem. Huh, eu prometo que no momento que sua futura nora aparecer na minha vida, eu vou carregá-la em meus braços para casa. Nós vamos passar todo um final de semana com vocês, e a senhora poderá finalmente tirar a poeira daquele álbum de fotografias e me matar de vergonha com todas as fotos e histórias mais constrangedoras da minha infância, Okay?”
“Você ouviu, meu amor, nossa filha acabou de nos dar carta branca para constrangê-la.”
“Então quer dizer que você e essa Nylah..?”
“Não, mamãe. Ela só foi uma garota que conheci.”
“Oh, Clarke! É bom você não ter se convertido em uma daquelas conquistadoras irremediáveis que fogem de relacionamentos duradouros e se contentam com ‘ficadas’ de uma noite! Eu não criei você para isso!”
Ficadas de uma noite? Sério? Aonde sua mãe estava ouvindo isso?
“Papai por favor, faça ela parar...”
“Abby...pare.”
“Eu estou falando sério mocinha. Por quanto tempo você acha que vou esperar, até você finalmente arrumar alguma garota de boa índole com quem possa constituir uma família?”
Clarke revirou dramaticamente os belos olhos azuis. Sua mãe conseguia se superar a cada dia. Talvez fosse o novo vício das novelas mexicanas. Seu pai a havia confidenciado como outro dia na cafeteria ela e algumas amigas estavam discutindo fervorosamente sobre a vida amorosa de seus personagens favoritos. Um motivo extra para assassinar Raven Reyes a sangue frio. Afinal ela era a culpada de induzir sua mãe e metade do corpo médico do Brookdale University Hospital and Medical Center, a mergulharem de cabeça no universo inacreditavelmente melodramático das novelas latinas.
O relógio digital marcava 06:45 AM. Uma excelente maneira de começar a semana e o dia. Normalmente Clarke não se incomodaria em levar adiante mais uma das inúmeras discussões com sua mãe sobre ‘quando você vai nos apresentar uma namorada de verdade’, mas hoje ela estava um tanto ocupada para isso.
“Mãe, pai, será que podemos continuar a discutir a minha não existente vida amorosa durante o jantar, nesse fim de semana?”
“Oh! É mesmo! Hoje é seu primeiro dia na nova empresa!”
Aparentemente seu pai ainda preservava algum rastro de bom senso. Demorou um pouco para a ficha cair, mas antes tarde do que nunca, não é?
“É papai, primeiro dia! Yay!”
“Nervosa?”
“Um pouco.” Clarke admitiu.
“Oh querida, vai dar tudo certo!” Finalmente sua mãe havia deixando de lado sua obsessão em ‘conhecer sua futura nora’. “Nós estamos muito orgulhosos de você, meu amor.”
“Obrigada, mamãe, papai, nos vemos no fim de semana, Okay?”
“Okay, Filhote!”
“Boa sorte, meu amor!”
Finalmente ela conseguiu desligar o celular, agarrar seu casaco e voar para a próxima estação do metrô.
Clarke Griffin, tinha completado vinte e oito anos recentemente, e havia acabado de conseguir uma vaga na companhia de seus sonhos.
A proposta para assumir o posto de chefe da equipe de artes gráficas da The Heda Publishing and Media Company veio depois de muitas noites não dormidas na Arkadia Editora, a primeira empresa a acreditar em seu potencial depois da faculdade. Pode-se dizer que foi difícil abandonar a segurança de um posto já consolidado com boas perspectivas de crescimento profissional para se lançar no desconhecido assumindo um posto de chefia em uma das maiores editoras do país. Mas como o próprio presidente da Arkadia, Marcus Kane, gostou de salientar em seu discurso de despedida, Clarke Griffin estava destinada a desafios maiores. Além disso, seria muita hipocrisia negar que receber um convite para uma entrevista de emprego da própria editora-chefe e responsável pelo departamento de marketing criativo da The Heda, Anya Grounder, não havia mexido com seu ego.
A entrevista foi ótima e a proposta salarial melhor ainda. Em menos de um ano, ela já se imaginava se mudando do 2/4 que dividia com Raven em Chelsea, para um apartamento modesto, porém confortável no Upper Side. Não entendam mal, ela gostava de dividir apartamento com sua melhor amiga, mas esse não era exatamente um plano de vida.
A verdade é que Clarke Griffin podia até não deixar transparecer, mas ela estava tão ansiosa quanto sua mãe para encontrar sua alma-gêmea.
