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Fanfic: Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy) | Tema: Vondy, Romance, Adaptação


Capítulo: Capítulo 84

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****: O que você fez com eles? — exigiu saber a voz feminina, com firmeza e autoridade.


****: Eu não fiz nada — retrucou a masculina.


Dulce: Anahí, você consegue me ouvir? — A terceira voz eu reconheci. Teria de estar morto para não reconhecer. — Christopher? Por favor!


Abri os olhos e a primeira coisa que vi foi o rosto da mulher mais linda que eu já contemplara, a um passo de distância, ajoelhada sobre o corpo de Anahí. A cabeça de minha irmã descansava sobre seus joelhos e ela lhe acariciava os cabelos, mas os olhos estavam em mim.


Dulce: Christopher! — ela arfou, tentando se aproximar. Como sustentava o corpo imóvel de Anahí, não conseguiu se mexer muito.


Apoiei-me nos cotovelos para me sentar e reprimi uma imprecação. Diabos, tudo me doía.


****: O que você fez com eles? — A detetive Santana, reconheci, apontava a arma para o homem parado em frente às luzes do táxi com o motor ainda ligado, enquanto se agachava para tocar o pescoço de Anahí. O alívio varreu seu rosto e meu peito.


****: Já disse que não fiz nada — ele respondeu calmamente.


****: Alguma coisa você fez. — Ela se endireitou e firmou a arma na direção do sujeito.


Não consegui ficar de pé, então me arrastei para perto de minha irmã. A mulher a quem meu coração pertencia manejou o corpo de Anahí, de modo que a cabeça dela descansasse em suas coxas, e chegou mais perto.


Dulce: Você tá bem? — perguntou, trazendo a boca para a minha, a mão percorrendo minha cabeça, meu rosto.


Christopher: Estou bem — murmurei com dificuldade, puxando sua palma para minha boca e depositando um beijo ali. — E Anahí? — Cheguei mais perto, pegando seu pulso e o sentindo com a ponta de dois dedos. Estava instável, mas forte até.


Dulce: Não sei, Christopher. Ela está respirando, mas não acorda! Tem certeza que você tá bem?


Christopher: Tenho. Se sobrevivi ao episódio da guerra de rolhas, creio que posso sobreviver a uma queda de cavalo. Não é a primeira vez que isso acontece, como você bem sabe.


Dulce: Mas você bateu a cabeça e... — Ela titubeou por um breve instante. Seu olhar buscou o meu.


Christopher: Isso mesmo, meu amor, eu me lembro de você. A mulher que surgira em minha vida como um meteoro, devastando tudo o que eu conhecia, modificando meu mundo, alterando-o para sempre e o deixando mais bonito, trazendo sentido a ele.


Lembrava-me da mulher que amei desde o primeiro instante, desde o primeiro olhar, que havia me ensinado a enfrentar tudo de maneira diferente, que me mostrara quão maravilhosa a vida pode ser, mesmo quando tudo parece perdido.


Minha mulher. Minha Dulce.


Dulce: Ah, Christopher... — Sua cabeça pendeu para a frente, encontrando apoio em meu ombro. Ela soluçou alto. Pousei uma das mãos em suas costas e a apertei contra mim.


Christopher: Está tudo bem. Vai ficar tudo bem.


Sobretudo se Anahí acordasse logo.


Como se tivesse ouvido meus pensamentos, minha irmã deixou escapar um suave gemido. Dulce e eu nos endireitamos no mesmo instante.


Christopher: Anahí. — Toquei seu rosto. — Pode me ouvir? Anahí, sou eu, Christopher.


****: O que você fazia com a garota? — ouvi a investigadora perguntar outra vez.


****: Ué, o que um taxista faz. Estava levando a menina para o lugar que ela pediu.


Os olhos de minha irmã tremularam.


Christopher: Anahí — chamei de novo.


Dulce: Anahí, acorda. — Dulce tomou sua mão e a esfregou.


Ela abriu os olhos. Um azul intenso e brilhante que demonstrou profunda confusão, mas me causou tanto alívio que pensei ser uma coisa boa eu estar sentado, ou teria tombado de encontro ao chão.


Anahí: Christopher...


Christopher: Estou aqui, querida. — E afaguei seu rosto.


Anahí: Oh, meu irmão! — Ela estendeu o braço e tocou minha bochecha. Lágrimas se empoçaram em seus olhos. — Me perdoe.


