Fanfic: Te Daria Tudo - Vondy | Tema: Vondy
Dessa vez, fui eu quem se virou primeiro. Peguei as bebidas de cima do balcão e sem mais nenhuma palavra passei por Christopher e voltei para onde Paco me esperava. Cada passo de volta parecia mais pesado do que o anterior, como se o encontro com ele tivesse deixado um lastro invisível em meu peito. Tentei me recompor antes de chegar, forçando um sorriso suave enquanto entregava o copo de uísque para Paco.
— Demorei? — perguntei, mantendo a voz leve.
Ele pegou o copo e sorriu, puxando-me para mais perto antes de deixar um beijo delicado em minha têmpora.
— O suficiente para eu sentir sua falta.
Soltei uma risada curta, mas o sorriso não chegou aos meus olhos.
— Tudo bem? — Paco perguntou baixinho, estreitando o olhar.
— Sim. — A mentira deslizou fácil demais.
Ele me estudou por um momento antes de assentir devagar. Conhecia meus silêncios tão bem quanto minhas palavras, mas optou por não insistir.
A noite continuou, e eu fiz questão de me concentrar em Paco, vibrando com cada olhar de admiração que ele recebia. Ele estava brilhando, vivendo o que sempre sonhou, e eu queria celebrar isso com ele. Mas, por mais que me esforçasse, sentia Christopher em cada sombra da sala, seu olhar queimando em minha direção.
A conversa ao redor se tornava um borrão de vozes indistintas, e a taça em minha mão parecia mais pesada do que deveria. O ar do salão de repente parecia denso, carregado demais para respirar. Quando levantei a cabeça, Christopher estava ali, do outro lado da sala, me observando sem qualquer disfarce.
Eu deveria desviar o olhar. Deveria ignorá-lo. Mas não consegui.
Antes que eu tivesse a chance de me levantar, as luzes do salão se apagaram e a voz do diretor ecoou pelo espaço. Ele subiu ao palco para apresentar o primeiro episódio da série. A saída não era mais uma opção. Tentei me concentrar, absorver suas palavras, mas tudo parecia distante, desconexo.
Os personagens se moviam na tela, mas os sons eram abafados pelo turbilhão dos meus próprios pensamentos. Minha respiração parecia ser a única coisa audível dentro de mim, misturada à confusão de memórias e sensações que insistiam em me puxar para longe dali.
Os personagens apareciam na tela, mas meus pensamentos abafavam qualquer diálogo, misturados ao som da minha própria respiração. Eu estava vagando cada vez mais longe dali, minhas memórias e sensações me insistiam em me puxar para longe dali. E passado se intercalando com o presente, me levava à beira do abismo. Os olhares que carregavam significados demais, palavras que haviam sido ditas e outras que morreram antes de nascer, o desejo à flor da pele, a dor que vinha logo depois.
Com Christopher, tudo era um vendaval, incerteza e paixão avassaladora. Com Paco, eu tinha o que sempre achei impossível: estabilidade, segurança e tranquilidade. Eu não precisava pensar, eu tinha a resposta comigo o tempo todo. Não era hora de reabrir feridas, era o momento de curar dores que não precisavam estar ali.
As palmas que explodiram ao meu redor me arrancaram daquele transe. Virei-me para Paco a tempo de vê-lo radiante, seu rosto iluminado pelo entusiasmo, os olhos brilhando como os de uma criança que acaba de ver um sonho tomar forma diante dela. Ele estava completamente imerso no momento. E eu queria sentir o mesmo.
— Isso foi maravilhoso! — Ele exclamou, ainda sorrindo. — O que achou?
Forcei um sorriso, afastando os resquícios dos pensamentos que ainda dançavam em minha mente.
— Sim, foi ótimo! Quer dizer... estou até sem palavras!
Ele riu, tomando um gole do uísque, os olhos ainda vibrando com a empolgação.
— Acha que um dia serei eu dirigindo uma série dessas?
Meu coração pesou com a percepção de que eu não estava cem por cento ali com ele. Mas essa era a verdade: eu acreditava nele. Então, agarrei-me a isso.
— Tenho certeza, baby. — E era sincero. Porque Paco era talentoso, esforçado, brilhante. Ele faria acontecer. — Por que não vai parabenizá-lo pessoalmente? Acho que seria ótimo para você.
Ele refletiu por um instante, então assentiu.
— Claro, por que não?
Antes de se levantar, inclinou-se para deixar um beijo suave nos meus lábios, um gesto tão simples e terno que me fez sentir um nó na garganta.
— Não demoro.
— Não tenha pressa. Estarei te esperando bem aqui.
Observei-o se afastar, sentindo um vazio estranho se instalar em meu peito. Respirei fundo, tentando ignorar a sensação, mas antes que pudesse realmente entender o que era, Christopher surgiu ao meu lado.
— Esse cara não aprende nunca? — A voz dele veio baixa, carregada de algo que eu não queria decifrar.
Autor(a): siguevondy
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Fechei os olhos por um instante antes de me virar lentamente. Ele estava ali, como uma sombra persistente do que já foi. Seu olhar era fixo em mim, intenso e inescapável. — Onde está sua namorada? — perguntei, mantendo minha voz firme. Christopher deu um meio sorriso, colocando as mãos no bolso. — Fazendo contatos. Você ...
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Comentários do Capítulo:
Comentários da Fanfic 4
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vondy_dulcete Postado em 21/01/2025 - 18:25:29
Continua
siguevondy Postado em 21/01/2025 - 22:15:52
Olá! Que alegria ver seu comentário! Seja muito bem-vinda! Continuando <3
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vondyfforever Postado em 17/01/2025 - 02:23:41
Affe, que dor, continuaaaa
siguevondy Postado em 17/01/2025 - 23:03:43
Bem vinda! Que bom ler seu comentário! Muito obrigada! Achei que ninguém estava lendo! E sim, essa época foi terrível para nós.