Fanfics Brasil - Capítulo 66 Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy)

Fanfic: Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy) | Tema: Vondy, Romance, Adaptação


Capítulo: Capítulo 66

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Maite era uma mulher muito bonita, embora seu rosto estivesse contorcido em angústia ao abraçar Dulce, aos soluços, tão logo entramos no quarto, no segundo andar do hospital.


Dulce me atualizara sobre algumas coisas no trajeto até ali. Christian estava com pneumonia. Eu já o conhecia, assim como a sua mulher. Eles haviam se casado pouco antes de ela voltar para mim. E, sim, ela havia ido embora. Desde que eu acordara naquele mundo, desorientado e esquecido, essa era a primeira vez em que me sentia grato por não ter todas as minhas lembranças. Não estava certo se gostaria de recordar o momento de sua partida.


Dulce: Como é que ele tá? — Dulce perguntou, ainda abraçada à amiga.


Maite: Mal. Ele não está mais reagindo. Não sei o que fazer, Dulce. Os médicos também estão perdidos.


Dulce: Ah, Maite... — Dulce beijou seu ombro e a apertou com força. — Eles vão encontrar uma solução. Têm que encontrar!


Elas se soltaram e Maite fixou os olhos em mim.


Christopher: Lamento muito, senhora Maite — murmurei.


Ela fez uma careta.


Maite: Sua cabeça continua pifada, né?


Christopher: Parece que sim.


Um gemido veio do fundo do quarto. Maite se precipitou em direção à cama estreita onde estava Christian, um homenzarrão que mal cabia naquele leito. Havia uma espécie de máscara cobrindo-lhe a boca. Sua luta para levar o ar para dentro dos pulmões me trouxe recordações e uma sensação de agonia e impotência que havia muito tempo eu não sentia.


Dulce e eu nos aproximamos dele. Ela pegou sua mão.


Dulce: Ei.


Ele olhou para ela. Seus olhos estavam brilhantes, avermelhados em decorrência da febre, mas um sorriso frouxo surgiu por trás da máscara.


Christian: Tá certo que eu não tô legal... — A voz dele saiu abafada. — Mas também não precisa me olhar assim, Dulce.


Dulce: Desculpa. Se não quer que eu te olhe assim, então fique bom logo.


Christian: Não é por falta de vontade, Dul. Tá me dando nos nervos ficar aqui deitado, com essas enfermeiras me espetando toda hora. Poderia me fazer um favor?


Dulce: Claro, Christian. Qualquer coisa.


Ele franziu o cenho. Um furinho se fez visível em sua testa.


Christian: Leve a Maite para comer alguma coisa.


Maite: Christian... — sua mulher começou a protestar, mas ele seguiu em frente.


Christian: Ela não come nada desde ontem à noite. Só enfia qualquer coisa na goela dela.


Maite: Eu estou bem! — Maite deslizou os dedos por sua testa.


Christian: Um café que seja, Maite — ele suplicou. — Você não pode ficar sem comer. Vai acabar desmaiando, e eu não estou em condições de te acudir.


Maite: Eu não posso te deixar sozinho!


Christopher: Eu fico com ele — ofereci. — Seu marido tem razão. Não deve ficar sem se alimentar. Ou não será capaz de cuidar dele.


Os olhos do rapaz encontraram os meus. Gratidão reluzia neles.


Maite resmungou alguma coisa, mas acabou cedendo. Eu me acomodei na cadeira ao lado da cama enquanto Dulce e ela deixavam o quarto. Assim que a porta se fechou, Christian girou a cabeça para me encarar.


Christian: Eu tô morrendo... não tô? — perguntou sem rodeios, entre uma inspiração e outra. — O médico disse... alguma coisa pra Maite e ela não teve coragem de... me contar, não é?


Seu estado era tão semelhante ao de meu pai em seus últimos dias que me deu calafrios.


Christian: Fala a verdade, Christopher. Não tenta... me poupar. Se eu estou morrendo, tenho o direito... de saber.


Christopher: Até onde eu sei, seu estado é grave, mas Dulce me disse que agora há medicamentos para combater a pneumonia.


Ele fechou os olhos e sacudiu a cabeça.


