Fanfic: Ojos marrones | Tema: Myrabi
“O que acha desse?”
Era ela quem estava dirigindo, mas estava me pedindo ajuda para encontrar um restaurante para jantarmos
“Um restaurante karaoke, parece até irônico duas atrizes da Broadway cantar no karaokê”
Disse de forma brincalhona retirando um risada dela
“Aí My somos estrelas humildes, divas acessíveis”
Fabi disse procurando uma vaga para estacionar seu Nivus, ri.
Estamos comemorando nosso aniversário de 13 anos de amizade.
‘sim nós comemoramos nosso aniversário de amizade, não faz sentido comemorar só nosso aniversário de namoro, porque antes de Fabiane Bang ser minha namorada e futura noiva ela era e é minha melhor amiga’.
Fomos entrando no restaurante de mãos dadas, e uma recepcionista veio em nosso direção, eu observa o hall de entrada.
“Boa noite será uma mesa para duas?”
A mulher loira fala olhando para mim, e antes que eu falasse minha namorada se pronunciou.
“Sim, só nós duas” Fabi disse me colocando atrás dela, senti um leve tom grosseiro em sua voz, mas não estava prestando muito atenção, eu observava um abajur Lava em cima de uma mesa, ele tinha um mistura de cores rosa e verde, e achei extremamente lindo.
A recepcionista começou a andar em nossa frente “Aqui é um ótimo lugar, fica com uma boa visão para nosso palco”, ela aponta para um palco onde tinha uma moça tentando cantar Flor de tangerina de Alceu Valença.
“Muito obrigado” Fabi disse e eu apenas dei um sorriso educado, mas diferente do de minha namorada, que havia dado um sorriso, mas um sorriso - culposo quando não se tem a intenção de sorrir.
Me sentei no banco vermelho e comecei a observar novamente, Fabi se sentou do meu lado um pouco afastada e pegou o cardápio que estava encima da mesa. O lugar era lindo, com um ar rústico, com uma decoração que misturava épocas, em um canto tinha uma parede enfeitada com discos de vinil e CD's, tinha uma vitrola e um toca fita, e logo ao lado uma estante com discos e fitas para tocar, tinha algumas plantas, a iluminação era baixa, com certeza se a comida também for boa iremos voltar outras vezes.
“Myra, já sabe o que vai pedir?” A voz de Fabi me faz olhar pra ela mas
‘ela tá me chamando de MYRA? Não é querendo ser tóxica, mas Fabi não me chama só de MYRA quando estamos sozinhas, sempre usa apelidos, e sempre um Amor, bebê, My, princesa, Elphi, mas nunca Myra’.
Me viro pra ela “você tá me chamando de Myra?” Vi seus olhos marrons se revirando impaciente.
“Sim, esse é seu nome, ou estou errada?” Vi minha boca ir no chão.
“Olha aqui, você só pode me chamar de Myra, quando no final você colocar um Bang tá entendendo? Para ficar assim Myra Ruiz Canzian Bang” sua expressão estava fechada, então eu vi que ela estava sentada longe “E tem outra, Porque tá tão longe? Você não nunca sentou longe de mim, em 13 anos de amizade e 2 de namoro, e você sempre quis contato físico” mais um revirar de olhos
“Tá” ela bufou “Mas é que” seus olhos castanhos se distanciaram e logo voltaram “aquela recepcionista loira de farmácia, estava claramente tentando flertar com você” ela solta e suspira.
Fabi tem estado muito mais ciumenta esses tempos, acredito que tem haver com sua idade, li alguns comentários na rede social de algum ‘sem noção’ falando que ela já estava ficando velha e que nosso relacionamento duraria pouco, porque eu precisava de uma pessoas jovem como eu ‘não sei direito, mas esse povo acha que tenho 20 anos ainda’, ela tem ficado mais sensível com momentos assim.
Me virei pra ela com os olhos arregalados “ela tava?”
Ela arqueia uma sobrancelha “Sim, tanto que ela tentou encontrar em você, e não tirava os olhos de você, onde você estava nessa hora?”
