Fanfics Brasil - Capítulo 63 Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy)

Fanfic: Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy) | Tema: Vondy, Romance, Adaptação


Capítulo: Capítulo 63

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Dulce acabou adormecendo sobre meu peito. Eu me mantive quieto, brincando com a ponta de seus cabelos e lutando contra o cansaço. Apesar de absolutamente esgotado, tive medo de fechar os olhos. Então ainda estava muito desperto quando os primeiros raios de sol invadiram o quarto.


Eu poderia escrever uma carta, pensei. Poderia relatar tudo o que acontecera e colocá-la em algum lugar onde eu a encontrasse, caso a amnésia retornasse.


Havia papel e caneta na sala.


Não, era provável que eu nunca a encontrasse, levando em conta a bagunça de Dulce. O melhor era me manter acordado até descobrir o paradeiro de Anahí, decidi.


Entretanto, sem aviso, um entorpecimento se apoderou de meus músculos e pensamentos, como se eu tivesse bebido a noite toda. Sacudi a cabeça e pisquei, tentando fazer a visão voltar ao normal. A desorientação se intensificou, porém, a ponto de o quarto começar a rodar.


Não. Por favor, não!, implorei, apertando o corpo quente e macio de Dulce, lutando para manter os olhos abertos e a consciência. Eu precisava ficar acordado. Precisava deixar uma mensagem que eu pudesse encontrar. Precisava alertar a mim mesmo sobre o risco de perder Dulce, caso Anahí não fosse localizada. Mas não houve tempo. A desorientação se tornou forte demais, a dor que me apunhalou as têmporas me fez ver estrelas.


E então eu não estava mais ali, naquela cama com Dulce.


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Estava em meu quarto, no casarão, refestelado na cama, ainda vestido. Eu encarava o teto já fazia certo tempo. Parecia que tudo que poderia dar errado naquele dia havia acontecido. Dulce tinha algo importante a me dizer. Algo relacionado a sua origem. Havia tempos eu queria entender melhor aquela mulher, e talvez, se eu soubesse de onde ela vinha, poderia compreender seus atos e suas maneiras tão peculiares. Só teria de suportar aquela noite e então poderia encontrá-la e ouvir o que ela tinha para me contar.


O perfume de flores noturnas entrava pela janela aberta e impregnava o ambiente. A lua estava cheia, um perfeito círculo rechonchudo e reluzente que clareava a noite, mas fazia muito pouco por meus pensamentos. Desisti da cama e joguei o paletó na poltrona, livrando-me da gravata e já enrolando as mangas da camisa.


O retrato de Dulce estava longe de ser finalizado e havia muito trabalho pela frente. Um pouco de distração me ajudaria a enfrentar a noite. Abrindo as bisnagas e depositando a tinta sobre a caixa onde eu guardava os pincéis, continuei de onde havia parado.


Não sei por quanto tempo fiquei ali, absorto em cada pincelada, mas deve ter sido longo, pois, quando ouvi uma suave batida na porta, a vela sobre o aparador já se ia pela metade e a lua tinha desaparecido da janela.


Temendo que alguma tragédia pudesse ter ocorrido na casa, abri a porta.


E me deparei com Dulce. Ela ainda usava o mesmo vestido do jantar, os cabelos soltos caindo em cascatas por suas costas e ombros.


Por que ela estava ali, em meu quarto, àquela hora da noite? Não sabia os riscos que corria? Não se importava? Não percebia que, por mais que eu me esforçasse para me comportar como um cavalheiro, havia atingido o limite?


Dulce: Ainda está acordado — disse ela. — Que bom! Vamos conversar? Agora!


Christopher: O que está fazendo aqui a essa hora?


Dulce: Eu te esperei até agora, mas, como você não me procurou, resolvi te encontrar, e te encontrei. Agora, vai me deixar entrar ou vamos conversar no corredor e acabar acordando a casa toda?


Christopher: Dulce, eu não posso deixá-la entrar! Você enlouqueceu?


Dulce: Tem alguém aí dentro com você? — Ela esticou o pescoço para dar uma olhada no quarto.


Christopher: É claro que não! — Por que espécie de homem ela me tomava? — O que você está pensando?


Dulce: Não estou! Agora me deixe passar. — E, sem esperar por um convite, espremeu-se entre mim e o batente e entrou.


Verifiquei se não havia ninguém no corredor e fechei a porta, desejando, e não pela primeira vez, que ela fosse um pouco mais prudente.


Tentei convencê-la a ir embora, a adiar a conversa, mas ela estava irredutível.


Dulce: Não saio daqui até que você me escute!


Christopher: Não pode esperar até amanhã?


Dulce: Não!


