Fanfics Brasil - Capítulo 67 Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy)

Fanfic: Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy) | Tema: Vondy, Romance, Adaptação


Capítulo: Capítulo 67

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Se havia uma coisa que eu já tinha entendido a respeito daquele século, era que o tempo era precioso. Assim que se recuperou do choque, Dulce procurou uma das enfermeiras e avisou que precisávamos falar com o médico de Christian.


Ela não conseguiu localizá-lo, de modo que decidimos ir em seu encalço. Dulce me fazia perguntas que eu não queria responder. Então, apenas segurei sua mão e garanti que tudo ficaria bem, embora soubesse que era uma grande mentira.


Encontramos o médico cerca de dez minutos depois, sentado a uma mesa do que parecia ser um restaurante bem no meio do hospital. O jovem, na casa dos vinte e poucos anos, consultava um livro enquanto bebericava uma xícara de café.


Dulce o abordou sem muita sutileza e se apressou em lhe contar sobre minha suspeita. O rapaz a ouviu com cara de enfado a princípio. E um pouco mais interessado depois que eu me intrometi, aprofundando-me nos sintomas. Ele começou a revirar as páginas, os dedos correndo no rodapé.


****: Mormo — ele leu. Uma careta surgiu. — Pode ser uma possibilidade, mas acho difícil. É uma doença quase extinta. — Então marcou a página com uma caneta, fechou o volume e me estudou. — Como sabe tanto sobre essa doença?


Christopher: Crio cavalos — respondi, ao mesmo tempo em que Dulce dizia:


Dulce: Ele é veterinário.


****: Humm... — resmungou, desconfiado. — As doenças não se manifestam em humanos da mesma maneira que nos animais.


Christopher: Estou ciente disso. — Trinquei a mandíbula. Era isso ou sacudir aquele moleque. — Mas já vi alguém doente de pneumonia e outra pessoa que contraiu mormo. A princípio podem ser semelhantes, mas os sintomas começam a diferir conforme a doença progride. E Christian teve contato com um cavalo cerca de quinze dias atrás.


O médico cruzou os braços.


****: A vigilância sanitária tem uma política muito rígida no que se refere ao mormo.


Christopher: Não estou questionando isso. Muitos criadores que conheço também foram cautelosos. Não permitiam que novos animais entrassem no estábulo antes de um período de quarentena. E isso não impediu que a doença se instalasse em suas propriedades.


Ele se levantou abruptamente, a cadeira correndo pelo piso claro. Estava irritado comigo, disso eu não tinha dúvida.


****: Muito bem. Pedirei um novo exame apenas para descartar essa hipótese. Mas já adianto: não acredito que seja mormo.


Presumi que ele iria imediatamente até o quarto examinar Christian, como prometera. Mas foi apenas até a sala onde uma placa com a palavra “enfermagem” fora pendurada, conversou com um enfermeiro e foi embora. O rapaz se dirigiu ao quarto de Christian e o exame foi feito. Não pude ver os procedimentos, pois Dulce e eu fomos impedidos de entrar.


****: Até sair o resultado, o doutor Inácio alertou que ele não deve receber mais visitas — avisou o rapaz de cabelos ruivos encaracolados ao sair do quarto com uma bandeja prateada nas mãos.


Dulce o fuzilou com os olhos, mas não discutiu. Assim que ele desapareceu em uma das portas do corredor, ela se sentou em uma das cadeiras verdes, carrancuda. Ocupei o assento a seu lado.


Christopher: Gostaria de poder fazer alguma coisa por Rafael — murmurei.


Dulce: Eu também, Christopher.


Christopher: Por que mentiu para o médico dizendo que sou veterinário? — perguntei, curioso. — O que isso significa?


Dulce: Eu não menti. Você é veterinário, não importa que não tenha feito faculdade. Você cuida dos animais com o que dispõe. E é muito bom nisso.


Senti o rosto esquentar.


Christopher: Não tão bom quanto gostaria, senhorita Dulce. — Afinal, cada vez que meu limitado conhecimento me deixava à deriva e eu tinha de sacrificar um de meus animais, uma parte de mim parecia extinguir-se.


Dulce: Sabe o que mais me machuca? — Ela então fixou os olhos nos meus. — Ouvir você dizer “senhorita Dulce”. Isso dói demais, Christopher, porque eu sou a senhora Uckermann já tem tanto tempo e... Bem, no começo eu odiava, mas agora gosto. Adoro ser a sua senhora Uckermann, e toda vez que você me chama de senhorita é como se tudo o que vivemos tivesse sido apagado.


Minha senhora Uckermann.


Um misto de orgulho e dor me dominou. Eu a puxei para perto pelos ombros, como tantas vezes desejei fazer, mas não ousava.


Christopher: Tentarei me lembrar disso. — Beijei seus cabelos. — A última coisa que quero é magoá-la. Lamento tanto, senh... Dulce. Desculpe por não lembrar. Estou tentando. Estou lutando para transpor esse muro de nada dentro da minha cabeça, mas, quanto mais eu tento, parece que mais me distancio.


Dulce: Sei disso. — Ela enredou os dedos em minha camisa. — Não é culpa sua, Christopher. Então não se desculpe, por favor.


Meu peito foi preenchido por um sentimento agridoce ao vislumbrar sua coragem e sua força para ocultar a mágoa, enquanto uma sensação esquisita, um zumbido insistente, ressoou por minha cabeça, como se sugerisse que eu deixava passar algo muito importante.


Mas, diabos, o quê?


Permanecemos abraçados, esperando por notícias de Christian. Mas as que chegaram não foram animadoras. Ele havia piorado muito na última hora. A ponto de ser levado para uma área chamada unidade de tratamento intensivo, onde, ao que parecia, apenas pessoas com algum risco eram internadas.


