Fanfics Brasil - Sinopse de

Sinopse: Felicidade clandestina



texto trata da história de duas crianças que frequentavam uma mesma escola onde uma era rica e a outra de família pobre.
REESCRITA FELICIDADE CLANDESTINA

Ele era magro, excessivamente alto que parecia um boneco de Olinda, e de cabelos crespos, muito preto. Tinha um busto enorme, enquanto nós todos ainda éramos altos, mas de corpos esculturais. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos de chicletes. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: uma mãe dona de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ele nos entregava em mãos um panfleto da loja da mãe. Ainda por cima era de paisagem do Maranhão mesmo, onde morávamos, com seus lençóis mais do que vistas. Atrás escrevia com letras desenhadas palavras como fim de ano e saudade.
Mas que talento tinha para tamanha maldade. Ele todo era pura vingança, chupando chicletes fazendo bolhas e estalando na boca. Como esse menino devia não nos suportar, nós que éramos imperdoavelmente lindos, esbeltos, altos de cabelos lisos. Comigo exerceu uma tortura ferocidade, o seu prazer em ver meu sofrimento. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ele me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ele não lia.
Até que veio para ele o grande dia de começar a exercer sobre mim uma cruel tortura oriental. Como casualmente, informou-me que possuía O senhor dos Anéis de J. R. R. Tolkien.
È um livro grosso, meu Deus, e um livro pra ficar com ele, comendo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ele o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia caminhava devagar num mar de neve, as ondas de neve me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ele não morava numabarraco como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem parar meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra pessoa, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberto, sai devagar, mas em breve esperança de novo me tomava todo e eu recomeçava na rua ao andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas do Maranhão. Dessa vez nem caí guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não cai nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto do filho da dona da livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal ia sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” como ele ia se repetir com o meu coração batendo.
E assim continuaria. Quanto tempo? Não sei. Ele sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo do seu corpo fino. Eu já começara a adivinhar que ele me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito, como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ele dizia:pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outro menino. E eu, que não era dado a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu seu pai. Ele devia estar estranhando a aparição muda e diária daquele menino à porta de sua casa. Pediu explicações a nós dois. Houve uma balburdia silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. O senhor achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que esse pai bom entendeu. Voltou-se para o filho e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem gosta de ler!
E o pior esse senhor não era descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada do filho que tinha. Ele nos perguntou ao filho porque ele fazia isto, o filho respondeu que sofria bulling, não tinha amigos, todos riam dele apelidaram ele de boneco de Olinda, por isso queria se vingar. Fiquei por uns instantes em silêncio, e pedi desculpas por ele se sentir assim, e perguntei se ele gostaria de ser meu amigo?
Ele me respondeu que sim, e me deu o livro nas mãos, e me disse que eu ficasse com o livro pelo tempo que eu quisesse. Fiquei muito feliz peguei o livro, e não saí pulando como sempre. Saí caminhando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, apertando-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, o abri, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela praia, andei ainda mais caminhando pela areia, fingi que não sabia onde guardei o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Guardei o livro e fui à casa do dono da livraria, e chamei o para ir à praia comigo jogar bola, na hora ele aceitou, então fomos caminhando pela praia, e eu fui contando a parte do livro, que eu já havia lido, e ele começou a se interessar pela história, e disse vamos brincar de ir atrás do anel, igual no livro. Então começamos a brincar.
E já não éramos dois meninos, brincando: eram dois homens com seus cavalos, correndo, enfrentando dragões,inimigos.




Autor(a): eldir
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