Fanfics Brasil - Capítulo 80 Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy)

Fanfic: Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy) | Tema: Vondy, Romance, Adaptação


Capítulo: Capítulo 80

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O sol já ia alto. O céu sem nuvens fazia daquela uma manhã perfeita para a pesca. Quem sabe no dia seguinte. Tudo o que eu queria era uma boa cama e mais nada. Tinha cavalgado quase a noite toda e estava perto de casa agora.


Graças a Deus, pois estava todo dolorido. Não gostava de me ausentar por tanto tempo, e havia deixado Anahí sozinha por quase uma semana inteira. Minha irmã era gentil demais para se queixar, mas eu sabia que se sentia solitária, mesmo tendo Madalena e Gomes por perto. Além do mais, eu me sentia extremamente ansioso por voltar, embora não pudesse precisar o motivo.


Tive de refrear a vontade de esporear Meia-Noite para acelerar a corrida assim que atingi os limites de minha propriedade. Ele também estava cansado, pois tínhamos parado apenas uma vez. Tomei a estrada que me levaria para casa, já antecipando a alegria de Anahí. No entanto, por um breve instante pensei que toda aquela cavalgada alucinada tivesse derretido meus miolos, pois avistei um brilho dourado esvoaçando perto do cedro.


Encurtei as guias e me inclinei, fazendo Meia-Noite disparar. Conforme eu me aproximava, o reluzir se tornava mais e mais nítido, até que percebi que não se tratava de uma aparição, e sim de uma jovem. Ela estava no chão, e, pela expressão em seu rosto, suspeitei de que não era para descansar.


Parei bem perto dela, pulando da sela rapidamente, apenas para hesitar quando os grandes olhos castanhos encontraram os meus. Seu olhar se tornava mais intrigante com aqueles cílios escuros e longos. Senti-me tragado pelo marrom intenso, como se caísse em um profundo abismo, em um vórtice vertiginoso em que tudo o que eu podia fazer era cair, cair e cair...


Meu coração enlouqueceu, como se não soubesse o que fazer. Desacelerou, errou uma batida, disparou feito louco. Isso se repetiu por alguns segundos. Ele estava... dançando?


A jovem piscou, libertando-me de seu encanto, e aproveitei para examinar seu rosto em busca de sinais que pudessem explicar a razão pela qual ela se encontrava caída em minhas terras. Comecei pela boca rosada, então o nariz delicado que carregava um ar de petulância, o queixo ligeiramente elevado com atrevimento. Sua pele clara parecia ser tão macia quanto o mais fino veludo. E estava maculada de vermelho.


Por Deus, o que havia acontecido com ela?


O talho em sua testa deixou claro o que havia acontecido: aquela jovem fora atacada. E em minhas terras. Procurei em volta apenas por instinto. É claro que os bastardos haviam fugido àquela altura.


Christopher: Está bem, senhorita? — perguntei, estupidamente, ao me aproximar dela.


Claro que ela não estava bem. O pavor era nítido em seus olhos. Pobrezinha.


Era incompreensível que alguém tivesse tido coragem de atacar uma jovem tão delicada e indefesa. Como tinham se atrevido a assustar alguém tão frágil?


Dulce: O-o quê? — sussurrou ela, com a voz tão abalada que tive de me inclinar um pouco para poder ouvi-la.


Christopher: A senhorita tem um ferimento na cabeça. Está sangrando muito.


Estaria ferida em outras partes? Desci os olhos por seu corpo, procurando algum indício de ferimento ou sangue, mas tudo o que encontrei foi um pouco de grama e pele cor de alabastro. Muita pele, aliás. Apenas uma tira azul cobria seus quadris, e uma camisa branca sem mangas era tudo o que protegia seu tronco. E, por Deus, todo o restante estava ali, exposto, para o deleite de meus olhos.


Mas que diabos. Que espécie de homem eu me tornara, que não conseguia parar de olhar para as belas e muito bem feitas coxas daquela pobre moça ferida?


Sim, era a primeira vez que eu via pernas em toda sua magnitude, e não por meio das gravuras de livros que não me orgulhava muito de olhar vez ou outra. E, sendo franco, nenhum daqueles desenhos beirava a perfeição do que eu tinha bem à minha frente agora. Um tornozelo aqui e acolá quando a crinolina se eriçava por conta de um movimento mais brusco era toda a sorte que um cavalheiro podia esperar. Mas aquilo? Pernas completamente perfeitas em tantos graciosos detalhes?


Um suspiro suave escapou-lhe, fazendo-me perceber que eu a fitava de uma maneira que provavelmente apenas a assustaria ainda mais.


Estúpido!


