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Fanfic: Bruto e Indecente | Tema: vondy


Capítulo: Prólogo

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“Porque não há lugar como o seu lar.”
Devo ter lido essa frase mais de dez vezes, ainda sem acreditar que a
equipe de criação da minha empresa havia feito um trabalho tão porco.
Peguei a impressão, estampando a arte e slogan, e segui para o setor de
criação. Assim que entrei na sala, as quatro cabeças voltaram seus olhares
para mim.
— Alguém sabe me dizer que droga é essa aqui? — questionei,
levantando a folha com a “obra prima” deles.
Quando um dos estagiários abriu a boca para me responder, eu o cortei:
— Vocês praticamente plagiaram “O Mágico de Oz”. — Evidentemente não
queria uma resposta. Respirei fundo, controlando-me ao máximo para não
explodir. — É uma campanha para uma construtora, não para uma porcaria
de um filme infantil.
Depois do meu puxão de orelha, caminhei de volta para a minha sala,
pois ainda precisava telefonar para um cliente que estava dificultando as
coisas, barrando praticamente qualquer decisão que eu e a minha equipe
tomávamos.
Esse era um dos grandes problemas em trabalhar com pequenas
empresas: quase sempre eram gerenciadas por uma única pessoa, que se
achava a dona da razão e detentora de todo o conhecimento do universo.
Dessa vez, o cliente não queria que modelos “modernos demais” —
exatamente como ele havia se expressado em seu e-mail mal-humorado —
fizessem parte da campanha publicitária. Ele queria vender sapatos para todos
os públicos com um anúncio que destacava apenas um casalzinho padrão que
não representava ninguém.
Peguei o telefone em minha mesa e liguei para o infeliz, tentando me
controlar enquanto chamava.
Quando o Fernando Antoniazzi finalmente atendeu, cumprimentei-o
com um gentil “bom dia, Antoniazzi. Tudo bem? Quem fala é a Dulce …” e
tentei resolver toda a questão que estava me incomodando.
Sempre tentava mostrar o meu lado das coisas de forma tranquila,
apontando o porquê da disfuncionalidade de sua ideia e, principalmente,
engolindo frases como “se o senhor sabe tanto assim, então por que precisou
contratar uma agência?”. Ou seja, engolia um milhão de sapos e mostrava o
motivo de cada detalhe presente na minha campanha.
Mas com aquele cara, isso nunca funcionava.
Ele parecia uma porta. Cansava-me de explicar, dando as melhores
explicações e rebatendo com os melhores argumentos. No entanto, depois de
tanto esforço, o desgraçado respondia como se nada tivesse ouvido,
ignorando absolutamente tudo que eu tinha falado.
— Eu detestei praticamente tudo o que vocês me apresentaram até
agora, não combina com o que queremos transmitir ao público… A
campanha de vocês é tudo, menos o que minha empresa representa — rebateu
ele, justificando o motivo de estar tornando o meu trabalho tão complicado.
— Eu estava esperando mais…
— Por que você me contratou, Fernando? — questionei
interrompendo-o, já sem nenhuma paciência com a irritante conversa que
estávamos tendo.


No fundo, ele sabia que eu estava certa sobre a representação. E sabia
também que o seu conservadorismo era só uma desculpa para o preconceito
que tinha e que isso acabava refletindo em sua empresa.
Enquanto pensava no quanto Fernando era capaz de me irritar, lembreime de uma pessoa que já tinha conseguido superá-lo nesse quesito.
Blanca
Savinnon . A
minha mãe.
Discutíamos por nada e absolutamente tudo. Talvez esse fosse o
motivo para que continuasse adiando uma visita ao sítio dos meus pais. Em
parte, sabia dever-se ao fato de, diferentemente de uma ligação que poderia
ser encerrada a qualquer momento, não poderia ir embora uma hora depois de
chegar.
Como finalizei meu trabalho na agência mais cedo que o normal,
decidi ir até o apartamento de Pablo. Queria fazer uma surpresa ao meu
noivo, um jantarzinho romântico para nos tirar daquela coisa monótona que
os últimos meses haviam trazido para a nossa relação.
Obviamente, eu não iria cozinhar. Sempre fui péssima nisso, mas nada
que uma comidinha de aplicativo não conseguisse resolver, principalmente a
dos restaurantes da região, que nunca conseguiram uma reclamação minha ou
do Pablo.
Eu não tinha um controle do portão do prédio, mas, como o porteiro me
conhecia há anos, sempre me deixava entrar e ainda dava um jeitinho para
que estacionasse em uma das vagas reservadas para os funcionários.
Peguei a minha bolsa e saí do estacionamento, tentando decidir o que
iria pedir para comermos. Depois de um ano plantada na frente da porta de
entrada, procurando pela minha cópia da chave, eu entrei.
A música clássica tocando alto foi a primeira coisa que notei ao cruzar
a porta. Isso fez com que eu percebesse que a minha surpresinha havia ido
para o ralo, que Pablo estava em casa.
Ele trabalhava em um escritório de advocacia no centro e os horários
dele eram tão flexíveis quanto os meus. Então, não era nada incomum que já
estivesse em casa antes das seis horas da tarde. Mas o simples fato de termos
um programinha juntos, sem que um de nós dois estivesse preso trabalhando
até tarde da noite, já seria bem especial.
Coloquei a minha bolsa sobre a mesinha de canto e, já pensando
naquilo que gostaria de comer, caminhei para a sala, buscando pelo meu
noivo.
Assim que adentrei o cômodo, encontrei Pablo.
Fiquei tão chocada com o que encontrei que, todas as opções de
comida deixaram a minha mente, dando lugar para um sentimento de malestar, como se pudesse vomitar a qualquer momento.
Ele estava deitado no sofá da sala, beijando o pescoço fino e pálido de
uma mulher ruiva. Estavam tão concentrados que não me notaram ali,
assistindo de camarote àquela cena nojenta.
A garota, ironicamente, me notou antes de Pablo.
Abriu os olhos, me viu e gritou alto.
Gritou como se eu fosse uma intrusa, como se eu fosse a outra. Gritou
como se os lábios que havia acabado de beijar não pertencessem ao meu
noivo infiel. Gritou como se não estivesse colocando um fim no meu
relacionamento de anos.


 


 


 



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Autor(a): babyuckermann

Esta é a unica Fanfic escrita por este autor(a).

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Comentários do Capítulo:

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  • babyuckermann Postado em 02/04/2021 - 03:27:31

    Ctn



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