Fanfics Brasil - Cap. 12 - Olhos de Prata Nárnia - O Rei Feiticeiro [+16]

Fanfic: Nárnia - O Rei Feiticeiro [+16] | Tema: Nárnia


Capítulo: Cap. 12 - Olhos de Prata

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Pedro e Edmundo haviam adormecido na cama; foram deixados ali por Lúcia, que retornou para seu próprio quarto.


Edmundo estava num sono pesado, preso num pesadelo onde andava sob uma nevasca, vendo apenas a silhueta fugaz de seus irmãos e amigos se desvanecendo no horizonte nevoento.


Acordou de sobressalto, sentando-se na cama com uma breve exclamação. Ao seu lado, Pedro resmungou sonolento e tocou no braço do irmão.


— Foi só um sonho, Ed, volte a dormir...


Edmundo olhou pela janela de cristal e viu uma violenta nevasca lá fora. Ainda agitado, foi até a porta dupla translúcida e abriu uma pequena fresta para espiar a tempestade. Ainda estava com as roupas do banquete, mas vestia uma túnica de lã grossa por cima. Logo, Pedro apareceu ao seu lado, coçando os olhos e bocejando.


— O que foi, Ed?


— Tive a impressão de ter visto alguma coisa esbranquiçada passando lá fora.


— Tipo um fantasma?


— O único fantasma daqui usa vestido e está dormindo no andar de cima. Estou com um pressentimento estranho... Ei, veja ali!



Edmundo apontou para uma massa volumosa voando pelo negrume do céu riscado pela neve agitada. Subitamente a mancha se aproximou se tornando o que de fato era, um temível dragão branco; ele pousou bem na frente deles. Os garotos gritaram, sendo lançados para trás por causa do impacto de uma enorme pata escamosa sobre a parede que dava para a varanda. A porta foi estilhaçada e a parte do corredor desabou, despencando metros abaixo.


Quando Pedro ia desembainhar sua espada, foi agarrado e puxado bruscamente para fora. A lâmina escapuliu de sua mão e tilintou no chão. Edmundo correu ao socorro do irmão, e no caminho agarrou a espada de Aslam.


— Pedro! — Seguiu até a parte externa e parou, diante da grandiosa criatura de presas ameaçadoras e asas agigantadas de couro escamoso. — Um Dragão de Gelo! — Apontou a espada para a criatura. — Solte meu irmão! É uma ordem!


Entretanto, o dragão apenas lançou um olhar zombeteiro, abriu a bocarra e baforou um jato de ar frio sobre Edmundo.


— Ed! — Pedro se desesperou pensando que ele tivesse sido congelado, contudo, apesar do jorro de neve brilhante, o Rei Narniano havia se protegido, desviando o gelo mágico para os lados, formando uma coroa de estalagmites à sua volta. Com a espada em riste novamente, mirou o intruso alado.


— É o melhor que consegue? — O dragão recuou, reconhecendo o poder que rivalizava o seu. Rosnando, se virou para escapar, contudo, Edmundo correu e saltou, fincando a espada na parte carnuda da pata traseira. — Eu mandei soltar!


A criatura urrou e se debateu, quebrando num coice, todo o terraço que desabou sobre o pátio lá de baixo. Nesse momento, Lúcia e Cáspian apareceram ante o corredor destruído e vislumbraram a fera desaparecer na neblina rodopiante, levando ambos os humanos consigo.


— Edmundo! Pedro! — gritou Lúcia, aflita.


— Aquilo era um Dragão Branco? — Cáspian sempre ouvira histórias sobre criaturas de eras antigas escondidas nos ermos gélidos, mas até aquele ponto, nunca acreditara que tais lendas fossem reais.


— Sim, e ele está levando meus irmãos! Temos que ir atrás deles!


— Mas, Lúcia, nessa nevasca será impossível rastreá-los! Temos que pedir ajuda!


— Para a Feiticeira?


— É um ótimo momento de descobrirmos se ela se importa mesmo com o Edmundo.


— Ela não pode lutar, Cáspian, se esqueceu? Além disso a espada de Aslam estava fincada nele, o dragão não irá muito longe, vamos!


— Tem certeza? É um dragão, afinal...


— É a espada de Aslam, afinal!


— Tudo bem, mas ainda acho que devíamos chamar um exército.


— Não dá tempo!


Desceram até os estábulos do castelo. As montarias estavam assustadas, pois alguns pedaços de gelo haviam atingido a estrebaria e ferido os animais.


— Lúcia, os cavalos não vão aguentar viajar nessa nevasca feridos desse jeito.


— Então talvez eles consigam! — E apontou para o grande lobo de Edmundo a olhá-los com o olhar reluzente e pelo ouriçado. Ao lado dele, mais dois lobos, menores e com manchas acinzentadas, aguardavam estáticos a decisão dos humanos.