Envergonhado por assediar a frágil jovem, voltei a observar seu rosto e jurei que jamais voltaria a olhar para qualquer lugar abaixo de seu pescoço.


Para minha sorte, minha falta de compostura — ou educação — lhe passou despercebida. Ela contemplava os arredores como se tentasse entender o que via.


Eu, porém, concentrei-me no talho em sua testa. Apesar de pequeno, o corte era profundo. Só esperava que não houvesse a necessidade de uma sutura.


Instintivamente, ergui a mão para tentar estancar o sangramento, mas me detive.


Ela parecia assustada, atordoada até. Ter mais um estranho a tocando não faria nenhum bem.


E se os assaltantes tivessem lhe roubado bem mais que alguns pertences? E se ela se encontrasse naquele estado seminu por uma razão ainda mais alarmante?


Minhas mãos se fecharam, e subitamente senti um desejo incontrolável de bater em alguma coisa.


Christopher: O que aconteceu? Parece assustada e... suas roupas... hã...


Dulce: Cadê a cidade? — ela atalhou.


Não. Não podia ser isso, podia? Se ela tivesse sido molestada, não estaria agora preocupada com sua localização. E haveria outros sinais. Marcas que suas parcas vestes não seriam capazes de esconder.


Christopher: Foi de lá que a senhorita veio?


Ela se agarrou à gola de meu paletó e, olhando em volta, desatou a fazer perguntas sem sentido, os olhos dardejando. Definitivamente, eu queria socar alguma coisa.


Não sei ao certo o que me atingiu primeiro, se o seu perfume — doce como uma manhã de primavera — ou o calor de sua pele perpassando minhas roupas e incendiando meu peito. Minhas mãos suadas tremeram na ânsia de tocá-la, a boca ficou seca enquanto eu só conseguia fitar a dela. Desejei enterrar os dedos entre seus cabelos para descobrir se eram tão macios quanto eu imaginava.


Havia alguma coisa errada comigo, disso eu estava certo. Meu coração batia de maneira diferente, errante, uma batida atropelando a outra.


Uma lágrima de sangue desceu por sua têmpora, trazendo minha atenção para o que realmente importava.


Christopher: Melhor levá-la até minha casa e chamar o médico. Depois arrumarei uma carruagem para levá-la até sua casa.


Ela concordou, fitando-me com a testa franzida. Já nos conhecíamos? Eu achava difícil, pois me lembraria dela. Mas algo naquela garota parecia me dizer que já tínhamos nos visto antes.


De súbito, ela soltou meu paletó, deixando-me com uma estranha sensação.


Caindo de novo.


Recompondo-me, ofereci ajuda, pois me pareceu que naquele estado ela não seria capaz de se firmar sobre as próprias pernas sozinha. Ela concordou com a cabeça outra vez. Seus dedos quase tocaram os meus, então ela os puxou bruscamente.


Dulce: Carruagem?


Sangue ainda gotejava da ferida em sua testa, e isso estava me deixando nervoso.


Christopher: Talvez seja mais prudente permitir que o doutor Almeida a examine primeiro. Um ferimento na cabeça pode ser muito perigoso. — Ou até mesmo fatal.


Estremeci ao pensar nessa possibilidade.


Dulce: Não é nada. Nem sei como aconteceu. Você também viu aquela luz?


Christopher: Luz? Refere-se à luz do sol?


Dulce: Não! A luz branca insuportável que fez tudo desaparecer! — ela esbravejou, consternada.


Presumi que fosse normal, depois de ter sofrido um ataque, ela estar abalada e não dizer coisa com coisa.


Consegui persuadi-la a me acompanhar até em casa. Dessa vez ela aceitou minha ajuda, mas quase desfiz o contato. Sua mão na minha queimava, como se eu tivesse mergulhado os dedos nas labaredas de uma fogueira. Um rugido feroz me sacudiu por dentro.


Levantar-se deve ter causado algum mal-estar na jovem, pois ela balançou, de modo que passei o braço ao redor de sua cintura fina, amparando-a, e tentei o melhor que pude ignorar aquele grito infernal que demandava que eu a beijasse.


Christopher: Não é prudente que uma jovem como a senhorita fique sozinha neste lugar, ainda mais com seus trajes nestas condições — tagarelei, ridiculamente instável com tamanha proximidade, enquanto a guiava até Meia-Noite.


Dulce: Por que está vestido desse jeito? Estava indo para alguma festa? — Ela tocou a lapela de meu casaco.


Christopher: Estou voltando de uma viagem longa.


Dulce: Não acha que seria melhor usar uma roupa mais confortável? E por que você foi a cavalo?