Christian: Essa porcaria não anda fazendo nada além de mexer com o meu estômago.


Christopher: Lamento muito. Espero que se cure o mais rápido possível.


Ele me fitou por um instante.


Christian: Sua cabeça ainda tá fodida?


Eu não teria escolhido palavra melhor.


Christopher: Completamente, Christian. Acordei hoje sem saber que sou um homem casado.


Christian: Pu*ta que pa*riu! Não consigo imaginar como deve... ser isso. — Ele esfregou o esterno com a mão, onde um tubo transparente havia sido fixado. — Acordar um dia e se ver casado sem saber como... aconteceu.


Christopher: É um inferno — garanti a ele.


Christian: Faço ideia. A Dulce deve estar arrasada com isso. Eu acho que... ah, caralh... — Christian levou a mão ao rosto, empurrando a máscara para o lado, e cobriu a boca. Seu peito se sacudia em espasmos. Ele tentou se sentar. Olhando em volta, avistei um balde pequeno e corri para pegá-lo. Estava repleto de papéis rasgados.


Virei-o no chão e me apressei de volta para a cama. Posicionei o cesto de lixo sob a cabeça de Christian bem a tempo de ele colocar para fora tudo o que tinha no estômago, engasgando-se muitas vezes. Dei leves batidas em suas costas, tentando ajudá-lo de alguma maneira.


Christian: Odeio... isso — comentou Christian quando as ânsias começaram a ceder, recostando-se na cabeceira.


Havia um cômodo conjugado àquele quarto e eu divisei o toucador moderno, semelhante ao da casa de Dulce. Deixei o balde na mesa ao lado da cama e marchei até ele, pegando a toalha pendurada em uma argola. Tive um pouco de dificuldade para fazer a bica funcionar, mas acabei conseguindo e umedeci o tecido macio.


Quando voltei para junto de Christian, ele tinha os olhos fechados, a testa encrespada, lutando para controlar as necessidades do próprio corpo. O pobre perdeu a batalha. Ajudei-o outra vez, e me peguei pensando que gostaria que o doutor Almeida pudesse examiná-lo. Enquanto ele se contorcia, esvaziando o estômago, a camisola com abertura nas costas se abriu, revelando seu pescoço e parte do peito.


Havia muitas coisas naquele mundo, dentro daquele quarto, que eu não fazia ideia do que eram, não sabia nomear ou para que serviam. Mas as pequenas marcas vermelhas no corpo do rapaz, essas eu reconheci de imediato.


Meu estômago embrulhou.


Não. Claro que não devia ser isso, apressei-me. Se Christian vivesse em meu mundo, não restariam dúvidas. Mas ali, naquele lugar onde tudo era movido a óleo ou eletricidade, não havia a menor possibilidade.


Ainda assim, ouvi-me perguntando:


Christopher: Christian, você se locomove utilizando o carro, certo? — Coloquei o balde no chão quando ele terminou e entreguei a toalha a ele.


Ele a pegou, agradecido, e a esfregou no rosto pálido.


Christian: Você às vezes pergunta as coisas mais esquisitas, Christopher.


Christopher: Mas este é o seu meio de transporte — insisti.


Christian: É claro que é. Às vezes pego ônibus, mas só de vez em quando.


O alívio me derrubou na cadeira.


Christian: Por que você me perguntou isso? — Christian me fitou, com a máscara pendendo do rosto.


Christopher: Apenas queria me certificar de que você não teve nenhum contato com cavalos.


Christian: Ah. Isso não é pra mim. — Ele puxou a máscara sobre a boca e inspirou fundo. O chiado em seu peito ecoou pelo quarto. — Tem uns quinze dias que tentei montar um cavalo e acabei... com a bun/da no chão.


Christopher: O quê?! — Meu peito começou a retumbar.


Christian: Levei a Maite para um hotel fazenda. Ela até que se... saiu bem, mas eu acabei com o traseiro dolorido e a cara... coberta de baba de cavalo.


Christopher: Virgem Santíssima! — Fiquei de pé.


Christian: O quê? O que foi?


A porta se abriu, e Maite e Dulce entraram. Eu me antecipei e peguei Dulce pelo braço.