Infelizmente, durante os últimos anos nada estava dando muito certo nesse departamento. Clarke trabalhava demais e quase não tinha tempo para interações sociais que proporcionassem alguma chance para encontrar alguém. Só recentemente Raven havia literalmente a arrastado a um dos barzinhos em Chelsea depois do expediente e Clarke acabou conhecendo Nylah. Elas não chegaram nem perto de ser um casal dos sonhos, sendo francos, o envolvimento entre elas começou e acabou – que sua mãe nunca saiba disso – em uma noite. Lógico que elas ainda se falavam, até porque Raven resolveu tornar as visitas ao bar bastante frequentes, mas aparentemente a garota entendeu que Clarke não estava buscando nada mais sério.
Uma grande ironia do destino, porque quando Clarke ainda se preocupava com as aparências apostando em relacionamentos com garotos ela nunca enfrentou esse tipo de problema. Só depois de definitivamente assumir sua verdadeira preferência tudo complicou. Não que ela esperasse encontrar sua alma gêmea aos dezoito anos, ou até mesmo durante o primeiro ano da faculdade, enquanto ela ainda perdia noites indecisa entre seguir ou não a pre-med school ou se ela devia transformar seu minor em artes em major. Mas agora? Agora já estava mais do que na hora da mulher de sua vida resolver aparecer.
“Hey, Alvin! Bom dia!” Ela cumprimentou, passando apressada pelo músico sentado num banquinho perto das escadas, deixando dez dólares na latinha junto a case do violino. Eles estavam sempre se encontrado nas estações, desde a primeira vez que Clarke utilizou a linha azul. Ele era um velhinho simpático de quase sessenta anos, que há anos tocava violino pelas nas estações do metrô. De vez em quando, ele até dedicava uma de suas performances a ela.
“Hoje ‘La Vie en Rose’ para você, princesa! Às 20 horas, na 23!”
“Mal posso esperar, Alvin!” Clarke gritou por cima do ombro.
A saída 96 da Central Park West, não era exatamente o caminho mais curto, mas as rotas das linhas de metrô para o Upper Side saindo de Chelsea eram péssimas. Se ela quisesse saltar no East Side do Central Park, mais próximo do escritório da The Heda, na 5Th Avenida, ela teria que cruzar praticamente toda Chelsea até uma estação da linha laranja, descer na Lexington Avenue, e subir toda a 5th avenida até quase o Metropolitan Museum of Art.
Atravessar o Central Park era definitivamente mais divertido.
A caminhada ao ‘ar livre’ ainda proporcionava um magnifico desfile de personas, que sempre transitavam pelo parque àquela hora. Haviam os desportistas, os executivos engravatados com celulares no ouvido, mães e babás empurrando carrinhos, jovens estudantes atrasados para escola, os cuidadores de cachorros, os cachorros, eram uma infinita variedade de rostos, estilos e trejeitos, que só lembravam o quanto New York era o retrato do mundo.
Finalmente cruzando a avenida, Clarke seguiu a calçada até uma construção de seis andares, que mais lembrava uma residência por seu aspecto clássico. Somente a placa dourada com a marca da empresa delatava que ali funcionava uma das maiores editoras do país.
Respirando fundo, empurrou a porta.
[ 8:45 AM ]
“Senhorita Griffin, bom dia. Meu nome é Octávia Blake, a partir de hoje, sua assistente designada.” A jovem morena de aspecto impetuoso quase se chocou com ela na pressa de abordá-la. Clarke deu um passo para trás, um tanto atordoada com a ritmo ‘acelerado’ da garota, que desatou a relatar um milhão de informações por segundo, sobre como ela já havia organizado sua nova sala, número de celular, cartão coorporativo e verba para viagens, entre outro batalhão de pormenores. “... qual seu pedido de café?”
“Oi?” Clarke continuou a piscar continuamente, ainda perdida em meio a toda informação despejada em seus ombros, a meros três passos da porta de entrada da empresa.
“Latte? Mocha? Cappuccino? Espresso? Macchiato? Cinnamon? Triffle Mocha? Com Panna? Flat? Iced? Com mel? Adoçante? Descafeinado? Soja? Só café? Pequeno, médio, grande ou extra? Tem uma Starbucks na Madison, há alguns quarteirões, posso ir e vir em dez minutos. Não. Esqueça isso. Consigo tudo em cinco minutos! Bagel, Muffin ou Croissant para acompanhar?”
Wow.
“Wow. Octávia? Certo? Tudo bem? Err.. Não que toda essa...disposição, não seja maravilhosa, mas será que podemos fazer uma pausa e ir um pouco mais devagar? Para começar, não foi me passado que eu teria uma assistente...e cartão coorporativo e verba para viagens? Não sei se será necessário...”
