Fanfics Brasil - Facticidades Black Bullet: Days of Dark Future

Fanfic: Black Bullet: Days of Dark Future | Tema: Ação, Aventura, Drama, Sobrenatural


Capítulo: Facticidades

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Akio se sentia desconfortável em como se encontrava a área externa: prédios em ruínas, escombros espalhados pelo chão, algumas crateras, os postes de luzes elétricas danificadas e diversas outras situações deploráveis. Era uma visão lamentável. No entanto, ele não avistou ninguém, porque as pessoas que deveriam estar perambulando agora, ainda estavam escondidas por causa do avistamento de um Gastrea na tarde de ontem e esperando uma resposta por parte das autoridades da área de Tóquio, sem saber que o problema já foi resolvido.


“Nem consigo imaginar o que aconteceu enquanto eu estava dormindo, mas vou procurar respostas sobre meu passado”, ele pensou.


Durante o percurso, Keitarou foi comentando um pouco mais sobre como era seu avô, Hasegawa Senzo, um senhor de 55 anos, que possuía olhos pretos e cabelos brancos, de sobrancelhas finas e barba espessa, tinha um temperamento sério e calmo, mas também tendia a ficar irritado facilmente apenas quando algo o desagradava muito, mas, na maior parte do tempo, era carinhoso com relação aos seus netos. À medida que Keitarou ia contando mais e mais sobre ele, Akio percebia a grande admiração que o garoto demonstrava por ele. Mas eis que Keitarou chegou na parte importante que queria.


— Tenho que te pedir uma coisa.


— O que foi?


— Quero que se torne meu parceiro de treino.


— Como?


— Bom, lembra que eu falei que meu avô era dono de um antigo dojô?


— Sim, você falou isso a alguns instantes.


— O fato é que antes de acontecer todos esses desastres, os garotos iam participar das aulas no dojô do meu avô, já que meu pai não podia fazê-lo, pois trabalhava fazendo outras coisas, ainda mais depois que foi recrutado para lutar, mas não retornou — Keitarou deu uma pausa ao lembrar de seu pai e depois continuou. — Então, depois que a primeira guerra contra os Gastreas começou, todos os garotos se dispersaram por causa disso, mas depois que as coisas se acalmaram um pouco, o vovô continuou com o treinamento comigo. É uma herança de família, entende?


— Entendo.


— Então, sempre venho treinando sozinho e é chato quando não tem mais ninguém para testar as forças de igual para igual mesmo tendo meu avô. Se eu conseguir convencê-lo, você poderá ficar morando conosco sem problemas, só preciso esconder algumas coisinhas. Um aluno a mais, vai fazer toda a diferença.


— Acho que posso tentar.


— Obrigado, mas não pegue leve comigo.


— Digo o mesmo.


Mas havia algo que Akio queria saber, mas como Keitarou continuava entusiasmado, resolveu perguntar depois de chegar na casa dele: o que aconteceria com aquele rato Gastrea e queria tentar conseguir mais informações no laboratório subterrâneo à tarde, mas devido à fome que sentia, achou melhor perguntar depois.


Depois Keitarou comentou sobre sua pequena irmãzinha, Keiko, que havia nascido na época da guerra em meados de agosto, mas, devido a fragilidade de saúde e ao sangramento excessivo, a mãe de Keitarou e Keiko morreu depois do parto, por isso, estão vivendo até hoje com o avô materno, a única família que lhes restou. A garotinha, assim como o irmão, possui longos cabelos brancos e olhos azuis, com um temperamento calmo e pensativo, mas era tímida com relação à estranhos e, geralmente, só falava com o irmão e o avô. Mas Akio sentiu que em alguns momentos, havia algo que o estava incomodando ao falar dela, mas decidiu não perguntar, caso ele não quisesse falar.


*          *          *


Depois de caminhar por cerca de meia hora, os dois avistaram a casa ao longe, que estava como a maioria dos prédios ao redor um pouco danificada, mas parecia mais aconchegante e modesta do que o lado de fora. Na porta de entrada, Akio pôde distinguir um senhor de braços cruzados que, com base na descrição de Keitarou, era Hasegawa Senzo. No entanto, estava com uma cara muito séria. Quando olhou para o amigo ao lado, ele parecia um pouco tenso agora.


— B-Bom dia, ojii-san — ele falou ao se aproximar do velho senhor.


— Onde você esteve? — Senzo falou autoritariamente.


— Bom, sabe o que é...


— Eu não falei para não sair ontem?


— Falou, mas...


— Os purgadores ainda nem chegaram para dar um jeito naquela “coisa” e você fica perambulando por aí?


