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Fanfic: Bruto e Indecente | Tema: vondy


Capítulo: Capítulo 08 — Tempestade

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Antes que ele pudesse revelar aos meus pais as exatas circunstâncias em que nós dois havíamo-nos conhecido — e me matar de vergonha alheia —, apertei sua mão com força e levantei o meu olhar, encarando os olhos esverdeados que tanto me intimidaram naquele sábado de manhã.
— Impressão sua… — forcei um sorriso e tentei deixá-lo o mais natural possível. — Faz anos que eu não apareço por aqui.
Por sorte, ucker — o apelido do projeto de caubói — limitou-se apenas a sorrir, balançando a cabeça e aceitando que eu havia vencido aquela luta.
Por mais que os seus lábios permanecessem fechados e arqueados em um sorriso irritante, os seus olhos diziam muita coisa: gritavam ameaças enquanto me fuzilavam de maneira intensa. Nós dois travávamos uma guerra silenciosa em frente aos meus pais.
— O jantar acabou de ficar pronto — mentiu a minha mãe, aliviando o atraso dele.
Se eu tivesse me atrasado vinte minutos, ela nem me deixaria passar pela porta da casa, mas, estranhamente, estava sendo gentil demais com ele.
— Vamos entrando… — A mão dela pousou nas costas dele de forma carinhosa. E, como se estivesse conversando com um filho, dona Blanca continuou: — Eu fiz o seu prato preferido.
A minha vontade de revirar os olhos para aquela cena foi enorme.
Christopher sorriu e seguiu a minha mãe até a cozinha, onde comentou: — O cheirinho está maravilhoso, sô... Olha que assim, eu vou acabar mal
acostumado.
Sô?
Tive que me segurar para não soltar um “isso se você já não estiver, não é?”. Mas, ainda que a minha língua estivesse sedenta pelo comentário venenoso, não podia nem pensar a me arriscar e atacá-lo dizendo o quer que fosse. Se o projeto de caubói quisesse, com uma simples frase, poderia facilmente me destruir de forma cruel e muito humilhante.
Com os olhos colados em meu rosto, ele continuou falando: — Fernando falava muito da filha menina que ele tinha, mas como cê nunca apareceu, eu cheguei a pensar que fosse uma das histórias de pescador dele.
Nesse instante — com aquela indireta de “filha ausente” —, acabei não me controlando e quando percebi o que estava fazendo, as palavras já haviam deixado a minha boca e disparado como um tiro certeiro em direção a ele.

