Fanfic: Novo Destino (Vondy) | Tema: RBD
Dulce encarou a tela do celular pela vigésima vez e suspirou, o peso da frustração apertava seu peito. A última mensagem enviada ao namorado, Rafael, continuava sem resposta, o temido "visualizado" brilhava como uma lembrança amarga de que ele tinha lido, mas escolhido ignorá-la. Ela fechou os olhos, tentando afastar a pontada crescente de decepção. Era sempre assim: mandava um "bom dia" cheio de carinho, e ele respondia horas depois, com um emoji ou uma mensagem breve.
"Ele deve estar ocupado," murmurou para si mesma, como se a repetição pudesse suavizar o incômodo. Entretanto, a desculpa que ela usava diariamente começava a perder o efeito, a verdade era que Rafael sempre estava indisponível – trabalho, academia, amigos... Havia sempre algo mais importante do que ela. Dulce sentia que estava travando uma batalha sozinha, tentando manter o que já parecia perdido.
― Mais que droga, Rafa! ― sussurrou, fechando os olhos por um breve instante, deixando seus ombros caírem.
Guardou o celular no bolso da calça jeans com um gesto rápido, como se quisesse se livrar daquele fardo. A jovem se virou para a cozinha, buscando refúgio no único espaço da casa que ainda oferecia um senso de estabilidade. O cheiro acolhedor de café fresco misturava-se ao aroma suave do chá que Márcia, a governanta, costumava preparar. "Se ao menos os sentimentos pudessem ser tão simples quanto preparar uma xícara de chá," pensou, permitindo-se uma pequena pausa na melancolia.
― Só você para me animar a essa hora da manhã...
A cozinha era o coração da casa ampla e sofisticada, o piso de mármore negro refletia a luz que entrava pelas grandes janelas, o ambiente transmitia uma tranquilidade que contrastava fortemente com o caos emocional que ela carregava. Os armários, de madeira escura de acabamento acetinado, se estendiam até o teto, e as prateleiras internas, escondidas por portas de vidro fosco, exibiam uma coleção impecável de louças finas e utensílios de prata. No centro, a ilha de mármore branco servia como ponto de encontro das manhãs, onde conversas despreocupadas aconteciam. Márcia costumava estar ali todos os dias, preparando seu chá preferido.
Mas, ao contornar a bancada, Dulce parou abruptamente. Sua voz se prendeu na garganta ao perceber que não era a governanta, mas Christopher – com aquele sorriso que ela conhecia bem demais, o tipo de sorriso que, de alguma forma, acalmava os pensamentos que rodavam em sua cabeça.
― O que está fazendo aqui? ― a jovem conseguiu perguntar, mesmo sendo surpreendida ao ver o rapaz ali. ― Seu apartamento tá inabitável de novo?
Segurando uma caneca fumegante de café, ele lançou-lhe um olhar ofendido, mas com um toque de humor nos olhos.
― Não sou tão bagunceiro a esse ponto, também.
Claro, pensou ela, lembrando-se das roupas espalhadas pelo chão e da louça acumulada na pia da última vez que esteve lá.
― O papai me chamou ― Christopher retrucou com um toque de impaciência na voz. ― O escritório pegou um caso grande, ele precisa de ajuda com a leitura dos autos dos processos.
― Então era por isso que ele estava tão estressado ontem. ― Dulce se acomodou numa das banquetas, recordando-se da discussão do pai ao telefone na noite anterior.
O rapaz tomou um gole de café, enquanto ela se sentava.
― E você, Dul? ― perguntou, a voz mais suave agora. Seus olhos se estreitaram com preocupação. ― Está tudo bem?
A jovem não respondeu de imediato, seus ombros cederam levemente sob o peso de uma tristeza que ela tentava esconder.
― Ih... problemas no paraíso? ― Christopher brincou, mas havia um tom de seriedade ali, captando o silêncio dela.
Sentindo o clima mudar, ele se inclinou para a frente e colocou uma xícara de chá na frente dela. O gesto simples carregava mais do que preocupação; era uma tentativa de reconfortá-la sem pressionar. Dulce forçou um sorriso, mas a tristeza em seus olhos traiu sua tentativa de parecer bem.
― Algo assim. Rafael deve estar ocupado... como sempre.
O rapaz odiava ver a garota assim, com o brilho apagado e a confiança abalada por causa de um cara que claramente não sabia o que tinha. Mas ele a conhecia, sabia que ela era do tipo que lutava até o fim, mesmo quando era evidente que a batalha estava perdida.
― Você merece mais, sabe disso, né? ― disse ele, sua voz baixa, inclinando-se na direção dela.