— Me desculpe, eu sinto muito — ele falou fazendo uma dogeza forçada.


— E você? Está olhando o quê? — Senzo voltou sua atenção para o garoto que acompanhava seu neto e permanecia em silêncio.


— Ah, ele é o...


— Eu não falei com você.


— Desculpe — Keitarou continuou na mesma posição de antes.


— M-Meu n-nome é A-Akio.


— O que quer aqui?


— V-Vim para m-me tornar seu d-discípulo — Akio falou fazendo uma reverência como Keitarou lhe ensinou.


— Keitarou — Senzo volta sua atenção para o neto.


— Sim, ojii-san — ele falou levantando a cabeça.


— Explique-se.


— Eu saí mais cedo para trazê-lo, o encontrei semana passada e ele não tem mais uma família e queria encontrar um propósito na vida. Por isso, falei sobre este dojô e ele me disse que queria aprender com o senhor.


— Isso é verdade?


— S-Sim.


Inesperadamente, Senzo desferiu um golpe na direção do rosto de Akio, mas sem tocá-lo.


— Por que você não se esquivou? — Senzo perguntou admirado.


— Porque não senti que o senhor queria me bater — ele respondeu calmamente.


— Keitarou, levante-se.


O garoto fez com prontidão.


— Desça ao córrego atrás de nosso dojô e depois prepare o chá. Quero conversar a sós com este garoto. Só apareça de novo quando eu mandar. Estamos entendidos?


— Sim, senhor.


Keitarou entrou para pegar os baldes que usava nos treinos e depois foi embora, enquanto Senzo fixava o olhar em Akio.


— Me siga e não repare na bagunça.


Senzo se virou passando pela porta aberta e Akio caminhou atrás dele. Caminharam por um pequeno corredor, até que chegaram ao que parecia ser o dojô que Keitarou mencionou: uma sala com diversos instrumentos próprios para um treinamento rigoroso, o tatame parecia um pouco gasto pelo tempo, mas ainda parecia firme, e as paredes continham alguns reparos recentes. Senzo se dirigiu para uma sala anexa atrás e se sentou no chão de frente para uma mesa e Akio olhava ao redor pela entrada.


— Sente-se — Senzo estendeu a mão.


— Sim, obrigado.


— Agora, você pode me contar a verdade.


— Como?


— Eu sei que o Keitarou combinou alguma coisa com você, já que não parava de olhar para os lados, mas sem mexer a cabeça.


— Mesmo?


— Sim, pode me falar, mas se não puder falar tudo, acho difícil aceitá-lo como discípulo.


— O problema não é falar, mas acreditar.


— Apenas seja sincero.


— Começando pelo meu nome. Keitarou passou a me chamar de Akio, mas não lembro de nada sobre mim.


— Amnésia?


— Acho que sim.


— Você falou com sinceridade e sem desviar o olhar, continue sobre como se conheceram.


— Na verdade, foi ele quem me encontrou enquanto...


— Enquanto o quê?


— Já que parece um absurdo, acho que sou algum experimento de laboratório. Keitarou me encontrou adormecido numa câmara e escondeu isso do senhor por quase cinco anos. Você pode não acreditar, se quiser.


— Conhecendo meu neto, isso parece um absurdo.


— Entendo.


— Mas como continua firme no que está falando, isso prova um pouco a verdade.


— Obrigado. Continuando...


Akio foi interrompido com o barulho de uma série de explosões longe dali e o dojô balançou um pouco.


— São eles.


— Eles quem?


— Os purgadores — ele falou se levantando e saindo pela porta.


— Quem? — Akio falou o seguindo.


— Depois eu explico, primeiro...


Ele foi interrompido pelo choro de Keiko que apareceu correndo, sem se importar com Akio e abraçou o vovô Senzo.


— OJII-SAN!


— Calma, eu estou aqui. Não vai acontecer nada.


— Barulho! Alto! Medo!


— Está tudo bem, o vovô está aqui — ele falou tocando em cima de sua cabeça.


Akio acompanhou tudo em silêncio e depois que Keiko se acalmou um pouco, ela percebeu a presença dele e se escondeu atrás do avô. Só era possível ver um de seus olhos o observando, mas quando Akio acenou para ela, ele notou algo estranho, mas resolveu não comentar.


— Está tudo bem, Keiko-chan. Ele é um convidado do vovô. Não precisa ter medo. Diga oi para ele.


— O-Oi — mas ela falou sem olhá-lo diretamente.


— Olá — Akio respondeu sem jeito.


— Vocês estão bem? — Keitarou apareceu correndo depois que deixara os baldes no córrego, por causa da explosão.


