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Fanfic: Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy) | Tema: Vondy, Romance, Adaptação


Capítulo: Capítulo 83

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Libertei seus lábios, embora isso me doesse na alma. Ela abaixou a cabeça, uma das mãos agarrada a meu pescoço, a outra deslizando para o bolso de sua... bem, acredito que aquilo fosse uma roupa, embora mal cobrisse seus quadris. De lá, ela retirou um artefato prateado que reluzia tal qual uma estrela. Ele era a fonte do zunido. A julgar pela falta de cor em suas feições, também era a fonte de seu terror.


A jovem ergueu aqueles olhos castanhos para mim, a dor e o medo tão densos e profundos que os tornaram quase negros. Seus dedos trêmulos se desprenderam de meu pescoço apenas para encontrar outro porto seguro: um delicado relicário aninhado em seu decote.


Christopher: Isso veio buscá-la, não é? — perguntei com a voz instável, fitando aquele artefato luminoso.


Ela negou com a cabeça, as lágrimas descendo pelas bochechas pálidas.


Dulce: Não, Christopher. Ele vai levar você e tudo... tudo o que nós construímos juntos. Mas não a mim. Acabou, Christopher.


Eu não entendia o que ela queria dizer, mas de uma coisa estava certo: eu não permitiria que acabasse algo que parecia estar apenas começando. Por isso tomei de suas mãos o que quer que aquela coisa fosse.


Dulce: Christopher, não!


Mas já era tarde. Atirei a peça com tanta força que ela voou por uns oito segundos antes de se encontrar com a fachada da igreja. E então explodiu.


Curvei-me sobre a jovem, protegendo-a como podia, mas foi difícil, já que ela tentou se desvencilhar de mim.


Dulce: O que você fez? — Ela me empurrou, o desespero a fazendo tremer por inteiro.


Christopher: O que julguei necessário.


Algo zumbiu perto de minha orelha. Um fogo de artifício que se deteve apenas ao encontrar a copa de uma árvore. A batalha estava avançando.


Christopher: Venha. — Eu a segurei pelo cotovelo, estudando o melhor trajeto para escaparmos dali.


Dulce: Para onde? Não temos mais a máquina do... Aaaahhh!! — Ela se abaixou segundos antes de outro foguete passar muito perto de seus cabelos.


Não esperei mais nada. Coloquei-a na direção certa e, ainda segurando seu braço, comecei a correr, embrenhando-nos na multidão que também recuava, assustada.


Ela tropeçava muito, pálida e com os olhos ainda marejados, enquanto avançávamos. Em determinado momento, ela me puxou, alterando nosso curso.


Alcançamos a rua. Cabines metálicas estavam paradas bem no meio da via, luzes brilhantes piscavam na parte inferior dianteira. Os rostos ali dentro demonstravam impaciência.


Dobramos a esquina, e uma rua relativa e abençoadamente vazia nos recebeu. A jovem me segurou pela roupa, empurrando-me de encontro à parede fria. Eu devia ter imaginado algo assim. Não se pode sair por aí beijando uma garota cujo nome nem se sabe ainda e não esperar um bom acerto de contas.


Dulce: Por que você destruiu o celular? Agora nenhum de nós vai conseguir voltar, Christopher!


Christopher: E por isso mesmo o destruí. Não sei para onde ou como ele ia me levar, mas estou certo de que era para longe de você.


Ela acenou com a cabeça uma vez, o rosto parcialmente oculto pelas sombras.


Christopher: Então eu fiz bem — continuei. — Um mundo sem a senhorita não me parece um lugar bom para estar.


Uma explosão fez o chão sob minhas botas tremer. Um sujeito dobrou a esquina correndo, passando a centímetros dela. Eu a puxei para o lado, colocando-me sua frente. Não demorou muito para que um homem uniformizado surgisse em seu encalço. Um guarda da cavalaria veio logo a seguir. O cavaleiro conseguiu alcançar o fugitivo primeiro e, quando chegou perto o bastante, saltou sobre ele.


Os dois começaram a lutar. O policial que seguia a pé se juntou à briga.


Christopher: Temos de ir — eu disse a ela, com urgência. — Para onde devo levá-la?


Dulce: Eu não sei! Temos que ficar aqui e esperar sua...