O olhar da garota fez Clarke se calar. ‘Ela realmente a estava encarando como se Clarke tivesse perdido completamente a noção?’
“Senhorita Griffin... a senhorita por acaso recebeu alguma ligação da senhorita Grounder esta manhã?”
O quê? Clarke franziu o cenho. Oops...talvez ela não devesse ter ignorado os avisos de outras chamadas enquanto falava com seus pais.
“Não...”
Os olhos esverdeados da morena quase saltaram das orbitas diante da negação. Ela abriu e fechou a boca algumas vezes antes de deixar escapar um sonoro. ‘Merda’
Clarke observou boquiaberta a morena correr até o balcão da recepção, praticamente se jogando sobre a superfície branco perolada, literalmente arrancando o telefone das mãos da jovem recepcionista.
“Me dá isso aqui, Emori! Alô? Senhorita Grounder? A senhorita Griffin acabou de chegar! Será que... Sim, senhorita! Imediatamente! Já estamos a caminho!”
Jogando o telefone para cima e praguejando mais uma vez, uma sequência de palavrões. ‘Droga, Merda, Droga, Merda!’ Octávia correu na direção dela mais parecendo um filhote pronto para o abate.
“Senhorita Griffin, me desculpe. Eu realmente pensei que a senhorita já havia sido comunicada, quer dizer, já sabia...Bem, ao que parece algo não aconteceu como planejado. Eu deveria ter checado isso assim que cheguei, mas me envolvi com os planejamentos mais urgentes e acabei...”
O-kay. Clarke definitivamente tinha que trabalhar os níveis de ansiedade de sua assistente. Essa garota estava fadada a ter um ataque cardíaco antes dos trinta se continuasse desse jeito.
“Octávia, tudo bem. Calma, Okay? Sem mortos ou feridos, seja o que for, podemos resolver tudo isso, com calma. Anya está aguardando certo?
Pela primeira vez, a jovem assistente pareceu respirar.
“Deixe-me leva-la até a senhorita Grounder.”
“Tudo bem.” Clarke respondeu sorrindo, contente por finalmente ter conseguido injetar um pouco de tranquilidade na garota.
Octávia girou nos calcanhares, ignorando o pequeno elevador presente no lobby, a guiando pela escada e corredores, surpreendentemente amplos do interior do imóvel. Pela primeira vez, Clarke tinha a oportunidade de realmente ‘ver’ as instalações da The Heda, já que sua entrevista e outros contatos com Anya aconteceram em restaurantes das redondezas e lobbies de hotéis, aproveitando brechas na agenda da executiva.
Elas pararam defronte a uma porta de madeira escura. Imediatamente, Octávia bateu duas vezes antes de abrir a porta e dar passagem para Clarke. O escritório era enorme, com paredes claras, grandes janelas tipo Bay Window com vista para o Central Park, dois sofás de três lugares de estofado branco, uma belíssima estante de madeira trabalhada no estilo clássico que combinava perfeitamente com toda mobília restante, uma mesa de mogno e a, visivelmente confortabilíssima, poltrona executiva de couro preto completavam o ambiente.
Clássico e chic. Clarke se controlou para não assoviar. Ela já tinha passado dessa fase. A voz de Anya Grounder se fez presente logo em seguida.
“Clarke, bom dia. Vejo que ao menos você já está ciente que ganhou uma assistente.” Declarou Anya de bom humor, aparecendo do nada em sua frente para cumprimenta-la com dois beijos no rosto. Pelo canto dos olhos, Clarke viu Octávia desviar o olhar, um tanto embaraçada. “Bom, vamos direto ao que interessa. Clarke eu quero você como nova executiva de marketing criativo da The Heda.”
O queixo de Clarke literalmente caiu.
“O quê?”