— Ainda bem que apareceu — Senzo parecia mais compreensivo. — Keiko-chan, eu estou um pouco ocupado agora, vá com seu irmão e me esperem na cozinha.


— T-Tudo bem.


Em seguida, Keitarou a carregou nos braços e novamente Akio notou algo quando Keiko o olhou, mas depois ela desviou o olhar e saíram para a cozinha.


— Vamos continuar nossa conversa. Agora que Keitarou chegou, posso ficar mais tranquilo. O que foi?


Akio estava ainda olhando para o lugar por onde os dois saíram.


— Akio, vamos — Senzo falou tocando seu ombro.


— S-Sim, vamos.


Depois ambos se sentaram novamente depois do incidente.


— Do que falávamos?


— Primeiro, eu queria saber o que são purgadores?


— Você não sabe?


— Eu sei que parece difícil de acreditar, mas não lembro de nada desde que despertei hoje de madrugada...


Sem hesitar, ele contou tudo o que lhe aconteceu até chegar na casa de Keitarou.


— Isso parece uma história sem sentido — Senzo suspirou.


— Eu sei.


— Principalmente a parte do rato Gastrea. Você tem certeza que não sonhou com isso? Isso é impossível para uma pessoa normal.


— Mas a parte de não ter para onde ir, ainda é verdade.


— Mesmo que não tenha entendido quase nada, vou deixá-lo ficar.


— Mesmo?


— Sinceridade e um coração aberto é um ótimo motivo para fazê-lo. Mas voltando ao que me perguntou antes...


Senzo começou a falar que os purgadores ainda eram uma forma provisória de eliminação de Gastreas dentro das áreas cercadas pelos monólitos. Após eles confirmavam a localização de uma ameaça, simplesmente, o atraíam para a área externa e depois de o eliminarem, explodiam tudo ao redor num raio de cem metros, apenas para justificar que poderia haver possíveis infectados escondidos nas proximidades. Em seguida, se retiravam.


— Quer dizer que aquelas explosões destruíram tudo ao redor de onde estávamos antes?


— É provável. Por isso, havia recomendado ao meu neto para não sair enquanto não matassem o Gastrea.


— Mas eu posso ser um infectado. Por que não me mandou embora?


— Se o que me disse é verdade, você não estaria aqui neste momento e nem meu neto.


— O que devo fazer?


— Aconselho a evitar voltar para onde ocorreram as explosões. Se o governo souber que você possa ser uma ameaça, eles não vão hesitar em capturá-lo. Eu não gosto de voltar atrás com minha palavra. Mais alguma pergunta?


Havia algo que ele queria perguntar, mas achou que fosse um pouco incômodo.


— Não sei se devia perguntar.


— Lembrou de algo?


— Não é isso. É que só que... agora a pouco... eu...


— Diga.


— Por um instante, tive a impressão que a cor dos olhos de sua neta ficara vermelha e depois voltara a ficar azul. Desculpe por dizer algo estranho.


— Keitarou não lhe contou?


— Contar sobre o quê?


Senzo suspirou e contou que as crianças nascidas a partir de 2021 acabaram contraindo o vírus Gastrea através de suas mães e que, infelizmente, Keiko era uma delas. Depois que as autoridades souberam disso e anunciaram para o mundo, diversas mães começaram a abandonar suas filhas que nascessem com os olhos vermelhos e passaram a chamá-las de “crianças amaldiçoadas”. Foi um evento trágico que ele presenciou, mas se recusou a fazer qualquer coisa com a neta, pois ainda era sua única família junto com Keitarou, depois que seu filho morrera na guerra e a nora morrera no parto. Mas, conforme ela foi crescendo, seus olhos passaram a mudar para a cor azulada de sua mãe, porém, quando se encontrava muito assustada, a coloração oscilava entre os dois. Por isso, Keitarou amava muito sua irmã e não se importava com o que os outros podiam dizer.


— Entendo, vocês são mesmo uma família.


— Por isso, o nome dela é tão importante: “Keiko” quer dizer “abençoada”. É uma forma de lhe trazer boa sorte neste mundo.


— Vou me lembrar disso e a tratarei com cuidado.


— Não ficou com medo? Algumas pessoas acham que elas poderão se transformar em Gastreas em algum momento.


— Então vamos fazer o possível para que isso não aconteça — Akio falou, mas percebeu que Senzo riu um pouco. — Ah, falei algo estranho?


— Não, Keitarou me diz a mesma coisa. Acho que é só, por enquanto — ele falou lhe estendendo a mão.


— Muito obrigado por me ouvir e prometo não ser um fardo — Akio falou apertando de volta.


Depois ambos caminharam para onde estavam Keitarou e Keiko.



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Autor(a): Richard F. Writer

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