Fanfic: Te Daria Tudo - Vondy | Tema: Vondy
O silêncio se esticou entre nós, pesado e denso, como uma névoa que não queria dissipar. O som da minha respiração parecia retumbante no pequeno espaço entre nós. Eu queria gritar, dizer algo, qualquer coisa que me tirasse daquele lugar de impotência absoluta. Mas as palavras estavam presas, como se estivessem se dissolvendo antes mesmo de eu poder pronunciá-las.
Maite me observava com um olhar que, embora carregado de compaixão, não deixava de ser um lembrete amargo da realidade que eu já sabia. Eu já sabia. Mas ouvir, de fato ouvir, fazia tudo parecer ainda mais cruel.
— Você acha que é fácil pra mim também? — a voz de Maite, finalmente, quebrou o silêncio, mas ela não me olhava mais. Seus olhos estavam fixos no vinho na taça, como se procurasse uma resposta lá. — Eu vi tudo o que vocês dois passaram. Eu vi o amor de vocês começar e depois se transformar nesse cabo de guerra, e não foi fácil para ninguém.
Eu respirei fundo, sentindo o peso das suas palavras pesar mais ainda sobre mim. Ela tinha razão. Não era fácil. Mas isso não fazia com que fosse mais suportável.
— Não se trata de ser fácil ou difícil, Mai. — Eu quase soquei a mesa. — Eu... Eu só quero entender. Como ela vai fazer isso? Como vai me deixar assim, e seguir com ele?
Maite virou-se devagar para mim, os olhos mais suaves agora, mas ainda tão cheios de um peso que parecia me esmagar.
— Porque ela precisa, Christopher. — A sinceridade na sua voz me atingiu de frente. — Ela sempre soube, mesmo antes de você, que o que vocês tinham não era suficiente. Não era mais. Você sabe disso, não sabe? As coisas mudam. As pessoas mudam.
Eu quase não consegui processar o que ela estava dizendo. Cada palavra dela se batia em mim como uma parede que não parava de crescer, uma parede que eu não podia ultrapassar. Eu queria lutar contra isso, queria gritar, mas tudo o que me restava era o vazio, um buraco dentro de mim que se expandia rapidamente.
— Você está me dizendo que ela vai se casar porque... Porque não a amei o suficiente? — Eu pude ouvir o rancor em minha voz, e não me importei. — Porque eu falhei? Porque nunca fui bom o suficiente?
Maite balançou a cabeça, mas havia um entendimento nela que me fez sentir ainda mais fraco. Ela não tinha respostas para mim. Ninguém tinha.
— Não. Não é isso. — Ela respirou fundo, olhando para mim com uma intensidade silenciosa. — Mas você sabia, Christopher. Você sabia que ela estava se afastando, que as coisas não iam voltar ao que eram. Às vezes, as pessoas precisam de mais do que o que você pode oferecer, por mais que você tente.
Eu queria negar. Queria lutar contra cada palavra, cada julgamento que ela estava me fazendo, mas no fundo, eu sabia que era verdade. Eu tinha visto os sinais. Eu tinha ignorado os sinais. E agora, as consequências estavam ali, na minha frente, mais reais do que nunca.
— Mas ela vai se casar com outro, Mai. — A voz saiu fraca, quase como um suspiro derrotado. — E eu... eu não sei como lidar com isso.
Eu me levantei lentamente, sentindo os músculos tensos, como se o simples ato de me mover fosse demais. Maite não disse mais nada, mas o peso da sua presença estava ali, como um lembrete do que eu já sabia: não havia mais nada que pudesse fazer. Eu havia perdido. E o pior era que, em algum nível, eu sabia que ela sempre teve razão. Que as coisas já estavam quebradas há muito tempo. Eu só não quis ver.
Maite me observava, os olhos suaves, mas cheios de um entendimento que eu não queria.
— O que você esperava, Chris?
Levantei o olhar.
— Eu não sei — admiti, a verdade amarga queimando minha garganta.
Mas eu sabia. Eu esperava que, em algum momento, ela se desse conta. Que percebesse que Paco podia oferecer um futuro, mas que o passado dela ainda pertencia a mim. Esperava que, antes de dizer "sim" para ele, ela olhasse para trás. Esperava que ela olhasse para mim. E agora, eu não era mais nem uma lembrança a ser considerada.
