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Fanfic: Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy) | Tema: Vondy, Romance, Adaptação


Capítulo: Capítulo 100

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Alexander: Não sei do que você está falando. — Ele fechou a porta e deu um passo para o lado. As chamas de um candelabro dançavam sobre um aparador ali perto, criando desenhos de sombras indistintos nas paredes amarelas.


Acabei dando risada enquanto me aproximava e recostava o quadril na ponta do aparador. Cruzei os braços e os tornozelos, mantendo os olhos nele.


Christopher: Você deve me achar um tolo, de fato. Demorei muito tempo para entender o que estava acontecendo.


Ele riu, sem humor algum.


Alexander: Ao contrário, Christopher. Você é inteligente demais, e por isso tive um trabalho danado para manter tudo sob controle, para os fatos não acontecerem antes do que deviam.


Christopher: Foi você quem enviou a máquina do tempo. — Não foi uma pergunta. — Eu cheguei a cogitar que o celular havia retornado para que Dulce pudesse ajudar Christian. Era a única explicação que fazia algum sentido. Mas depois de tudo... O destinatário não era Dulce, era? A máquina do tempo não voltou por ela. Foi por mim.


Ele não confirmou. Também não negou. Apenas ficou me encarando com certo divertimento.


Christopher: Estou certo, Alexander? Se é que... esse é o seu verdadeiro nome.


Alexander: Hoje é. Mas que papo é esse de máquina do tempo, cara? Você pirou?


Cruzei os braços. Dulce também usava aquela expressão com muita frequência.


Christopher: É, acho que eu “pirei”, sim.


Alexander: É disso que eu tô falando. Não dá pra brincar com você. — Ele praguejou baixo, dando um passo à frente. — Você podia ser só um pouquinho tapado e facilitar a minha vida. Como descobriu?


Christopher: Você me disse. Na rua, logo depois de levar um tiro. Você disse “Volte para casa e salve o seu amor”.


Alexander: Cace*te! — Ele esfregou a mão nos cabelos curtos. — Eu e minha boca grande.


Eu me endireitei, encarando-o a meio metro de distância.


Christopher: Assim que Dulce começou a melhorar, pensei na sorte que tinha sido ter me esquecido de entregar o remédio a Maite. Mas era o que deveria acontecer, não era? Foi por isso que você me mandou aquela máquina. Dulce foi contaminada pela doença da senhora Herbert. E o destino de minha esposa teria sido semelhante ao dela se você não tivesse intervindo.


Dessa vez ele fez que sim com a cabeça. Rebati um tremor ao pensar que...


Alexander: Deixa isso pra lá, cara. Pensar no que poderia ter acontecido só vai te fazer mal. Ela está bem agora. É isso que importa.


De fato.


Christopher: Por que a minha memória não funcionou direito no século vinte e um?


Alexander: Você sabe por quê. Deduziu tudo, contra todas as possibilidades! — Ele jogou a mão para o alto. — O destino da Dulce estava se alterando. E esse novo cenário não te incluía.


Christopher: Como isso é remotamente possível?


Alexander: Esse é o problema de lidar com fadas madrinhas. — Ele revirou os olhos. — Elas sempre acham que podem consertar um erro reescrevendo a história.


Christopher: Então por que a memória de Dulce não foi afetada?


Alexander: Porque... era a história dela, Christopher. — Ele se dirigiu para a chaise longue perto da entrada e se sentou, parecendo cansado. — As lembranças da Dulce só seriam apagadas quando a mudança acontecesse de fato, e não fosse mais só uma possibilidade. Para ela seria de uma vez, uma única vez. Bum! Acabou! Já era!


Christopher: Mas eu não entendo. — Juntei-me a ele no assento. A madeira estalou com todo aquele peso. — Se você me enviou a máquina, como eu conseguiria cumprir o meu objetivo, se a minha cabeça não funcionava?


Ele cruzou a perna, apoiando um tornozelo no joelho.


Alexander: Não era para ter sido assim. Algumas coisas saíram de controle. A fada madrinha da Dulce jamais teria sido alertada sobre essa viagem se você tivesse partido sozinho. Você teria voltado antes que ela se desse conta. Mas a Anahí encontrou a máquina, abandonou a coisa no século vinte e um, atraiu muita atenção. Meu mundo virou um verdadeiro caos, cara. E foi a partir desse momento que a sua história com a Dulce entrou em risco.


Christopher: E você não cogitou essa hipótese antes de me enviar aquela máquina? Não pensou que algo poderia dar errado?


