Fanfics Brasil - Capítulo 05 - Contato Coração de Prata [+18]

Fanfic: Coração de Prata [+18] | Tema: Amor Doce


Capítulo: Capítulo 05 - Contato

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Em frente a uma das prateleiras de livros que compunham a biblioteca da escola, Melody, um tanto quanto afobada, procurava, incessantemente, por um livro de romance policial. 


Apesar da sua inquietação, ela prontamente conseguiu localizar uma fileira que abarcava uma seção inteira de obras literárias que continham o respectivo gênero literário. Logo, a mesma gastou vários de seus minutos buscando por um enredo que fosse no mínimo interessante.


Ao final da sua minuciosa averiguação, a jovem terminou escolhendo um livro de nome “A Bússola de Ouro”, de uma escritora alemã chamada Anne Müller. 


E ainda que ela não tivesse uma referência muito clara daquela autora, esse detalhe não importava, já que a mesma sabia que esta escolha seria o suficiente para pelo menos chamar a atenção de Nathaniel, que há poucos metros de distância, se entretia em sua leitura pessoal. 


Assim que sentou-se ao lado do loiro, o rapaz, automaticamente, direcionou os seus olhos para o título do livro que Melody trazia em mãos. 


Naturalmente, o seu olhar demonstrava uma curiosidade que foi transformando-se, pouco a pouco, numa aprovação involuntária, o que de certa forma, acalentou o coração da garota, que naquele momento, ameaçava pular fora do seu peito. 


Por mais que estivesse se sentindo insegura, os seus planos de convidar Nathaniel para um encontro deveriam ir adiante.


Não era hora de amarelar. Pensou, buscando coragem. 


-Nath? -Mantendo um tom de voz o mais sereno possível, a garota aproximou-se, de um jeito cauteloso, do ombro de Nathaniel, que então, virou-se para ela.


-Sim? -Perguntou um pouco sério por achar que tratava-se de um assunto delicado, pois Melody estava com as bochechas fortemente coradas. 


-E-Eu… -A garota engoliu em seco admirando toda a fisionomia de Nathaniel, percorrendo os seus olhos na cobertura de suas sobrancelhas, até parar em seus lábios convidativos, de coloração cereja. 


-Aconteceu algo? -O rapaz indagou, só que desta vez, fechando o próprio livro, trazendo com isso, foco total para a sua colega. 


-E-Eu queria saber se você… -Melody fechou os olhos interrompendo a própria fala. 


A sua respiração estava tornando-se cada vez mais pesada. Aquilo estava sendo bem mais difícil do que ela imaginava. No entanto, os seus anseios eram tão demasiados que ela não queria simplesmente desistir por sentir-se amedrontada consigo mesma. Ela não podia se autossabotar. E se tivesse que correr algum tipo de risco, deveria ser ali e agora.


-Eu queria saber se você aceita sair comigo! -Revelou soltando todo o ar preso em seus pulmões. 


Nathaniel, um tanto quanto chocado, assentiu silenciosamente, compreendendo toda a conjuntura daquela circunstância, afinal, ele sabia que aquele convite significava algo muito mais profundo do que uma singela saidinha entre amigos. Além do mais, se tem uma coisa que Nathaniel aprendeu na Sweet Amoris, um colégio interno com foco na educação de alunos do Ensino Médio, é que adolescentes são seres extremamente fofoqueiros. 


Desde que se tornaram responsáveis pelo Conselho Estudantil, no primeiro ano, que todos os seus companheiros de sala comentavam, aqui e acolá, o quão apaixonada Melody era por ele. Até mesmo a sua irmã, Ambre, o provocava, de vez em quando, com comentários maldosos, esnobando a possibilidade de Melody possuir sentimentos por ele.


No meio disso tudo, Nathaniel, sem saber muito bem como agir, optava por seguir a sua vida sem se importar muito com esses rumores, ainda que, no auge de sua vivência escolar, as coisas se encaminhassem de um jeito exagerado, sobretudo, no que diz respeito aos seus relacionamentos interpessoais. 