Christopher: Preciso falar com a senhorita. — E comecei a conduzi-la para fora.


Fechei a porta, deixando Christian sem resposta e Maite com a confusão estampada no rosto. Dulce exibia uma expressão semelhante. Eu só comecei a falar quando estávamos longe o bastante para que seus amigos não me ouvissem.


Dulce: O que foi, Christopher? Ele piorou?


Christopher: Christian tem manchas e caroços por todo o pescoço e o tórax. Preciso falar com o médico dele. Sabe como posso encontrá-lo?


Dulce: Sei, é só avisar uma das enfermeiras que elas mandam chamá-lo. Mas o que está acontecendo?


Respirei fundo, criando coragem para dizer aquilo em voz alta. Deus do céu, nem eu mesmo podia acreditar.


Christopher: Acho que sei por que Christian piorou — contei a ela. — Ele não está com pneumonia, Dulce. É muito fácil confundir as doenças, os sintomas são parecidos, mas essas manchas não aparecem no doente de pneumonia.


Dulce: O quê? Como você sabe?


Christopher: Porque eu já testemunhei o ataque das duas doenças. — E em nenhuma delas o paciente sobrevivera.


Dulce: E o que ele tem? — Seu olhar escrutinou meu rosto.


Christopher: Uma doença avassaladora que dizima os estábulos. Às vezes um ou outro tratador acaba se contaminando. É um pesadelo chamado mormo.


Dulce: Nunca ouvi falar. E como é que se trata isso?


É claro que ela faria a única pergunta que eu não queria responder. Eu devia ter esperado por isso.


Tentei rebater as imagens do incidente na fazenda do finado senhor Dornelles, das carcaças dos animais em chamas naquela imensa fogueira, o cheiro acre da fumaça impregnado em meus cabelos, em minha pele, em minha alma.


Christopher: Com os cavalos, não há muito a fazer além de... — Minha voz, mesmo que eu tenha me esforçado muito para mantê-la estável, me traiu.


Dulce me encarou por um momento, os olhos perdendo o foco, como se ela estivesse presa em uma memória. Pela palidez e pela maneira como seus joelhos bambearam, suspeitei de que não fosse uma lembrança agradável.


Dulce: Ah, meu Deus, Christopher! — Ela tombou para o lado. Passei o braço em torno de sua cintura, impedindo que ela caísse.


Acomodei Dulce na cadeira verde mais próxima e olhei para a porta do quarto onde estava Christian, meu coração se condoendo. Tão jovem. Christian era ainda tão jovem. Tinha uma vida inteira esperando para ser vivida, provavelmente muitos sonhos, tantos planos a serem concretizados.


Tudo em vão. O homem sobre aquela cama não teria sequer uma chance.


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Autor(a): delenavondy

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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 108



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  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:06:00

    O Ucker é um verdadeiro príncipe ♥️ quase chorei com ele

    • delenavondy Postado em 04/11/2021 - 18:20:56

      <3

  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:05:21

    AFF que perfeito sua fic&#9829;&#65039; amei amei amei

  • taianetcn1992 Postado em 02/11/2021 - 07:53:42

    Aí meu deus, ameiii essa maratona, já quero mais como sempre &#128584;

    • delenavondy Postado em 02/11/2021 - 21:13:50

      Que bom <3 Vou terminar hoje os últimos capítulos

  • mandinha.bb Postado em 29/10/2021 - 14:22:04

    Estou megamente ansiosa por mais, sinto que logo eles encontram a Any, ainda mais agora que o Ucker recobriu a memória e acho que o cara que estava preso com o Ucker tem algo no meio, esse amigo dele deve estar com a pessoa que está com a Any, muito estranho o comportamento dele... Continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa plisssssssssssssssssssssssssssssssssss

    • delenavondy Postado em 30/10/2021 - 00:24:37

      já já posto mais...

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:47

    ansiosa pelos proximos

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:36

    quero mais

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:28

    voltaaaaaa

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:21

    kd vc ?

    • delenavondy Postado em 29/10/2021 - 00:17:17

      Desculpe, estou meio ocupada esses dias. Mas amanhã trago mais capítulo ok !

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:09

    pelo amor de deus

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:01

    mais mais mais


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