Alexander: Claro que sim. — Ele ergueu os ombros com descaso e eu quis socá-lo. — Mas era o único jeito de garantir meu trabalho. Tive que arriscar e assumir as consequências. Foi por isso que eu precisei intervir. Encontrei a Anahí e a mantive em segurança até que você conseguisse o antibiótico para a Dulce. Às vezes eu a colocava no seu caminho, para que você soubesse que ela estava bem, e também porque a proximidade punha o destino de volta nos eixos, e com isso você conseguia entender o que estava acontecendo, fazer o que tinha que fazer. Quando você conseguiu o remédio, eu levei a Anahí até você. E, caramba, quase que não deu tempo. Teria sido uma grande merda, viu... Pelo amor de Deus, nunca vi duas pessoas tão propensas a se meter em encrenca como você e a Dulce! Não é à toa que foram feitos um para o outro.


Christopher: Então você é uma das fadas madrinhas de Dulce — concluí.


Alexander: Prefiro o termo assistente pessoal para assuntos místicos. — Ele cruzou os braços. — Mas não, eu não sou o APAM da Dulce. Cada pessoa tem apenas um, e a Dulce já tem a dela. Aliás, ela está furiosa comigo e com você. Ter quebrado a máquina do tempo da Dulce foi coisa de gênio, Christopher. Isso nos deu o tempo que eu precisava para chegar até vocês. Só que agora a mulher tá uma fera, já que criar uma nova máquina dá muito trabalho, e ela só pode fazer isso se tiver um motivo, e no momento ela não tem. O destino da Dulce voltou aos eixos. Ela não vai aparecer de novo.


Alívio e gratidão perpassaram por mim, deixando-me inquieto a ponto de ter de me levantar.


Alexander: Então é isso aí. — Alexander ficou de pé também.


Christopher: Não, ainda não acabamos!


Alexander: O que mais você quer saber?


Christopher: Se você não é a fada madrinha...


Alexander: APAM — ele corrigiu de cara feia. — Sou um APAM!


Christopher: Que seja. — Lutei para não revirar os olhos. — Se você não é o APAM da Dulce , então é o meu?


Ele deu risada, mudando para uma posição mais relaxada.


Alexander: Bem que você gostaria. Mas não, você não tem um APAM.


Christopher: Graças a Deus! — Soltei uma longa e forte expiração, que era alívio puro.


Alexander fechou a cara.


Alexander: Isso magoa, cara. Magoa fundo!


Christopher: Não tive a intenção. E continuo sem compreender. Você disse ainda agora que fez tudo o que fez para garantir o seu trabalho.


Alexander: E fiz mesmo. Eu tinha que garantir que você e a Dulce prosseguissem com a sua história para que eu venha a ter o meu trabalho logo. O problema é que a Dulce andou quebrando algumas regras que a colocaram em risco. Essa história da fábrica, por exemplo. A senhora Herbert não devia fazer parte disso. Em teoria, a Dulce tomaria conta de tudo sozinha. Então ela mudou o futuro de novo ao contratar a viúva logo depois que a Maite nasceu. Quando eu percebi o que estava por vir, fiz o que devia, mesmo sabendo que isso me traria problemas. A APAM da Dulce é das boas, tem uma penca de afilhados, e por conta disso deixou escapar essa informação. Tá legal, vou admitir que, se ela tivesse percebido o que ia acontecer antes de eu começar a agir, teria feito alguma coisa para tentar impedir. Mas eu não podia arriscar. Sabe há quanto tempo estou esperando pela minha protegida, Christopher? Tem muito tempo, cara! Eu não podia arriscar deixar que outro resolvesse o problema. Quando ela ficou sabendo que era eu quem estava por trás de tudo, já era tarde e ela não podia mais intervir. Dois APAMs não podem atuar em um mesmo destino ao mesmo tempo.


Christopher: Você me usou para garantir o seu trabalho? — Estreitei os olhos para ele.


Alexander: Usei. — E sorriu, contente. — É claro que, por ter quebrado algumas regras, estou sendo monitorado agora, e tá tudo muito confuso. Eu nem devia estar tendo essa conversa com você. Vim só buscar algo que me pertence. — Ele enfiou a mão no interior do paletó e de lá retirou a caixa de madeira que eu havia enterrado no mês anterior, antes de Dulce adoecer. — Mas não resisti a dar uma espiada em vocês. Além disso, eu tinha que te devolver isso. — Ele puxou uma arma de dentro do casaco e me entregou. A pistola que fora de meu avô e que eu achei que estivesse perdida para sempre.


Christopher: Obrigado. — Eu a peguei e guardei no cós da calça, nas costas.


Alexander: De nada. A Dulce está ótima, hein? Nem parece que passou por tudo aquilo.


Havia muitas perguntas que eu ainda queria fazer a ele. Muita coisa que eu queria lhe dizer, mas realmente importava?


