Fanfic: Te Daria Tudo - Vondy | Tema: Vondy
Com a respiração suspensa, sem mais palavras a dizer, eu apertei o botão e disquei o número. O toque do celular no meu ouvido soou como um golpe repetido, cortando a tranquilidade da madrugada. Mas eu não podia parar. Eu precisava falar com ela, ouvir sua voz, entender se, de algum modo, havia algo que ainda pudesse ser dito. Algo que eu pudesse fazer para reverter tudo isso.
O telefone tocou várias vezes. Cada toque fazia minha ansiedade aumentar, mas não havia mais volta. Eu precisava ouvir o que ela tinha a dizer, mesmo sabendo que a resposta talvez já estivesse dada.
E então, ela atendeu.
— Christopher? — A voz de Dulce estava suave, mas ainda assim carregada de algo que eu não conseguia decifrar. — O que você quer? É tão tarde...
Eu sabia que ela estava longe de mim, mas ainda assim, a ouvi como se estivesse ao meu lado, o som da sua respiração tranquila invadindo o silêncio. Eu fiquei um momento em silêncio, observando o que dizer, como dizer, mas as palavras se embolavam em minha garganta. Eu queria gritar, queria exigir respostas, mas, ao mesmo tempo, algo dentro de mim dizia que eu só precisava escutá-la.
— Dulce... — Minha voz saiu arrastada, como se o peso de tudo aquilo estivesse me impedindo de respirar direito. — Eu não consigo entender... você vai se casar com ele?
Havia uma tensão latente na pergunta, como se as palavras fossem cortantes. Eu sabia que, de alguma forma, essa não era apenas uma pergunta. Era um grito silencioso, um pedido desesperado para que ela me desse uma resposta que fizesse sentido.
Houve um silêncio na linha. Um silêncio profundo, como se o tempo estivesse segurando a respiração, e então, ela respondeu, mas de uma forma tão calma, tão distante, que meu coração pareceu se apertar ainda mais.
— Sim. Eu vou. — A resposta foi simples, mas carregada de algo que eu não consegui identificar de imediato. — Acho que você já sabe que não há mais volta, Christopher.
Aquelas palavras me atingiram como uma tempestade repentina. Eu sabia que estava perdendo ela, mas ouvir isso foi como ver um pedaço de mim se desfazendo. O que era mais doloroso, talvez, não fosse a resposta, mas o tom em que ela falou, como se já tivesse aceitado o fim, como se tivesse se despedido de mim muito antes de eu estar pronto para isso.
Eu não sabia o que responder. Não sabia se deveria falar, se deveria gritar, ou simplesmente me calar. E então, em meio ao silêncio constrangedor, a voz dela voltou a me alcançar.
— Eu estava na sacada, olhando para a lua... — Dulce disse, e de alguma forma, eu a imaginei ali, sozinha, com os olhos perdidos no céu, como se estivesse tentando encontrar algo que a fizesse se sentir inteira novamente. — A lua é linda hoje, não é? Mas, mesmo olhando para ela, eu sinto que... que há uma escuridão que não vai passar.
Aquelas palavras quebraram algo dentro de mim, mais do que tudo o que eu tinha ouvido até agora. Era como se ela estivesse compartilhando uma dor que era tão minha quanto dela. Eu sabia o que ela queria dizer, mesmo sem precisar que ela me explicasse. Ela estava perdida, mas de alguma forma, ainda me carregava com ela, como se o que nós dois tínhamos sido ainda fosse uma parte dela.
— Dulce... — minha voz saiu trêmula, e eu não consegui impedir que a emoção tomasse conta. — Eu não sei o que fazer, não sei como deixar você ir. Você... você não entende o quanto eu te amo.
O silêncio dela foi pesado, mas ao mesmo tempo, eu sentia que ela estava ouvindo, e isso, de algum jeito, ainda me dava esperanças. Esperanças que eu sabia que eram vãs, mas não conseguia deixar de sentir. Ela estava ali, diante de mim, mesmo à distância. E, por mais que eu tentasse negar, tudo o que restava em mim era o medo de que ela estivesse se afastando para sempre.
