Fanfic: Você é problema | Tema: 5 Seconds of Summer
Metade do Colégio Santa Mercedes estava ali. Na tradicional festa do fim das férias na fazenda abandonada dos Martinez. Pessoas que eu tinha ficado feliz em passar quase dois meses sem ver e estava tendo que ver 8 horas antes do que era estritamente necessário.
—Todos digam X, essa foto vai para o feed.
Bianca — a subcelebridade do colégio com seus 1 milhão e meio de seguidores do Instagram disse.
Baixei a cabeça quando ela virou a câmera para tirar a foto.
Instantes depois, ela continuou a dançar com as amigas Jhennifer e Paula. Embora a temperatura estivesse muito baixa, todas usavam roupas curtas e justas.
—Piriguete não sente mesmo frio. —Julia falou me entregando um copo descartável e indicando Bianca.
Fiz uma careta ao sentir o odor de vodka.
—Onde está sua sororidade?
Julia tomou um gole da bebida.
—Não se pode ter sororidade com piriguete.
Eu ri.
O encontro daquela noite de Julia, chegou e a levou para longe. Michele era uma garota legal, tinha se formado no ano anterior.
Ao que avançava a noite, a música parecia que ficava mais alta e as pessoas mais bêbadas. Alguns caras bêbados se aproximaram tentando me oferecer bebida ou algo mais "recreativo".
Resolvi "me esconder" e fui sentar perto do antigo celeiro. O lugar não pegava área então fiquei jogando um joguinho offline que Julia tinha baixado para mim semanas atrás.
De repente ouvi, vozes alteradas por cima do barulho da música.
"Por que você não quer ficar comigo? Você fode com toda garota que entra no seu caminho, por que não eu?
"Você é minha irmã porra!
"Não, não sou. Não de sangue.
"Para mim é, além do mais eu estou namorando alguém."
"Você não namora, apenas fode várias as garotas."
"Se não acredita em mim, eu posso te apresentar, ela vai estar aqui hoje."
Uau. Eu tinha parado dentro do filme Segundas Intenções? Era isso?
Ouvi a porta do celeiro sendo aberta e antes que tivesse a chance de me esconder, dei de cara com Luke, o capitão do time de futebol e a pior espécie de cara que podia aparecer no caminho de uma garota.
—Você estava nos bisbilhotando, sua esquita?
A garota não devia ter dezesseis anos completo. Era linda, cabelo escuro longo, olhos grandes e verdes.
—Bisbilhotando? Aqui é um lugar público. Se quer privacidade vá para casa.
Me virei para sair, mas senti unhas grandes cravar na pele do meu braço.
— Espera.
— Tira as mãos de mim, ou vou arrancar essas unhas postiças uma por uma e fazer você engolir. —Com um solavanco ela me soltou.
—Amor, estava mesmo te procurando. —Luke disse surgindo com um sorriso.
Olhei para trás para ver com ele falava, mas não havia ninguém e então de repente, a coisa mais absurda aconteceu, ele segurou meu rosto e me beijou. Simples assim.
Fiquei congelada por um segundo enquanto questionava se aquilo realmente estava acontecendo ou se em algum momento da noite eu tinha atravessado um portal e entrado em uma dimensão paralela onde poderia fazer algum sentido Luke Hemmings estar me beijando.
Aquilo era loucura demais até para isso. Então só podia ser real.
Tentei empurrar ele, mas ele me abraçou ainda mais forte e intensificou o beijo, apertando seus lábios ainda mais contra os meus. Seus lábios tinham gosto de cerveja.
Um esbarrão me fez oscilar, mas os braços na minha cintura me firmaram.
E então, tão rápido como começou, ele se afastou.
—Obrigado. —Ele disse olhando por cima do meu ombro e então saiu.
Obrigado? Era só isso o que ele tinha pra dizer. Idiota.
Respirei furiosa.