-Uau! -Nathaniel suspirou um pouco desconcertado.


Ele não sabia como reagir àquela situação, porém, ao encarar os olhos azuis, tão cintilantes quanto um oceano, de Melody, o medo que sentia em magoá-la foi muito mais forte do que os seus próprios sentimentos. Portanto, o loiro terminou aceitando o convite feito por ela.


-C-Claro! -Concordou, timidamente. 


-Mesmo? -Sem acreditar que a sua investida havia dado certo. Melody sorriu para si mesma, com o rosto mais vermelho do que nunca. Um sorriso alongado ornava as maçãs do seu rosto, indo de uma ponta para a outra.


-Eu pensei em irmos ao cinema na sexta-feira. -Sugeriu mais empolgada, o que chamou a atenção da bibliotecária, a senhora Sparks, que a fuzilou com um olhar de repreensão devido ao barulho que a mesma estava provocando.


-S-Sim! -Nathaniel a respondeu com um sorriso amarelo. 


Ele não queria demonstrar o seu desconforto para ela, até mesmo para não desanimá-la. Além disso, por nunca ter vivenciado algo parecido com isso antes, ele não sabia muito bem como lidar, o que provavelmente lhe rendeu uma posição nem um pouco favorável.


Com o passar dos dias, Nathaniel se esforçou ao máximo para dar continuidade às suas atividades cotidianas sem pensar muito no encontro porvir, mas até mesmo os problemas mais fáceis de trigonometria pareciam se transformar num quebra-cabeças totalmente desconhecido para ele.


Esses sentimentos foram se intensificando paulatinamente, principalmente na sexta-feira, o dia do encontro. 


No período da manhã, durante a aula de Geografia, Melody o informou que eles deveriam se encontrar na entrada da escola às 16 horas da tarde, pois de lá, iriam seguir juntos ao shopping local. 


Sustentando a sua típica imagem pacifista, Nathaniel só foi capaz de desabar no dormitório, quando deitado em sua cama, passou a inspirar melancolicamente, encarando o teto do seu quarto.


Na cama ao lado, Castiel, que fazia anotações rápidas num pequeno caderno, enquanto dedilhava a sua guitarra, foi, gradualmente, perdendo a paciência. Até que numa quinta suspirada alta do loiro, ele acabou explodindo. 


-Está bem! Está bem! -Exclamou balançando os braços. -O que aconteceu, principezinho? Esqueceu de inspecionar o campus atrás de bitucas de cigarro? Por que todo esse desânimo?  


Com uma expressão de repulsa, Nathaniel o xingou, antes de dizer:


-Não enche! 


-Nossa! Como ele está revoltadinho hoje! -Castiel zombou, recebendo um outro olhar aversivo. -Mas sério… o que você tem? -Perguntou, ajeitando a posição do seu corpo, e sentando-se, logo em seguida.


Surpreso por estar recebendo uma atenção no mínimo positiva, Nathaniel não conseguiu evitar de arquear as sobrancelhas para o ruivo. 


-Até parece que você se importa… -O loiro murmurou.


-Bem, talvez eu me importe sim… -Nathaniel o fitou de novo. -Se não foi eu quem lhe deixou todo choraminguento desse jeito, então, o caroço nesse angu é muito mais embaixo. E se for para ter algum tipo de sossego, eu faço o que for preciso. E aí? Vai falar ou não? -Indagou, só que desta vez, mais receptivo.


Ainda hesitante em desabafar com Castiel, Nathaniel ponderou consigo, diversas vezes, se o ruivo seria a pessoa ideal para aquilo. 


Ele sempre se mostrou bastante petulante, rude e mal-educado. No entanto, desde que se juntou ao Clube de Música, tem se mostrado mais fácil de se lidar. 


A sua convivência não tem sido tão difícil como antes, o que era um bom sinal. Fora que, as suas provocações diminuíram exponencialmente, o que não quer dizer que elas não aconteçam. 