“Na verdade, o nome do cargo é Diretora Executiva Criativa de Marketing, Gestão de Marcas blá blá e blá... Fica lindo numa placa dourada com seu nome em caixa alta logo acima. Acredite, eu já mandei produzir.” Clarke ainda não dava sinais de vida, algo que visivelmente deixou Anya satisfeita. “Entenda, Clarke, ter uma profissional como você presa em escritório, responsável por gerenciar uma equipe de diagramação editorial não é exatamente atrativo para mim. Estive pensando nisso durante todo o final de semana. Você foi a primeira em sua turma, suas referências são extraordinárias, seus conhecimentos em design, arte e literatura são comprovadíssimos, seu comprometimento para com seu trabalho é factual. Você é uma mulher de decisões, Clarke. Seria um erro não aproveitar todas essas qualidades. Kane, certamente enxergou tudo isso, mas Jaha é um idiota. Erro deles, sorte minha. Há anos, venho acumulando essas funções juntamente com as minhas responsabilidades junto ao conselho da diretoria e creio que já chegou a hora de passar a tocha! O salário é cinco vezes maior, você terá participação nos lucros da empresa e um maravilhoso bônus de Natal! Nossas cestas Natalinas são lindíssimas. A propósito, você pode até enviar uma para Jaha com meus cumprimentos. Na verdade, eu vou enviar essa cesta. Vou adorar assinar o cartão. Bem, onde eu estava? Ah sim, é lógico que haverão mais responsabilidades, viagens, e alguns seminários, entrevistas e inúmeros eventos sociais, mas tenho certeza que você vai se exceder em tudo! Sua assistente já está a par de todos seus compromissos e eu estarei auxiliando você durante todo esse tempo de adaptação. Você se reportará diretamente a mim ou ao conselho, e em alguns casos a própria presidência. Estarei apresentando você a sua equipe logo após o almoço. Aproveite a vista do seu escritório.”
E com isso Anya saiu.
Clarke que permanecera muda durante todo o discurso, arregalou os olhos para Octávia, que a observava como se estivesse contendo uma gargalhada.
Como diabos isso aconteceu? Ela havia sido contratada para estar à frente de uma equipe de editoração, um setor, uma pequena parte de um departamento gigantesco, mas agora, aparentemente, ela estava assumindo o cargo da própria Anya Grounder, ficando encarregada de todo departamento de marketing, editoração, criação e comunicações da empresa?! PQP! Tudo aquilo que ela almejou alcançar profissionalmente acabara de ser atirado no seu colo antes mesmo do almoço! O único problema, era que com sua nova agenda, as esperanças de encontrar a ‘Nora que mamãe estava pedindo a Deus’ iriam cair para quase zero. Mais uma vez.
Respirando profundamente, ela soltou um suspiro.
Não se pode ganhar todas.
“Octávia...acho que vou aceitar aquele café...”
...
[13:54]
“P.Q.P. Griffin! Só você consegue uma promoção dessas nos primeiros cinco minutos na empresa! Com esse novo cheque-salário, ainda esse ano, você vai conseguir comprar uma Penthouse no Upper Side para você e sua futura esposa imaginária! Caraca! Hey, eu posso ser essa futura esposa? Mamãe e papai Griffin já me amam e até já pensaram que você tinha acesso livre ao meu jardim secreto!”
Clarke engasgou, quase espalhando sobre a mesa um bom bocado do supreendentemente suculento Grilled Seitan com Oyster Mushrooms e batatas ao muro. Falar com Raven durante o almoço talvez não tivesse sido uma boa ideia.
“Ra-ven, sua maldita. Você pretende me matar asfixiada enquanto estou comendo?”
“Olha só... Você está aonde, Griffin? Já está num desses restaurantes chiques, onde se come algo esquisito de nome mais estranho ainda?”
Clarke revirou os olhos, limpando os lábios com um guardanapo.
“Não, sua maluca. Eu queria algo rápido e saudável. Resolvi dar um tempo no fast food, até porque juro por tudo que é mais sagrado que minha mãe instalou algum chip em mim! Basta eu passar perto de uma burgueria para ela me ligar furiosa assassinando meus neurônios com aquele discurso que preciso comer comida de verdade...Então, pedi uma indicação para minha assistente e ela disse que muitas pessoas da The Heda eram assíduos de um lugar super aconchegante há alguns quarteirões do escritório... o Candle Café. É um local agradável. Eu gostei.”
“Candle Café? Parece interessante... Tem muitas velas por ai?”
Clarke respirou fundo.
“É um restaurante vegetariano, Raven...”
“E? Vegetariano não gosta de vela por acaso?”
“Qual é mesmo o sentido dessa conversa?”
“Nenhum. Só estou afim de perturbar você.”
“Você é impossível...”
“Eu também amo você, Griffin. Mas... não jogo no seu time. Pelo menos não com você, minha irmã. Você não tem vocação para bottom e minha versão lésbica com certeza é top, por isso, se algum dia eu quiser dar um tapa nessa vida, minha garota pode até latir na rua, mas vai ter que aceitar que quem dá as cartas nesse departamento soy yo.” Clarke afastou o celular do ouvido quando a gargalhada de Raven estourou de uma vez do outro lado da linha.
“Você é ridícula e eu vou desligar agora.” E ela deslizou o dedo pela tela finalizando a ligação.
A mensagem chegou logo depois
Raven Reyes: Oh...Eu feri seus sentimentos, minha loira? ;D Haha! Ei, nós vamos comemorar sua promoção instantânea hoje! Você paga! (^~^)//
Clarke já esperava por isso.
