Fanfics Brasil - Capítulo 64 Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy)

Fanfic: Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy) | Tema: Vondy, Romance, Adaptação


Capítulo: Capítulo 64

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A imagem tremulou.


Espere! Não, por favor!


Lutei para manter a cena, para prosseguir com os acontecimentos daquela noite na qual Dulce se entregara a mim e eu a ela, mas tudo ficou fora de foco, começou a desvanecer.


Por favor, não. Por favor!, implorei em vão, assistindo impotente à lembrança se dissolver até se tornar apenas um borrão indistinto e, por fim, se apagar.


Tentei acordar, lutar contra o que quer que estivesse acontecendo, mas outra cena me jogou para uma direção diferente.


Era a noite do baile.


Minha cabeça zumbia, eu não conseguia pensar direito. Meu corpo tremia, tremia muito, e eu não parava de ouvir a voz de Dulce me dizendo aquelas coisas.


Ela não estava brincando, eu vi isso em seu rosto. Falara sério. Acreditava mesmo que tinha vindo do futuro.


Meu coração estava acelerado, minha respiração rápida e curta. Dulce sempre foi diferente, era uma de suas adoráveis qualidades, mas estaria eu tão cego de amor que não notei sua loucura?


Entrei na sala onde o baile acontecia ainda atordoado. Ah! Lá estava o homem que eu procurava.


Christopher: Doutor Almeida, poderia me acompanhar?


Dr. Almeida: Aconteceu alguma coisa, senhor Uckermann? — ele inquiriu, sobressaltado.


Christopher: Apenas me acompanhe, por favor.


Sua esposa me observou, atenta, buscando entender o que se passava comigo.


Presumi que Letícia não conseguiria ir muito longe, já que eu mesmo não sabia o que sentir ou pensar.


Dr. Almeida: Claro, claro — Almeida concordou, já me seguindo.


Caminhamos em silêncio até meu escritório. Entrei e presumi ter fechado a porta. Não estava prestando muita atenção em nada.


Dr. Almeida: Christopher, meu caro, está tudo bem?


Christopher: Não, não está! Aconteceu tanta coisa esta noite. — Esfreguei a testa, caminhando de um lado para o outro, sentindo-me tão velho e cansado como o próprio mundo. — Eu preciso de sua ajuda, doutor. De seus conselhos médicos, na verdade.


Dr. Almeida: Alguém está ferido?


Christopher: Certamente sim, mas ninguém que valha a sua preocupação. Graças a Deus eu cheguei a tempo e pude impedir que o pior acontecesse. Aquele... — trinquei a mandíbula — ... bastardo do Santiago tentou atacar Dulce.


Dr. Almeida: Meu Deus, Christopher!


Christopher: Não quero nem pensar no que teria acontecido seu eu não... — Puxei uma grande quantidade de ar. — Mas não o chamei até aqui por causa disso, doutor. Estou preocupado com Dulce. Já deve ter notado que ela é diferente, suponho. — Continuei zanzando pela sala, sem saber como começar.


Dr. Almeida: Sim. Sua hóspede é um tanto... peculiar. Embora seja adorável.


Christopher: Até esta noite eu pensava que se tratasse apenas de uma diferença cultural. Mas então... — Como dizer a ele? Como explicar o que ela havia dito minutos antes?


Dr. Almeida: Mas então... — ele incitou.


Christopher: Então agora há pouco ela me disse algumas coisas sobre sua origem. Coisas que me perturbaram muito.


Alberto apenas assentiu, então continuei:


Christopher: Dulce me disse que nasceu quase duzentos anos à nossa frente. Ela acredita que veio do futuro. — Soltei uma grande lufada de ar. Como, em nome de Deus, eu poderia crer no que me fora dito? Eu tentava desesperadamente encontrar uma explicação, qualquer uma, por mais ordinária que fosse, para que o que Dulce me dissera pudesse fazer algum sentido. Qualquer um mesmo.


Dr. Almeida: Do futuro? — ele indagou de olhos arregalados.


Christopher: Sim, Almeida. Do ano 2010, para ser mais específico. Ela me disse, com muita convicção, que viajou no tempo. — Meu coração se apertou, assim como o nó na garganta, que tornou uma tarefa árdua articular qualquer sílaba.


Dr. Alemida: Ah! — Ele cruzou os braços atrás das costas. — Entendo.