— Eu sei que você me ama, Christopher — ela disse finalmente, com a voz mais suave, mais distante agora. — Mas isso não é o suficiente. Não é o que eu preciso, não é o que eu sou mais capaz de dar. Eu... eu precisava mudar, e ele me deu algo que eu nunca encontrei em você.
Eu queria interrompê-la, queria falar sobre tudo o que compartilhamos, sobre como isso nunca teria sido suficiente para ela. Mas as palavras não saíam. Porque eu sabia que ela estava certa. Ela estava buscando algo que eu não pude oferecer. Algo que talvez fosse maior do que eu, mais complexo do que eu era capaz de entender.
O silêncio voltou a preencher a linha. Só o som da respiração de ambos poderia ser ouvido. E, por um momento, senti que talvez isso fosse o fim. O fim definitivo de nós.
— Eu sei que você vai seguir em frente, Dulce... — disse finalmente, com a voz embargada. — Eu só... eu só queria que você soubesse que, para mim, você vai ser sempre a minha escolha. Eu nunca vou te esquecer.
E então, antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ela desligou. O silêncio que se seguiu foi absoluto. Eu continuei ali, de pé, olhando para a tela do celular, o som do silêncio pesado em meus ouvidos, como se aquele momento fosse o último.
No dia do casamento de Dulce, eu estava dormente por dentro. A dor, que antes me dilacerava em ondas violentas, havia se transformado em um peso constante, um frio que não passava. Era estranho perceber que, de tanto sofrer, meu coração simplesmente se acostumou. Agora, não havia mais fúria, desespero ou sequer esperança. Apenas a certeza de que ela não era mais minha.
Mesmo que soubesse, no fundo da alma, que jamais encontraria alguém como Dulce. Que eu poderia viver mil anos, atravessar continentes, conhecer milhares de rostos, mas nenhum teria o olhar dela. Ninguém ocuparia seu lugar. Ela foi o mais próximo do paraíso que eu já estive. Ela me deu vida quando eu nem sabia que estava à beira da morte. Me ensinou a amar, a sentir, a ser alguém melhor. E eu, cego pela minha vaidade e pelo medo de ser insuficiente, a deixei escapar.
E minha penitência seria viver sem ela. Para sempre.
Foi por isso que decidi deixá-la em paz. Não porque não doía. Mas porque, pela primeira vez, eu sabia que não tinha mais o direito de tentar segurá-la. Não me colocaria diante dela esperando qualquer migalha de dúvida em seu olhar. Ela havia escolhido um caminho sem mim, e a única coisa que me restava era respeitar isso.
Então, fiz a única coisa que poderia fazer: me afundei no trabalho.
O show daquela noite não era nada grandioso, nenhum evento lotado, apenas um lugar pequeno, intimista, onde eu pudesse desaparecer na música e fingir, por algumas horas, que meu mundo não estava desmoronando.
Quando subi no palco, as luzes me cegaram por um instante. A casa estava cheia, mas eu não enxergava ninguém. Peguei o violão, ajustei o microfone, sentindo o peso da noite se instalar nos meus ombros.
— Boa noite, pessoal — minha voz saiu rouca, baixa demais.
O público aplaudiu, esperando que eu continuasse.
— Hoje... Eu queria cantar uma música que compus para alguém especial, todos vocês conhecem, então podem me ajudar...
Meus dedos encontraram os primeiros acordes, as notas ecoando suaves e dolorosas pelo espaço. As palavras vieram sozinhas, porque, no fundo, sempre estiveram dentro de mim.
"Who would have thought, that one day you'd see me crying
I feel the pain, you put a bullet through my head"
A cada verso, era como se um pedaço de mim se desintegrasse no ar.
Eu a perdi. E agora, só me restava cantar.
Autor(a): siguevondy
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Comentários do Capítulo:
Comentários da Fanfic 4
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vondy_dulcete Postado em 21/01/2025 - 18:25:29
Continua
siguevondy Postado em 21/01/2025 - 22:15:52
Olá! Que alegria ver seu comentário! Seja muito bem-vinda! Continuando <3
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vondyfforever Postado em 17/01/2025 - 02:23:41
Affe, que dor, continuaaaa
siguevondy Postado em 17/01/2025 - 23:03:43
Bem vinda! Que bom ler seu comentário! Muito obrigada! Achei que ninguém estava lendo! E sim, essa época foi terrível para nós.