Fanfics Brasil - Capítulo 97 Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy)

Fanfic: Destinado (3ª temporada) (Adaptação - Vondy) | Tema: Vondy, Romance, Adaptação


Capítulo: Capítulo 97

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Rasguei a caixinha ao abri-la e ali dentro encontrei uma fileira de comprimidos púrpura em um encarte prateado. Mas como eu deveria proceder? Quantos daqueles comprimidos deveria dar a ela? Dois? Dez? Todos de uma vez?


Um pequeno pedaço de papel caiu a meus pés. Eu o peguei e, desfazendo as muitas dobras, encontrei uma espécie de livreto. Tentei firmar a mão, focar os olhos, mas via tudo borrado.


Voltei para a cama e beijei a testa de Dulce.


Christopher: Preciso ir até a sala, mas voltarei antes que sinta a minha falta.


Dulce: Isso não será possível. — Ela encostou dois dedos em minha garganta, fraca demais para enroscar os dedos na camisa, como costumava fazer.


Disparei pelo corredor, esbarrando em um aparador. O vaso sobre ele se sacudiu e encontrou o chão, cacos e flores se espalhando pelo assoalho polido.


Minha irmã estava na sala tentando distrair Maite com uma coleção de bonecas de pano em que minha filha parecia pouco interessada. E, graças aos céus, Alfonso ainda estava ali. Eu o encontrei na porta, o chapéu na mão, pronto para ir embora.


Anahí: Christopher — sobressaltou-se minha irmã, o rosto preocupado.


Balancei a cabeça. Não tinha tempo para explicar. Andei até Alfonso, até ficar a um braço de distância.


Christopher: Salve-a! — Estendi a ele a caixa do remédio de Alfonso.


Alfonso: O que é isso?


Christopher: Eu não faço a menor ideia. Mas pode salvá-la. Me ajude a descobrir como, por favor.


Alfonso a examinou por diversos ângulos, franzindo a testa.


Alfonso: Senhor Uckermann, eu...


Christopher: Por favor! — Enfiei o livreto em sua mão.


Alfonso começou a ler, a mão inconscientemente procurando onde deixar o chapéu. Ele o pendurou em um guarda-chuva de Anahí.


Alfonso: Eu desconheço tudo isso. Não entendo metade do que diz — murmurou, sem erguer os olhos.


Christopher: Também não consegui entender. Mas deve haver algo que lhe soe familiar. Apenas descubra como podemos tratá-la usando isto e me procure. — Guardei o remédio no bolso, mantendo a mão sobre ele enquanto retornava para o quarto.


Encontrei Dulce adormecida. Sem fazer barulho, sentei-me a seu lado, velando seu sono, rezando para que Alfonso descobrisse como aquele milagre poderia funcionar.


Não tardou para que houvesse uma batida na porta. Encontrei Alfonso boquiaberto, parado em frente ao painel de madeira, o livreto ainda nas mãos.


Alfonso: Onde o senhor encontrou isso?


Christopher: Descobriu como podemos tratá-la? — Isso era tudo o que importava.


Alfonso: A principal recomendação é seguir a indicação do médico. — O rapaz endireitou os ombros ao perceber que não obteria uma resposta, assumindo uma postura profissional antes de entrar no aposento.


Christopher: E então? — Fechei a porta.


Ele balançou a cabeça.


Alfonso: Eu não tenho ideia do que lhe dizer, senhor Uckermann. Muito pouco do que li neste folheto me é familiar.


Fechei os olhos, pressionando as têmporas com os punhos fechados. Por favor, por favor!, eu implorava em silêncio.


Christopher: Mas...


Abri os olhos no mesmo instante e o encarei.


Alfonso: Encontrei algumas sugestões de tratamento. E também alertas sobre possíveis complicações derivadas do uso dessa substância. Não posso lhe garantir que isto vai salvá-la, da mesma maneira que não posso garantir que não vai matá-la mais depressa. Não é nada remotamente semelhante a qualquer coisa que eu já tenha visto.


Meu bom Deus!


Relanceei Dulce, prostrada sobre o colchão. Seu peito mal se movia.


Christopher: Se não fizermos nada... — Minha voz falhou. Não consegui fazer a pergunta, mas Alfonso entendeu.


Alfonso: Pouco tempo, senhor. Ela tem... pouco tempo. Se sobreviver a esta noite, será um milagre.


Meus olhos ainda estavam em minha mulher, adormecida na cama. Sua pele quase não oferecia contraste com a camisola e os lençóis brancos.


Encarei Alfonso.


Christopher: Me diga o que devo fazer.


Alfonso: O senhor entende os riscos, senhor Uckermann? Entende que não há garantia de nada?


Christopher: Entendo. Mas se há uma chance de que ela... — Engoli em seco, o nó na boca do estômago se contraindo. — Me diga o que devo fazer, Alfonso.


Ele soltou um longo e ruidoso suspiro.


Alfonso: Que Deus nos ajude...


Dessa vez eu concordava com ele.