Eu tinha ficado furioso com ele, desejara socá-lo uma centena de vezes. Ele me usara para obter o que queria. Mas tudo o que eu conseguia sentir agora era gratidão. O preço quase fora alto demais. No entanto, ainda que eu soubesse disso de antemão, teria arriscado. Para salvar Dulce, teria arriscado tudo.


Então, não. Não importava que ele me desse respostas que mais me confundiam do que esclareciam. Eu sempre lhe seria grato, enquanto vivesse.


Christopher: Eu jamais poderei saldar a dívida que tenho com você, Alexander.


Alexander: Pode sim, só não entendeu isso ainda. Mas vai entender. Esperto do jeito que é, você nem vai levar muito tempo. Agora, nossos caminhos se separam aqui. E pode dormir tranquilo, nada mais vai voltar para te assombrar. Adeus, Christopher.


Christopher: Adeus, Alexander.


Ele então abriu a porta e começou a descer as escadarias que o levariam à rua.


No entanto, havia ainda uma coisa que eu precisava saber.


Christopher: Alexander? — chamei. Ele me olhou por sobre o ombro, esperando. — Christian está...


Alexander: Forte feito um cavalo. Já voltou ao trabalho e anda pensando muito naquele papo que vocês tiveram sobre filhos. E em uma certa carta que jamais devia ter sido escrita. — Seus olhos se estreitaram. — Também cuidei da detetive Santana, antes que me pergunte. Tudo o que ela lembra agora é de ter encontrado a sua irmã e levado a menina até você. Nada de perseguição a ladrão de cavalos, tiros ou sumiços mágicos. O mundo voltou ao normal em toda parte. Se cuida, Christopher. —


Ele tocou a testa, a larga cicatriz, com dois dedos.


Imitei seu gesto e assisti enquanto ele saltava os degraus de dois em dois. As tochas na lateral das escadas criaram um estranho efeito em sua roupa branca, quase como se ele brilhasse.


Dulce: Christopher? — A voz de Dulce chegou aos meus ouvidos.


Virei-me e a encontrei ao pé da escada, uma das mãos enluvadas apoiada no corrimão de madeira escura.


Dulce: Você demorou. Fiquei preocupada. Está tudo bem? — ela perguntou.


Christopher: Sim, está. — Olhei para fora. Alexander já não estava em parte alguma. — Agora está.


Aproximei-me dela, tomando seu rosto entre as mãos e a beijando com ternura.


Ela escrutinou meu rosto, a preocupação reluzindo em seu olhar.


Dulce: Tem certeza?


Christopher: Absoluta, meu amor. Agora vamos. O primeiro ato deve estar quase no fim. — Apoiei a mão no vão de suas costas e a conduzi escada acima.


 


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Autor(a): delenavondy

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O hotel ficava a poucas quadras do teatro, e levamos mais tempo esperando pela carruagem que nos conduziria até lá do que para chegar a nosso destino. Ouvi a risadinha de Madalena tão logo meu pé tocou o piso acarpetado do segundo andar. Encarei Dulce, que simplesmente ergueu os ombros e abriu um sorriso. Destranquei a porta e, antes que pudesse ...


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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 108



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  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:06:00

    O Ucker é um verdadeiro príncipe ♥️ quase chorei com ele

    • delenavondy Postado em 04/11/2021 - 18:20:56

      <3

  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:05:21

    AFF que perfeito sua fic&#9829;&#65039; amei amei amei

  • taianetcn1992 Postado em 02/11/2021 - 07:53:42

    Aí meu deus, ameiii essa maratona, já quero mais como sempre &#128584;

    • delenavondy Postado em 02/11/2021 - 21:13:50

      Que bom <3 Vou terminar hoje os últimos capítulos

  • mandinha.bb Postado em 29/10/2021 - 14:22:04

    Estou megamente ansiosa por mais, sinto que logo eles encontram a Any, ainda mais agora que o Ucker recobriu a memória e acho que o cara que estava preso com o Ucker tem algo no meio, esse amigo dele deve estar com a pessoa que está com a Any, muito estranho o comportamento dele... Continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa plisssssssssssssssssssssssssssssssssss

    • delenavondy Postado em 30/10/2021 - 00:24:37

      já já posto mais...

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:47

    ansiosa pelos proximos

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:36

    quero mais

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:28

    voltaaaaaa

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:21

    kd vc ?

    • delenavondy Postado em 29/10/2021 - 00:17:17

      Desculpe, estou meio ocupada esses dias. Mas amanhã trago mais capítulo ok !

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:09

    pelo amor de deus

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:01

    mais mais mais


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