Christopher: Entende? — Senti uma pontada de esperança. Ele era um médico, um cientista. Talvez soubesse alguma coisa secreta que o restante de nós não sabia.


Dr. Almeida: Eu já ouvi falar sobre isso. Sobre pessoas que, depois de sofrerem um trauma, perdem a percepção da realidade... Acho melhor se sentar um pouco, Christopher. Sua cor não está boa. — Ele alcançou meu ombro e me guiou até o sofá. Deixei meu corpo cair ali.


Christopher: Acha que ela... que ela... — Ah, inferno!


Dr. Almeida: Veja bem, Christopher, ela sofreu um trauma quando chegou aqui. Eu a vi logo que você a encontrou. Estava assustada e não dizia coisa com coisa. E o ataque desta noite... Bem, talvez a violência que sofreu tenha sido grande o bastante para que seu cérebro esteja tentando se proteger agora.


Christopher: Fugindo da realidade — completei quando ele não o fez.


Dr. Almeida: Precisamente. Percebo que se afeiçoou a ela, meu caro. E entendo seus motivos. A senhorita Dulce tem algo especial, vai além da beleza e do sorriso encantador. Mas, meu amigo, peço que ignore seus sentimentos e reflita um pouco. Há quanto tempo conhece essa jovem?


Christopher: Eu a conheço. Isso é o suficiente — retruquei. — Tem que ser o bastante. Ela é doce e leal. É solitária, mas nutre um apreço imenso pelos poucos amigos que tem. Eu a conheço, Alberto! E sei quem ela é.


Ele assentiu e se levantou, indo até a minha mesa e se recostando no tampo.


Dr. Almeida: Sendo assim, o que vou lhe dizer é apenas minha opinião médica. Creio que a senhorita Dulce foi acometida por uma neurose. Talvez com o tratamento adequado...


Christopher: Ela se curaria?


Dr. Almeida: Talvez sim. Talvez não. Dependerá dela. Não sabemos muito sobre os mistérios que habitam a mente humana, Christopher. Há casos de pessoas que foram curadas. Também há relatos de mentes que se perderam para sempre. É claro que eu precisaria examiná-la, talvez consultar um amigo especialista nos segredos da mente para poder lhe dizer o grau de sua... de sua imaginação. Se preferir, leve-a a uma casa de saúde. Creio que lá ela receberia o tratamento adequado. Além disso, o repouso pode fazer bem a ela.


Christopher: Interná-la? Não. De modo algum. Não! Não posso fazer isso. Não posso deixar que... Não! Deve haver outro jeito.


Dr. Almeida: Não que eu conheça. Reflita um pouco. Ela poderia voltar à razão.


Christopher: Mas... interná-la? — Deixei a cabeça pender entre as mãos. Queria acordar e sair daquele pesadelo. — Então, não há outra forma?


Dr. Almeida: Não, senhor Uckermann. Sinto muito, mas não há outra forma. Pode ser apenas uma crise. Um surto. É normal acontecer isso depois de uma situação traumática. E, pelo que me contou, creio que seja este o caso. Sei que a estima muito, mas, se interná-la agora, antes que piore, talvez dentro de alguns meses ela possa recuperar a sanidade.


As palavras dele ainda ecoavam em minha cabeça quando a porta se abriu bruscamente. Dulce estava parada ali, com o rosto retorcido de dor.


Dulce: Você mentiu! Você mentiu pra mim! — Seus grandes olhos castanhos estavam inundados de dor, traição, medo. Vê-la daquela maneira era pior que imaginar que ela estivesse realmente doente da cabeça. Muito pior.


Christopher: Dulce, acalme-se, por favor! — implorei, ficando de pé. — Eu não menti. Apenas escute o que o doutor Almeida tem a lhe dizer.


Dr. Almeida: Senhorita Dulce, o senhor Uckermann me contou o que lhe aconteceu esta noite. Talvez você apenas precise descansar um pouco, minha jovem. Conheço um lugar muito discreto onde...


Seus olhos dispararam em minha direção. Havia muita coisa neles. Cólera, medo, dor, traição.


Dulce: Você vai me jogar num manicômio? — Seu peito subia e descia em passo acelerado. O medo a deixou pálida. Nem mesmo quando eu a salvei de Santiago vira seu rosto tão amedrontado.