Porém, menos de cinco minutos depois seu celular vibrou, notificando outra mensagem.
M.O.M - Unidade Parental №01: Fico feliz em saber que finalmente você deu ouvidos aos meus conselhos e está se alimentando como se deve! ☺ Não esqueça de ligar mais tarde para contar mais detalhes do seu primeiro dia! Eu e seu pai estamos ansiosos para saber mais! PS- Alguma garota bonita?
Dessa vez, Clarke cuspiu um belo pedaço de batata em cima da mesa.
‘Eu vou esgoelar a Raven!’
...
[20:15]
As reuniões da tarde se estenderam pelo resto do dia e se resumiram a apresentar Clarke para todos os setores da empresa. Até lembrava o primeiro dia de aula, onde todos se sentam em círculo ou caminham até a frente da sala para falar um pouco sobre si mesmos. Encerradas as apresentações, Clarke voltou a sua sala, com Octávia a seguindo de perto, munida com uma agenda e um iPad, já organizando e gravando todos os compromissos para as próximas semanas. Felizmente, ela e Anya ainda dividiriam a agenda de viagens por alguns meses.
O Sol se punha por detrás das árvores no Central Park, deixando as luzes de New York brilharem mais forte.
“Senhorita Griffin, devo fazer reservas para o jantar?”
Clarke desviou o olhar da janela.
“Como?”
“A senhorita deseja que eu providencie reservas para jantar para quando a senhorita sair da empresa?”
‘Vai ser difícil se acostumar com isso.’
“Não é preciso se incomodar, Octávia. Provavelmente eu vá jantar em casa.”
A jovem morena acenou positivamente.
“A senhorita vai precisar de algo mais para hoje?”
Clarke a encarou por alguns instantes.
“Na verdade vou sim.” Imediatamente a garota deslizou o dedo indicador na tela do iPad, firmando o olhar em Clarke, que sorriu, balançando a cabeça. “Preciso que você me chame de Clarke. Sei que devem existir algumas normas de conduta por aqui, mas pelo menos quando estivermos a sós, gostaria que você me chamasse por meu nome. Tudo bem para você?”
Octávia ergueu uma sobrancelha e depois deu de ombros sorrindo.
“Okay. Clarke, então.”
“Ótimo. Você já pode ir, Octávia. Muito obrigada por hoje.”
“Eu que agradeço, Clarke. Até amanhã e boa noite!”
Nos minutos que se seguiram, Clarke se sentou em sua poltrona, encarando as luzes em meio as árvores do Central Park, deixando sua mente vagar pelos acontecimentos do dia. Sua vida havia mudado em segundos. Ela respirou fundo, voltando sua atenção para a pilha de documentos sobre sua mesa.
[21:10 PM]
“Droga!” Raven ia trucidá-la.
Clarke se levantou de uma vez, agarrando seu casaco e sua bolsa. Ela virou seu celular nas mãos, só para constatar que ele havia descarregado e ela nem percebera. Talvez Raven não a esgoelasse se ela parasse naquela delicatessen e comprasse alguns donuts gigantes com creme e raspas de chocolate... Era um golpe baixo, mas Clarke apreciava o fato de ter uma cabeça sobre os ombros.
Ela abriu a porta de seu escritório... e acabou trombando de frente com alguém.
“Oh Deus.” O alguém deixou escapar com um sopro de voz, antes de cair de costas no chão, sustentando todo o peso do corpo de Clarke sobre seu corpo.
“Mil perdões!” Clarke sussurrou, junto ao rosto ainda desconhecido. Ela abriu os olhos lentamente, sentindo suas bochechas corarem de vergonha, apoiando os braços no chão se afastando de sua vítima, Clarke se distanciou o suficiente para identificar a pobre alma que tinha atropelado, com a mais sincera intenção de se desculpar mais mil vezes...
Mas no momento que seus olhos se encontraram com o mar de irises esverdeadas diante dela, ela esqueceu completamente como articular as palavras.
Ela era linda...
Não. Esqueça isso...Ela era deslumbrante...Perfeita...Surreal...
Seu coração pulou uma batida.
‘Doutora Abigail Griffin, eis sua nora...’
Autor(a): danaandme
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Clarke encarou boquiaberta a misteriosa morena de belíssimos olhos verdes e lábios carnudos emoldurados por um rosto de feições delicadas e longas madeixas castanhas, que se espalhavam pelo piso de linóleo como se tivessem sido programadas para compor uma das visões mais sensuais que ela já vira na vida. Seu cora&ccedi ...
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