Descartei a ideia com um gesto de cabeça.


Christopher: Não há nada que perdoar.


Anahí: Eu não devia ter mexido nas suas coisas. — Então desviou o olhar para Dulce. — Suas coisas, suponho, minha querida irmã.


Dulce: Me desculpa, Anahí. Eu não sabia. — Dulce beijou as costas de sua mão. O lábio inferior de Anahí tremulou.


Christopher: Shhhh... Vai ficar tudo bem — eu disse às duas.


Mas não ia ficar tudo bem, não é? Porque eu havia destruído a única chance que tínhamos de voltar para casa.


Cara*lho!


Estávamos presos naquele tempo para sempre, já que mais uma vez eu fora um cretino que não pensara nas consequências de seus atos. Não importava que eu não me lembrasse dos riscos. Eu tinha feito, de novo, exatamente a mesma coisa que nos colocara naquela maldita situação. Se eu não tivesse me precipitado e escondido o celular de Dulce, nada disso...


Espere um momento.


Christopher: Anahí, precisamos da máquina — eu disse a ela.


Minha irmã tentou se sentar, mas não conseguiu.


Anahí: Que máquina?


Christopher: O celular. O objeto que a trouxe para cá. Precisamos dela para poder ir para casa.


Ela balançou a cabeça.


Anahí: Eu não sei onde está. Devo ter deixado cair quando a polícia apareceu em nossa casa, neste tempo, e me levou para a sede da guarda. — Ela balançou a cabeça. — Foi horrível. Primeiro pensaram que eu fosse uma ladra, depois que havia perdido o juízo. Foi um pesadelo! Tenho tanto para lhe contar...


Christopher: Inferno! — Esfreguei o rosto com raiva. E agora, o quê? O que faríamos?


Anahí: O que foi? — Anahí quis saber, apoiando-se com dificuldade em um cotovelo.


Dulce: Aquela máquina era a nossa única chance de voltar para casa — Dulce respondeu, já que eu não pude. Tudo o que me ocorria era o rosto perfeito e sorridente de Maite. O que aconteceria agora?


Anahí: O que faremos? — minha irmã quis saber.


****: O que você fez com eles? — repetiu a voz autoritária da policial.


****: Já disse que não fiz nada — o sujeito em frente ao táxi disse. — Por que tanta implicância comigo?


Dulce: Eu não sei, Anahí. — Dulce sacudiu a cabeça. — De verdade, eu não sei o que faremos.


****: Acho muito estranho os dois sofrerem convulsões ao mesmo tempo — a investigadora retorquiu.


****: E eu acho muito estranho a detetive desviar sua atenção desse jeito. Tive a impressão de que você estava perseguindo alguém.


Um sussurro reverberou ali perto e foi carregado pelo ar. Os pelos da minha nuca se eriçaram de imediato. Ergui os olhos e pela primeira vez me dei conta de que o taxista na verdade era o meu ex-companheiro de cela.


Também era o filho da mãe que levara Anahí do hospital. A ira me dominou.


Apoiando-me com as mãos, preparei-me para levantar e socá-lo até não poder mais, mas o sibilo voltou a se repetir e me paralisou. O ruído vinha do sujeito em frente às luzes do táxi.


Ele levou a mão ao bolso do paletó. A investigadora Santana apertou os olhos, destravando o cano da arma.


****: Nem pense nisso, meu chapa. Mantenha as mãos onde eu possa ver.


Ele a estudou por um instante, a cicatriz se tornando mais larga conforme suas sobrancelhas se juntavam.


****: Desculpa aí, moça, mas é importante.


E enfiou a mão no paletó.


O som inconfundível de um disparo repercutiu pela noite. A bala encontrou o ombro do rapaz. Anahí gritou, os olhos subitamente cortinados de lágrimas e horror.


Christopher: Não! — Comecei a me levantar, mas Dulce me puxou e eu caí de joelhos.


Uma mancha rubra tingiu a camisa branca por baixo de seu paletó. Ele caiu de joelhos e apoiou uma das mãos no concreto. Em seguida, seu corpo tombou por inteiro.


Ele não podia morrer antes de me responder por que levara Anahí. Por que não me dissera que estava com ela quando nos reencontramos.


Eu me arrastei até ele.