Mas então lembrei da conversa que tinha escutado entre ele e a "irmã" foi por isso que ele tinha me beijado, para afastá-la. Que noite! Tudo o que eu queria era ir para casa.
******
Fui procurar Julia para dizer que já estava pronto pra ir embora, mas não a encontrei onde a tinha visto pela última vez. Olhei o celular e vi que o sinal estava oscilando, o que era de se esperar de um lugar abandonado no meio do nada.
Ótimo. Estava presa ali até encontrar ela.
Com o celular pra cima, escrevi uma mensagem e cliquei em enviar.
De repente a música foi desligada e por cima dos sons de protestos alguém avisou que a polícia estava a caminho.
As pessoas começaram a correr e entrar nos carros, procurei Julia indo de um lado para o outro, mas ela não estava em lugar nenhum. Os coolers de bebida foram abandonados e instantes depois dezenas de carros estavam partindo.
O carro de polícia surgiu logo após o som da sirene e me preparei para o que seria o maior sermão que eu levaria na vida de Enid, minha mãe, caso ela tivesse que me buscar na delegacia.
Mas antes que a viatura pudesse se aproximar, fui arrastada para trás com uma mão cobrindo minha boca. Com o susto, comecei a lutar pra escapar, mas era inútil com meus 1,62 e pouco mais de 50kg. Facilmente fui levada até a sombra do celeiro.
—Vou tirar a mão da sua boca, mas se gritar nós dois estaremos perdidos.
Assim que ele me virou, ainda com a mão na minha boca, vi que se tratava de Luke. Meu pânico diminuiu um pouco por não ser um serial killer.
Afastei a mão dele da minha boca.
—Não vou gritar. —Murmurei.
A viatura parou e ouvi as portas sendo abertas. Os policiais conversavam alguma coisa sobre as bebidas deixadas, a luz de uma lanterna passou muito perto de onde estávamos, mas consegui me esquivar a tempo. Eles fizeram uma busca celeiro e saíram com um casal que não dava para identificar no escuro.
Minutos depois a viatura saiu e só então pude dar uma longa respirada.
—Essa foi por pouco. —Murmurei.
Ele concordou com um aceno.
Nesse momento meu celular apitou com a notificação de mensagem. Era Julia dizendo que o carro em que ela e Michele estavam tinha quebrado.
Respirei fundo e me voltei para Luke.
—Você pode me dar uma carona até a cidade? —Pedi.
—E o que eu ganho com isso?
É serio que depois de tudo ele ainda queriaa algo em troca?
—Ficaremos quites, que tal?
—Não sei, uma carona parece mais valiosa que um beijo, acho que vou sair perdendo nessa.
Apertei os olhos para ele.
—Eu pago a gasolina.
Ele deu um pequeno sorriso e então perguntou.
—Você anda de moto?
Não, eu não andava. Achava aquilo uma armadilha de duas rodas, mas era isso ou caminhar mais de 30km a pé.
—Tem capacete reserva? —Perguntei já sabendo a resposta.
******
Com uma freada brusca, a motocicleta parou em frente de casa. As luzes estavam apagadas. Enid era enfermeira e estava sempre fazendo plantões. A maioria das noites eu ficava sozinha em casa.
—Está entregue.
Desci da moto com alguma dificuldade.
—Valeu pela carona.
Abri minha bolsa e peguei uma nota lá dentro e entreguei para ele que não pegou.
—Relaxa, o tanque está cheio. Estamos quites.
E com isso, ele baixou o visor do seu capacete, acelerou e foi embora.
Entrei em casa e fui direto tomar um banho para dormir. Teria que estar de pé em cinco horas.
Antes de adormecer pensei em como aquela noite tinha sido esquisita e fora da minha realidade.
Amanhã a normalidade voltaria.
Autor(a): writersecrets
Esta é a unica Fanfic escrita por este autor(a).
Loading...
Autor(a) ainda não publicou o próximo capítulo