Além do mais, por ele ser alguém não tão próximo assim de Melody, a sua opinião e percepção poderiam ser menos tendenciosas se comparadas aos dos seus demais colegas. Outrossim, esse cenário poderia ser a chance perfeita dele conhecer e desbravar o sujeito Castiel.


-Você… erhm… namorou alguma vez? -Nathaniel inquiriu, pondo-se sentado, permitindo, com isso, que tanto ele quanto o ruivo se olhassem num mesmo nível.


-Claro que já namorei! -A resposta curta e grossa de Castiel deixou Nathaniel encabulado. O loiro gostaria de ter essa mesma confiança. 


-E como é que você se comporta… quando vai… a um encontro? -Perguntou, ainda mais envergonhado.


-”Encontro”, é? -Castiel sorriu maliciosamente. -Danadinho! -Provocou, deixando Nathaniel com o rosto fortemente rosado. -Bem, para falar a verdade, não tem muito segredo não. -O ruivo prosseguiu. -Se você for autêntico e gostar da pessoa, já é o suficiente.


-Entendo! -Nathaniel balançou a cabeça, timidamente.


-E quem é a louca? Digo… a sortuda? -Castiel enunciou sem perder a oportunidade de perturbar Nathaniel mais um pouco. 


-Melody! -O loiro revela, preferindo relevar a implicação feita pelo outro.


-Aquela esquisitinha que vive te seguindo por aí? 


-Sim! E não fale assim dela!


-Opa! -Castiel ergueu os braços, soltando uma risada. -Foi mal! Não sabia que ela era a sua namorada!


-Ela não é!


-Mas você gosta dela, não é? -A pergunta de Castiel caiu como uma bomba no colo de Nathaniel, gerando um silêncio esmagador no recinto. O garoto não sabia como responder aquela pergunta, de modo que, o cujo apenas balançou os ombros, denotando um sinal de indiferença. 


-Você gosta dela… não, é? -Castiel repetiu a pergunta, com uma ênfase maior.


-Eu… não! -Suspirou. -Não gosto! -Nathaniel admitiu sentindo um peso cair das suas costas.


-Cara… você está mesmo lascado! -Castiel declarou com um olhar julgador. -Mas independente de qualquer coisa, nunca destrua o coração de uma garota, acima de tudo, no primeiro encontro.


-Eu sei! -Nathaniel esfregou o rosto, preocupado. 


-E você vai beijá-la? 


-Hã? -O loiro ergueu a cabeça como se uma carga elétrica tivesse se espalhado em todo o seu corpo. -E-Eu não sei! -Nathaniel diz balançando os ombros bruscamente. 


Mais um silêncio estarrecedor se tornou presente no ambiente, só que desta vez, este foi quebrado pelo sorriso debochado de Castiel, que foi seguido de uma risada eletrizante.


-Você nunca beijou alguém antes, né?


Com uma risada menos comedida vinda de Castiel, Nathaniel, diante da zombaria, sentiu-se mais embaraçado do que nas outras vezes, atirando com uma de suas mãos um de seus travesseiros, que voou na direção do rapaz, que desviou-se, claramente divertindo-se com toda aquela revolta. 


-C-Cala a boca! -Nathaniel gritou. 


-Relaxa! -Castiel respondeu, se contendo para não rir de novo. -Não é tão complicado quanto parece, só basta saber se você será corajoso o suficiente para fazer um feito dessa magnitude. 


O peso das palavras de Castiel recaíram sobre Nathaniel de uma forma avassaladora, fazendo com que o mesmo esmorecesse. Afinal, era intimidador, e também vergonhoso, assumir nunca ter beijado alguém. 


A verdade é que a pressão social que Nathaniel sofreu dentro de casa afetou a sua socialização, de modo que, ele deixou de experimentar e viver uma boa parte da sua adolescência. Enquanto muitos de seus amigos saíam para namorar e caminhar no parque, curtindo o tempo livre deles com as suas namoradas, o loiro se trancava em seu quarto e estudava sem parar, com medo da retaliação que sofreria de seus pais, caso desobedecesse. 