Outra explosão aconteceu em meio à briga. As labaredas do fogo de artifício que o fugitivo disparou contra os homens da lei se avultaram sobre um deles. Ele rolou no chão, praguejando, debatendo-se contra as chamas em sua calça. O outro policial lutava com o fugitivo, protestante, arruaceiro ou o que quer que ele fosse. O cavalo, assustado, disparou rua abaixo.


Pegando a jovem pelo cotovelo com a maior delicadeza que pude mediante a urgência de tirá-la dali, eu a levei para o outro lado da rua, conservando o corpo na frente do seu. Ela relutava, entretanto.


Dulce: Christopher, não. Temos que ficar aqui.


Christopher: De maneira alguma permitirei que fique no meio desta guerra!


Dulce: Mas nós temos que... Ahhh! — Ela gritou quando, impaciente, eu me abaixei e a joguei sobre um ombro. — Christopher, para! Não podemos sair daqui! Ainda que a máquina...


Christopher: Inferno. — Estávamos quase na esquina agora, mas avistei um grupo surgir no fim da rua. Trazia pedaços de madeira nas mãos e o rosto marcado pela obstinação.


Dulce: O que... Ah, merda — ela praguejou quando viu o que se aproximava.


O cavalo da guarda passou por mim, perdido e assustado. E era exatamente o que eu precisava. Levei a jovem até o meio do quarteirão e a coloquei sobre os próprios pés, oculta nas sombras de uma árvore.


Christopher: Fique aqui — eu disse a ela, mirando o cavalo pouco mais à frente.


Dulce: Christopher, você ficou louco? — Ela me puxou pela camisa. — Não pode roubar um cavalo da polícia!


Christopher: Não pretendo roubar. Apenas pegarei emprestado.


Dulce: Mas, Christopher, nós temos...


Christopher: Fique aqui. — E, porque me pareceu a coisa certa a fazer, roubei-lhe um beijo.


Atravessei a rua buscando o olhar do animal. Não consegui precisar sua linhagem. Era alto como um holsteiner, gracioso como um sela francês, musculoso e imponente tal qual um puro-sangue inglês. Talvez fosse resultado de cruzas das três raças, ponderei. De qualquer maneira, era um magnífico animal.


E um tanto arisco, já que fora treinado para obedecer apenas aos comandos do guarda caído em algum lugar na rua de cima. Ainda assim, tentei uma aproximação amistosa, mantendo seus olhos sempre fixos nos meus. Era inteligente o filho da mãe. A cada vez que eu tentava alcançá-lo pela direita, ele se esquivava para o lado oposto, sempre dando um passo à frente, pronto para disparar. Ergui as mãos e me coloquei em seu campo de visão. Alarmado, o animal resfolegou, empinando.


Christopher: Calma, não vou machucá-lo. Só preciso da sua ajuda. Vamos lá, rapaz. — Tentei chegar mais perto. O cavalo recuou, patinando no piso duro e áspero, os grandes olhos negros acompanhando cada movimento meu. — Tranquilo. Não vou feri-lo.


Eu estava perto o suficiente para estender a mão e pegar a rédea que lhe caía na lateral. Fiz tudo isso devagar, paciente. Ele bufou uma vez, mas, tão logo toquei seu focinho e permiti que desse uma boa cheirada em mim, a tensão em seu corpo cedeu.


Christopher: Isso mesmo, apenas preciso da sua ajuda.


Enfiando o pé no estribo, subi em seu lombo. Experimentei alguns comandos para ter certeza de que ele não se rebelaria. Quando senti que era seguro, levei-o até onde a jovem aguardava. Desviei da copa da árvore e lhe estendi a mão.


Ela olhou para o lado, para o grupo armado com tocos que gritava palavras de ordem e raiva, e de volta para mim.


Dulce: Você ficou doido! — Mas aceitou minha mão.


Ofereci o pé a ela, para que tivesse apoio e ganhasse impulso. Ela conseguiu se acomodar entre meus braços com certa facilidade. Familiaridade até.


Então cutuquei as costelas do cavalo, afastando-nos do grupo que subia e deixando aquela batalha para trás em alta velocidade. Nunca em toda minha vida me metera em uma situação como aquela. E, mesmo com toda a confusão, sentia-me contente. Foi naquele caos que a encontrei. Ainda sentia a boca formigando pelo toque de seus lábios. Meu coração continuava executando aquele ritmo estranho que lembrava uma dança.