nome. — Engraçado que, no tempo em que estou aqui, ele nunca tocou no seu


Mas é claro que esse meu gostinho não durou por muito tempo.
— Eu falei sim, querida. Contei até das vezes em que nós pescamos juntos, lembra? — retrucou o meu pai, mostrando-me que realmente havia falado sobre o cretino.
Em todas essas nossas conversas, eu pensei que o seu Fernando estava se referindo ao pai de Christopher , o Victor — o velho que agora, depois de eu saber quem era o seu filho, não parecia mais tão insuportável.
Se eu suspeitasse que seria obrigada a jantar ao lado daquele idiota, nem teria ficado ali passando toda aquela vergonha.
Desde a minha infância, a minha mãe tinha mania de servir todo mundo e, na maior parte das vezes — propositalmente —, ela colocava comida demais e depois usava da desculpa de “você está muito magra” ou “vai ficar desnutrida”.
Eu sempre detestei isso, mas vê-la colocando comida para Christopher antes de colocar a minha, fez com que eu sentisse um ciúme bobo e vergonhoso.
Quando chegou a minha vez, ela exagerou no pedaço de lasanha.
— Você colocou demais, mãe — comentei de forma inocente e espontânea, rindo da situação e já conformada que teria que comer tudo aquilo.
Desta vez, eu realmente não fiz o comentário como forma de crítica ou ataque, mas, baseando-se no nosso longo histórico, dona Blanca pensou exatamente isso e deu um jeitinho de rebatê-lo.
Então, ela voltou o olhar para Christopher e disparou: — Essa aí não come nada… Vive fazendo dieta.
Eu queria me beliscar para ter certeza de que não estava presa em uma espécie de pesadelo, daqueles em que você acorda completamente aliviada por se dar conta de que tudo não passou de um sonho. Não conhecia outra palavra que pudesse descrever aquela situação em que eu me encontrava.
A última coisa que eu pensei que seria obrigada a vivenciar era um jantar com os meus pais e o caubói — o cara com quem eu havia compartilhado um dos momentos mais constrangedores de toda a minha vida —, descobrindo que eles eram grandes amigos e que a relação dos meus pais com ele era mais bem desenvolvida do que comigo.
— Não é dieta, é que eu não costumo comer nada muito pesado no
jantar — rebati sem olhar para nenhum dos dois.
Peguei meu prato e assentei-me à mesa no local mais distante possível em relação a Christopher .
Enquanto comíamos, os meus pais não pouparam elogios ao dono da camisa xadrez em meu guarda-roupa. De acordo com a minha mãe, ele era como uma espécie de “filho que eles nunca tiveram”.
Eu tinha certeza de que ela não tinha dito isso em relação ao gênero masculino, ela basicamente estava dizendo que ele era tudo o que eu nunca fui para eles.
Sabia que tinha a minha dose de culpa nisso tudo, e que não era tão pequena assim. Afinal, tinha passado muitos anos sem visitá-los, limitando- me a conversas telefônicas e mensagens de texto em determinadas datas. Depois de me tornar adulta, ausentei-me quase completamente da vida deles. No entanto, era muito baixo da parte dela jogar tudo isso na minha cara, num jantar com um dos caras que mais me intimidavam.
Voltei o meu olhar para o caipira.
— Obrigada… — disse engolindo todo o meu orgulho como se fosse mais um pedaço daquela lasanha gordurosa. Ainda encarando Christopher , completei: — Por ser tão bacana assim com eles.
Qualquer pessoa em seu lugar não daria mais que um sorriso tímido, continuando a aproveitar a comida dentro do prato. Mas — como ele já tinha me provado — o desgraçado não se enquadrava nesse “qualquer pessoa”.
Ele era irritante demais para isso.
Christopher sorriu, mas não foi um sorriso de agradecimento, era algo carregado de deboche, como se eu tivesse dito algo ridículo ou idiota demais
para ser levado a sério, exatamente como no dia em que o acusei de tentar se aproveitar de mim.
— Precisa agradecer não — comentou o peão, quando terminou de mastigar. — Gosto um bocado dos seus pais e não é algo que eu faço por obrigação… Ou qualquer outra coisa que mereça um agradecimento.
Balancei a cabeça, concordando enquanto sorria extremamente sem graça com as suas palavras. Ainda que não fosse algo explicito, Christopher estava me alfinetando, cuspindo que estava com os meus pais quando eu, a própria filha deles, não era presente. Era como se todos eles estivessem me perseguindo, de todos os lados e com as piores armas.