Alfonso me disse que, segundo o livreto, eu deveria dar a ela apenas um comprimido por vez, a cada doze horas, e este começaria a funcionar em dois quartos de hora.


Acordei Dulce e a fiz engolir o remédio com um pouco de água. Ela pareceu confusa, e eu não tinha certeza se era por causa do sono, da febre ou da pneumonia. Então Alfonso e eu ficamos ali. Eu, um olho em cada inspiração e expiração de Dulce e o outro no relógio. Já Alfonso se sentou na cadeira perto da porta, devorando o livreto novamente. E outra vez ainda.


Alfonso: Penicilina... — ele murmurou.


Uma hora se passou sem mudança alguma, exceto que ela parecia pior. Então duas horas. Três. A temperatura de Dulce continuava alta, seus lábios entreabertos e descamados estavam acinzentados, o pulso fraco e mais rápido do que nunca.


Deus, não havia funcionado. Eu ia perdê-la.


Curvei-me sobre ela, fechando os olhos com força e tentando deter o tremor nos ombros, o embrulho no estômago, os soluços. Mas fui incapaz. Como poderia? A mulher que significava o mundo para mim estava partindo, e dessa vez não havia nada nem ninguém que pudesse trazê-la de volta.


Naquele instante, com o rosto molhado e o peito aberto e sangrando, também chorando, desejei que ela nunca tivesse voltado. Que jamais tivesse me escolhido. Que tivesse permanecido em seu tempo, onde havia meios de tratá-la quando adoecesse, tendo assim uma vida longa e feliz junto dos amigos que eu também aprendera a amar.


Uma batida no ombro me fez erguer a cabeça de leve.


Alfonso: Não perca a fé, senhor Uckermann. — A voz de Alfonso soou muito longe. — Vou deixá-lo com sua esposa, mas estarei na sala. Se houver qualquer mudança, mande me chamar imediatamente.


Concordei e ele saiu — ou deve ter saído, não cheguei a olhar para me certificar.


Descalcei as botas, estiquei-me sobre o cobertor ao lado de Dulce e a abracei, pressionando o peito de encontro ao seu, como se o que havia ali dentro, sadio, de alguma maneira pudesse ajudar o dela, enfermo. A porta do quarto se abriu muitas vezes. Madalena, Gomes, minha irmã e até Ninel vinham em busca de notícias. Não houve nenhuma.


Apertando-a com força, como se com isso eu pudesse mantê-la comigo para sempre, eu a segurei durante a noite toda. Eu a teria segurado por uma vida inteira. Mais tempo que isso até.


************************************


Um novo dia começou sem que eu percebesse. O sol brilhava e se infiltrava pela trama das cortinas, salpicando o quarto de pequenos pontos luminosos. Os pássaros cantavam ali perto. Era injusto, não combinava com o que estava acontecendo.


Por volta das dez da manhã, imaginei ter percebido uma pequena, ínfima melhora em seu pulso. O medo de ter esperança, de estar imaginando coisas, deixou-me mudo, paralisado por quase um quarto de hora. Tudo o que pude fazer foi observá-la atentamente, buscando qualquer sinal de que eu não estava fantasiando. Havia um pouco de cor em seus lábios. Nada comparado ao rosado escuro, quase rubro, tão característico deles, mas já não estavam cinzentos. Não muito. E cerca de meia hora depois, quando uma lágrima de suor brotou em sua testa, não pude mais conter a esperança que se infiltrou em meu peito. Sim, ela ainda queimava em febre, mas me pareceu menos quente então.


Saí do quarto um tanto atrapalhado e tonto, correndo descalço pela casa. Acabei pisando nos cacos do vaso que eu quebrara na noite anterior e de que Madalena certamente ainda não se dera conta. Praguejei baixo e removi o estilhaço do pé, uma linha vermelha surgindo. Sangrei até a sala, onde Alfonso tinha um caderno apoiado no braço do sofá, a outra mão segurando o livreto do remédio. Sua aparência amarrotada me disse que ele também não havia dormido.


Nossos olhares se cruzaram. Tentei dizer a ele alguma coisa, qualquer coisa, mas não pude. Então apenas tentei sorrir em meio à umidade que me brotou nos olhos. Lentamente, ele se levantou da poltrona, seus estudos esquecidos, a boca entreaberta em uma exclamação silenciosa.


Retornei para o quarto, mancando, deixando um rastro escarlate no assoalho que Madalena limpava com tanto esmero. Alfonso passou pela porta do quarto segundos depois de mim e se apressou em examinar Dulce. Seu semblante se iluminou ao notar as sutis mudanças que eu tinha percebido pouco antes. Ela acabou despertando durante o exame. Seu olhar ainda ligeiramente confuso, mas não mais embotado, fixou-se no meu.


Dulce: Oi. — Sua voz estava rouca.


Christopher: Oi. — Caí de joelhos ao lado da cama e peguei sua mão. Sua palma já não estava fria. Abaixei a cabeça e depositei um beijo ali. Seus dedos acariciaram minha bochecha úmida. Não havia força neles, mas a firmeza estava presente.


Alfonso: Respire fundo, senhora Uckermann — pediu Alfonso.