Eu ri meio sem graça “ Bom em cima de uma mesa no saguão tem um abajur de Lava rosa e verde, e eu prendi minha atenção nele, porque ele é lindo, e tava pensando em comprar uma para presentear bel” disse dando um sorriso sem jeito
“Você não estava prestando atenção?” Balanço minha cabeça em negação, então Fabi explode em um risada gostosa “aí meu papai do céu, minha namorada parece um teletubbie com tdah” voltou a rir de mim, chegando perto e me dando um selinho.
“Teletubbie com tdah não, amor” fiz manhã recebendo mais um beijo
“Juro não sei porque fiquei tão brava” ela disse deitando a cabeça em meu ombro.
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Procurava uma vaga para estacionar o carro, estava nervosa, era a primeira vez desde que ela se foi, assim que parei o carro em uma vaga, me olhei no retrovisor e suspirei vendo a marca no meu dedo.
O hall de entrada está igual, mesmo fazendo muito tempo que não venho aqui, assim que entro sou cumprimentada por alguns funcionários.
“Myra que bom te ver, faz tempo que não vem aqui! Será mesa só pra um?” A mesma recepcionista loira ‘kamila’ me recebia com um sorriso
“É faz tempo, na verdade não, tenho alguém me esperando lá dentro” Vi um lampejo de indignação e tristeza em seus olhos
“Claro, fique a vontade” ela não saiu de seu posto atrás do balcão para me guiar, apenas me deixou sair andando.
Olhando pelo salão vi os cabelos loiros, e ela sentada em uma mesa com bancos vermelhos, me aproximei devagar tomando coragem.
“Oi” disse baixo e contido
“Myra que bom que veio, achei que iria inventar mais um desculpa, sabe ‘bebel está gripada’ ‘tenho muito trabalho, e não tenho ninguém pra deixar bel’ ” ela repetia o que eu havia dito algumas ‘todas as’ vezes que ela me convidou para sair
“É acontece” disse me sentando no banco. Ela se sentou ao meu lado, perto de mim, perto demais, podia sentir o calor de seu corpo.
Nossa conversa era leve, nada muito fundo, apenas falamos de música e teatro, do último musical que eu apresentei, ‘até agora’
“então como anda a procura de uma Galinda perfeita para substituir Fabi” Raissa disse de forma banal, como se me pergunta-se as horas
“É meio difícil, nós fomos as responsáveis por dar vida a Elphaba e a Glinda por anos seguidos” disse balançando os ombros “E não existe ninguém que possa substituir Fabi” disse colocando um final na conversa.
O resto da noite não teve mais qualquer menção de wicked ou da Fabi, apesar de que eu pensava nela a cada minuto, tudo em minha cabeça era motivo para pensar nela, tipo quando Raissa pediu uma bebida doce que provavelmente daria diabetes até para suas gerações futuras, me lembrei que Fabi sempre que vinha aqui pedia a mesma bebida, ou quando eu fazia uma piada e Raissa ria, me lembrava que Fabi ria de minhas piadas e completava com comentários bestas.
Estoy bien
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Atravessava a porta de entrada sem bater, ou anunciar minha chegada, não era preciso, ela estava sentada no sofá, com as pernas dobradas, e um livro em mãos, andei devagar tentando fazer o mínimo de barulho possível, chego por trás dela, e me curvo perto de seu ouvido
“Adivinha o que eu tenho comigo” ela deu um pulo de onde estava e jogou o livro em minha direção, mas errando a mira
“Que merda Myra, quer me matar? Tenho uma filha pra cuidar ainda” eu ri de sua reação e dei a volta no sofá ficando de frente para ela
“Não foi isso que eu perguntei, vamos amor, Adivinha” eu sorria, já Fabi revirou os olhos e se sentou no sofá
“Não vou adivinhar nada, Amor é o caralho, se me amasse não me assustaria assim” Fabi fez seu drama, me fazendo rir
“Ótimo então não vou te dar isso aqui” falei mostrando um pacote de balas de minhoca, fazendo ela dar um pulo do sofá e tentar pegar o pacote de balas de minha mão, que eu havia esticado acima da cabeça
“Me dá My, é bala de minhoca” seus olhos pidões quase me convenceram, mas fiquei na ponta dos pés, distanciando mais ainda o pacote
“não, você disse que eu não te amo” ela bufou e foi em direção ao sofá para subir. Eu me afasto para que ela não alcance
“Myra Ruiz Canzian me dá essa pacote” Fabi quase grita mostrando sua raiva o que me faz ir até ela que estava em cima do sofá e a abraço
“Aqui, não brigue comigo” disse lhe entregando o pacote de bala e beijando sua bochecha.