E, sem dúvida alguma, a sensação que passava pelo meu corpo era a de que um massacre estava bem próximo. Ou, talvez, fosse apenas toda a culpa por ser uma péssima filha finalmente me alcançando. Eu era ausente e isso os obrigou a criar uma relação com estranhos, precisaram transferir o amor deles para outra pessoa, pois a verdadeira filha nunca estava por perto.
Independentemente de qual fosse a situação, no final das contas, não era algo muito bom pra mim.
Quando terminei de comer, deixei o meu prato na pia e fui para o sofá, pois não estava mais suportando assistir de camarote toda aquela intimidade que o projeto de caubói tinha com os meus pais.
Não queria saber das pescarias dele com o meu pai e nem das vezes em que ele consertou algo na casa para a minha mãe. Não queria ouvir nada que provasse o quanto ele era melhor do que eu como filha.
Como a sala e a cozinha não ficavam muito longe uma da outra, a única coisa que me salvava era o barulho da televisão. Quando eu quase acreditei que não estava interessada no que acontecia do outro lado, a minha
mãe me chamou para ajudá-la com a louça.
Primeiramente, Christopher se ofereceu para ajudar. Mas ela respondeu com “imagina, querido. Deixe que a Dulce me ajuda com isso!”.
E a pior parte nem foi ficar ali secando louça — algo que eu conseguia odiar ainda mais do que lavar — em frente ao roceiro, mas a maneira como ele me observava, de forma extremamente analítica e maliciosa, como se estivesse tentando captar todos os detalhes do meu corpo.
Esse era o problema dos homens. Mulheres também gostam de olhar e explorar o corpo masculino — principalmente, se eles fossem tão gostosos quanto o do peão —, entretanto, tudo isso era feito de forma mais discreta e cuidadosa. Não ficava tão explicito.
Quando terminei de ajudar minha mãe com a louça, fui para o banheiro e tranquei a porta, como se isso me livrasse completamente do caubói. Observei o meu reflexo no espelho e respirei fundo, tentando não surtar com o que estava acontecendo fora dali.
“Você é uma mulher crescida, Dulce ” disse a mim mesma, tentando enxergar a situação de outra forma. “Você tem trinta e quatro anos. Dê a outra face... Seja uma adulta”.
Respirei fundo uma vez mais, coloquei um sorriso no meu rosto, abri a porta do banheiro…
E dei de cara com Christopher.
O sorriso confiante escorreu do meu rosto e aquele “seja uma adulta” perdeu completamente o sentido. Não tinha forças nem para me virar, “dando a outra face”.
E, lá no fundo, eu estava com raiva e não queria mais continuar
fingindo uma maturidade que eu não possuía.
— Eu sei exatamente o que você está tentando fazer. Conheço bem homens como você, o seu tipinho, que se acham os fodões... — disse cansada do teatrinho que estava rolando. — E, meu amor, isso não vai dar certo.
Antes que ele abrisse a boca para contra-argumentar, eu prossegui: — Você está claramente tentando me intimidar vindo até aqui, mas eu...
— Eu só quero mijar — ele me interrompeu, apontando na direção do banheiro, o cômodo que eu estava claramente bloqueando. — Vai sair da frente ou cê quer entrar e segurar ele pra mim?
Prontifiquei-me a desbloquear a passagem, permitindo que aquele animal passasse.
Ainda sem graça, segui para a cozinha.
— Dulce ?
Voltei o meu olhar na direção da minha mãe e ela tornou a falar: — Pegue a sobremesa na geladeira e chame o Christopher pra comer.
Limitei-me a tirar o pudim da geladeira e o coloquei na mesa, ignorando completamente a parte de chamar o caipira. Felizmente, minha mãe não conseguiu me criticar por aquilo.
Como não queria continuar olhando para a cara do infeliz, fui novamente para a sala e me joguei em cima do sofá, fingindo interesse na novela.
Depois de comer e conversar mais um pouco com os meus pais, ele finalmente se deu conta de que já estava ficando tarde e de que não era legal perturbar as pessoas.
— Está cedo — respondeu a minha mãe em um show de simDulce a que, até então, era totalmente desconhecido por mim. — Fica mais um pouco, você quase nem comeu a sobremesa direito. — Ela voltou o olhar em minha direção e pediu: — Pega mais um pouco de pudim pra ele, Dulce .