Christopher: Não é isso! Apenas ouça o que o doutor Almeida tem a lhe dizer. — Ela precisava se acalmar e ver que eu não tinha a intenção de mandá-la para lugar algum. Como poderia? Eu não conseguia ficar longe daquela mulher nem por um quarto de hora.


Tentei me aproximar, mas ela me repeliu, erguendo os braços como se eu fosse um dos moleques da criadagem, pronta para me golpear.


Dulce: Não toque em mim!


Christopher: Dulce, amor, você prec...


Dulce: Cale a boca, Christopher! Só... cale a boca!


Ela continuou gritando comigo, proferindo uma porção de suposições tão ridículas quanto aquela situação. Como ela podia duvidar de meus sentimentos? É claro que eu a amava, é claro que não me importava que não agisse como as outras jovens. Mas ela não me deixou falar.


Olhei para o médico, suplicando ajuda, mas Almeida estava alarmado demais com o temperamento intempestivo de Dulce.


Dulce: Eu te odeio, Christopher! ODEIO!


Christopher: Está enganada! — Apressei-me, pois ela se aproximava da porta. — Você não está entendendo, ouça-me...


Dulce: NÃO! — E disparou para seu quarto.


Christopher: Dulce! — chamei, mas isso apenas fez com que ela corresse ainda mais.


Então eu a segui, com o peito doendo e sem ar nos pulmões. Não pude alcançá-la a tempo e, quando cheguei até sua porta, encontrei-a trancada.


Christopher: Dulce, perdoe-me. Eu... estou confuso. — Tentei raciocinar. Ela não era louca. Era a minha Dulce, mas, mesmo que estivesse doente, eu ainda a amaria. Não a internaria em nenhum maldito manicômio. Se ela estava feliz inventando aquelas histórias que não faziam mal a ninguém, então tudo bem para mim. — Abra, por favor! Vamos conversar. Não vou deixar que a levem a parte alguma, eu prometo!


Ela não respondeu. Eu apenas ouvia seus passos lá dentro.


Christopher: Dulce, abra, por favor.


Diabos! Como aquilo tinha acontecido? Como pude assustá-la ainda mais, justamente depois de ter sido atacada por aquele miserável Santiago? Por que não permaneci ao lado dela? Por que não deixei que inventasse suas histórias?


Que mal havia em pensar que tinha vindo do futuro?


O quarto ficou em silêncio. Grudei-me à porta, tentando ouvir alguma coisa. A ausência de ruído me fez pensar em todo tipo de coisa.


Christopher: Dulce! — Tentei a maçaneta. Ela tinha passado a trava.


Lancei-me contra o painel de madeira uma vez. E mais outra. Na terceira tentativa, eu a arrombei. Entrei no quarto com o coração aos pulos, vasculhando.


Mas Dulce não estava ali dentro. A janela estava escancarada. Corri até ela, debruçando-me sobre o parapeito, escrutinando a noite escura.


Ela já não estava mais à vista.


Soquei o peitoril com raiva.


Christopher: DULCE!


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Autor(a): delenavondy

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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 108



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  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:06:00

    O Ucker é um verdadeiro príncipe ♥️ quase chorei com ele

    • delenavondy Postado em 04/11/2021 - 18:20:56

      <3

  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:05:21

    AFF que perfeito sua fic&#9829;&#65039; amei amei amei

  • taianetcn1992 Postado em 02/11/2021 - 07:53:42

    Aí meu deus, ameiii essa maratona, já quero mais como sempre &#128584;

    • delenavondy Postado em 02/11/2021 - 21:13:50

      Que bom <3 Vou terminar hoje os últimos capítulos

  • mandinha.bb Postado em 29/10/2021 - 14:22:04

    Estou megamente ansiosa por mais, sinto que logo eles encontram a Any, ainda mais agora que o Ucker recobriu a memória e acho que o cara que estava preso com o Ucker tem algo no meio, esse amigo dele deve estar com a pessoa que está com a Any, muito estranho o comportamento dele... Continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa plisssssssssssssssssssssssssssssssssss

    • delenavondy Postado em 30/10/2021 - 00:24:37

      já já posto mais...

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:47

    ansiosa pelos proximos

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:36

    quero mais

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:28

    voltaaaaaa

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:21

    kd vc ?

    • delenavondy Postado em 29/10/2021 - 00:17:17

      Desculpe, estou meio ocupada esses dias. Mas amanhã trago mais capítulo ok !

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:09

    pelo amor de deus

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:01

    mais mais mais


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