Fabi se senta no sofá e come as balas de forma adorável, como uma criança.
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O carro era preenchido com o som da voz de Isabel, que falava animadamente sobre suas primeiras semanas na nova escola, uma escola de teatro específica, eu me mantinha em silêncio já que ela não contava para mim, eu mesma já havia ouvido toda essa história, mas ela não.
“Eu fui muito bem recebida” ela prolongava o u de muito para dar ênfase em sua frase “Na primeira semana fiz várias amizades, e muitos queriam falar comigo, meus professores me elogiam, dizendo que tenho uma linda voz e que sou uma soprano igual minha mamãe Fabi, o que me deixou muito feliz”
Raissa estava sentada de lado no banco do carona, observando minha filha falar sem parar, sobre as novas técnicas de aquecimento vocal, que havia aprendido, sobre as danças que iria aprender naquele semestre, entre outras coisas.
“Só que…” Bel parou de falar e vi pelo retrovisor ela torcendo as mãos umas nas outras, em sinal de nervosismo “não sei se deveria contar, é uma coisa besta” ela tem essa mania desde pequena, e agora com 15 anos não avia abandono essa mania.
“Nada é besta Isabel, pode falar, sei que o ensino médio pode ser um grande desafio” Raisa sorrio confortando minha filha, e eu me mantive quieta, não sabia o que ela estava querendo contar, mas eu esperava que fosse alguma coisa besta.
“Uma garota, Jéssica, disse que eu era ridícula, e..” olho pelo retrovisor e vejo ela segurando o choro “ ela disse que foi um livramento minha mãe” sua frase é cortada por um soluço, e não sendo completa “ver o fracasso e ridícula que eu me tornei” Isabel chorava, era um choro forte ‘juro que eu vou arrebentar a cara dessa garota Filha da puta’
Paro o carro na frente do nosso destino mas não desço, me viro para trás para poder olhar para Bel
“Isabel, olha pra mim” Ela olha, e a dor que vejo em seus olhos marrons me quebra por dentro “ Nunca, na sua vida, deixei que qualquer comentário, sobre sua mãe te afete, você assim como eu, como o Brasil, sabe que sua mãe te amava com todas as forças dela, com todo o ser dela, ela nunca te acharia ridícula, Isabel, pelo amor de Deus, Fabiane Bang daria tudo pra estar aqui com você, eu daria tudo para que ela estivesse aqui, o único livramento aqui vai ser quando essa garota sem juízo sair da escola” termino de dizer, já com meus olhos cheios de lágrimas, segurando suas mãos, que levo a boca dando um beijo em cada.
Isabel não diz nada, apenas se inclina encostando sua testa na minha, ficamos um tempo assim, apenas tentando nos recuperar desse momento, vejo Raissa secar seus olhos, mostrando que ela também chorou. Não tenho mostrado um lado frágil perto dela, estávamos saindo a quase dois meses, mas ter Isabel daquela forma me deixa frágil, fraca.
Descemos do carro, vendo do logo a frente não muito longe, Diego e Bruna estavam nos esperando, conforme nos aproximamos, vi Diego começar a bater palmas, de forma animada. E começou a cantar.
“Myra, Myra que bela senhora, que sai da toca, já tava verde” ele batia Palmas em um ritmo que veio de sua cabeça, eu fingia que não conhecia.