Aparentemente, eu tinha virado a empregada de Christopher .
— Precisa não, eu já comi bastante. Se continuar comendo assim, vou acabar engordando — respondeu ele sorrindo, como se fosse o homem mais simpático do mundo. Ele olhou para o relógio dourado em seu pulso e continuou: — O jantar tava uma delícia, mas eu tenho que ir... Obrigado mais uma vez pelo convite.
Então, ele se despediu dos meus pais, piscou pra mim — com um sorrisinho provocador nos lábios — e se preparou para deixar a casa.
Aquele caipira idiota achava mesmo que eu me daria por vencida?
Que eu o deixaria sair como o vitorioso depois de destruir minha noite com os meus pais?
Com toda a certeza, ele não me conhecia.
Como o meu pai já estava indo para fora junto com ele, eu me antecipei, dizendo-lhe: — Deixa que eu acompanho o Christopher .
A única pessoa que estranhou a minha atitude foi a minha mãe, mas, por sorte, manteve-se em silêncio.
Eu realmente caminhei ao lado dele, carregando um sorriso amigável em minha expressão, até chegarmos em frente ao seu carro.
Christopher Uckermann voltou aquele seu olhar em minha direção.
— Seus pais são... Eles são incríve…
— Vamos cortar essa toda essa baboseira? — disse, interrompendo-o de forma abrupta. — Eu só vou ficar por mais uns trinta dias... Então, faça o favor de não aparecer mais por aqui nesse meio tempo.
Toda aquela sim Dulce a escorreu de seu rosto, da mesma forma que o meu sorriso havia desaparecido lá na porta do banheiro.
Christopher — o queridinho dos meus pais — finalmente colocou as garrinhas para fora.
— Engraçado, não sabia que cê era a dona desse sítio... — respondeu- me ele, de uma forma bem debochada. Mas eu o irritei tanto que ele não conseguiu manter aquela pose de superioridade e prosseguiu: — Tá pra nascer a mulherzinha metida a besta que vai dizer o que eu posso ou não fazer.
Ali no quintal, longe de todos, eu também não precisava ser gentil com ele. Na verdade, estava com muita raiva para conseguir tratá-lo bem. Christopher — pelo que eu pude notar durante o jantar — era amigo dos meus pais há bastante tempo, o que também significava que ele sempre soube quem eu era, que tinha reconhecido a caminhonete azul do meu pai.
— Mulherzinha metida é a vaca da sua mãe! — disparei com fúria nos olhos, cansada de precisar tratar aquele idiota com cordialidade. — Os pais são meus e eu não quero que os meus momentos com eles sejam manchados com a sua presença repugnante. — Antes que ele pudesse me responder, ainda completei: — Como você provavelmente não deve saber o que é repugnante, significa uma coisa nojenta... Bem parecida com você.
— Conheço seus pais há três anos e em todo esse tempo, eu nunca te vi fazer uma visita sequer, nem umazinha — rebateu ele, confrontando-me. Dessa vez, foi Christopher que não me deixou contra-argumentar: — E já que
estamos falando das coisas que não te pertencem, eu quero a minha camisa de volta!
Eu estava com tanta raiva dele que nem pensei para responder com uma mentira: — Eu joguei aquela coisa horrorosa fora.
— Você, o quê?
— Na verdade, a história é bem engraçada. A minha mãe precisava de um pano de chão, então nós a cortamos e tentamos usá-la pra limpar a varanda, mas acontece que nem pra isso aquela porcaria serviu… Então, eu resolvi jogar no lixo.
— Eu só não vou dizer o que ocê é por respeito aos seus pais, de quem eu gosto muito...
— Cala essa boca, seu caipira idiota — rebati, imaginando o que aquele desgraçado achava que eu era. Tinha certeza de que a palavrinha em sua mente começava com “P”. — Quem é você pra pensar em achar alguma coisa sobre mim?
Christopher não parecia ser o cara que perdia a paciência com muita facilidade, mas, naquele momento, ele perdeu. O caubói não disse mais nenhuma palavra, simplesmente entrou em sua Hilux e tentou me ignorar.
— Faça uma boa viagem — eu finalizei, com um sorriso vencedor no rosto. — E nem pense em voltar aqui, peão nojento.



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Autor(a): babyuckermann

Esta é a unica Fanfic escrita por este autor(a).




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  • babyuckermann Postado em 02/04/2021 - 03:27:31

    Ctn



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