Dulce: Tá. — Ela fez o que o médico ordenou enquanto ele prosseguia com o exame, mas seu rosto permaneceu voltado para o meu, a mão ainda em meu rosto.


Quando o esforço lhe pareceu demais e ela ameaçou deixá-la cair, eu a amparei, segurando sua palma de encontro a minha pele. Gostaria de ter me barbeado, pensei. Oferecer-lhe algo mais suave que este emaranhado de pelos ásperos.


Alfonso: Deus todo-poderoso! — Alfonso exclamou baixinho.


Minha atenção se fixou nele imediatamente.


Alfonso: Não posso garantir. — Ele guardou seu equipamento na maleta. — Mas arrisco dizer que, apesar de o estado da senhora Uckermann ainda inspirar cuidados, já não oferece perigo.


Christopher: Ah, meu bom Deus! — Isso teria me feito cair de joelhos se eu já não estivesse nessa posição. A esperança que crescia em meu peito se transformou em alívio e em uma espécie de gratidão tão profunda que fez lágrimas rolarem sem controle. Eu me curvei sobre ela, descansando a cabeça em seu peito e ouvindo o som mais lindo de todo o mundo: o pulsar de seu coração. Não me importei que Alfonso me visse chorar. Não me importei que Dulce me visse soluçar.


Quando se é agraciado com uma nova chance, tudo o que se pode fazer é dar vazão aos sentimentos que lhe obscurecem a alma e se sentir grato. Abençoado.


Seus dedos fracos se enroscaram em meus cabelos. Virei a cabeça e a fitei, embebendo-me com as sutis — e, de alguma maneira, monumentais — mudanças em sua aparência.


Dulce: Eu estou bem, Christopher.


Não, ela não estava.


Mas ficaria.


O roncar faminto de seu estômago ressoou pelo quarto, como se concordasse comigo.


Christopher: Com fome? — perguntei enquanto seus dedos percorriam minhas bochechas, tentando secá-las.


Dulce: Faminta. Será que você pode me arrumar alguma coisa bem gordurosa pra comer?


Fitei Alfonso.


Alfonso: Eu recomendaria um caldo quente, para testar seu estômago — ele aconselhou.


Voltei a atenção para Dulce, afastando alguns fios de cabelo de seu rosto. As raízes começavam a ficar úmidas.


Christopher: Pedirei a Madalena que lhe prepare uma sopa, que tal?


Alfonso: Na verdade, eu mesmo farei isso, senhor Uckermann. — Alfonso colocou a maleta sobre a cômoda. — O senhor não pode ficar andando desse jeito. Voltarei logo para cuidar do seu pé. — E deixou o quarto a passos rápidos.


Dulce: O que aconteceu com seus pés? — Dulce quis saber assim que ele fechou a porta.


Christopher: Pé, no singular. E não é nada com que deva se preocupar.


Suas sobrancelhas se abaixaram, o queixo se elevou um pouco daquela maneira petulante que eu amava tanto.


Dulce: Desembucha logo, Christopher, e não me obrigue a me levantar desta cama pra quebrar o seu nariz!


Minha gargalhada repercutiu por toda a casa, disso eu tinha certeza.


Então aproximei o rosto do dela até ficar a um suspiro de distância, perdendo-me em seus olhos castanhos.


Christopher: Isso, meu amor, seria a maior felicidade de todas. — E a beijei.


************************************



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Autor(a): delenavondy

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Comentários do Capítulo:

Comentários da Fanfic 108



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  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:06:00

    O Ucker é um verdadeiro príncipe ♥️ quase chorei com ele

    • delenavondy Postado em 04/11/2021 - 18:20:56

      <3

  • vondy_dulcete Postado em 03/11/2021 - 15:05:21

    AFF que perfeito sua fic&#9829;&#65039; amei amei amei

  • taianetcn1992 Postado em 02/11/2021 - 07:53:42

    Aí meu deus, ameiii essa maratona, já quero mais como sempre &#128584;

    • delenavondy Postado em 02/11/2021 - 21:13:50

      Que bom <3 Vou terminar hoje os últimos capítulos

  • mandinha.bb Postado em 29/10/2021 - 14:22:04

    Estou megamente ansiosa por mais, sinto que logo eles encontram a Any, ainda mais agora que o Ucker recobriu a memória e acho que o cara que estava preso com o Ucker tem algo no meio, esse amigo dele deve estar com a pessoa que está com a Any, muito estranho o comportamento dele... Continuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa plisssssssssssssssssssssssssssssssssss

    • delenavondy Postado em 30/10/2021 - 00:24:37

      já já posto mais...

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:47

    ansiosa pelos proximos

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:36

    quero mais

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:28

    voltaaaaaa

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:21

    kd vc ?

    • delenavondy Postado em 29/10/2021 - 00:17:17

      Desculpe, estou meio ocupada esses dias. Mas amanhã trago mais capítulo ok !

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:09

    pelo amor de deus

  • taianetcn1992 Postado em 28/10/2021 - 05:32:01

    mais mais mais


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