****: Não toque nele! — A investigadora Santana tentou me impedir, mas me esquivei de suas mãos e alcancei o rapaz, virando-o.


O sangue que empapava sua roupa me embrulhou o estômago. Levei a mão à ferida, pressionando de leve, tentando deter o sangramento.


Christopher: Um médico. Ele precisa de um médico! — gritei.


O rapaz ergueu os olhos nublados para mim, então esboçou um sorriso.


****: Você podia parar de tentar bancar o maldito herói e começar a me ajudar de verdade, sabia?


****: Central, preciso de uma ambulância. Um homem foi ferido... — ouvi a detetive dizer em algum lugar ali perto.


Christopher: Não vou deixar que você morra antes de lhe dar uma boa surra — eu disse a ele. — Depois quero saber por que esteve com Anahí esse tempo todo.


Lentamente, ele tirou a mão de dentro do paletó. Havia sangue nela. Ele a escorregou pelo peito até alcançar a minha, empurrando algo frio de encontro a minha palma.


****: Se manda, Christopher.


Christopher: Mas você...


****: Cai fora antes que não seja mais possível.


Fitei o objeto coberto de sangue em minha mão. Ele ainda zumbia.


Christopher: Quem é você? — murmurei.


****: Um amigo, eu já disse. Agora pare de perder tempo. Volte para casa e salve o seu amor. Vá!


A investigadora estava perto e se abaixou, ainda apontando a arma para ele. Ela disse alguma coisa, mas eu não ouvi. Afastei-me, mantendo o olhar fixo no rosto do homem que acabava de salvar minha vida e tudo o que me era mais precioso no mundo. “Obrigado”, fiz com os lábios. Rezei para que a ferida não fosse fatal.


Que ele se recuperasse e que, de alguma maneira, a vida pudesse lhe retribuir o favor que ele me fazia, já que eu nunca poderia.


Ele assentiu uma vez.


Virei-me para Dulce. Ela ajudara Anahí a se sentar. O olhar de minha esposa se iluminou ao reconhecer o que eu tinha na mão.


Dulce: Christopher...


****: Todos vocês terão que ir para a delegacia! — avisou a investigadora Santana, atrás de mim. — E quero explicações sobre o roubo do cavalo, Christopher.


Eu a olhei por sobre o ombro.


Christopher: Lamento muito, detetive. Mas meu futuro está à minha espera.


A confusão que contorceu suas feições me deu tempo suficiente para passar um braço pela cintura de Dulce, sem hesitação, e outro pelos ombros de Anahí. Então pressionei o botão verde, que piscava como um vaga-lume. O botão que me levaria de volta ao meu destino.


A luz branca explodiu a nosso redor, mas dessa vez mantive os olhos bem abertos — e pude ver o rosto do rapaz se contorcendo em um sorriso exultante antes de o clarão me cegar.


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Autor(a): delenavondy

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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 108



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  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:06:00

    O Ucker é um verdadeiro príncipe ♥️ quase chorei com ele

    • delenavondy Postado em 04/11/2021 - 18:20:56

      <3

  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:05:21

    AFF que perfeito sua fic&#9829;&#65039; amei amei amei

  • taianetcn1992 Postado em 02/11/2021 - 07:53:42

    Aí meu deus, ameiii essa maratona, já quero mais como sempre &#128584;

    • delenavondy Postado em 02/11/2021 - 21:13:50

      Que bom <3 Vou terminar hoje os últimos capítulos

  • mandinha.bb Postado em 29/10/2021 - 14:22:04

    Estou megamente ansiosa por mais, sinto que logo eles encontram a Any, ainda mais agora que o Ucker recobriu a memória e acho que o cara que estava preso com o Ucker tem algo no meio, esse amigo dele deve estar com a pessoa que está com a Any, muito estranho o comportamento dele... Continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa plisssssssssssssssssssssssssssssssssss

    • delenavondy Postado em 30/10/2021 - 00:24:37

      já já posto mais...

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:47

    ansiosa pelos proximos

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:36

    quero mais

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:28

    voltaaaaaa

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:21

    kd vc ?

    • delenavondy Postado em 29/10/2021 - 00:17:17

      Desculpe, estou meio ocupada esses dias. Mas amanhã trago mais capítulo ok !

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:09

    pelo amor de deus

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:01

    mais mais mais


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