— Não está falando sério! Sem o Edmundo, não sabemos se podemos confiar nesses lobos.


— Só tem um jeito de descobrir!


— Não, Lúcia, volta aqui! — Quando Cáspian a alcançou, ela já estava no meio da matilha.


— Snow! Digo, Féarigan! Você vai atrás do Edmundo, não vai? Nos leve com vocês, por favor! — O lobo rosnou, não parecendo amigável. — Se o Ed estiver ferido, posso curá-lo com o Elixir! — A fera ergueu as orelhas e espirrou. Inclinou-se para que a garota o montasse. — Só vou se o Cáspian for junto! Ele entende de dragões, já conviveu com um deles.


— Não sei se seu primo conta como experiência...


— Estamos perdendo tempo! Por favor! — O Senhor dos Lobos mirou Cáspian, e então um outro menor se aproximou, curvando-se para que o Telmarino o montasse. A garota sorriu e se agarrou na pelagem macia de Féarigan com um sorriso. — Obrigada!


Assim que montaram, a matilha disparou pelos portões e rumaram para as montanhas nebulosas. Apesar da ventania constante e cortante, parecia estarem mais aquecidos; também repararam que os animais não afundavam na neve fofa, mas corriam com velocidade e firmeza sobre o terreno movediço.


 **********


Enquanto isso, o dragão ainda batia suas asas, atravessando com dificuldade os picos mais altos da cordilheira. Num dado momento, Edmundo, ainda agarrado à espada, conseguiu criar uma camada de gelo disforme que circundou o dorso da criatura. Num impulso, escalou até as costas dele e, criando uma longa e fina espada cristalina, golpeou os ligamentos da asa esquerda. Sem sustentação, o dragão rodopiou e desabou sobre a neve do cume, poucos metros abaixo.


Edmundo foi o primeiro a cair, arremessado pelo galeio do tombo. Ainda assim, rolou pela superfície macia com apenas leves arranhões. Já Pedro, preso nas garras escuras e compridas, capotou junto à criatura que ainda deslizou por muitos metros devido sua enormidade. O rapaz havia sido jogado em cambalhotas um pouco antes de parar.


A nevasca havia perdido sua força, ainda que fosse difícil enxergar além de poucos metros.


— Pedro! — Chamava Edmundo em meio à escuridão. Conseguiu discernir a silhueta do dragão ao longe por causa de um relâmpago, e correu até ele. A asa estava quebrada, assim como algumas de suas patas; e seus olhos brilhavam com ódio. — Não estaria assim se tivesse me obedecido. Agora vá embora ou então...


O dragão bufou e hesitou. Com seus olhos estelares podia perceber a aura assustadora do garoto e temeu não ser páreo para ele. Mesmo assim, seu sangue borbulhava de ódio pela humilhação de ter sido derrubado, e por isso virou o rosto em desdém. Por acaso, viu Pedro caído a poucos passos dele. Uma voz foi ouvida na mente de Edmundo.


“Meu orgulho será pago com a vida de seu precioso irmão!”


Enquanto isso, Pedro acordava sentindo dores por todo o corpo. Estava atordoado, mas tentou se erguer ao ver Edmundo encarando o dragão no alto da colina; tombou gemendo e tossindo um pouco de sangue. Havia partido alguns ossos, podia sentir.


— Ed... fuja... Não fique aí parado... — balbuciou entredentes desejando que seu irmão não enfrentasse a criatura. Foi então que percebeu o pulo desajeitado do dragão, vindo em sua direção. A presa não era Edmundo, era ele, o Grande Rei Pedro, caído e indefeso na neve. Cobriu o rosto num reflexo, esperando pelo pior.


— Não! — Edmundo se desesperou e num impulso, expulsou sua magia pelos pés, criando uma barreira mágica em volta de Pedro. O brilho azulado se tornou uma coroa de gelo pontudo, afiado e resistente o suficiente para perfurar as rígidas escamas e atravessar a cartilagem do peito e abdômen da criatura. O dragão foi trespassado pelas estacas, ficando preso na armadilha mortal. Bramiu em agonia enquanto o sangue enegrecido se esvaía dos ferimentos, e sua vida abandonava o brilho daqueles olhos perversos.


Pedro estava atônito. Edmundo havia matado um dragão num piscar de olhos, sem dar nem um passo. Uma aura luminescente permeava o corpo de seu irmão, dando-lhe um aspecto assombroso.


Edmundo pegou a espada da carcaça da fera e limpou a lâmina na manga comprida do casaco. Olhou para o alto e uma ventania abriu uma brecha na neblina, que se expandiu, afastando as nuvens do céu e deixando à mostra a lua quase cheia.


Quando ele se aproximou de Pedro, seus olhos luziam como os de um lobo, como o frio brilho prateado das estrelas. Naquele momento, teve a impressão de que seu irmão era algo inumano.