Eu desejei estar errado. Desejei ter me equivocado quanto aos sinais, mas o doutor Inácio apareceu no fim daquela tarde e confirmou meus temores.


****: O exame deu positivo para mormo. Vamos entrar com a medicação correta e ver como ele reage. Vou notificar a vigilância sanitária para que possam tomar as devidas providências.


Estávamos no corredor, em frente a uma larga porta com as letras UTI gravadas em tinta negra. Maite apenas assentiu para o médico, pois seu choro a impedia de formular palavras. Dulce, abraçada a ela, lutava contra as lágrimas.


O médico começou a se afastar. Eu o alcancei antes que desaparecesse outra vez.


Christopher: Doutor, o senhor mencionou uma medicação para combater a doença. Isso... isso é verdade? Existe tratamento para mormo? Christian tem chance? — Por favor, diga que sim.


Ele pousou uma das mãos em meu ombro. E foi assim que eu soube que as palavras que ele ia proferir não eram nada boas. O gesto era o mesmo que o doutor Almeida repetira a cada fim de tarde depois de sair do quarto de meu pai.


Peguei-me pensando se isso era ensinado no curso de medicina.


****: Não vou enganar você, Christopher. O tratamento não é tão eficaz, embora exista algum para os humanos, diferente do que acontece com os cavalos. O estado de Christian é grave. A doença está evoluindo rapidamente. Vou introduzir a medicação indicada para esse caso e rezar para que não seja tarde demais. Se eu fosse você, faria o mesmo.


Christopher: Eu... — lutei contra o nó que obstruiu minha garganta — ... agradeço pela franqueza.


****: Acho que sou eu quem deve agradecer. Jamais teria suspeitado de mormo se você não tivesse mencionado. — Ele apertou meu ombro com firmeza.


Eu o observei desaparecer no corredor apinhado de gente, então olhei para o outro lado, para as duas mulheres aos prantos. Suprimindo meus sentimentos da melhor maneira que pude, juntei-me a elas e tentei oferecer palavras de conforto. Era tudo o que eu podia fazer naquele instante, além de seguir a recomendação do médico.


O som de sapatos repicando no piso frio me fez virar a cabeça. Uma enfermeira de origem oriental acompanhava uma mulher. Elas pararam diante de nós.


Dulce: Detetive Santana! — Dulce exclamou, secando o rosto e soltando a amiga.


****: Desculpem. Percebo que o momento não é dos melhores, mas eu realmente preciso falar com vocês dois. — E olhou para mim.


Christopher: Do que se trata? — eu quis saber. “Polícia civil”, lia-se na lateral de sua camisa preta. Ser abordado pela guarda nunca era boa coisa.


****: Consegui as imagens da câmera de segurança. Quero que me acompanhem até a sala de vídeo.


Dulce: Mas a Maite... — começou Dulce.


****: Eu fico com ela — a enfermeira se prontificou, passando um braço pela cintura da jovem.


Maite: Tudo bem, Dulce. Pode ir. — Maite secou as bochechas nas costas da mão e tentou sorrir. — Não vou sair daqui, de todo jeito. Pode ser importante.


****: Você nem imagina quanto. — A investigadora começou a andar.


Dulce beijou a amiga e eu me despedi, curvando-me sobre sua mão e beijando-lhe o dorso. Ela sorriu, agradecida, e apertou meus dedos antes que eu os soltasse e fosse atrás de Dulce.


A policial marchava como um bravo soldado nos corredores iluminados de branco, mas Dulce e eu ficamos um pouco mais para trás.


Christopher: O que está acontecendo, senh... Dulce? Por que a guarda está procurando por nós?


Dulce: Ah... Você não lembra. — Ela mordeu o lábio, mas manteve o olhar na jovem mais à frente.


Christopher: E você não respondeu a minha pergunta. — Muito embora eu soubesse, sentisse que não ia gostar da resposta.


Dulce confirmou isso ao se deter, o rosto sério, o olhar intenso recaindo sobre mim. Pegando minha mão e a pressionando de encontro ao peito, no local exato onde seu coração pulsava alvoroçado, ela me disse:


Dulce: Tá legal, quero que você me escute agora e não diga nada até eu terminar...


 


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Autor(a): delenavondy

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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 108



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  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:06:00

    O Ucker é um verdadeiro príncipe ♥️ quase chorei com ele

    • delenavondy Postado em 04/11/2021 - 18:20:56

      <3

  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:05:21

    AFF que perfeito sua fic&#9829;&#65039; amei amei amei

  • taianetcn1992 Postado em 02/11/2021 - 07:53:42

    Aí meu deus, ameiii essa maratona, já quero mais como sempre &#128584;

    • delenavondy Postado em 02/11/2021 - 21:13:50

      Que bom <3 Vou terminar hoje os últimos capítulos

  • mandinha.bb Postado em 29/10/2021 - 14:22:04

    Estou megamente ansiosa por mais, sinto que logo eles encontram a Any, ainda mais agora que o Ucker recobriu a memória e acho que o cara que estava preso com o Ucker tem algo no meio, esse amigo dele deve estar com a pessoa que está com a Any, muito estranho o comportamento dele... Continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa plisssssssssssssssssssssssssssssssssss

    • delenavondy Postado em 30/10/2021 - 00:24:37

      já já posto mais...

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:47

    ansiosa pelos proximos

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:36

    quero mais

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:28

    voltaaaaaa

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:21

    kd vc ?

    • delenavondy Postado em 29/10/2021 - 00:17:17

      Desculpe, estou meio ocupada esses dias. Mas amanhã trago mais capítulo ok !

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:09

    pelo amor de deus

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:01

    mais mais mais


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