Eu queria gritar com ela. Queria beijá-la. Queria colocá-la porta afora. Queria deitá-la na cama e me enfiar entre suas saias. Seguramente aquilo não terminaria bem.


Christopher: Muito bem, então. — Reprimi um grunhido. — Vamos conversar.


Dulce: Vamos. — Mas Dulce se deteve. Suas mãos se retorciam em frente ao corpo, e ela fez algumas tentativas de dar início à conversa.


Obrigando-me a ficar onde estava para não correr o risco de perder a cabeça, foquei a atenção em suas reações. Ela estava ansiosa e inquieta. Assustada. Por quê? O que tinha de tão grave no que ela precisava me contar?


Dulce: Talvez... Talvez queira se sentar para ouvir tudo o... — Ela indicou a cama. E congelou ao reparar na tela inacabada.


Inferno. Eu havia me esquecido dela. Não queria que Dulce a visse, nem mesmo quando estivesse finalizada. Era apenas para mim. Uma prova de que aquela mulher existia, um meio de apaziguar meu coração quando ela se fosse. Porque ela iria embora. Dulce estava irredutível quanto a isso. Não havia nada que eu pudesse dizer que a fizesse mudar de ideia.


Exceto por uma coisa, eu rezava. Uma que eu estava cada vez mais resolvido a lhe propor. Mas não ali, em meu quarto, no meio da madrugada, como se ela fosse uma meretriz de cais de porto se esquivando pelas sombras. Ela merecia mais que isso. Eu precisava encontrar o momento certo e rezar para a divina providência colocar algum juízo na cabeça daquela mulher.


Dulce se aproximou da tela devagar. E arfou ao reconhecer seu rosto no tecido, muito embora ele não lhe fizesse justiça. Nenhuma justiça. Eu poderia tentar desenhá-la um milhão de vezes e jamais conseguiria reproduzir a vivacidade de seu olhar, a petulância sempre presente no desenho de sua boca, a aura de mistério que a cercava. Aquele retrato não passava de um rascunho malfeito.


Vi sua mão se erguer, os dedos trêmulos.


Christopher: Não toque! A tinta ainda está úmida. Vai... borrar — falei, sem jeito.


Dulce: Christopher, por que me pintou? — Sua voz estava embargada. Se devido à emoção ou à mortificação, não pude ter certeza. — Pensei que não gostasse de retratar pessoas.


O que eu poderia dizer a ela? Que não sabia como viver o resto de meus dias depois que ela partisse, já que todos os meus pensamentos eram dela? Que não conseguia nem sequer imaginar acordar e nunca mais vê-la? Que desejava mais do que qualquer coisa que ela pudesse ficar comigo, pouco me importava que tivesse uma vida a esperando?


Dulce se virou, os olhos castanhos brilhantes como eu nunca tinha visto, e, diante daquele olhar, tudo o que pude fazer foi lhe dar a verdade.


Christopher: Porque... não posso perdê-la, Dulce! Porque, se tudo que posso ter é este retrato... — Parei quando senti um aperto na garganta.


Dulce: Ah, Christopher.


Dulce abandonou no aparador a vela que segurava e se atirou em meus braços.


Surpreso, não consegui me desvencilhar dela a tempo, e, quando sua boca colidiu com a minha e suas mãos se prenderam em minha nuca, eu não quis mais me afastar. Pelo contrário, a abracei pela cintura, seus seios comprimidos de encontro a meu peito, tentando inutilmente me aproximar mais, pois me parecia que nunca estaria junto dela o suficiente. Eu sentia seu coração bater unido ao meu, ambos em ritmo acelerado e urgente. O desejo se apoderou de mim, assim como um sentimento de posse primitivo, e tudo o que me ocorria era rasgar sua roupa para poder sentir aqueles seios colados em mim sem nenhum tecido entre nós.


E dessa forma ela acabaria no chão, comigo entre suas coxas. Diabos, não era assim que eu tinha planejado que acontecesse.


Juntando toda a força de vontade que provinha unicamente do senso de dever para com a mulher que eu amava, eu a segurei pelos ombros e me afastei. Meu corpo tremeu com rebeldia.


Dulce: Christopher?


Christopher: Não posso fazer isso com você! Não posso desonrá-la dessa maneira. — A pulsação em minha virilha me fazia querer dobrar ao meio. Mas a dor era bem-vinda. Uma pequena punição, um lembrete do que eu teria feito se minha consciência tivesse me abandonado. — Não podemos!


Dulce: Podemos, Christopher. Podemos sim!