A jovem suspirou, o olhar perdido na xícara à sua frente. Christopher sempre tinha aquele jeito protetor, como um irmão.
― Eu só queria que ele se importasse um pouco mais ― murmurou, quase como se estivesse confessando para o chá, buscando ali uma solução que nunca encontrava.
Porque, no fundo, ela sabia que o meio-irmão estava certo, mas o que fazer quando o coração se agarra ao que não tem? A ausência constante de Rafael doía mais do que Dulce estava disposta a admitir. Ela queria ser importante para alguém, ser a prioridade, só que com o namorado, sempre estava no fim da lista.
O rapaz não disse nada de imediato, apenas assentiu em silêncio. Levou a caneca aos lábios, o calor do líquido reconfortou o silêncio que se instalou entre eles. Porém, ver a garota tão vulnerável, tão desgastada, só fazia o incômodo em seu peito crescer. Ele odiava vê-la assim!
― Ninguém deveria ter que implorar para ser prioridade na vida de alguém.
As palavras de Christopher ressoaram pelo cômodo como um eco, ela desviou o olhar, sentindo o familiar nó se formar em sua garganta.
― Você, logo você, falando isso? E as coitadas da faculdade que vivem passando pela sua cama? ― provocou Dulce, arqueando as sobrancelhas, tentando aliviar a tensão com uma dose de ironia.
Ele soltou uma risada baixa, descontraída, mas seus olhos continuaram fixos nos dela.
― Isso é diferente ― respondeu com um meio sorriso. ― Nunca enganei ninguém. Elas sabem exatamente no que estão se metendo, não prometo nada além do que estou disposto a dar.
A jovem assentiu, captando a indireta, o pensamento a incomodava porque era difícil admitir que estava em uma situação assim.
― Bem, o dever me chama ― Christopher comentou, apontando casualmente para a porta. ― Se eu não for, o carrasco Fernando vai acabar me devorando vivo.
― A gente se vê pelos corredores da faculdade, então ― disse ela, acenando despreocupadamente enquanto ele se levantava.
O rapaz encheu a caneca com mais café e já estava prestes a sair quando sentiu os braços de Dulce ao seu redor.
― Ah, obrigada! ― a jovem comentou em um tom suave, pegando-o de surpresa. ― É bom ter você como irmão.
O gesto inesperado o deixou imóvel por um instante, o calor do abraço dela o desarmou. Após um momento de hesitação, Christopher retribuiu, envolvendo-a com os braços. O toque era leve, mas carregado de uma vulnerabilidade, deixando um nó de emoções que ele não sabia como desfazer. Surpreso, pela atitude inesperada, ele sorriu antes de sair pela porta, lançando-lhe um último olhar antes de desaparecer pelo corredor.
Dulce ficou ali por alguns segundos, sozinha com seus pensamentos e emoções conflitantes. O abraço havia acalmado temporariamente o turbilhão em sua mente, porém, ao pegar o celular, um peso voltou a se instalar em seu peito. O visor ainda exibia o silêncio de Rafael.
Quando ela tomou coragem para guardá-lo de volta no bolso, a vibração súbita do aparelho a fez congelar. Seu coração disparou, por uma esperança quase desesperada: seria, enfim, uma resposta do namorado? Mas, ao desbloquear a tela com os dedos trêmulos, o que viu a fez prender a respiração.
Um número desconhecido piscava no visor, e uma sensação de alerta atravessou sua mente, apertando seu peito.
"Você sabe realmente onde seu namorado está agora?"
A mensagem curta e enigmática revirou o estômago da jovem. Quem enviaria aquilo? Ela tentou relembrar se tinha mencionado alguma coisa sobre sua relação com Rafael para um estranho, mas nada parecia justificar a mensagem.
Seus dedos pairaram sobre o teclado, duvidosos, enquanto uma parte de si refletia se gostaria de investigar.
"Quem é você?" ela digitou.
Os segundos seguintes pareciam uma eternidade, até que outra mensagem apareceu na tela:
"Acho que você deveria descobrir antes que seja tarde demais."
Dulce sentiu um arrepio percorrer sua espinha, algo não estava certo. Rafael escondia mais do que ela imaginava, e aquela mensagem era o empurrão que precisava para finalmente buscar as respostas que sempre evitou.
Oii gente, volteei! Estavam com saudades? Já voltamos com tudo, será que essa história com o "Rafa" vai dar ruim?
Espero que estejam gostando, trouxe o 1 capítulo para vocês terem um gostinho do que vem por aí.. Ainda não sei quando terá postes regulares, mas em breve apareço com mais notícias.
Autor(a): Diva. Escritora
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