Christopher: Creio que estou vestido adequadamente, senhorita. E prefiro ir a cavalo. É bem mais rápido que a carruagem. — E muito mais prazeroso. Não havia nada melhor que sentir o vento batendo no rosto, sacudindo as roupas, o trote vigoroso do animal fazendo o sangue correr rápido. Bem, não havia nada melhor que eu já tivesse experimentado. Podia apostar que beijar aquela dama seria algo... Pare de pensar nisso! — Contudo, sei que é pouco prudente de minha parte. Muitas coisas mudaram nessa última década. Acredito que não seja mais tão seguro, com tantos vândalos e golpistas por aí se aproveitando de viajantes solitários. — Eu a olhei de soslaio. Não sabia como abordar o assunto sem lhe causar agitação.


Ela já parecia instável o bastante.


Dulce: Ah! Não. Eu não fui atacada por ninguém. Eu não sei o que aconteceu. — Ela se deteve ao alcançar Meia-Noite. — Num minuto, eu estava na praça e, segundos depois, estava aqui neste... campo, e tudo... puf! — Ela gesticulou com as mãos. — Sumiu.


Christopher: Tenho certeza que se lembrará de tudo assim que sua cabeça melhorar. Mas penso que foi atacada por ladrões sem escrúpulos. Seria essa a única explicação para terem deixado uma dama nestas condições! — E fitei minhas botas.


Dulce: Que condições?


Christopher: Suas vestes, senhorita. Mal posso crer na audácia de tais bárbaros! — Não podia acreditar que tiveram a audácia de tocar nela. Se não estivesse tão preocupado com sua cabeça, teria montado Meia-Noite e revirado as redondezas até encontrar aqueles malditos e dar-lhes uma boa surra.


Dulce: O que é que tem minhas roupas? — A jovem examinou suas parcas vestes como se não entendesse.


Diabos, toda aquela falação só estava nos atrasando. E eu ainda teria de ir buscar o médico depois que a deixasse confortavelmente instalada em minha casa.


Christopher: As coisas mudaram muito depressa, como eu disse. Não acho prudente que mais alguém a veja praticamente sem... — Não acredito que estou tendo essa conversa. — ... roupas.


Dulce: Como assim, sem roupas? — Ela apoiou as mãos na cintura, desvencilhando-se de meu toque. Seu olhar reluzia faíscas furiosas, o queixo empinado com indignação, a boca puro atrevimento.


Aquele rugido bestial se repetiu dentro de mim. Eu tinha de beijá-la.


Ah, esplêndido. Eu estava me transformando em um libertino. O primeiro libertino virgem da história da humanidade. Eu teria rido se uma súbita e incômoda fisgada na virilha tivesse me permitido. Reprimi um grunhido e inspirei fundo. Eu era um homem, pelo amor de Deus, não mais um garoto de quinze anos com o corpo e os hormônios fora de controle.


Eu disse alguma coisa a ela e, mal a tocando para evitar pensamentos indesejados, indiquei que subisse.


A moça, porém, recuou.


Dulce: Sabe de uma coisa? Eu tô legal! Vou tentar descobrir como cheguei aqui e depois vou voltar para casa. Mas valeu pela ajuda, moço.


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Autor(a): delenavondy

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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 108



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  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:06:00

    O Ucker é um verdadeiro príncipe ♥️ quase chorei com ele

    • delenavondy Postado em 04/11/2021 - 18:20:56

      <3

  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:05:21

    AFF que perfeito sua fic&#9829;&#65039; amei amei amei

  • taianetcn1992 Postado em 02/11/2021 - 07:53:42

    Aí meu deus, ameiii essa maratona, já quero mais como sempre &#128584;

    • delenavondy Postado em 02/11/2021 - 21:13:50

      Que bom <3 Vou terminar hoje os últimos capítulos

  • mandinha.bb Postado em 29/10/2021 - 14:22:04

    Estou megamente ansiosa por mais, sinto que logo eles encontram a Any, ainda mais agora que o Ucker recobriu a memória e acho que o cara que estava preso com o Ucker tem algo no meio, esse amigo dele deve estar com a pessoa que está com a Any, muito estranho o comportamento dele... Continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa plisssssssssssssssssssssssssssssssssss

    • delenavondy Postado em 30/10/2021 - 00:24:37

      já já posto mais...

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:47

    ansiosa pelos proximos

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:36

    quero mais

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:28

    voltaaaaaa

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:21

    kd vc ?

    • delenavondy Postado em 29/10/2021 - 00:17:17

      Desculpe, estou meio ocupada esses dias. Mas amanhã trago mais capítulo ok !

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:09

    pelo amor de deus

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:01

    mais mais mais


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