Me escondendo atrás de Raissa, logo as palmas aumentaram, e vi Bruna também cantado essa canção idiota, Isabel que estava do meu lado saio correndo ao encontro deles, e começou a cantar também,seu rosta levemnete vermelho, mas com um lindo sorriso discontraido agora, quando estávamos mais perto Raissa do meu lado começou a cantar.
“Tá bom você, já deu” Falo de frente por quatro que param de imediato
“Myra meu amor, entenda, você já estava ficando verde Elphaba de ficar trancada dentro de casa” Diego diz vindo me abraçar, e beijar meu rosto “olha aqui tá verde” ele aponta para uma parte do meu rosto que tinha um pouco da maquiagem de Elphaba.
“Tá bom o espantalho, é bom ver você” abraço ele apertado, o suficiente para sentir meus braços doer, logo sinto Bruna e Bel se juntando ao abraço, e de canto de olho veso Raissa gravar e rir de nosssa interção.
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O único barulho que escutava dentro do carro era o rádio tocando uma das novas obsesoes da minha espsa, um reggaeton, que eu até diria que da vontade de dançar se eu não estivese tão acabada, destruída, cansada, chocha, capenga. enfim, fim de espertaculo, sempre essa senção de dever cumprido com gostinho de ‘fui atropelado por um caminhão 9 eixos’.
“Tá muito quieta amor, você tá bem?” Fabi fala me olhando quando para no sinal vermelho.
“ Tô so cansada, nossa dou tudo por um banho quente com a minha esposinha, e a nosa cama quentinha” digo chegando perto dela e beijando sua bochecha.
“Hum, e você sabe se a sua esposinha quer tomar um banho quente com você?” arqueo uma sobrancelhas olhando para ela
“É claro que ela quer, ela não é nem louca de recusar esse pedido meu” Fabi ri , balancando a cabeça em concordância
“Verdade, quem é a louca de recusar um banho quente com Myra Ruiz Bang?, eu sei que eu mesma, não sou” ela sorria se virando pra mim de leve, logo voltando sua atenção para rua.
“Viu, mas eu só não te chamos para esse banho, porque sou casada, e sou 100% apaixonada na minha mulher” Fabi explode em uma gargalhada.
“Que pena, Porque eu poderia fazer estragos nesse seu corpinho, durante esse banho” olho incredula para ela
“Sério amor? hoje tem?” falo sorrindo de forma maliciosa
“ Quem sabe, se você for uma boa menina” assim que ela termina de falar eu me sento direito no banco.
“ Vamos para casa então capitã, por sorte o inferno que é o transito de São paulo, não tá tão infernal”
“Calada, falando assim você tá pedindo por ele” eu me calo no mesmo momento, loge de mim, ser quem vai pedir por trasito.
Estamos perto de casa, eu não aguentava mais estar dentro do carro, tudo em mim doía, depois de nos casar eu e Fabi compramos um linda e enorme casa um pouco longe da cidade, é um sonho de criança se tornando real, as flores os quarto, a estetica de casa antiga dos anos 90 com lindas cores vibrantes, e vitral, sabe aquele lugar que você olha e diz que quem mora lá provavelmente é feliz?. Essa é a estetica da minha casa, esse é o sentimento que eu tenho ao entrar dentro dela, Felicidade.
“Amor, eu te amo” digo pegando na mão de Fabi, que me olhou rapidamente, mas em seu rosto tinha um lindo sorriso “perto de você eu sei que sou a mulher mais feliz desse mundo”
“Meu Deus amor, eu te amo muito, você e a Isabel são a minha razão de viver” ela diz e pega na minha beijando, seus olhos estavam fixos na estrada e nas luzes dos farois que passavam por nós…
A luz que veio no meu rosto era forte, e meu corpo estava gelado, sentia sua mão já fria sobre a minha, e apresão do meu corpo me arrematando, eu tentava virar meu rosta pra sua direção mas não conseguia, pois a dor de me mexer era muito maior que qualquer outra coisa ‘Não maior que a dor de não conseguir senti ela’. De forma distante, borada por lagrimas, sangue e dor eu vi tudo acontecer.
☆
É isso meus amores.
Bjzo do Lexi 🫶🏼
Autor(a): lexicastillo_
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