Christopher: Venha comigo — ouvi-me dizendo.


Dulce: Para onde?


Christopher: Para a minha casa. Moro perto de uma pequena vila, um lugar calmo que destoa e muito deste aqui, mas lá poderei protegê-la. Lá não existirão objetos misteriosos perseguindo você.


Dulce: Christopher...


Christopher: Eu lhe darei o meu nome. Um lar. — E o meu coração, desejei acrescentar, mas temi assustá-la. — Tenho uma boa renda. Serei capaz de lhe dar tudo o que desejar.


Ela se virou em meus braços, o rosto a um suspiro do meu.


Dulce: Você está me pedindo em casamento?


Não pude evitar grunhir.


Christopher: Obviamente não de maneira apropriada, tampouco romântica, mas, sim, eu estou.


Ela inclinou a cabeça de leve, e um de seus cachos escorregou por seu ombro.


Dulce: Mas você nem sabe o meu nome! Não sabe nada sobre mim. Como pode me pedir em casamento?


Christopher: Posso pedi-la em casamento por infinitas razões. Mas meu corpo está pinicando agora. Na verdade, começou no instante em que nossos olhares se encontraram, no meio daquela confusão. É como um formigamento, só que dentro dos ossos. Sinto no corpo todo. Ou se trata de um caso grave de paixão aguda, ou estou tendo um ataque de apoplexia neste exato instante.


Ela riu, e o som de sua risada reverberou em meu peito, aquecendo-o.


Definitivamente, não se tratava de um caso médico.


Dulce: Não acredito que você se apaixonou por mim de novo.


De novo?


Eu tinha a intenção de perguntar o que ela quis dizer com aquilo. Tinha mesmo.


Mas como um homem é capaz de formular um pensamento que seja quando a mulher que lhe roubou os pensamentos e o coração lhe furta também um beijo?


Não, é impossível. Ao menos para esse homem.


Dulce: Christopher, eu caso com você. Caso quantas vezes você me pedir. Mas temos que voltar para aquela praça. A Anahí pode...


Uma sineta ecoou na noite. Olhei para trás. Uma daquelas cabines vinha em vinha direção, luzes azuis e vermelhas dançando no alto do teto.


Exigi mais do animal, suas patas patinaram ao fazer a curva; aquele tipo de piso não era adequado para uma cavalgada tão rápida. Encurtei as guias um pouco mais e tentei controlá-lo. No entanto, um intenso clarão surgiu a minha frente e parou abruptamente. A montaria se assustou, empinando sobre as patas traseiras.


Só tive tempo de passar os braços ao redor da jovem e rezar para que meu corpo absorvesse o pior da queda. Senti o impacto nas costelas, o ar foi expulso de meus pulmões. Ouvi o gemido de dor dela e o grito de rodas contra o concreto. Olhei para a moça, tingida do vermelho e azul das luzes tremulantes.


Christopher: Você... está bem? — consegui perguntar.


Ela fez que sim com a cabeça. Estava sem fôlego, mas não parecia ferida. Então voltei o olhar para a fonte daquelas luzes. Uma mulher de uniforme preto descia da cabine e se ocultava parcialmente atrás da porta. Uma pistola surgiu.


Uivando de dor, tentei me sentar.


****: Parados! — a guarda ordenou.


Dulce: Somos nós, detetive. — A jovem se apoiou em um cotovelo. — Christopher e Dulce.


Christopher: Dulce — experimentei, enquanto pontos brilhantes dançavam diante de meus olhos. Era um belo nome.


****: Ah, pelo amor de Deus! — A guarda... a detetive hesitou, examinando-nos, então baixou a arma. — Eu disse para não se meterem em nenhuma confusão e vocês decidem roubar um animal da cavalaria?


Do outro lado, a porta da cabine que assustara o cavalo se abriu. Aquele veículo trazia uma pequena placa no teto com a palavra “táxi” iluminada. De dentro dele saiu um rapaz. As luzes coloridas do carro de polícia passaram por seu rosto.


Ele me fitou, as mãos enfiadas nos bolsos da calça, o paletó aberto. Um sorriso lento acentuou a cicatriz na lateral de seu rosto.


****: Você! — rugiu a detetive, voltando a erguer a pistola e mirando a cabeça do rapaz. — Seu filho da mãe! Mãos onde eu possa ver! Cadê a menina?