Sacudi a cabeça, tentando desanuviar os pensamentos. Sim, eu sabia que ela estivera com outros homens, mas isso não significava nada. Apenas me fazia querer pegar a pistola e correr atrás daqueles malditos. Eu ainda a desonraria se me permitisse ser dominado pela paixão agora. Eu a desonraria em qualquer outro momento se um anel não pendesse de seu dedo anular da mão esquerda.


Ela precisava entender isso.


Christopher: Devemos esperar um pouco mais. Eu pretendia lhe dizer isso de forma mais...


Dulce: Mas nós não temos mais tempo! — ela atalhou, fora de si, segurando-me pelos ombros. — Você não entende? Eu... eu não sei quanto tempo eu tenho. Mas tenho certeza que não é muito. Eu nem sei se ainda estarei aqui amanhã, Christopher!


Eu queria chorar, e não apenas por causa da agonia em que meu corpo excitado se encontrava. Ouvi-la dizer que nosso tempo estava se esgotando fez meu peito silenciar. Deixei a cabeça pender para a frente, unindo a testa à dela, e fechei os olhos.


Christopher: Mas é errado, Dulce! Tão errado! Você mesma disse!


Dulce: Não é errado. O que sinto quando estou com você é... é a coisa mais certa que já senti na vida! Christopher, pela primeira vez eu sei a qual lugar pertenço.


Christopher: Pertence a este lugar? — perguntei, fitando-a.


Dulce: Não. Pertenço a este lugar. — Sorrindo, ela deixou as mãos escorregarem por meu pescoço e percorrerem toda a extensão de meus braços. A excitação ameaçou sair de controle, mas eu a obriguei a retroceder. O que Dulce estava me dizendo ia além de saciar a carne faminta. Talvez pudesse saciar meu coração.


Com a franqueza estampada em seu lindo rosto, ela repousou a mão direita sobre meu peito. Sobre meu coração, que imediatamente despertou e se apressou em lhe mostrar que era todo dela.


Dulce: Pertenço a este lugar. Como pode ser errado?


Maldição, Dulce!


Ela não devia me dizer aquilo. Não quando sabia que ia partir. Era um dos motivos pelos quais eu não podia me render. Não podia simplesmente me deleitar com seu corpo e deixá-la ir. Eu queria mais, queria seu coração, sua alma e sua mão esquerda. E, exceto pela mão, ela agora me oferecia tudo o que eu sempre desejara, dificultando ainda mais as coisas. Eu não podia ceder. De maneira alguma. Não podia tratá-la de maneira tão abominável, como se fosse uma mulher qualquer, quando eu seria dela à mera menção da palavra “sim”. Eu me arrependeria pelo resto de meus dias se cedesse agora. E no entanto...


E no entanto me arrependeria por toda a eternidade se nem ao menos tentasse lutar por ela.


Então eu a trouxe para perto e tomei sua boca, rendendo-me ao desejo. E eu soube. Simplesmente soube que tudo o que eu vivera me levara até aquele momento, até Dulce...


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Autor(a): delenavondy

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A imagem tremulou. Espere! Não, por favor! Lutei para manter a cena, para prosseguir com os acontecimentos daquela noite na qual Dulce se entregara a mim e eu a ela, mas tudo ficou fora de foco, começou a desvanecer. Por favor, não. Por favor!, implorei em vão, assistindo impotente à lembrança se dissolver até se tornar ape ...


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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 108



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  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:06:00

    O Ucker é um verdadeiro príncipe ♥️ quase chorei com ele

    • delenavondy Postado em 04/11/2021 - 18:20:56

      <3

  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:05:21

    AFF que perfeito sua fic&#9829;&#65039; amei amei amei

  • taianetcn1992 Postado em 02/11/2021 - 07:53:42

    Aí meu deus, ameiii essa maratona, já quero mais como sempre &#128584;

    • delenavondy Postado em 02/11/2021 - 21:13:50

      Que bom <3 Vou terminar hoje os últimos capítulos

  • mandinha.bb Postado em 29/10/2021 - 14:22:04

    Estou megamente ansiosa por mais, sinto que logo eles encontram a Any, ainda mais agora que o Ucker recobriu a memória e acho que o cara que estava preso com o Ucker tem algo no meio, esse amigo dele deve estar com a pessoa que está com a Any, muito estranho o comportamento dele... Continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa plisssssssssssssssssssssssssssssssssss

    • delenavondy Postado em 30/10/2021 - 00:24:37

      já já posto mais...

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:47

    ansiosa pelos proximos

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:36

    quero mais

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:28

    voltaaaaaa

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:21

    kd vc ?

    • delenavondy Postado em 29/10/2021 - 00:17:17

      Desculpe, estou meio ocupada esses dias. Mas amanhã trago mais capítulo ok !

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:09

    pelo amor de deus

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:01

    mais mais mais


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