— Seus olhos... Ed...


— Pedro, se machucou? — Edmundo se ajoelhou ao lado do rapaz que tremia enregelado. — Está congelando! Calma, está tudo bem, vou te levar de volta pro castelo, mas antes... — Pousou a mão sobre ele e ordenou que o frio o abandonasse, e mesmo sem ter treinamento, conseguiu aquecer o corpo do irmão até uma temperatura confortável e constante. — Pronto, agora podemos ir. — Mas ao tentar levantá-lo, Pedro gritou e se deixou cair de volta na neve.


— Não... não consigo!


— Parece que quebrou as costelas. A perna também. E o ombro. — Tocando levemente por sobre as vestes, Edmundo conseguia sentir o osso partido e o sangramento interno. Não sabia como adquirira essa habilidade, mas tinha plena confiança em seus instintos.


— Ed... não consigo respirar direito...


— O pulmão está perfurado. Não pode se mexer, Pedro. — Olhou alarmado para o longo caminho acidentado que teriam de percorrer se quisessem voltar à cidade. Sabia que naquelas condições, seria impossível para Pedro chegar ao castelo ainda com vida. — Preciso pensar em alguma coisa... Acho que posso moldar um trenó de gelo. Posso arrastar o trenó...


— Ed... não é sua culpa...


— Pare de falar como se fosse morrer! Eu já te salvei um sem-número de vezes, não vai ser agora que vou... Pedro? Pedro!


Edmundo ficou lívido de repente. Segurando o irmão nos braços, percebeu o calor se esvaindo do corpo e a respiração se tornando lenta e fraca. Olhou para os lados e tudo era escuridão, deserta e congelada. Levantou-se deixando O rapaz deitado e foi até o topo da colina. Com sua vontade, fez erguer um obelisco de gelo de quase vinte metros, e tocando nele, o imbuiu de poder luminescente. Tinha certeza de que Lúcia e Cáspian estariam vindo para o resgate, por isso pensou em criar algo que sinalizasse sua posição. Com uma intuição aguda, juntou as mãos na boca e gritou com todo o ar de seus pulmões:


— Féarigan! — Algo diáfano se desprendeu de sua aura e foi levado pela ventania que o rodeava. O sopro do chamado por ajuda percorreu a distância nevoenta até chegar aos sentidos aguçados do lobo místico, tinha certeza. Entretanto, um momento depois, sentiu suas pernas fraquejarem e sua visão escurecer. Caiu de joelhos, ofegante. — Não, ainda não!


Virou na direção de Pedro e engatinhou até ele. Assim que tocou no braço do irmão, tombou de rosto na neve, perdendo a consciência.


 **********


Quando Edmundo acordou, sentiu a maciez das peles de sua cama, e achou estar no palácio. Contudo, ao se lembrar do dragão e de Pedro mortalmente ferido, se empertigou de sobressalto.


— Pedro! — Edmundo estava sentado sobre as costas felpudas de Féarigan; Lúcia e Cáspian também cavalgavam sobre lobos ao seu lado, e sob o lusco-fusco da alvorada, atravessavam uma alameda de pinheiros. — O que?


— Bom dia, Edmundo! — Lúcia lhe sorriu. — Você está bem?


— E o Pedro? — perguntou alarmado.


— Bem aqui — falou o irmão mais velho, vivo e bem, ainda que pálido, sobre sua montaria lupina logo atrás.


— Lúcia! — Edmundo sorriu para a irmã. — O Elixir! Vocês nos encontraram...


— O seu farol ajudou bastante — comentou Cáspian. — E o seu “Sopro Mágico”!


— Que sopro mágico? — Edmundo não se lembrava de tudo com exatidão; estivera muito apavorado, preocupado que Pedro não sobrevivesse àquela noite.


— Foi um “Chamado”! — Rosnou Féarigan em um tom rouco, mas melodioso.


— Você fala?! — Edmundo se espantou.


— Só quando é preciso.


— É, Ed, ele fala! — respondeu Lúcia. — E correu atrás de você assim que o dragão levou vocês dois.


— Falando nisso... — interrompeu Cáspian. — Como vocês derrotaram o dragão?


— Eu não — falou Pedro observando Edmundo que o olhava por cima do ombro com o semblante sério. A comitiva voltou sua atenção para o irmão mais novo, mas este apenas baixou a cabeça e seguiu o resto da viagem em silêncio.


Estava bem óbvio que Edmundo havia criado as pontas de gelo que atravessaram a criatura; Cáspian apenas queria ter certeza de que Pedro havia presenciado o feito. O que todos sabiam, mas não quiseram comentar, foi que a magia dele estava se tornando mais poderosa, e mesmo isso tendo salvado a vida deles, o elo com a Feiticeira continuava a crescer.


 


Fim do Capítulo 12



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Autor(a): callyzah

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