Isso acarretou em Nathaniel uma sensação de não pertencimento. Não importava o que ele fizesse, ele sempre seria um peixe fora d’água. E quando ingressou na Sweet Amoris, essa percepção não foi diferente. 


-Escuta… -Castiel despertou Nathaniel de seus pensamentos. -Vamos deixar essa cara murcha de lado. Levanta! -Ordenou com severidade, ficando de pé.


-O quê? -Nathaniel proferiu, confuso.


-Levanta! -Castiel pediu mais uma vez.


Sem questionar, o loiro obedeceu.


-Eu estou com dó até demais de você. -O ruivo falou. -Por isso vou ser legal e lhe dar algumas aulas de como paquerar. 


-Você? -A resposta naturalmente ácida de Nathaniel, fez Castiel achar graça naquilo. 


-Claro! -O ruivo continuou. -Você está na presença de um mestre! 


Nathaniel revirou os olhos, deixando um sorriso escapar. 


-Primeiro. Você precisa demonstrar ter atitude. Mas claro, sempre respeitando o espaço da sua parceira! 


Nathaniel sorriu cabisbaixo, sentindo-se encabulado pela tentativa de Castiel em tentar ajudá-lo. 


Ele não tinha intenção de beijar Melody. 


Por que beijar alguém, se você não sente nada por ela? 


Um beijo significa uma conexão muito mais do que especial. É um afeto muito mais importante do que os outros. E ele não faria isso com qualquer um.


Sendo assim, Nathaniel cogitou parar Castiel, no entanto, ao vê-lo se esforçar tanto com algo tão banal como aquilo, fez com que todo o seu nervosismo sumisse, dando lugar a uma sensação que assumia um papel quase tragicômico.


-Sim, senhor! -Nathaniel fingiu anotar em um papel invisível. 


-Segundo. -O ruivo prosseguiu notando o quão sorridente o loiro estava. Eles não sabiam se estavam levando um ao outro a sério, mas independente disso, Castiel continuou com as suas lições de paquera. -Você precisa elogiá-la. Fazê-la se sentir especial!


-Isso você sabe fazer! Com toda certeza! -Nathaniel comentou num tom cético.


-É claro que eu sei! -Castiel portou-se com mais seriedade. -Acha mesmo que não sou capaz?


-Duvido! 


Sem dizer nada, Castiel andou na direção de Nathaniel, e o puxou pela cintura, encaixando o loiro em seus braços. 


A atitude do ruivo fez com que Nathaniel ficasse sem reação. 


-A sua pele é tão macia! -Castiel começou como um ronronar de gato. -E a sua boca… ela é tão… atraente… e os seus olhos… eles são… 


De repente, o olhar de Nathaniel cruzou com o de Castiel. 


Os dois não conseguiam dizer nada. 


Eles terminaram perdidos um no outro, sem perceber.


Nathaniel, atordoado, porém fisgado pela atitude inesperada do ruivo, e Castiel, surpreso por sua também falta de reação. 


Nathaniel sentia os seus batimentos cardíacos acelerarem drasticamente devido aquele tão aprazível contato. 


O toque de Castiel, com seus dedos grossos, nas curvas de sua cintura, causavam arrepios que Nathaniel nunca havia sentido antes. 


Era difícil discernir a existência do tempo quando se estava preso um ao outro, contudo, um toque de celular foi o suficiente para fazê-los despertar daquele transe hipnotizante. 


-Entendeu o que você tem que fazer? -Castiel, surpreendentemente encabulado, sussurrou para Nathaniel, que foi afastando-se, lentamente, do mesmo. 


Desorientado em razão daquela interação repentina, Nathaniel, em passos lentos, foi se aproximando da porta do banheiro.


-E-Eu preciso me arrumar para o… encontro. 


Comunicou ao ruivo antes de adentrar no banheiro e se encostar na parede, pressentindo um embrulho surgir no centro do seu estômago, afinal, o que diabos havia acontecido?



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Autor(a): robbiedawson

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