Caminhei até a janela da cozinha só para ver como a cidade brilhava lá fora, indiferente ao que estava acontecendo dentro de mim. Fechei os olhos por um momento, tentando segurar o peso esmagador daquela realidade. Mas era impossível. Ela estava indo embora, e não havia nada que eu pudesse fazer para impedi-la. Não dessa vez.
— Chris... — Maite chamou, a voz baixa, hesitante. Como se já soubesse que não havia palavras certas para aquele momento.
Eu não respondi de imediato. Apenas girei a taça entre os dedos, observando o vinho escuro girar no copo como se pudesse encontrar alguma resposta ali. Mas não havia respostas. Não para isso.
— Eu nunca pensei que realmente a perderia. — Minha voz saiu rouca, quase um sussurro. Uma confissão tão amarga quanto o gosto do vinho em minha língua.
A confissão saiu antes que eu pudesse segurá-la e Maite soltou um suspiro pesado.
— Você precisa seguir em frente.
Virei-me para encará-la, sentindo um nó apertar ainda mais minha garganta.
— Eu não sei como.
— Você vai conseguir — ela afirmou, como se estivesse tentando me convencer. — Mas não assim. Você precisa querer esquecê-la e aprender a conviver com a parte boa de tudo o que viveram.
Engoli em seco, desviando o olhar. Meu peito doía como se um ferro quente o atravessasse. Eu queria acreditar nela. Queria acreditar que o tempo curaria essa ferida, que um dia Dulce seria apenas uma lembrança bonita, e não essa dor insuportável.
Passei a mão pelo rosto, sentindo o peso de tudo que eu havia perdido. De tudo que eu nunca mais teria.
— Eu preciso ir.
Minha voz era baixa, quase um murmúrio. Maite não discutiu. Ela apenas assentiu, compreensiva. Caminhei até a porta, mas antes de sair, olhei para ela uma última vez.
— Obrigado, Mai. — Ela apenas apertou meu braço e me ofereceu um sorriso triste.
E sem dizer mais nada fui embora comigo a certeza de que Dulce nunca mais seria minha.
A noite já estava profundamente instalada quando saí da casa de Maite, sem um destino claro, sem saber o que faria com aquela dor que me consumia. As ruas estavam vazias, o vento fresco do Outono me rodeava. Cada passo parecia arrastado, como se a própria cidade soubesse o que estava acontecendo e queria me empurrar para fora, longe de tudo o que me doía.
Eu não sabia onde estava indo. Mas, por algum motivo, eu precisava me afastar de tudo, de todos. Enquanto eu caminhava pensei em ir até seu apartamento, precisava vê-la, ouvi-la. Mas era tarde. E... Ela poderia não estar sozinha.
Foi então que peguei meu celular e hesitei por apenas um segundo, o peso da decisão se fazendo presente. Mas, no fundo, eu já sabia o que eu precisava fazer.
Autor(a): siguevondy
Este autor(a) escreve mais 2 Fanfics, você gostaria de conhecê-las?
+ Fanfics do autor(a)Prévia do próximo capítulo
Com a respiração suspensa, sem mais palavras a dizer, eu apertei o botão e disquei o número. O toque do celular no meu ouvido soou como um golpe repetido, cortando a tranquilidade da madrugada. Mas eu não podia parar. Eu precisava falar com ela, ouvir sua voz, entender se, de algum modo, havia algo que ainda pudesse ser dito. Algo que eu pu ...
Capítulo Anterior | Próximo Capítulo
Comentários do Capítulo:
Comentários da Fanfic 4
Para comentar, você deve estar logado no site.
-
vondy_dulcete Postado em 21/01/2025 - 18:25:29
Continua
siguevondy Postado em 21/01/2025 - 22:15:52
Olá! Que alegria ver seu comentário! Seja muito bem-vinda! Continuando <3
-
vondyfforever Postado em 17/01/2025 - 02:23:41
Affe, que dor, continuaaaa
siguevondy Postado em 17/01/2025 - 23:03:43
Bem vinda! Que bom ler seu comentário! Muito obrigada! Achei que ninguém estava lendo! E sim, essa época foi terrível para nós.