****: Que menina, detetive? — Ele ergueu as mãos devagar.


****: Não se faça de engraçadinho. Você levou Anahí Uckermann do hospital. Onde é que ela está?


****: Não sei do que você está falando. — Mas seu olhar cruzou com o meu. E, por alguma razão, ele me lançou uma piscadela.


Então o inferno me encontrou.


Minha cabeça foi de encontro ao concreto quando a dor apunhalou meu cérebro.


Dulce: Christopher! — A voz da jovem, Dulce, soou muito longe quando imagens explodiram em minha mente, uma atrás da outra.


Senti as mãos dela em meu peito. Ela parecia dizer alguma coisa, mas eu não conseguia juntar as sílabas e colocá-las em ordem. Tudo o que eu podia ouvir, ver ou sentir eram as imagens em minha cabeça, que continuaram surgindo em um ritmo desordenado e furioso. Com cada nova cena, uma emoção também surgia. Era como se um punhal atravessasse meu cérebro de um lado ao outro, como se meu corpo não suportasse todos aqueles sentimentos de uma única vez.


Senti os olhos revirando nas órbitas.


Uma imagem se sobrepunha à outra, e eu já não sabia o que via, o que sentia.


Pareceu-me que o homem parado na frente das luzes dianteiras do táxi continuava a sorrir. Pareceu-me que uma sombra passou atrás dele. Uma silhueta feminina que pouco a pouco foi perdendo a escuridão e se revelou.


Christopher: Ana... hí.. — tentei dizer. O que ela fazia ali? E que diabos eram aquelas roupas?


Anahí: Christopheeeeer! — minha irmã gritou de volta.


Dulce: O quê? — Dulce olhou para trás.


Anahí estava ali, correndo em minha direção. Eu quis me levantar, quis perguntar como ela tinha chegado até lá, mas a agonia em que me encontrava não permitiu que eu me movesse. As malditas imagens me rasgavam ao meio.


Acompanhei com o olhar a jovem debruçada sobre mim ficar de pé e disparar em direção a Anahí, os braços estendidos. Assisti à minha irmã observá-la com confusão, mas sorrir, ainda que de maneira hesitante. Também a vi se deter e seu rosto se transformar em uma máscara de dor, os olhos revirando nas órbitas.


Dulce: Anahí! — Dulce tentou segurá-la, inutilmente.


O corpo frouxo de minha irmã foi de encontro ao chão no mesmo instante em que fui tragado pela escuridão.


**********************************


 


 


 


Continua...



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Autor(a): delenavondy

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****: O que você fez com eles? — exigiu saber a voz feminina, com firmeza e autoridade. ****: Eu não fiz nada — retrucou a masculina. Dulce: Anahí, você consegue me ouvir? — A terceira voz eu reconheci. Teria de estar morto para não reconhecer. — Christopher? Por favor! Abri os olhos e a primeira coisa que vi foi o ...


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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 108



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  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:06:00

    O Ucker é um verdadeiro príncipe ♥️ quase chorei com ele

    • delenavondy Postado em 04/11/2021 - 18:20:56

      <3

  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:05:21

    AFF que perfeito sua fic&#9829;&#65039; amei amei amei

  • taianetcn1992 Postado em 02/11/2021 - 07:53:42

    Aí meu deus, ameiii essa maratona, já quero mais como sempre &#128584;

    • delenavondy Postado em 02/11/2021 - 21:13:50

      Que bom <3 Vou terminar hoje os últimos capítulos

  • mandinha.bb Postado em 29/10/2021 - 14:22:04

    Estou megamente ansiosa por mais, sinto que logo eles encontram a Any, ainda mais agora que o Ucker recobriu a memória e acho que o cara que estava preso com o Ucker tem algo no meio, esse amigo dele deve estar com a pessoa que está com a Any, muito estranho o comportamento dele... Continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa plisssssssssssssssssssssssssssssssssss

    • delenavondy Postado em 30/10/2021 - 00:24:37

      já já posto mais...

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:47

    ansiosa pelos proximos

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:36

    quero mais

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:28

    voltaaaaaa

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:21

    kd vc ?

    • delenavondy Postado em 29/10/2021 - 00:17:17

      Desculpe, estou meio ocupada esses dias. Mas amanhã trago mais capítulo ok !

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:09

    pelo amor de deus

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:01

    mais mais mais


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